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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

30.Jun.17

Follow Friday - Rita da Nova

Descobri este blog recentemente por via dos destaques da equipa do Sapo. Em particular num post sobre as pessoas da sua vida, em que fala da sua Avó.

Mesmo sendo este um dos meus pontos fracos emocionais, a forma como foi descrita, tornou impossível não me envolver. A Rita ainda tentou salvar-me com "A minha Avó tem mais 50 anos que eu, mas foi ela quem me ensinou tudo sobre ser-se mulher." mas mesmo assim, não deu. Desculpa.

Ao contrário do meu, este blog tem conteúdo realmente informativo, igualmente alguma piada e já me pôs a tentar inscrever no Brunch do mundo! Mas até agora sem sucesso...

 

Convido-vos a dar uma espreitadela!

 

Bom fim de semana!

 



29.Jun.17

As Redes Sociais, os Media e Pedrógão Grande

Ontem parei um pouco e tentei analisar o comportamento desta máquina informativa que nos envolve hoje em dia.

Como é que isto funciona? Existem tragédias no mundo, falhas, erros, problemas. Mas como é que sabemos de todos estes assuntos? Que prioridade existe afinal na informação?

 

Passámos as duas últimas semanas em constante foco em Pedrógão Grande. Principais destaques, dramas, lutas, perdas. Uma tragédia apresentada com elevado teor de importância, que na realidade, infelizmente o foi. Depois veio o tempo de antena do caso da Judite de Sousa, tanta era a ânsia desta máquina de informar de ser a primeira a chegar, de chegar mais perto, de ser a que mais depressa nos informa. Afinal de contas, hoje em dia, a notícia que conta é sempre a primeira. E neste caso o foco foi de tal forma nesse objectivo que acabou por chocar com valores morais de alguns espectadores.

E as redes sociais explodiram.

 

Felizmente o fogo foi extinto assim como a polémica da Judite. As indignações nas redes sociais, ardem muito, mas duram pouco.

E nesta terça-feira tivemos um pavilhão cheio, com 25 actuações dos melhores músicos portugueses [e muitos mais quereriam actuar ali] a trabalharem gratuitamente para o evento com quase mil pessoas numa onda solidária imune a explosões de redes sociais.

Pela primeira vez na história destes mesmos meios de informação, os tais sempre ansiosos por informar, em particular as televisões e as rádios, uniram-se numa emissão única, com profissionais de todas as estações sentados lado a lado durante 5 horas de uma emissão incrivelmente histórica. E foi bom. Muito bom.

 

E quando tudo esperaria exactamente que fosse esse o destaque da noite, aquele que deixaria as redes sociais em êxtase pelo feito conquistado, eis que Salvador Sobral resolve falar sobre a sua ausência de bifidus activos e como isso afectaria o gosto dos portugueses. 

E as redes sociais explodiram novamente.

 

De tal forma que este ar quente de Salvador será por certo o flato português mais conhecido de sempre por terras de Camões.

 

Ao ponto de, pela certa, existirem neste momento mais pessoas informadas deste gosto particular de Salvador "por buffets", do que conscientes dos cerca de 1 milhão e 150 mil euros que foram angariados nesse mesmo evento - o real objectivo da noite.

Aquele que, mais uma vez, mostra como o povo português é um povo que, peiditos e Judites à parte, nos orgulha profundamente. Esse que não devemos esquecer.

 

Resta saber agora, terminado o alívio do Salvador, qual será a próxima viagem deste vai-vem que é a Ford Transit da indignação nas redes sociais.

 

(imagem)

 

P.A



28.Jun.17

O Estranho Caso de Benjamim

Hoje venho falar de Benjamim, um jovem rapaz que rapidamente vos vai fazer recordar alguém vosso conhecido, dentro do vosso grupo, que responderá, naturalmente, por outro nome.

 

Mas que tem afinal este nosso Benjamim de tão especial? 

 

Na realidade nada. Benjamim é um rapaz normal, solteiro, estudante, que vive num T2 com mais 3 colegas de curso, seguindo o estilo de vida de um espírito académico dito normal [da perspectiva de um estudante informático] com direito a casa desarrumada, festas contínuas de abusos e loucuras diárias, roupa espalhada, bebidas, pessoas inanimadas nos sofás, mas que na realidade é como dizer, noitadas a jogar o League of Legends. Ora, este monstro da folia gamer, dono de uma voz máscula, com 2 metros de imponência, sempre foi o primeiro da fila a saltar para defender o seu amigo. Nunca disse não a uma batalha online. Mas a verdade é que algo mudou.

