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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Não deixem os Jogos Tradicionais morrer

Acabo de ler que a Toys 'R' US apresentou um pedido de insolvência. Todo aquele fascínio de uma criança em corredores gigantes de brinquedos, aquela felicidade no olhar na perdição de tanto boneco e brinquedo, toda essa fantasia, parece ter, por estes tempos, os dias contados.

A Toys 'R' Us não se adaptou atempadamente ao mercado online e faliu.

 

Bolas e eu que gostava tanto de ver aqueles miúdos que embora não chorem quando levam uma valente chapada dos progenitores, ouvida desde a caixa 1 à 23, se rebolavam no chão em lágrimas a gritar por aquele Action Man que tanto queriam.

Bolas, parece que também vai acabar.

 

Neste regresso às aulas percebi outro efeito destes tempos. As crianças tinham praticamente todas um smartphone e jogavam em rede no intervalo. Coitada da Toys 'R' Us. Nunca teve hipótese.

 

Desde criança que sempre gostei de jogos. Divertem-me. "Além disso estimulam bastante a nossa inteligência!!" Esta última frase já não a digo muito. Afinal de contas já não vivo com os meus pais.

Gosto em particular de jogos em grupo. Dos ditos jogos tradicionais que ainda por cima são fáceis de jogar em qualquer lugar, até na escola. Nem precisam de ter um smartphone para jogar em rede. A sério. Acreditem. Basta estarem rodeados de amigos ao vivo e por incrível que pareça, isso basta para conseguirem jogar todos em conjunto. Estranhamente, alguns, mesmo assim, ainda vão culpar a falta de rede ou sorte quando perderem. É normal. A falta de rede é um problema muito comum em quem perde.

 

Mas quem nunca jogou o jogo da apanhada?

Daquela memória de correr ao vivo desalmadamente atrás de alguém até que, na ânsia de o apanharmos, lhe rasgamos a camisa com as nossas unhas mal cortadas de criança rebelde. Quem nunca lhe aconteceu, só espero que tenha seguido a sua vocação e seja hoje muito feliz na sua clínica de Manicura "Rose Gourmet".

Por algum motivo, o meu X-Men preferido sempre foi o Wolwerine.

 

E o jogar às escondidas?

Em que aproveitava a deixa para me esconder ao vivo ao pé da Carolina, só porque ela cheirava bem. Além disso ela era magra como eu, cabíamos perfeitamente os dois naquele móvel. Mas ela coitada era um bocadinho burrinha e insistia em dizer que não me queria lá, que não cabia, que não gostava de mim. Sempre foi muito má a calcular volumes. Coitada.

O que é certo é que embora a pequena Carolina não soubesse avaliar bem áreas e volumes, a partir de um certo momento, expulsar-me implicava fazer barulho e ser descoberta, pelo que acabava sempre por lá ficar.

Graças a mim, ela aprendeu. Coubemos. E é, hoje em dia, professora de Matemática.

 

Diz o LinkedIn.

 

E o bate o pé? Alguma memória deste?

O bate o pé era uma espécie de chat em grupo, ao vivo, em que rapazes e raparigas se alinhavam frente a frente, separados à distancia de 2 passos. Havia respeito.

Depois, com muito respeito também, era definido um esquema de números, no qual o número 1  era um simples aperto de mão e o número 10 era um valente french kiss! Este já dado com relativo respeito.

Se o rapaz ou a rapariga não quiser, tem de bater o pé. No entanto só podia bater o pé 3 vezes. Depois ou ficava e aceitava tudo, ou abandonava o jogo.

 

Antes era o "Bate o pé". Agora é o "Desliza o dedo", no Tinder. Temo que partes do corpo iremos nós utilizar no futuro para sacar beijinhos.

 

Se calhar as unhas de Wolverine ainda podem vir a dar jeito.

 

De qualquer forma, não deixem os jogos tradicionais morrer. Desliguem-se, para se ligarem.

