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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Palavras Cruzadas // O estranho caso da Mãe e Filho que nunca se falam

Devem ser quase 9:30 - penso eu, de mão no queixo e olhando para cima com ar pensativo.

 

E digo devem, não por saber ler a sombra do sol, mas porque acabei agora mesmo de me cruzar com duas pessoas a caminho do meu trabalho.

Não é novidade. É frequente encontrá-los nesta deslocação a pé. Faça chuva, faça sol, neve não sei, mas só porque nunca nevou. Mas arriscaria que sim também. São o meu despertador. O meu indicador se devo acelerar o passo ou não.

Eles fazem o percurso inverso ao meu.

Uns dias atraso-me e encontro-os mais perto de casa, outros vou mais cedo e apanho-os mais perto do meu trabalho. Ainda há os dias em que madrugo e aproveito para revisitar outras pessoas como uma tal de Inês que já falei por aqui. Mas normalmente acabo sempre por partilhar aqueles 30 a 40 segundos de visibilidade todos os dias com esta mãe e filho.

Mas seriam apenas mais duas pessoas com que me cruzo diariamente se não padecessem de um comportamento particular.

 

A mãe, provavelmente no auge dos seus 70 anos, apresenta-se sempre de cara fechada, suavemente maquilhada e penteado alimentado a laca. Altiva e de movimento solto, circula sempre em passo constante.

O seu filho nos seus 40 e alguns anos, apresenta um vestuário escolhido pela mãe e faz-se sempre acompanhar por um saco de compras bem recheado.

Ao contrário da mãe, circula sempre em passo acelerado.

 

Nunca nestes anos, que nos cruzamos diariamente, os vi trocarem uma palavra. Nunca vinham já a conversar sobre algo, ao longe, antes de me verem. Nunca. Nunca falaram quando passaram por mim, nem depois, que até fiz questão de parar e ficar a observar, virado para trás.

Nunca.

Até já pensei simular uma queda. Ou um ataque cardíaco. Ou simplesmente soltar um arroto útil para gerar indignação?

Receio não ser tão corajoso.

 

Mas existe uma regra.

 

O filho funciona como uma espécie de batedor. Que abre caminho para a mãe passar. Uns dias surge mais perto dela, outros mais longe. Mas faz sempre questão de acelerar primeiro, deixar a mãe para trás, parar e ficar uns segundos a olhar para ela, até que ela se aproxima novamente. E ele aí sim possa voltar a repetir o processo.

Tudo sem nunca, mas nunca se falarem.

 

São parecidos, mas não tenho a certeza se são família.

 

Mas só pode ser amor de mãe tatuado no braço.

 

P.A

 

 

___________________

Este foi o quarto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana a Rita escolheu o tema. Podem ver como respondeu no blog dela.

Pronta para saber o que aí vem Rita?
Já que entrámos em 2018 e o tempo passa rápido. Que tal uma viagem ao passado?

Como era a Rita do ano 2000? Já lia? Já falava? Já pensava em dar workshops?


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Palavras Cruzadas // A rapariga que adormece sempre

Hoje vou contar-vos uma história de embalar.

Mas não é para adormecerem. Podem ler descansados que não há efeitos secundários. Pelo menos não é esse o objectivo.

Trata-se de uma história de embalar de uma jovem rapariga que adormece sempre que estou a ver televisão com ela.

 

Pode ser telejornal. Pode ser novela. Até pode ser debate político, se bem que neste último não tenho bem a certeza, porque também adormeço.

O que é certo é que é uma questão de segundos para que a cara desta linda donzela comece a adoptar uma nova forma. E é logo assim que se deita neste sofá e olha para a televisão. Não falha. Tanto que já tirei apontamentos:

- Primeiro aquele piscar de olhos cada vez mais lento. Que das primeiras vezes até confundi com uma espécie de preliminares de dança de acasalamento - de trocas de olhares marotos, sedutores, tudo em câmara lenta. A safada.

Só que depois afinal não. 

 

- Depois a demora acentuada em cada sílaba, como se dizer "car-to-li-na" demorasse tanto como ler duas vezes os "Os Maias".

 

- E por fim a respiração pausada e bem cronometrada, que ela gosta de chamar de respiração normal. E eu de ressonar.

Mentira. Ela não ressona. Estou a brincar.

Respira é em alemão quando dorme. O que para mim até é sexy.

Demonstra que é culta.

 

Mas das duas uma, ou eu quando vejo televisão tenho uma personalidade forte em Xanax, ou hálito fresco anestésico, ou então o sofá cá de casa é feito de propofol e eu sofro outro tipo de sintomas, não sonecas.

Eu até estou mais inclinado para a última, porque costuma ser deste mesmo sofá que nascem a maioria dos textos do blog. O que avaliando pelo grau de demência apresentado, até seria a única boa e plausível justificação possível: Tenho um sofá ganza.

 

De qualquer forma, pessoa que me está a ler desse lado, se por acaso sofre deste problema ou conhece alguém que sofra, eu tenho a solução ideal para si. E sim tirei esta frase da TV SHOP.

A solução é simples:

Pipocas!!