O jovem que, em certo tempo, fora o Hércules do grupo e transpirava testosterona virtual por todos os seus poros e clicks, surge agora, em situações particulares, dono de uma voz fofinha, suave, carinhosa e um olhar domesticado digno de um cachorrinho inseguro da sua própria cauda.

 

Como é que aquele Pitbull que para sair à rua tinha de ser amordaçado, é agora o Chihuahua que até já joga CandyCrush?  

E que termina telefonemas, sussurrando algo como:

 "Vá, desliga tu primeiro fofinha hihihi... Já desligaste...? Ahaha que giro eu também não desliguei ahahah!"

"Olha, já te passei outra vez no CandyCrush hihihi"

 

E que 30 minutos depois ainda esteja:

"Vá, quando eu disser 3, desligamos os dois ao mesmo tempo, está bem? hihih ...1...2.....estás aí?"

 

E que depois exclama desapontando:

"Desligou...".

 

Mas Benjamim sabe que não pode mostrar este seu lado pouco Pitbull aos seus amigos, tanto que, pensando que ninguém ouviu a sua conversa telefónica, entra na sala, abrindo a porta violentamente, com toda a sua força, soltando algo bem alto:

 

"Como é que é cambada de mariquinhas, vamos pá night ou quê?"

 

E por momentos o Chihuahua cresceu.

 

 (Benjamim e a sua namorada no shopping - imagem)

 

P.A

 

P.S - é sempre engraçado assistir e perceber o poder que as mulheres têm sobre os homens [eu incluído]. Aliás muito do conteúdo humorístico que conhecemos, de histórias de rapazes e raparigas, é alimentado exactamente pelo comportamento masculino sobre a presença, não de álcool, mas sim de mulheres. Vá lá que na natureza existem danças de acasalamento bem piores.

Vá, a da Marial Leal não conta.



27.Jun.17

Queres namorar comigo?

Tudo começa com aqueles namoricos da primária,  em que a única coisa que se mantém ao longo da vida é que continuamos a preferir ir jogar à bola com os nossos colegas, no intervalo, do que ficar ali a "beijar" a rapariga naqueles pequenos gestos labiais que demoram cerca de 30 segundos até tocar e depois o beijo em si só é visível em vídeo-árbitro. Foi exactamente a partir daí que eu fui começando a perceber o que é ser um namorado ou até mesmo, o dito machão da turma, para elas.

 

Ora se na primária, o macho, vulgo machão, era o rapaz eleito pelas meninas como o mais bonito, em que todas lutavam para ter aqueles nano-segundos de encosto labial, a partir daí a coisa foi mudando. De facto, os critérios femininos nesta altura são bastante distintos. Do meu ponto de vista, bastante mais práticos até. Nesta altura até o magrinho podia ser rei da turma e nem tinha de ser bad boy. Bastava ter uma cara laroca e era meio caminho andado. Nenhuma rapariga no seu perfeito juízo procura um six-pack quando na realidade tem six-year. 

Felizmente eu era dos magrinhos. Proliferei.

 

Depois existiam aqueles rapazes mais altos e mais fortes. Esses, dentro do grupo dos rapazes tendiam a reinar, já que podiam lançar qualquer magrinho ao ar apenas com o seu braço esquerdo. Mas curiosamente não eram atractivos para as donzelas. Talvez por isso, os mais fortes na primária não exerçam tanto a sua fisicalidade e fiquem amigos dos magrinhos, exactamente para assim se aproximarem indirectamente das donzelas.

Agradeço-te muito por isso natureza, por não teres virado contra mim aqueles meninos grandes e fortes que era só quererem e eu, que até sou bom de bexiga, lá teria de andar a trocar sempre de vestuário "inferioró-interior".

 

Mas se o magrinho prolifera em tempos mais infantis da sua vida, já o piadolas não se safa tanto. É que humor "inteligente" [vá, de inteligência de sexto ano] na primária, é como servir caviar a quem só come bitoque. Até pode estar bom, mas o mais provável é vermos a rapariga com aquela cara de intoxicação humorística, ao provar pela primeira vez. 

Infelizmente, também desenvolvi o piadolas, ou como chamavam na altura de "O Chato". Não proliferei.