 

Pensem na pequena Carolina, se não fossem as "aulas às escondidas", provavelmente hoje não seria professora de Matemática.

 

(imagem)

 

P.A


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Finalmente acabou GOT!

Citando o programa apresentado por Guilherme Fonseca do grande Canal Q, só me aflige dizer: "Graças a Deus".

 

Graças a Deus!  Acabou a temporada da série Game of Thrones (GOT)!

 

Posso finalmente voltar a socializar com o meu grupo de amigos!

 

Sim, eu faço parte daqueles 0.1% de seres humanos que não acompanham a série. E não, não foi uma aposta mal perdida e nem se trata de um distúrbio mental, ou pelo menos neste caso não o é. É mesmo um acto consciente da minha parte.

 

Podem "bullyzar" à vontade.

Mas deixem-me lá esclarecer primeiro umas coisas se faz favor:

 

Primeiro: Não sou Portista, nada contra, mas dragões não é a minha praia.

 

Segundo: Sou demasiadamente pudico. Aliás, já devem ter percebido isso pelos meus textos sempre tão sérios e correctos e nunca brincalhões ou semi-ordinários. Como devem imaginar e é "internetmente" sabido, GOT apresenta (ou apresentava?) níveis de nudez que me iriam afligir profundamente. Nem iria conseguir comer pipocas da mesma forma depois.

 

Terceiro: As estações do ano não fazem sentido em GOT. Em Lisboa chove em Agosto e ali? Sete temporadas para chegar o Inverno? Não me tomam por tolo a ver isso.

GOT é o "Levanta-te e Ri" dos senhores do IPMA.

 

Quarto: Na realidade, não tenho o canal Syfy. Senão até tinha visto.

 

Mas voltando ao dia-a-dia sem GOT.

 

As terças feiras vão voltar a ser divertidas. Já vou conseguir finalmente participar na conversa de almoço do pessoal do trabalho. Já não vou receber aqueles olhares como se estivesse num almoço de Jet-7 das séries e pertencesse a uma classe social mais baixa, que vê apenas o The Walking Dead que ainda por cima está em pausa agora.

Saudades do tempo de Westworld, em que tinha outro estatuto no grupo e partilhávamos esse conhecimento, essa experiência. Mas claro, com a chegada de mais uma temporada desta GOT, perdi tudo. Todo aquele acesso VIP desapareceu. Tudo perdido e de uma semana para a outra.

 

Que conforto é agora a ausência de nomes como Jon Snow (ou João das Neves para os amigos), Hodor, Tyrion, Cercei ou até mesmo do tão comentado Red Wedding.

E todos aqueles memes e gifs que existem de GOT? Que é suposto sorrir quando me mostram e na realidade não percebo o que significam?

 

Tudo isso acabou finalmente.

 

Que sossego estes próximos dois anos até ao regresso de nova temporada. Maravilha.

Sinto-me novamente eu, integrado e aceite.

 

Graças a Deus!

 

Agora só me falta gostar de sushi.

 

(imagem)

 

P.A.


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O Café em Horário Laboral

Beber um café em horário laboral é, para a maioria das pessoas que conheço, um acto social.

 

Muito embora, para mim, pela minha observação, seja para alguns apenas um mero escape do trabalho, numa espécie de desculpa perfeita que o chefe não leva a mal, só para conseguirem saltar, nem que seja por um bocadinho, a cerca laboral obrigatória. 

Era como quando a nossa mãe só tolerava as nossas saídas com o Carlitos, porque era um bom rapaz e confiava nele.

Com o café, agora é a mesma coisa. O Café é nosso Carlitos na fase adulta.

 

"Oh Chefe vamos ali ao café!" ou "Oh Mãe vou sair com o Carlitos"

Não existe grande diferença. 

Ambas as situações sofrem de aceitação tácita, nem o Chefe ou a Mãe necessitam de responder.

