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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

24.Jan.18

E tu? Onde estavas no ano 2000?

Eu?

Eu andava por Santarém, na pele de um adolescente conquistador, munido de uma face sexy toda ela revestida por uma armadura de pus e pequenas elevações em forma de 53 borbulhas.

E era bem mais forte naquela altura já que transportava 23 kilos de livros diariamente às costas.

Ainda me lembro que o som que mais gostava era o do segundo toque da escola e os professores não estavam lá. Que maravilha.

Tirando isso, Nirvana.

 

De todo o modo, no ano 2000, estaria provavelmente bem mais descansado do que em 1999. Que ano fatídico esse. Aquele constante vai não vai para acabar o mundo. Um rapaz fica inquieto. Se vale a pena estudar para o teste de amanhã de Português, uma vez que pode não haver segundo período? Se pago os 100 escudos que estou a dever ao Manuel ou se faleço mais rico e ele mais pobre? Se arrisco a falar com a Carolina fofinha da turma ou não, num ultimato ao meu coração de jovem? 

Tanta dúvida!

Depois, afinal não acabou mesmo.

E ainda bem que não falei com a Carolina. Que ela depois ficou com o gordo do Tiago. Fazia dois de mim. Ia dar chatice.

 

Bom, o ano 2000 chegou como outro qualquer. Os planetas alinharam-se mas foi para celebrar. Não para apagar a luz.

E nem acabou o mundo nem acabaram os computadores que ainda agora tinham aparecido e já só se falava do bug do ano 2000.

O bug do ano 2000 foi no fundo uma espécie de Plano B para garantir o fim do mundo, caso a primeira tentativa dos planetas falhasse. A verdade é que graças aos super-heróis dos informáticos, esses batmans do teclado, esses homens-aranha do couro digital, tudo acabou em bem.

Fiquei contente. Fixe. Não acabou o mundo. Já podia acabar a época no Fifa 2001.

Creio que foi aqui que me decidi tornar no Hulk da informática que sou hoje.

Desde que não me enervem...

 

No ano 2000, o filme Matrix tinha sido há um ano, a Expo 98 há dois e o €uro estava em vésperas de ser utilizado para passar os gelados de 100 escudos para 1 euro e os cafés de 50 escudos para 50 cêntimos. Burros.

A banda larga era uma simples banda com diâmetro, direi, para o largo.

E wireless era a tua prima, oh ordinário!

 

O Instagram era um rolo que estava nas máquinas fotográficas que não podia apanhar sol porque senão ficava bloqueado e ficavam todas as fotos com aquele filtro de fotografia queimada. E para publicar tínhamos de pagar a um senhor que tinha uma loja "de fotografia" [acho que era assim o nome]  em que dávamos o rolo para ele o "postar" em papel de fotografia. Uns dias mais tarde, recebíamos os posts e já podíamos fazer share ao vivo, mesmo com pessoas físicas(!!!!), do nosso álbum pessoal de fotografia.

 

O grupo do Whatsapp do 10ºC era uma folha A5, amarrotada por todos. Sendo que no ano 2000 podíamos cada um de nós usar o nosso tipo de letra - a chamada caligrafia. Agora usam todos o mesmo, o Arial.

Não se faziam instastories que estamos a estudar e que temos um monte de livros para marrar. Não. Estudávamos mesmo.

Agora é mais cool dizer que se estuda. Na altura quando me convidavam para alguma coisa e eu dizia que tinha de estudar, a outra pessoa olhava para mim com ar de desdém. E eu coitado, encolhia os ombros. Com a fatalidade nerd da minha escolha.

Agora não. Faz-se like.

 

O Netflix era uma loja com muitas caixas vazias de VHS onde se alugavam filmes a que se chamava de "Clube de Vídeo". E tinha sempre uma secção reservada para os mais "de 18 anos curiosos" lá irem ver.

 

A Internet era uma chamada telefónica nacional cara como o caraças! Em que tinhas de despachar primeiro o telefonema para a família a correr, para poderes estar mais tempo no MIRC. Não dava para tudo. Depois fazia uns barulhos engraçados, ligar o modem. E se alguém ligasse, podíamos cair da Internet. Sim, não é esta calmaria de hoje. Muitas foram as conversas que foram abruptamente interrompidas e retomadas com "Caí! Tinham de ligar mesmo quando eu cá estava! Impressionante!".

 

Ah, que saudades de 2000.

 

Bons tempos.

 

Ainda me divertia a ir a casamentos.

 

 (imagem)

 

P.A

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Este foi o quinto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Podem ver como a Rita respondeu a no blog dela.

Agora é a vez dela...Estou para ver o que vem daí!

Porta-te bem!



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