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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

16.Out.17

O Pior dia do ano

Tristes são os dias em que suspiramos pela chegada de um furacão para nos ajudar.

 

Hoje é um desses dias.

 

Que venha a chuva prometida e a ventania bem hidratada para ajudar a pôr fim à continuidade do que foi ontem proclamado como o pior dia do ano em matéria de incêndios. Ophelia faz lá o que sabes fazer se faz favor. Já te conhecemos o vento, brinda-nos agora com a tua chuva.

 

Mas analisando o que se passou, como se pode acreditar que de Santarém para cima existam centenas de incêndios em simultâneo? Ou que sejam normais 525 ignições num só dia?

Queimadas? Cigarros? Lixo? Foguetes? Pela certa que não. Não todos.

O de Seia, por exemplo, teve início na madrugada de domingo, completamente fora do foco de calor e da ignição, dita natural, de um fogo. 

Esta espécie de terrorismo incendiário teve em 2017 o seu ano de afirmação em Portugal. E infelizmente o seu ano mais lucrativo.

 

E como se pode acreditar que seja possível ter bombeiros suficientes para domar praticamente meio país em chamas?

Claro que não. E muito menos fora de época, em Outubro. Foi um atentado perfeito.

Mas que principalmente tem de parar de ser tratado como excepção. Já começa a não o ser.

 

Se Pedrogão Grande alterou algo, o comportamento das autoridades foi um deles, na primeira ameaça, fecham agora e de imediato os respectivos acessos.

 

Foi o que aconteceu ontem a alguém.

 

Ontem percebi o que é ter alguém fechado numa ilha de acessos vedados, em que a fronteira, ainda ao longe, é uma cortina de fumo negro, denso. Não pôde, por isso, voltar a Lisboa conforme previsto. 

 

Ontem percebi o que é ter alguém que com o passar do tempo percebe que essa ilha é agora substancialmente mais pequena e já não pode praticamente sair de casa.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que ao invés de assistir a melhorias com o passar do tempo, de repente fica sem rede telefónica em casa.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que a seguir, mal anoitece, olha em volta e me envia imagens de chamas em todo o seu horizonte.

 

Ontem percebi o que é ter alguém a quem tento ligar, preocupado, e descubro que já não tem rede no telemóvel.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que consegue ainda ter wi-fi por uma vez e me envia uma mensagem no Hangouts a dizer que a internet está intermitente em casa e que já não tem rede no telemóvel.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que fica abruptamente sem qualquer forma de comunicar comigo.

 

Eu estou em Lisboa. Estou bem. Não sofri nada do que outros sofreram

 

Mas ontem percebi o que é não conseguir dormir, por silêncio.

 

P.A



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