Não se questiona, informa-se. E está tudo bem.

 

Agora pensem nisto, quando alguém vos disser que já bebeu 7 cafés e ainda são 11 da manhã.

 

Mas além deste grupo de alguns calões laborais que, se calhar, nem gostam de café, existem ainda outros que afirmam necessitar do café por motivos bem mais dignos: "O alívio do seu trânsito intestinal."

 

É que se não beberem aquele café, ficam automaticamente presos para sempre numa sexta-feira à tarde de verão, sem ar condicionado intestinal em plena hora de ponta visceral e com 4 acidentes no tabuleiro da tripa 25 de Abril!

E só aquele café, naquele exacto instante, poderá rebocar todos aqueles "veículos" sinistrados que impedem a circulação normal da via e devolver assim o tão desejado alívio.  

 

Sucede que, este senhores, são, na realidade, ainda mais inteligentes que os anteriores.

 

Tudo porque usam as duas armas mais anti-laborais toleráveis em simultâneo. A ida ao café e a ida ao WC.

Depois do "Oh chefe vamos ali ao café!" regressam em grupo e, perante os olhares dos outros que só foram beber café e se preparam para retomar o trabalho, soltam então a graçola mais utilizada para estes momentos:

"Vou ali fazer algo que ninguém pode fazer por mim!" - enquanto circulam em passo acelerado numa espécie de "rebentaram-se me as águas intestinais", mas que por algum motivo acham que ninguém nota.

[um conselho de amigo: nunca sigam uma pessoa que se apresente nesta situação visceralmente débil. Não questionem.]

 

Bom e por fim, após tão difícil parto, lá voltam finalmente ao trabalho, 35 níveis de Candy Crush depois.

 

Mas além dos tais calões e dos agarrados ao café por motivos intestinais, existem ainda os "tensionistas", aqueles a quem o estado lhes deu uma "tensão" baixa e recorrem ao café como se de um empréstimo de tensão se tratasse.

No fundo, estes usam o café como uma espécie de viagra da tensão arterial. E depois como adoram falar sobre a sua tensão e de como ela sobe extraordinariamente, logo após tomarem [outra analogia com  viagra]:

 

 "Ontem estava com a minha esposa e deu-me uma tontura, ia caindo e tudo, fui medir e tinha 9/4! Veja lá!"

 "Isso é mesmo baixo amigo! E depois?"

 "Depois fui tomar um café e subiu-me logo para 12/7!"

 "Uau, olhe eu tenho um amigo meu africano e ele diz que tem a dele sempre a 26/13!"

 "Eh pa, estou a ver que sempre é verdade a fama dos africanos no que trata a ter tensões realmente abastadas."

 

 

No meu caso e embora seja também dono de uma costela africana, o café faz-me bem. Mas não sou como os restantes meio calões ou desconhecedores de bifidus activos para regular a flora intestinal. Nada disso, eu tenho toda uma justificação lógica e construtiva para gostar de café.

Eu gosto de café simplesmente pelo ar saudável com que deixa os dentes do meu colega da frente. É refrescante para mim observar tal picasso dental, abstrai-me de todo o resto. Alivia-me bastante de todo aquele stress diário.

 

Obrigado café.

 

Por isso posso dizer que me incluo num último grupo: o grupo dos que o café lhes alivía o stress.

 

Mesmo não bebendo.

 

E vocês?

 

 

 (imagem)

 

P.A 


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Os Preços Estratosféricos do Restaurante "Made in Correeiros"

O recente caso do "Made in Correeiros" [o caso do restaurante que cobra valores absurdos aos clientes que não estão informados] na baixa Lisboeta, veio mostrar como se pode brincar facilmente e sem vergonha nenhuma, com a vergonha alheia.

Numa espécie de "vou-te enganar à descarada, porque para mim és apenas um totó educado e com vergonha de parecer pobre".

