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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Qua | 20.03.19

5 Coisas que me irritam nos 30

P.A

Então como foi esse dia do pai? Contem-me lá.

 

Bom?

 

Filhos, deixem-me adivinhar o que compraram:

 

After-shave, perfume ou uma camisa?

 

Qual deles estava em promoção? Confessem lá.

 

Paizinhos, e vocês? Como foi poder dizer ao chefe, "Ah vou ter de sair mais cedo hoje porque tenho a festa do dia do pai na escola do meu filho? Eu nem queria...mas...".

 

Espero que tenha valido a pena!

 

É que agora mais regalias por ser pai, só para o ano. Que é mais ou menos como a frequência com que um homem casado e com filhos pequenos faz o amor com a sua esposa. E isto se eles acertarem correctamente na chave da felicidade da amada, que consiste em memorizar correctamente o dia do casamento, o dia dos namorados, o dia em que se conheceram pela primeira vez, o dia em que a pediram em casamento, o dia em que oficializaram o namoro e provavelmente devo-me estar a esquecer de alguma outra data importante, o que significa que mais depressa deve voltar o próximo dia do pai. 

 

Pelo menos é o que se diz. Quando lá chegar depois digo-vos. Mas por via das dúvidas, vou já apontando tudo no calendário.

 

Mas não é do sofrimento de machos alpha casados e com filhos pequenos que vos venho falar hoje.

 

Venho falar-vos sim das 5 coisas que mais me irritam nos 30. Sim, sou trintão, não casado e sem filhos.

 

Esperto, portanto.

 

Ora começando da menos grave para a mais grave, temos a quinta coisa que mais me irrita nos 30.

 

#5: A Tantricidade da Dor

 

Se até aos 30, podíamos torcer um pé e um dia depois já estar a sapatear em cima da mesa de um qualquer bar no Bairro Alto, entrando nos 30 iniciamos uma viagem sem retorno pela tantricidade da dor. A moinha, como chamam os meus avós, e certamente eu daqui a uns anos. Até o simples bater de um dedo do pé numa esquina nos proporciona nesta fase da vida um prazer de dor tântrica duradouro de cerca de 15 dias de pura felicidade a cada passo.

 

#4O Sofá-dependente

 

Embora este seja um aspecto transversal a todas as idades, o sofá da sala, assume-se nos 30 como uma espécie de super cola costas, principalmente se tivermos Netflix. Começamos por pequenas doses primeiro. Uma série ali, outra relacionada/sugerida a seguir, depois um documentário para dar um ar intelectual à coisa e por fim quando damos por ela passaram horas e nós, ali, colados naquele sofá.

 

#3: Os Patinhos

 

Se quando somos mais novos, somos regidos pela entidade paternal, maternal e principalmente a dos Patinhos no que toca à hora de toque para dormir, quando saímos da asa dos pais e vamos para a faculdade, desenvolvemos um mecanismo de anti-jetlag que nos permite sobrevoar todas as semanas académicas sem grandes mazelas ou fusos. No entanto e entrando nos 30, essa fase extingue-se e somos apresentados a uma nova entidade Paternal, o nosso chefe. E acabamos nós por nos tornar em verdadeiros patinhos.

 

As quintas-feiras deixam de ser lady's night e passam a ser "Amanhã trabalho, não posso ir..."

 

As sextas-feiras começam a ser vistas como dias de "Finalmente descanso" e não de directas a ver o nascer do sol.

 

E o sábado passa a ser a nossa embaixada da juventude. Onde aí sim voltamos a viver os 20, pelo menos se o número 2 não se verificar.

 

#2: A Problemática do senhor

 

Desenganem-se que não é o "Senhor", é o "senhor" apenas.

 

Não sei que tipo de magia se abateu sobre mim nos meus 30, ou melhor que tipo de magia abalou de mim, que as pessoas na rua passaram a dirigir-se erradamente a mim como "senhor". As mães por exemplo, para os seus filhos, na rua, passaram a incluir sempre esta ofensa e coisas como, "Deixa passar o senhor, filho" ou "Olha o senhor é tão simpático" passaram infelizmente a fazer parte da minha rotina.