 

Ora não foi preciso esperar pela matemática dos sinais para perceber que "+" com "-" dá menos. É que embora estivesse safo pela cara laroca e a não valorização do six-pack, aquelas piadas constantes sobre o estado do país e que de facto foi muito bom termos aderido à comunidade europeia e mais importante, que os Delfins estavam a fazer uma tournée muito interessante ao longo de todo o país, não era material de engate de primeira. Na realidade, nem hoje o é.

 

Aliás se querem realmente saber se a vossa respectiva vos ama, basta fazerem como eu fiz nesta idade. Se quiserem envio-vos um manual completo de desengate perfeito. Passo a passo. Basta pedirem. Se após esse teste, olharem para o lado e ainda existir uma mulher apaixonada por vocês, vos garanto, é amor verdadeiro.

 

Ou então parabéns! Já podias ter dito pá! És abastadamente rico, meu malandro!

 

Eu, infelizmente, rico não sou. Não proliferaria mais uma vez.

 

Mas a verdade é que ela apanhou o bouquet na mesma.

 

 (imagem)

 

P.A



26.Jun.17

A Segunda-feira de Manhã

Ora então era uma mais uma segunda-feira se faz favor. Na realidade não, obrigado. Pelo menos não assim.

 

A segunda-feira de manhã é para nós o mesmo que acontece àquele pequeno cágado após um Inverno inteiro em hibernação que em criança tivemos ou vimos de um colega nosso. O despertador volta a tocar e estando pronto ou não, o pequeno cágado lá terá de sair da sua casca e seguir com as suas obrigações fiscais e laborais.

Mas seja um pequeno cágado ou não, todo este choque rotineiro tem ainda alguns efeitos secundários peculiares no indivíduo, as unhas cresceram e necessitam de cuidados, novos cheiros íntimos não positivos tendem a surgir, o olhar, esse, fica esbugalhado e as capacidades motoras são limitadas. Tudo isto aliado a uma certa probabilidade de mau humor, resulta muitas vezes numa comunicação à base do grunho e ronco, além de choques contra paredes que sempre lá estiveram e esquinas que nunca reparámos antes. 

Talvez não seja por isso de estranhar que se apresente sempre à segunda-feira o The Walking Dead. Poupa-se em figurantes e em edições sonoras.

Estes americanos não dormem. [Piada temática seca. Peço desculpa]

 

Mas se o pequeno cágado só tem uma segunda-feira por ano, se não tiver gases ou sofrer de hibernação precoce, connosco a coisa não é tão pacífica assim. Além de termos, não uma, mas cerca de 50 pós-hibernações agendadas por ano, o cágado acorda da sua única segunda-feira, sozinho, na sua privacidade "cascal". O Homem, [e se o fim-de-semana correu particularmente bem] muitas vezes acorda acompanhado. Ora, temos por isso de lidar não só com os nossos roncos e problemas de locomoção, mas também com os cheiros e grunhos alheios. E eu nunca vi um zombie cavalheiro. Nunca.

 

A natureza falhou claramente aqui.

 

Podia fazer mal às costas, podia não ser prático para andar de elevador, mas com uma casca atrás, só para nós, as segundas mudavam de figura. Quer dizer, segundas, ou qualquer dia da semana, principalmente quando a elas lhes dá para partir a loiça toda.

 

Natureza, só mais uma coisinha: Porque lhes deste a elas o TPM se não tencionavas dar-nos nenhuma casca a nós?

 

É que até já temos tudo pronto, até a expressão "estás saído da casca" está à tua espera para fazer sentido. 

 

 (imagem)

 

P.A

 

P.S - E não, lamento, falharam. Não sou fã das tartarugas-ninja. Mentira. Claro que sou.



23.Jun.17

A Parrachita

As histórias religiosas mais remotas remetem apenas para a presença de uma folha de parra, parrachita vá, como a primeira invenção de vestuário da humanidade.

No fundo, sejamos honestos, a folha nem teve assim tanto mérito, era simplesmente a que estava ali mais à mão e a que se ajustava melhor ao nosso corpinho [frase mais tarde utilizada em publicidade de produtos de intimidade feminina]. A parrachita servia então para tapar as vergonhas médio-fraquinhas de Adão e no caso de Eva, reservá-la dos olhares mais marotos do único homem que lhe puseram à frente para amar. O Tinder ainda não tinha a modalidade paga, uma vez que só existiam dois perfis e o Wi-fi era fraco porque o router tinha ficado no paraíso. E dali ainda dava, mas mal. Vá lá que ninguém mudou a pass.