 

O esquema é de tal forma bem feito que funciona qual acto de ilusionismo. Tudo começa com as assistentes/empregadas(os) à porta, para nos distrair e atrair para o restaurante. Depois apresentam uma carta com valores mais ou menos acessíveis. No entanto, ao escolher, nunca existe o prato. Então essas mesmas assistentes indicam alternativas e, por educação, acreditamos que são no mesmo intervalo de preços. O número de ilusionismo já vai a meio.

Comemos e no fim acaba o truque, chega a conta. Nem percebemos bem o que aconteceu, mas temos 500 euros para pagar. Fim da ilusão.

 

A única diferença aqui, para os números de ilusionismo em que nos é solicitada uma nota, é que no fim ainda a recebemos de volta. Intacta.

Aqui não. Aqui só resta uma cara pálida do cliente, que por educação nunca perguntou preços e que agora tem vergonha de não pagar.

 

Mas ser ilusionista é isto. É todo um saber da arte de bem enganar quem tem à sua frente. Tudo sem a vítima perceber qual foi o truque envolvido. Só sabe que aconteceu, mas nunca se apercebe que estava a cair em tal engano até o número terminar.

 

Já "Tolkien", nos seus livros de "Senhor dos Anéis", nos alertara para tal comportamento social.

 

Enquanto o nosso ilusionista "Luís de Matos" optou por ser "Gandalf the White", do bem, o "Xula" [alcunha do dono do restaurante], virou-se para o lado oposto, numa espécie de "Saruman" chico esperto das trevas da restauração.

O cliente será pois claro Frodo, o pequeno rapaz que tem por "hobbit" ser muito educado e que, embora não tenha muitas posses, honra sempre as suas dívidas. Nem que para isso tenha de ir ao limite para derreter o anel dourado que lhe fora cedido pelo tio. E nada melhor que ir ao "Mordor in Correeiros" para o fazer.

 

Mas quem é este Xula afinal?

O génio de tal negócio chama-se na realidade José Cardoso, o que para o seu tipo de negócio obviamente não pegaria. Era como se o Saruman fosse o Joaquim Esteves. Por muita bruxaria que fizesse, muito feitiço, nunca deixaria de ser o "Quim do mal" ou simplesmente "O Esteves". Ora nenhum destes nomes é levado a sério, principalmente no negócio das trevas da restauração. Pelo que Xula, encaixa perfeitamente.

Além disso, não deixa de ser uma forma analfabeta de conjugar o verbo chular. É mais do que perfeito.

 

E que fazia Xula antes desta vida nas trevas da restauração?

Embora parte do seu plano hoje em dia, passe por não apresentar a carta no seu restaurante, nos anos 90, este senhor já dava cartas do seu profissionalismo. Era mesmo uma referência nacional na arte de carteirismo no eléctrico 28. Terá sido nesta formação profissional [na universidade da vida], nas belas artes de coleccionar carteiras alheias, que terá aprendido grande parte da informação que hoje utiliza no seu restaurante:

 

1- aprendeu que a carteira dos turistas é normalmente mais pesada.

E que afinal "O turista só vem uma vez, podemos enganar e não é preciso fidelizar"

2- aprendeu a subtileza de saber retirar dinheiro sem as vítimas darem conta, sendo que quando se apercebem, já é tarde demais.

 

De facto, já dizia a minha avó, é sempre diferente quando lidamos com alguém formado na área antes de abrir o seu primeiro negócio. Nota-se aquele jeito mais profissional. Mais apto. Mais preparado. Mais refinado.

 

É outra coisa.

 

Por isso, se puderem, dêem lá um pulo. Mas cuidado! Não comam, nem bebam.

 

Não sejam Frodos.

 

 (imagem)

 

P.A

 

 

Como extra, deixo-vos 10 dicas para não serem Frodos:

 

1- Perguntar ou tentar ver os preços antes de pedir. Nada de se armarem em clientes educados do bem ou que não querem parecer agarrados.

