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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

21.Nov.17

A Rapariga no Autocarro

Finalmente a semana passada passou.

 

Finalmente porque foi uma semana longa, cansativa e desgastante. Mas felizmente nem tudo foi mau.

A avaliar pelo título, o texto de hoje podia ser uma versão Lisboa Viva do livro < A Rapariga do Comboio > de Paula Hawkins. Ou um claro apelo ao uso da Carris sobre a CP. Mas na realidade só o estou a escrever, não pela referência ao livro, ou para alimentar derbys lisboetas de transportes públicos, mas sim pela rapariga que conheci esta semana.

 

Ao longo da nossa vida, muitas são as raparigas no autocarro que conhecemos. Mesmo sem nunca falarmos, muitas são as pessoas que cruzam diariamente rotinas connosco, umas que nos apercebemos primeiro, outras que se apercebem antes de nós próprios. Vamos coleccionando caras, aprendendo a reconhecê-las nos dias seguintes. Seja desde novos a caminho da escola, seja depois para a faculdade ou trabalho. Quem não tem a memória daquele senhor ou senhora que surge, todos os dias, no mesmo metro/autocarro/rua, na mesma carruagem e, se possível, sempre no mesmo lugar? Ou, para quem faz esta travessia, sempre no mesmo barco, a caminho de Lisboa?

Quem nunca fixou a cara de uma pessoa que se cruza consigo todos os dias na rua? 

 

Esta semana "conheci" a rapariga no autocarro. E ela "conheceu-me" a mim.

 

Esta semana chata e cansativa que me obrigou a esticar horários, a ligar noites com manhãs e manhãs com noites fez com que chocasse pela primeira vez com outras rotinas, com outras pessoas.

 

Neste novo horário cruzei-me pela primeira vez com ela. Passo todos os dias por aquela escola mas normalmente já deu o toque de entrada. A semana passada não. Fui bem mais cedo.

 

Tão cedo que o autocarro de transporte de alunos que nunca antes tinha visto, estava ali parado, bem em frente à escola, de porta aberta e com o motorista a preparar a rampa para poderem descer os alunos. Sendo novidade, acabo por olhar por aquela porta aberta e lá estava ela, sentada na sua cadeira de rodas, à espera da sua vez. À espera de ajuda para ir à escola.

 

Olhou-me também. E dos seus não mais de 10 anos de idade sorriu e acenou-me.

 

Eu estava cansado, exausto do fim-de-semana, também ele passado a trabalhar, mas ali, naquele instante, passou.

Sorri quando nem pensava em sorrir. Sorri quando há dois segundos atrás só pensava no dia chato que me esperava.

 

Sorri e acenei de volta.

Ela riu. E eu ri.

 

No dia seguinte, repetiu-se. Voltámos a cruzar-nos agora já cá fora e reconhecemo-nos. Toca a acenar e a sorrir com fartura!

 

Quarta-feira vi o autocarro a chegar e fiz questão de abrandar o passo e com isso perder, para ganhar, uns instantes. Ela viu-me pela janela e de lá acenou. Acenei de volta. 

 

Quinta-feira, não a vi.

 

Sexta-feira, perguntei-lhe o nome.

 

Obrigado Inês.

 

 (imagem)

 

P.A



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