 

Outro aspecto que pode chocar é que nesta altura não existia qualquer tipo de necessidade em tirar selfies. Não por não existir ainda essa tecnologia, mas sim porque não teriam a quem enviar. Embora até sentisse essa necessidade de se exprimir por ser o melhor homem do mundo, Adão, não via qualquer utilidade na selfie, nem em posts no Instagram acompanhados de hashtags como #AdaoTheFirstManOnTheWorld, #HatersGonnaHate ou #YesItsAParrachita. Aliás, muito do sucesso da parrachita nesses tempos advém claramente da ausência das tecnologias da informação. Sem meios de divulgação e sem críticos de moda, a parrachita lá foi aproveitando para conquistar o seu espaço no meio.

 

Mas não foi tudo um mar de parrachitas para estes dois. Nada disso, Adão e Eva ainda tiveram os seus problemas como qualquer casal normal e tentaram, também como muitos, mudar de ares para ver se lhes devolvia aquela chama inicial ou se o sinal do wi-fi melhorava. Mas a verdade é que Adão nunca engoliu bem aquela maçã.

De qualquer forma não há amor como a primeira parrachita e acabaram mesmo por juntar os trapos - expressão que usamos hoje também por culpa da parrachita. [trapo é uma parrachita velha, normalmente já amarelada, do uso ou do Outono]

O não ser possível trair, nem existirem ainda tampos da sanita para baixar, ajudou ao final feliz deste primeiro casal.

 

O que é certo é que o impacto da parrachita foi de tal forma marcante que ainda hoje podemos ver derivados de parrachita no mundo da moda, particularmente nas diferentes colecções de Fátima Lopes. Nada mais, apenas pequenos pedaços de parrachita, trabalhados genialmente pela Fátima por forma a cobrir a menor área possível de pele feminina. Mas sempre com a ressalva da patente [por royalties] criada por Adão para a sua parrachita: "Tem de cobrir sempre as vergonhas".

 

Além disso temos também Maria Vieira, que exactamente pelo seu tamanho de parra [não confundir com parva] e por conseguir ao vestir, transformar um top curto de Fátima Lopes num vestido comprido de gala, herdou essa mesma alcunha.

Se Maria Vieira tivesse nascido antes da folha de parra, hoje em dia teríamos imagens de Adão e a sua Maria Vieira a cobrir-lhe as vergonhas. Mas quis o destino que fosse ao contrário.

Da mesma forma que a parrachita também só proliferou na ausência de tecnologias da informação, a nossa parachita portuguesa, comprova agora que em contacto com as mesmas, sofre exactamente do mesmo mal. Sempre que se manifesta nelas, a coisa não corre bem. Mas não quero escrever sobre o Facebook, essa serpente que desafia constantemente a comer maçãs, não merece o meu tempo.

 

Uma coisa é certa, pelo constante aumento da temperatura e o encurtar de roupa que tenho assistido, creio que lá para 2045, seremos todos parrachiteiros outra vez.

 

E o Adão e a Eva a encherem os bolsos com a patente.

 

#ParrichitaAMillionDolarIdea

 

parrachita.png

 (imagem+imagem)

 

P.A



22.Jun.17

Por favor não anulem o Exame Nacional de Português

Não sejam assim rígidos com a malta, vá lá, não façam isso. 

Então só porque dias antes do Exame Nacional de Português do 12º ano, circulou pelas redes sociais uma gravação de uma jovem que, pelo sotaque, deverá ter bastantes tios na família, com indicações relativas ao que estudar e por acaso acertou em todas, vamos logo anular o exame?

 

Eu gostava de vos ver a dizerem à pessoa que acabou de ganhar o euromilhões que afinal, como tinha uma explicadora comuna de uma amiga de uma amiga que lhe tinha dito umas coisas, o sorteio ia ser anulado.

 

Se andássemos agora a anular os exames todos por este motivo, como é que pessoas como a Maya, acabariam o secundário?

Vamos barrar-lhes assim a escolaridade obrigatória?

Só porque se souberem o signo do professor, desenham a carta astral e Júpiter lhes diz que vai sair Caeiro? 

Não faz sentido. E muito menos a Português.

É que na realidade até é preciso dominar bem a nossa língua para filtrar correctamente esta mensagem. O sotaque e o uso de palavras como "qué uma comuna" e "Albertu Caehiro" não estão aptas a qualquer estudante português. Por si só, se receberam esta mensagem e a perceberam na totalidade, já merecem boa nota. Parabéns.