 

Sim. Esse milho aos pulos aquecido faz maravilhas. Até exorciza o alemão da menina cá de casa. Descobri que se existirem pipocas suficientes para manter ocupada a donzela, esta consegue ver um filme até ao fim! Isso mesmo! Inteirinho!

Não acredita?

Teste você mesmo. - Tenho mesmo de deixar de ver tanta TV SHOP.

 

Mas calma, aconselho precaução no uso de pipocas. Não rebentem logo com a rapariga. Há risco de overdose.

Por segurança, comecem primeiro com trailers de 2 minutos. Para não bater muito forte.

Depois curtas-metragens de 15-20 minutos quando sentirem que já estão mais independentes no acto de manter a pestana aberta.

E só depois um filme pequenito. Uma "Pequena Sereia" ou um "Querida encolhi os miúdos".

 

Vão por mim, desde que usamos pipocas cá em casa, a nossa vida mudou.

 

Até já vemos filmes do Manoel de Oliveira.

 

Sem intervalo.

 

 

movie.png

 

 

 

P.A

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Este foi o terceiro texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Podem ver como a Rita respondeu a no blog dela.

Agora é a vez dela...Estou para ver o que me vai aquela rapariga dar para escrever daqui a 2 quartas-feiras!

Porta-te bem Rita!

 


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Sou um Coração Mole

Após ter ameaçado raptar a avó de um dos seus elementos, a equipa do Sapo decidiu de forma totalmente espontânea convidar-me para responder à sua rubrica "Como Eu Blogo".

 

Embora tivesse já alugado o armazém e mantido a senhora avó Julieta sob vigilância apertada, aceitei. Afinal de contas, sou uma pessoa educada e de coração mole. Não podia deixar assim as pessoas de mãos a abanar.

 

Obrigado à equipa pelo convite inesperado!

 

Podem ver o resultado aqui

Deixo-vos a imagem como aperitivo:

(existe propositadamente uma falha "tecnológica" na foto, algo que falta, conseguem encontrar? Pista: A culpa é do gato Eliseu)

 

 

P.A

 

P.S- Beijinho, avó Julieta!


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Você Decide

Hoje pode-me chamar de preguiçoso. Aceito.

Primeiro porque estou a publicar agora e devia ter sido ontem. Depois porque isto hoje vai ser diferente.

 

Vou-me armar em escritor de mini-novelas dos anos 90 e criar aqui uma espécie de Você Decide.

Quem se lembra deste belo programa da TV da altura com o António Sala? Quem disser "Eu", lamento por si.

É tão ou mais idoso quanto eu.

Basicamente, para quem não conhece o estilo, quando se chegava a uma fase final de novela, série, telefilme, etc, o escritor como era preguiçoso na tomada de decisões e não estava para se chatear muito com o assunto, filmava dois fins possíveis que depois iam a votos pelos telespectadores. Quando a votação terminava, estava o escritor em casa com o whisky na mão, já no seu terceiro charuto, com as pernas em cima da mesa e o trabalho era feito por quem ligava. Missão cumprida. Belos trabalhinhos havia...

Mas até era emocionante.

Foram das primeiras lutas do bem contra o mal que assisti na TV. Sim, porque durante esse episódio e até à fase da escolha, ia aparecendo a percentagem de votos para cada fim. O suspense tomava conta do pequeno P.A que acompanhava ao segundo aquela incerteza constante. Ainda me lembro de ver algo como:

"Gertrudes mata Álvaro" - 51%

"Gertrudes não mata Álvaro" - 49%

 

Isto é muita responsabilidade nas mãos. Muita pressão.

Além de cúmplice de homicídio, claro.

Mas é muita responsabilidade para uma pessoa. Afinal a vida de Álvaro estava à distância de um telefonema.

"Não somos nada..." - não é o que se diz? Bem verdade...

 

Bom, a votação terminava e lá ficava meio país contente e outra metade furiosa pelo Álvaro afinal ainda se ter safado.

Em alguns casos, quando os dois fins eram, de facto, igualmente interessantes, acabavam por passar ambos e o país respirava de alívio.

 

E pronto era esta a televisão interactiva, qual realidade aumentada ou 3D, que existia Portugal nos anos 90.

 

No fundo é como o caso que vos trago para hoje caros "teleleitores".

Apresento-vos dois caminhos de leitura sobre mim e vocês agora façam o que bem entenderem que eu vou ali e já venho. Mas só vos digo isto, vejam os dois. Vão ver que vale a pena.

 

Caminho nº1: Era uma vez

Este bonito e jovial caminho onde podem ficar a conhecer um pouco melhor como era a minha rotina de criança de bibe aos quadrados vermelhos no infantário. Tudo patrocinado pela sempre simpática Miss Unicorn.

 

 

Caminho nº2: Que música te faz ficar no carro

Este já é um caminho mais acidentado, confesso. No entanto, de igual qualidade ao primeiro. Por aqui podem ficar a saber que tipo de melodias/músicas me fazem ficar no carro. Além de todo um conjunto de opiniões muito duvidosas relativamente à minha pessoa.

Tudo com selo de garantia de uma tal de Mãe dos PP's.

 

Você Decide.

 

(imagem)

 

P.A.


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