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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

23.Out.17

O Drama das Entrevistas de Emprego

As entrevistas de emprego no fundo são como os amores. Podem ser raras, mas quem não as tem?

 

Ir a uma entrevista de emprego é como ir a uma espécie de encontro às cegas. Aliás, os princípios do blind date são praticamente os mesmos.

 

Tudo começa no caçador.

Este inicia a sua pesquisa online, numa busca e filtragem por perfis de que mais gosta. Assim que encontra um alvo, analisa-o com maior detalhe e, quer esteja no Tinder ou no Linkedin, se lhe interessa, seja pela foto sensual em trajes de praia ou pela experiência em Word e Excel, envia, sem qualquer pudor, o convite de amizade. A única diferença aqui é que no Tinder chamamos de tarado. No linkedIn é caçador de talentos.

Neste momento, o trabalho do caçador termina. Fomos notificados. Temos um aviso que alguém quer ser nosso amigo. Analisamos. E aqui, mais uma vez, o princípio é o mesmo: se nos parecer interessante, aceitamos e dizemos algo como "Até pode ser uma boa oportunidade, vou-lá ver como é. Nunca se sabe." enquanto clicamos em Aceitar Amizade. Se não sentirmos aquela chama, simplesmente ignoramos.

 

Segue-se então a primeira conversa. Desenganem-se aqueles que pensam o contrário. Até aqui é tudo a mesma coisa. Seja Tinder, Linkedin, Facebook ou o Badoo. O objectivo é sempre o mesmo e um só!

Marcar o primeiro encontro.

 

Mas há que saber quebrar o gelo. Senão a coisa não resulta. Não se pode ser muito bruto ou óbvio.

"Fiquei impressionado com o seu currículo."

ou a versão Tinder da coisa:

"Adorei aquela tua foto na praia, aquela luz, fantástico! E aquela frase sentimental nada relaccionada foi brutal. Nem reparei que estavas de biquíni!"

 

E agora sim, após esta primeira abordagem:

"Por esse motivo gostaria de saber se estaria interessado em reunir comigo para iniciarmos o processo de recrutamento"

ou a versão tinder da coisa:

"Por acaso não queres ir beber um café?"

 

Neste momento, se estivermos realmente interessados, aceitamos e "Vamos lá ver como é".

 

Até que o dia chega.

Qual encontro romântico, começamos a sentir aquela ansiedade típica, aquela necessidade de provar que somos bons, que temos as capacidades que nos reconheceram. E somos invadidos por algumas questões.

Será que vão gostar de mim?

E eu? Será que vou gostar? 

Quem nunca treinou ao espelho algumas frases antes do seu encontro laboral ou romântico? Isto para não falar do tempo que se passa na casa de banho na hora anterior. Afinal de contas temos de ir perfeitos para o nosso encontro laboral não romântico das 8 da manhã.

 

Aqui sim, reside a maior diferença destes dois mundos. A principal diferença entre um garanhão e um caçador de talentos é a hora a que marcam os seus encontros. Por acaso já viram alguém sedutor dizer, "Então e que tal irmos beber um copo amanhã às 7:30 da manhã? Pela fresquinha bem bom, não?". Ou por outro lado "Gostava de discutir o seu currículo consigo, hoje, pelas 23 num restaurante à sua escolha".

 

Tirando os guardas e outras profissões nocturnas, ninguém normal seduz antes do meio dia.

 

Chega a hora da verdade. Começa a entrevista. O caçador de talentos está ali mesmo à nossa frente e quer saber mais sobre nós.

E tal como nas primeiras conversas românticas, quem nunca disse ter um bocadinho mais de experiência que a realidade? Ou um sálario melhor? Ou uma formaçãozita a mais que à conta? Só para parecer mais confiante?

A conversa flui, as mentirinhas são bem aceites, sentimos a adrenalina a ferver. Ninguém nos pára! Estamos on-fire! Tudo corre bem. Será um perfect match laboral?

 

Foi um encontro perfeito. Adorámos e queremos mais! Estamos extraordinariamente felizes!

 

Só que o fim é igualmente comum ao dos encontros românticos.

 

Na realidade pouco interessa se gostámos muito ou não. Tudo depende se nos passam logo a nova entrevista, ou se ficamos para sempre na base de dados a aguardar por contacto.

 

E assim se fica de coração laboral partido.

 

(imagem)

 

P.A



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