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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

20.Jun.18

Palavras Cruzadas - As Despedidas de Solteiro

Voltou o bom tempo.

Calor, roupas reduzidas, cheiro a suor do senhor da frente do autocarro. Perfeito! Aqui estamos nós prontos e pouco fresquinhos para mais um Verão.

A nossa selecção continua a empatar à campeã e aparentemente tudo se encaminha para o melhor. 

Mas mesmo assim tenho de confessar que esta é sempre a minha pior altura do ano. Traz-me más memorias este tempo.

E tudo porque estamos em plena época de casamentos, ou no caso das meninas solteiras, em plena época de caça.

Aos bouquets.

Que atire o primeiro like aquele que no seu instagram ou facebook não tem apanhado nestes últimos fins-de-semana alguém a partilhar uma foto com o seu belo vestido, fato ou maquilhagem safada, acompanhada das hashtags ao estilo #SeP #VivaAosNoivos #oAmorElindo, mas depois só está mesmo essa pessoa na foto e ficamos sem saber quem são afinal a S. e o P. que pelos vistos resolveram hipotecar a casa e casar. 

 

Mas se falamos de casamentos, temos de falar do ritual mais interessante da história da humanidade: as despedidas de solteiro.

Aqui já mudo de opinião.

Adoro despedidas de solteiro. Mas adoro mesmo.

Quer dizer, adoro ver despedidas de solteiro.

Calma não é ver de assistir a stripteases ao vivo. Que é isso que a malta faz e pensa logo. Não. Claro que não. Nunca fui. Nem nunca fui também àquelas despedidas de solteiro que se escolhe quase sem querer Amesterdão só para conhecer melhor "a cultura daquele país".

Dez marmanjos sem as namoradas, uma semana, em Amesterdão?

Só podem ir ver o Van Gogh Museum ou a Anne Frank House.

 

 

Mas além desta componente intelectual sempre associada às desculpas que se dão às namoradas, as despedidas de solteiro dos rapazes são igualmente humorísticas no registo fotográfico, nunca mas nunca existem fotografias, pelo menos não depois das 21 horas. Mas até faz sentido, deve ser a hora a que fecham os museus em Amesterdão e depois já não há mais nada para fazer ali.

 

Por outro lado se olharmos para as despedidas das meninas, todas, mas todas as presentes, tiraram fotografias. A tudo. E aqui quando digo tudo estou a incluir todos os artefactos presentes, desde o bolo em forma de perceves, ao guardanapo com perceves desenhados, à tiara com véu e com um autocolante com 4 ou 5 perceves ou até mesmo à t-shirt oferecida pela madrinha que deve gostar bastante de marisco, com a frase "I Love (e depois um desenho de um perceves africano)"

E enquanto as convidadas fazem perguntas meio safadolas à noiva sobre o casal em que se ela falhar depois sofre um castigo, também maroto/safadote, por outro lado, na despedida de solteiro do noivo, o noivo não tem tanta sorte. Os convidados fazem de tudo para que ele vá sempre ao castigo.

 

E se no final, ele bastante mais culto da sua viagem a museus e ela bem mais apreciadora de marisco, mesmo assim continuarem com a mesma vontade de casar, é a prova de que efectivamente nasceram um para o outro.

 

Pelo menos até que o Tinder os separe.

 

 

 (imagem)

 Legenda: Nós a chegar do aeroporto ao primeiro museu.

 

(imagem)

 

Legenda: Nós a ajudar um sem-abrigo que estava a dormir à porta de outro museu.

 

 

 

 (imagem)

 

Legenda: Nós a ajudar o empregado a arrumar as garrafas que os outros clientes desarrumaram. Bandidos.

 

 

- FIM da despedida-

 

P.A.

 

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Este foi o 15º texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Para a próxima rubrica escolhe a Rita. Vejam tudo no blog dela!