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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

11.Abr.18

Cheira bem, mas não a Lisboa

Se os nossos 5 sentidos estudassem todos na mesma escola, o olfacto seria aquele pobre coitado, low profile, diariamente bullyzado pelas bullys visão e audição, sem tacto nenhum, em que o paladar lhe tentava roubar constantemente o lugar à mesa. Em que por mais que se esforce, se os outros sentidos não cooperarem, não vai a lado nenhum. Uma espécie de Nuno Markl em adolescente.

 

Imaginem agora por momentos que a minha única característica atractiva para o público feminino era o meu cheiro. Mas não é cheirar bem. Era algo divinal. Ao ponto das perfumarias fazerem fila para retirar o meu suor néctar. [não confundir com sumol]

Mas, em contrapartida, de tão pouco aprazível à vista que era, se me vissem no Tinder, dava erro. No smartphone e no vosso cérebro também. 

Por muito que eu escrevesse que cheirava bem na descrição da foto, tirando provavelmente duas ou três Assistentes Sociais, não teria mais like nenhum.

 

Nuno Marklizámos o olfacto.

 

Já do ponto de vista negativo da coisa, se o Olfacto por acaso falha um dia ou simplesmente chega uns minutinhos atrasado, já passa a ser altamente incorrecto e criticado.

Imaginem agora que eu era o Brad Pitt. Desculpem não chega.

Imaginem agora que eu era eu. Para manter o divinal da coisa mais uma vez.

Imaginem agora que eu cheirava igual ao pêlo farfalhudo debaixo do braço daquele passageiro de hora de ponta que está ao nosso lado de pé no autocarro, sem ar condicionado, em pleno Agosto, parado no trânsito de regresso da praia, com o sol a bater de chapa há 3 horas. [Sim, confirmo que andei nos TST da Costa da Caparica.]

A partir daí toda a visão de Brad Pitt, perdão minha, passaria a ser substituída por um franzir de olhos e tiques de levar a mão ao nariz constantes para evitar tão penosa situação.

 

É exactamente por isso, por inconscientemente maltratarmos o nosso olfacto que hoje resolvi eleger uma boa memória a partir deste sentido.

 

Uma memória que me transporta não para Lisboa, mas para Santarém, para a minha infância, naquele preciso momento em que acordo de manhã com o cheiro a torradas acabadinhas de fazer pela minha avó.

 

Bem melhor do que acordar ao som de um despertador não?

 

Olfato:1 

Audição:0

 

E vocês que viagens têm para contar?

 

 

(imagem)

 

P.A

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Este foi o décimo texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolheu a Rita. Para daqui a duas semanas, até tenho algo mais sério desta vez: proponho que falemos sobre Humor. A sua importância. Porquê? Quando? e Quanto?



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