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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

21.Jan.18

O que aprendi na Exponoivos

Os inícios de ano são sempre tempos de promessas: uns dizem que vão deixar de fumar, outros vão mais ao ginásio e uns mais espertos, que agora sim, vão contar tudo ao marido/esposa, e sair de casa. 

Este ano, fui mais radical ainda.

Fui à Exponoivos. 

De qualquer forma, que fique claro, não era nada disto que tinha previsto para 2018. Não me ia propor a algo tão violento, conscientemente. Aconteceu.

Fui, mas muito contrariado. Não que tivesse perdido uma aposta, ou feito aquele pedido ajoelhado que elas tanto adoram, mas sim porque sou amigo do meu amigo. E esse meu amigo, cobarde, não quis passar esta provação sozinho.

E eu, coração mole, lá cedi. Mas ficou-me a dever uma na mesma.

 

Uma amizade sem trocas é uma treta. 

 

Chegou o dia. Lá fomos. Dirigimo-nos para a fila, para levantar os bilhetes.

Filas e filas de casais enamorados, dois a dois sempre no mesmo registo:

Ela, qual criança na Disneylândia, eufórica e faladora

Ele, qual pai agastado, calado e concentrado, já a imaginar o que se avizinha. Olhar perdido, distante.

 

No fundo o oposto de uma bilheteira para um jogo de futebol.

 

Chega finalmente a nossa vez. Recebemos o bilhete. E com ele dois folhetos de publicidade em forma e pior, peso, de uma lista telefónica. 

Bem mais pesados, entrámos.

Assim que entrei senti-me, tenho de confessar que senti alguma nostalgia, era como entrar em Marrocos pela primeira vez. Só que ali cheirava ligeiramente melhor e os senhores não tinham todos o mesmo bigode. De resto era abordado a cada passo e o discurso era tal e qual o marroquino:

"Já tem?", " Quer ter?", "É o melhor que vai encontrar!",  "Já conhece os nossos produtos?", "Venha aqui ver melhor!", "É mesmo a sua cara!"

Amigas Marroquinas de bigode não comum: Eu sei que este meu ar de jovem casamenteiro, sedutor marido que há-de ser, ou até mesmo de futuro noivo maroto é o sonho de qualquer quinta de casamentos ou catering mais tropical, mas pelo menos podiam não ser tão oferecidas... É que eu com oferecidas perco logo o interesse. Nem lhes vejo o cupon.

Publicitário.

 

Bom, passada esta primeira zona de assédio casamenteiro, chegámos a outra secção de superação masculina que deveria ser imprópria para menores:

O desfile de vestidos de noiva

 

Tem mesmo de ser? Tem. É como ir a Roma e não ver o Papa.

Em que à partida pensamos que seca, mais do mesmo e com uma música assim para o fofinho para trazer aquele sentimento ao momento. Só que depois não foi bem assim.

A música começa e foi como se me tivesse transportado para um videoclip da Ana Malhoa. Toda a desconfiança desapareceu. Fiquei pregado à cadeira. Queria ver tudo.  Aquele som latino, aquelas noivas com a mesma parra de Eva, só que em tons de branco, foi algo que nunca imaginei. Nem estava preparado.

Mas de facto aprendi algo na exponoivos. É verdade. Não me posso queixar.

Fiquei a saber que para 2018, vão deixar de existir vestidos de noiva. Vai acabar finalmente essa moda antiga e pouco ousada.

Agora chama-se a lingerie de noiva.

Que beleza será uma entrada na igreja em preparos de bordel, só que em branco fofinho para não chocar. As avós orgulhosas da sua neta, fiel à sua religião, tal e qual os desenhos e mandamentos de Eva. Que comoção será ver o pai orgulhoso por visualizar pela primeira vez aquela tatu escondida, marota, da sua filha em plena igreja.

Fiquei convencido. Assim é para casar claro.

 

Infelizmente o desfile termina. Chega a hora da da próxima prova:

A entrada em limusines pouco higiénicas derivado ao facto de toda a gente nas últimas 10 horas ter lá andando a roçar o seu rabo.

 

Só entrei na primeira e guardei o panfleto. O meu médico de família podia vir a precisar. Herpes é lixado.

Aprendi outra coisa: Está decidido. Vamos de Smart para o copo de água.

 

E como tudo o que é bom acaba, chegamos por fim à saída.

Sentimentos dúbios tomam conta de mim.

Por um lado sinto-me desiludido porque pensava que aguentava mais do que os 10 kilos de publicidade que tinha na mão esquerda, mas afinal tive de rejeitar, já perto do fim, os folhetos das alianças com oferta da impressão da impressão digital que tanto queria. Por outro, gostei de saber que tenho uns ombros e cintura perfeitamente equilibrados para o estilo mais actual de fato de noivo.

Não sei bem o que significa, mas uma pessoa fica satisfeita de saber.

 

Até porque, pelo caminho que a moda leva, nem todos ficam bem de boxers com laçarote.

 

(imagem)

 

Conto voltar.

 

P.A



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