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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

22.Fev.18

A insustentável leveza do Ter

Desde a sua génese que o ser humano sempre desejou ter. E ter mais. E ainda um pouco mais.

Até já podia ser dono de meio mundo e ter muito. Mas faltava-lhe sempre qualquer coisa.

Esta sensação de desejo do desconhecido, de borboletas na barriga pela posse alheia, da galinha da vizinha ser melhor do que a minha, ou no caso de alguns adúlteros, a vizinha apenas, sempre nos acompanhou e acompanhará até ao fim dos nossos dias.

Até mesmo a Eva, tendo todo um paraíso para usufruir, quis ter exactamente aquilo que não podia e o Adão também não se fez nada rogado, e foi logo na conversa.

Conclusão, castigados. E bem.

 

Mas se não tivessem feito como o Bruno Nogueira e o Miguel Esteves Cardoso todas as terças-feiras à noite da RTP, estaríamos todos por esta hora ainda em casa dos nossos pais. E Deus estaria no seu sofá divino a receber o abono de família desta gente toda.

Por isso nem tudo foi mau. Aprendemos com este exemplo a ser independentes. A viver à nossa custa. E mais importante, a descontar para a Segurança Social.

No entanto nem tudo é maravilhoso. E ainda hoje temos humanos que continuam a sair de casa dos seus pais, apenas com uma parra à frente e com sorte, outra atrás.

 

Mas um dos efeitos mais impressionantes desta insustentável leveza do Ter, pode ser encontrado diariamente, em conversas banais entre amigos. Conseguimos apenas pela posse, caracterizar uma pessoa. Dar-lhe alma e até saber como pensa. 

No fundo, talvez moldados pelos nossos antepassados, tornámo-nos numa espécie de psicólogos de bens materiais:

 

- Olha lá tu conheces o Manel, o primo da Carolina?

"Ui esse? Esse, cuidado com ele!"

- Então?

"Só veste roupa de marca..."

 

Nunca mais vi a Maria, tens falado com ela?

"Não soubeste?"

- Não! Que se passou?

"Ela agora é famosa! Já não nos deve falar!"

 

- Sabias que o António comprou mesmo um descapotável?

"Coitado, está mesmo na crise da meia idade..."

 

Nesta última conversa até parece que estou a imaginar o fim da sessão de terapia do António num psicólogo desta área:

 

Olhe eu estive a ouvi-lo e vou-lhe receitar aqui um Opel Corsa de 1996.

"Então já sabe o que é? É muito grave senhor doutor? Vou-me curar?"

Ainda é cedo para ter certezas senhor António, mas você ande com ele duas vezes por semana e volte cá daqui a um mês para eu o voltar a ver. Se estiver a resultar aumentamos a dose. Mas é preciso ter cuidado com este tratamento.

"Muito obrigado Senhor Doutor."

 

Ah e já agora devia mudar de perfume também.

"É por ser de marca não é Senhor Doutor?"

Não, cheira mal.

 

 (imagem)

 

P.A

 

- Olha lá mas quem é afinal este P.A?

"É um parvalhão qualquer que desde que tem um blog, acha que tem piada a escrever."

 - Aposto que nem namorada tem!



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