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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Qua | 02.01.19

Se eu soubesse o que sei hoje...

P.A

Se eu soubesse o que sei hoje, tinha simulado um ataque intestinal agudo naquele fatídico dia em que a minha namorada respondeu ao chamamento das solteironas a que chamam lançamento do bouquet. É que depois acabei por ter mesmo um ataque, mal a vi a apanhar o ramo. E mal por mal, sempre preferia o ataque a fingir. Por arrasto até se evitava este blog e eu estaria agora a dormir e não a escrever este texto só para a minha avó ler.

 

Ao longo da nossa vida muitos são os "Se eu soubesse..." na nossa cabeça, essas perguntas que por momentos nos permitem ser uma espécie de justiceiro do tempo que volta atrás para alterar alguns pontos do nosso passado e imaginar que caminho seria o nosso se tivéssemos escolhido direita e não esquerda naquela esquina do Técnico, naquela sexta-feira à noite e nos cruzado com a Mafalda?

 

O João, um grande amigo meu, escolheu direita nesse dia.

 

A Mafalda tinha herpes.

 

Por isso, graças a exemplos como o do João nem sempre os nossos "Se eu soubesse..." nos levam para caminhos sem herpes. E quando pensamos nisso, ficamos satisfeitos com a nossa escolha passada que afinal até foi bem melhor e alegramo-nos por não saber para que serve o Zovirax.

No entanto a Maria, a actual namorada do João, mesmo sem nunca ter escolhido conhecer a Mafalda, passou a ter de o comprar também.

 

Na realidade o problema é o tempo. Passa demasiado depressa. Tão depressa que nos perdemos neste labirinto a que chamam de destino, ou sina, em que vamos saltando de decisão em decisão, escolhendo os nossos caminhos de forma tão automática, por vezes, que só depois de tomada é que temos realmente a noção se foi a melhor opção ou não.

Como por exemplo quando acordamos depois de uma passagem de ano bem regada e damos conta que passámos a noite com o/a Shrek.

 

O arrependimento toma conta de nós e soltamos algo como:

"Se eu soubesse o que sei hoje, não tinha bebido aquele último copo..."

 

A verdade é que todos nós somos uma colectânea de decisões prévias, uma construção de lego de caminhos que forma o nosso presente e nos abre novos caminhos e decisões para o futuro.

 

Mas às vezes dava mesmo jeito voltar atrás e alterar aqueles números do Euromilhões sabendo a chave que sei hoje.

 

Se gostavam de poder fazer isto acham piada a este conceito, então podem praticá-lo vezes sem conta no novo filme da Netflix, "Bandersnatch" em que somos nós quem decide o rumo da história em algumas das suas decisões em tempo real durante o filme. E adivinhem, podem sempre voltar atrás sabendo o que sabem hoje e verem o que acontece depois.


São 13 finais diferentes para descobrir.

 

E cuidado com a Mafalda.

 

(imagem)

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Este foi o 28º texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Este tema foi sugestão da Rita, vejam o que ela escreveu no blog dela! 

Para o próximo desafio, proponho escrever sobre o Cinema ao longo da nossa vida

 

P.A



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