 

>> Caras pessoas que estão a ler este texto, faço aqui um apelo à vossa boa fé, em caso de trintões utilizem por favor expressões como rapaz, rapariga, moçoilo, ou até mesmo jovem que são bastante leves e não magoam egos magrinhos como o meu.

Obrigado. <<

 

E finalmente chegamos à primeira, a derradeira e mais grave de todas:

 

#1: A Branca de Neve

 

Devo dizer que antes de conhecer a rapariga que apanhou o bouquet, todo o meu cabelo seguia um registo monocromático black dark sensitive plus, que é como quem diz preto, pronto.

 

Com o passar dos anos, pequenas palmeiras de côcos brancos resolveram brotar em abastado pasto farfalhudo, numa verdadeira homenagem à Disney e aos seus 101 Dálmatas capilares, ou se preferirem cãopilares. Sendo que poderei ser considerado neste momento, a pequenos espaços de cabelo, como um parente próximo de uma zebra. E se esta homenagem da Disney que se abateu na minha cabeça, começou nos 101 Dálmatas, temo que termine em plena Branca de Neve.

 

E é por isso que vos tenho de admitir aqui algo que até vos poderá chocar. Mas sim sou 100% racista neste assunto.

 

Brancos?

 

É cortá-los todos pela raíz e pô-los a arder.

 

P.A.

(imagem)

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Este foi o 33º texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Este tema foi minha sugestão, vejam o que Rita escreveu no blog dela! Rita que tens para mim para as próximas Palavras Cruzadas?



Qua | 06.03.19

Aquele animal que nos diz algo

P.A

Ao longo da nossa vida muitos são os animais com os quais nos cruzamos. Desde aqueles que se atravessam à nossa frente no trânsito, sem piscas, e depois ainda nos acenam educadamente com o dedo do meio ou aqueles mais matreiros que, de fininho, nos tentam passar à frente na fila do hipermercado e no final ainda nos sorriem com a maior cara de pau.

 

Ambos são mamíferos como nós, porém, não inteligentes.

 

O que é certo é que desde muito novos vamos aprendendo a conviver com estas espécies aparentemente nossas irmãs, mas por ventura bem distintas.

 

O nosso zoo pessoal começa desde cedo a ser construído. A escola é a nossa primeira aventura social na selva da vida.

 

Rapidamente identificamos o "brutus-gordinus" da turma, aquele animal que sempre que nos diz algo, não se percebe nada, porque ainda tem meia perna de frango na boca.

 

Ou "garanhão-sexyali", que padece de um problema genético grave de produção hormonal caracterizado pela produção excessiva de feromonas. Atraindo assim todas as raparigas da turma.

 

Ou o oposto, o "geek-oculus" que a única hormona que o seu corpo conhece é o livro de História.

 

De modo geral são estes os três tipos de animais machos que encontramos na escola nos primeiros anos. Mas existem muitas variantes.

 

Eu, por exemplo, fui um "geek-magricelus". Basicamente a minha vida era passada a recear os "brutus", porque eu era "magricelus", a invejar os "sexyali" porque seduziam todas as raparigas e não sobrava nenhuma para mim e um misto de gabar e agradecer a Deus não ser "oculus".

 

Hoje em dia sou informático, claro.

 

Mas um "Informáticus-sem-oculus" se faz favor.  


E é nesta óptica de um geek-magricelus evoluído que hoje vos vou falar de um outro animal que me diz muito.

E não, não é a minha sogra. Que embora me diga, literalmente, muito e tenha uma casota especial no meu coração, não ultrapassa este.

 

Falo-vos da pessoa que criou este animal que vos escreve - a minha avó.

 

Que transformou o magricelus em homem.

 

Foi, é, e continuará a ser sempre aquele animal que nunca esquecerei. 

 

Isto se o outro animal do Alzheimer permitir, claro.

 

Fiquem bem animais.

 

(imagem)

 

P.A.

 

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Este foi o 32º texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Este tema foi sugestão da Rita, vejam o que ela escreveu no blog dela!

Para daqui a 15 dias, que tal falarmos de coisas que nos irritam?