 

Mas além de Caeiro e outros temas certeiros, a nossa amiga que para mim é a rapariga com mais minis oferecidas do momento, diz à malta para também treinar uma composição sobre a memória. Ora vamos lá a isso.

 

"Composição sobre a Memória"

"Caro avaliador,

A prova que tenho boa memória é que como já sabia que ia sair esta composição, escrevi-a em casa primeiro.

A prova que tenho má memória é que mesmo assim, não me lembro. Tenho de ler da cábula.

O meu médico diz que é selectiva, mas eu continuo a achar que é do Limiano.

Devia ter feito a cábula com fonte - tamanho 8. Não consigo ler daqui.

"

 

Além desta composição ainda existe mais um tema, alerta a nossa amiga para: "A importância dos vizinhos no combate à solidão".

 

"Composição sobre o papel dos vizinhos no combate à solidão"

(mudei o titulo só para disfarçar, "papel" em vez de "importância", ninguém irá desconfiar assim.)

 

"A minha vizinha é muito importante para mim. Mas não é a do meu prédio. É a do FarmVille. 

Sem ela estaria hoje muito pior. Seria uma pessoa bastante mais nervosa e quiça só.

Graças a ela, recebi uma gravação e não fazia ideia que ia sair esta composição.

Pelo que concluo assim, caro avaliador do exame nacional de português, que ter vizinhos é muito importante e bonito na nossa vida, e ajuda bem mais nos exames nacionais do que na solidão."

 

E pronto chegamos à frase de despedida:

"Se isto não sair, eu não tenho nada a ver com isto!"

 

Pronto, ainda bem. Saiu.

 

 (vídeo sapo)

Até na despedida acertou.

Fico com dúvidas se será realmente amiga da amiga que tem a explicadora comuna no sindicato dos professores ou simplesmente uma grande filha da Maya. 

 

P.A



20.Jun.17

Hoje não vou ver o Telejornal

Sim é verdade hoje não vou ver o Telejornal.

E não, não sou contra nada. Nem contra nenhum canal ou programa.

Nada disso, aliás esta deve ser a primeira vez que o farei em muito tempo, mas depois de ontem percebi finalmente quem já me tinha tentado alertar.

 

Ontem tive especial atenção ao que passou a ser um telejornal de um canal português. Ontem consegui sair do transe que o tsunami da tragédia, que nos é oferecido, nos faz paralisar e consegui ter lucidez para parar um pouco e apontar o que aconteceu.

É natural que o foco seja Pedrogão Grande. É perfeitamente natural que assim seja, afinal de contas é um programa informativo e infelizmente estamos perante uma tragédia nacional. Mas o que é ser informativo?

A boa informação é aquela que completa e informa quem a recebe, não pode ser um cocktail de imagens e informações trabalhadas para chocar quem vê e ser apenas esse o motivo de ficarem marcadas na nossa mente.

 

E é exactamente por este malabarismo informativo que ontem anotei como nos foi apresentado um telejornal nacional. São anotações, mais ou menos precisas, não é isso que importa aqui, sobre a sequência de "headlines" que nos foi apresentada, a partir das 20 horas, num canal aberto português:

 

Início do Telejornal

 

20:00 - Primeiras letras gordas: "63 mortes confirmadas no incêndio em Pedrogão";

(o texto manteve-se visível durante cerca de 8 minutos enquanto se apresenta uma espécie de resumo de imagens do dia e dos focos de incêndio)

 

20:08 - O Título é alterado para "64 mortes confirmadas no incêndio em Pedrogão";

(somos informados em directo que existiu mais uma baixa - o texto manteve-se intercaladamente visível durante uns incríveis 35 minutos)

 

Intervalo 

 

20:48 - "Hermínio Loureiro Detido" - suspeitas de corrupção e tráfico de influência;

20:49 - "Militar Português morre no Mali";

20:51 - "Incêndio em Lisboa faz 2 mortos";

20:53 - "Dois corpos encontrados em Lagos" - Descoberta Misteriosa;

20:55 - "Cadáver encontrado em Espinho";

20:55 - "Ataque em Londres" - faz um morto;

 

Foram 10 minutos de pausa na tragédia de Pedrogão Grande, com referência a 7 mortes e uma corrupção.

Intervalo por favor.

 

20:58 - Mas não veio. Adivinhem quem voltou a aparecer:  "64 mortes confirmadas nos Fogos";

 

21:07 - Uma hora depois do início, surge finalmente uma notícia informativa e de louvar - Reforços no Combate aos Fogos;

Todo o plano nacional e internacional para o combate aos fogos no nosso país é apresentado em menos de 1 minuto.

