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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

14.Mar.18

Palavras Cruzadas || Aquele brinquedo que eu sempre quis

Estávamos algures na década de 90. O ano não sei ao certo.

Lembro-me sim que acordava sempre cedo aos fins-de-semana. Pela manhãzinha.

Mesmo naquelas manhãs que dói acordar, eu estava lá.

Mais ou menos agasalhado, lá estava eu a carregar no botão da TV às 7:30 em ponto.

Acordava sempre com sede. Muita sede.

 

Muita sede de desenhos animados. Mas também por aqueles anúncios sempre temáticos plenos de bonecos e brinquedos novos feitos à medida para nos obrigar a fazer birras nos hipermercados. Então quando aparecia o novo Megazord, começava logo a pensar como iria berrar ou esbardalhar-me todo no chão a chorar e a bater com os pés, por forma a envergonhar ao máximo os meus avós para o comprarem. No fundo como um avançado do futebol dos tempos modernos, quando está na grande área e sente um ligeiro toque, à espera de convencer o árbitro.

Ah bons tempos de chantagem infantil.

Mentira. Lembrava-me sim, do cartão amarelo pela simulação, que é como quem diz, do chinelo da minha avó.

E aí sim, chorava.

Mas adiante.

 

No meio destes anúncios todos, também não papava tudo.

Por exemplo, nunca percebi a necessidade de afirmação da Barbie e das suas 324 profissões, ou porque motivo o carro vermelho era do Ken, mas só aparecia a Barbie a andar nele, ou até mesmo o porquê daqueles Nenucos que ora urinavam, ora faziam sons sinistros, e depois mais tarde via-os na rua, abandonados, de olhos furados a olharem para mim de forma demoníaca.

Como é que alguém tinha uma coisa daquelas em casa? Nunca percebi.

Urinam-se, fazem barulho e depois de usados, são vendidos como adereços de filmes de terror. - Perfeito, é isto mesmo que vou comprar para a minha filha.

 

Mas sendo justo, já na altura era fácil perceber se ia gostar ou não de um anúncio de brinquedos. Se o fundo do anúncio fosse rosa, já sabia que não valia a pena. Já quando era azul ou neutro, ficava automaticamente colado à TV.

E quando digo TV, sim aquelas antigas 4:9, com uma bunda avolumada, que o meu braço de criança não chegava atrás para ver se a antena estava bem ligada.  

 

E foi no meio de um destes anúncios de cor neutra que surgiu um brinquedo. Um brinquedo que ainda hoje sei toda a letra da música do anúncio. Um brinquedo que nunca usei, que nunca vi fora da caixa, que nunca toquei ou vi alguém tocar na minha presença.

Um brinquedo que ainda hoje existe à venda e lhe pisco o olho quando vou às compras.

 

Um brinquedo que eu sempre quis, mas que por isso mesmo nunca o comprei.

 

Para nunca estragar a sua magia.

 

Falo-vos do sempre simpático:

 

 

 

 

P.A

 

_____________

Este foi o oitavo texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolheu a Rita. Podem ver como respondeu no blog dela.

Para daqui a duas semanas, vamos falar de super-poderes. Se pudesses ter um, qual seria?

Nota: Não conta o de aturar o Guilherme...

 



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