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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

23.Mai.18

Palavras Cruzadas - O meu Trânsito

Descobri recentemente que o trânsito está para mim como o tal bouquet está para a minha namorada.

Quem a conhece não diria que derrotou 45 gladiadoras solteironas na arena, todas sedentas, não de sangue mas sim daquele simbólico arranjo floral.

E a mim, quem me conhece, não diria que em plena hora de ponta no IC19, envergonharia o Fernando Rocha nos 100 metros palavrões.

Mas infelizmente é verdade. Tornei-me recentemente no Obikwelu do tabuísmo.

Eu se calhar até já tinha este dom, mas como até agora ia a pé para o trabalho, não tinha, como muitos atletas em Portugal, condições de treino.

É que este rapaz que vos escreve hoje de forma relativamente pacífica, há poucas horas atrás, a caminho de sua casa, discutia no interior do seu carro que tipo de mãe teria o condutor da frente.

Seria uma grandessíssima ou não?

Dormiria num estábulo? Ou seria simplesmente uma grande ruminante?

A verdade é que embora eu saiba que a senhora mãe daquele condutor não tem culpa nenhuma, dou por mim diariamente a levantar este tipo de questões. Mas o problema nem é pensar, o problema é que o exerço de forma bastante expressiva, tanto que tal como nos jogos de futebol, estou a considerar colocar sorrateiramente a mão à frente da boca, para não ser por demais evidente e depois ainda vir a ser apanhado pelo vídeo-árbitro da boa educação.

Mas atenção, nem tudo é mau.

Este regime de ginásio da asneirola, de dois treinos diários, um matinal e outro ao fim da tarde, deixa-me com algumas dores na alma é certo, mas ao mesmo tempo dá-me acesso a todo um outro mundo de experiências com os meus colegas de hora de ponta.

Se não fosse haver trânsito, nunca poderia conhecer 23 novas formas distintas de higienizar narinas por exemplo, seja com o mindinho ou com o indicador, ou de como pentear o cabelo usando apenas uma mão e o retrovisor, ou que existem pessoas que para além da marmita para o almoço levam também a do pequeno almoço, para ali comerem em trânsito comigo. Nunca nenhuma me ofereceu nada.

O trânsito no fundo é uma espécie de relação agastada e acomodada. Gastamos enormidades de tempo com ela, só gritamos, chamamos nomes feios, mas no dia a seguir estamos lá outra vez.

 

Bem vou ter de ir, está na hora do trânsito.

Já vou querida.

 

Encontramo-nos lá grandessíssimos.

  

 (imagem)

 

P.A

 

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Este foi mais um texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Para daqui a duas semanas, escolhe a Rita! Vão ver ao blog dela o que ela tem a dizer o que é passar horas no trânsito.

Será que passas mesmo Rita? Ou tens algum plano?

 

 



09.Mai.18

Palavras Cruzadas // O Pecado Original

A Rita desafiou-me esta semana para escrever sobre uma temática bastante peculiar.

Imaginem por momentos que só podiam comer um alimento para o resto da vossa vida. Um só. Nada mais.

Qual escolheriam? E porquê?

 

Os românticos responderiam Amor. E viveriam em plena felicidade para o resto dos seus dois dias e meio de vida sem água.

As mais atrevidas responderiam Cenouras. Porque... fazem bem aos olhos.

E os mais barrigudos, Cevada. Porque preferem loiras.

 

E todos teriam a sua razão. No fundo, é um pouco como as novas "religiões" de nutrição visualmente atraentes e saudáveis que surgem um pouco por todo o lado.

 

Cada um abre ou fecha o seu leque de alimentos conforme o que preza mais. É como no processo de escolha do parceiro.

Ora se eu não gosto de mulheres barbadas, vou procurar mulheres Paleo?

E se eu até gosto de um pouco de celulite, faz sentido piscar o olho a mulheres sem glúten? [Não digam já que não está relacionado, porque há-de sair o estudo]

 

Neste tipo de religião [alimentar] sou um fervoroso adepto da poligamia, do bacalhau com todos, pelo que respondo algo triste à tua pergunta, Rita:

 

Nesse teu mundo triste de monogamia alimentar, nesse teu mundo de casamento religioso obrigatório e sem divórcio, sem mistura de sabores e habitantes com palatos atrofiados, eu escolheria passar o resto dos meus dias acompanhado de um belo fruto, a Maçã.

 

Esse fruto que originou o primeiro despejo por incumprimento de regras do condomínio da história do homem e tão bem enganou a doce Branca de Neve, é a escolha natural para o resto da minha vida.

 

Afinal de contas, seria essa a minha forma de estar constantemente perto do pecado religioso.

#AdãoApproves

 

 (imagem)

 

P.A

 

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Este foi o 12º texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolheu a Rita. Daqui a duas semanas, apetece-me falar de um tema que surgiu recentemente na minha vida e como o meu psicólogo está de férias, dava-me jeito desabafar com alguma urgência mental: "Trânsito! Como lidar com ele?" Ajudas-me Rita?