Boa capacidade de síntese. Nuno Luz gostaria certamente de ter este dom para sobremesas.

 

21:08 - "Passos Coelho sobre o Incêndio" - "Terá de ser feita uma avaliação política, mas não agora.";

Provavelmente foi fortemente questionado e teria sempre de responder, mas não deixa de ser mais uma bela notícia/intervenção relevante. "Politicamente" incorrecta talvez.

 

21:09 - "Incêndio em Pedrogão Grande" - "Regresso a casa depois do fogo";

Mais histórias de quem perdeu muito, se não tudo.

(Mas porque é que me meti nisto de apontar...)

 

21:17 - Adivinhem: "64 mortes confirmadas nos Fogos";

Acompanhado agora pelo discurso emocionado do Presidente da República em Castanheira de Pêra.

 

21:20 - "A tragédia em Pedrogão Grande" - "A tragédia lá fora";

Aqui apresenta-se o resumo dos artigos estrangeiros referentes à nossa tragédia. 

21:21-  Um minuto depois, adivinhem: "64 mortes confirmadas nos Fogos";

 

(21:23: O som não é cortado e ouvimos algo extremamente importante como: "malta acabei de saber que ele (Presidente da República) agora vai para!...." e cortam o som. Percebo que tenham de seguir o Presidente, sinceramente percebo, mas é pouco simpático tanta ânsia apresentada pela jornalista, dado o contexto.)

 

21:24 - Meteorologia - Finalmente uma lufada de ar, neste caso, quente, afinal o cenário irá-se manter nos próximos dias, mas dá para respirar um pouco para o que vem a seguir. É que ainda não acabou...

 

21:25 - Surgem os créditos do telejornal com imagens e sons de sofrimento de pessoas desamparadas, no chão, desesperadas, que perderam tudo. Não foi um bom filme;

 

FIM de um telejornal português.

 

- Uma hora de Pedrogão Grande em que apenas alguns minutos foram de facto relevantes para que este pesadelo acabe.

 

Obrigado ajuda externa, foi bom saber.

Obrigado pela a única boa informação que me lembro.

 

(imagem)

 

P.A



19.Jun.17

Portugal é isto

Agradeço as mensagens que tenho recebido. É de facto mais um belo exemplo da solidariedade portuguesa, esta afluência de doações anónimas em diversas corporações nacionais. De tal forma que agora foi atingindo um ponto em que já não está a ser possível libertar recursos para gerir tal caudal solidário.

 

Pelo que, caso pretendam contribuir, poderão fazê-lo por via do seguinte NIB de apoio às vitimas:

 

Conta Solidária da CAIXA Geral de Depósitos

IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42


Ou pela campanha de crowdfunding para ajudar, criada por ontem por um cidadão, na plataforma PPL:

https://ppl.com.pt/pt/causas/ajuda-pedrogao


Ou ainda para ajudar os animais, também eles vítimas do incêndio, podem ligar para a VetFigueiró (924 142 777) questionando o que necessitam.

 

 

Portugal é Eurovisão, Portugal é Euro, mas acima de tudo, Portugal é isto.

 

Obrigado colegas deste pedaço de terra.

 

Não me apetece falar de trivialidades por estes dias.

 

P.A



19.Jun.17

Eu sou Bombeiro

De acordo com o site da Infopedia, ser Bombeiro é:

 

  1. Membro de uma unidade operacional tecnicamente organizada, preparada e equipada para cumprir diversas missões: combate e extinção de incêndios, operações de salvamento, etc.;
  2. MILITAR antiquado indivíduo responsável pelo disparo de bombas; artilheiro;
  3. Brasil profissional que instala ou conserta sistemas de canalização, equipamentos sanitários, etc.; canalizador;
  4. Brasil MILITAR espião do campo inimigo;
  5. Brasil aquele que espia outrem;
  6. Brasil jocoso criança que urina na cama durante a noite;

 

Pedrogão Grande - membro de uma unidade operacional com escassos meios e perante um dos maiores fogos dos últimos tempos em território nacional.

 

Apagar este fogo e evitar que esta tragédia seja ainda maior é, acima de tudo, uma prova de perseverança e resistência humana.

Vamos ajudar os bombeiros! Vamos ser bombeiros!

 

Para tal, basta dirigirem-se ao quartel mais próximo com alguns destes mantimentos, a verde:

 

 (imagem retirada da página facebook da Corporação de Paço de Arcos)

 

P.A



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