2- Assumir que por muito gira/giro que seja o empregado, se ele sugere algo, é porque é caro.

3- Se por acaso estás a jantar com outro Frodo  que acabou de comer uma tosta mesmo sem saber o preço, o mal está feito!

Come o resto todo! Pagas o mesmo!

4- Restaurantes sem carta, menus ou preços à porta, é zona extremamente radioactiva para carteiras mais pequenas. Evitar exposição.

5- Dica anti "Xula" e "Made in Correeiros": Perguntar sempre o preço do que não está no menu.

6- Principalmente em grupos grandes, tentar manter o registo de bebidas. 43 imperiais não são o mesmo que 34. Embora os números sejam os mesmos.

7- Sobremesas. Aqui deixo em aberto. Pesar bem a possibilidade de vir a participar no Peso Pesado versus os 5 euros ou mais da Mousse que vais poupar. 

8- O café - Se estão dispostos a pagar até 5 euros, podem ignorar esta dica.

9- Conferir sempre a conta no fim. E se estiver mal, reclamar. Seja uma bebida a mais, ou a menos. Essa parte do Frodo devem manter. A humildade de dizer que falta uma cola é algo que prezo bastante nesta vida. Isso e a Maria Vieira offline.

10- O mais importante de todos: Seguir este blog.

 

 (imagem + imagem)


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O Stress de Ir de Férias

 

Julho terminou e como diria Quim Barreiros, agora "entra A-gosto". 

Mas embora aprecie poetas safadotes contemporâneos, não é do mestre de culinária, nem do arrumador de carros em garagens adjacentes ao nosso imóvel, que vou falar hoje.

Na verdade, vai ser uma prosa regada por alguns eventos stressantes, embora também com alguns peitos de cabritinha, não estivesse eu a falar em ir de férias. Gostaram? Quatro referências ao Quim Barreiros em trocadilhos?

Acho que estou a precisar de férias.

 

Para que fique claro, ir de férias é óptimo. Eu adoro ir de férias.

Afinal de contas a alternativa é muito pior.

Se há coisa pior do que ir de férias, é o não ir de férias. Acho que todos concordamos aqui.

Isto, claro, se a pessoa com quem escolhemos partilhar as nossas férias, for pior do que o nosso chefe. Aí fazer o relatório para o dia seguinte às 19 horas, parece ser mais afrodisíaco do que estender a toalha ao lado de um poço de reuniões que correram mal.

Para efeitos deste texto, vamos ser positivos e assumir que a nossa companhia é óptima, o que já facilita em 95% as nossas férias.

 

Falemos então do primeiro problema típico do ir de férias: 

 

A Logística

 

Escolher local; Marcar viagem; Marcar hotel;

Levar ou não o animal de estimação, seja ele cão, gato, marido ou esposa; Arranjar uma desculpa válida para não levar a sogra;

Que sítios visitar; Quanto dinheiro levar; Alugar ou não carro; Ainda vou a tempo de ir ao ginásio para impressionar no areal?; Sim, Não, Talvez?

 

E acima de tudo, de todas as questões, há que respeitar o orçamento.

 

Estes são alguns dos problemas que colocam os nossos neurónios em rota de colisão, mesmo antes de estarmos de férias.

Portanto, só esta inofensiva palavra, prima de "logista", já nos dá stress suficiente para redecorar a nossa zona capilar, a que chamamos de cabeça, de cabelos brancos.

 

É exactamente por isso que conhecemos aquelas pessoas que só passaram por esta fase uma vez na vida. A partir daí, desistiram. Passaram a reciclar o mesmo plano anualmente e agora é só repetir durante 30 anos. Pelo menos.

É menos um problema.

 

O segundo problema:

 

A Viagem

 

Normalmente diz se que "viajar" é dos verbos que mais nos enriquece, mas certamente que não se estão a referir a andar num carro sem ar condicionado, pelas 14 horas, num dia de 43 graus em pleno interior Alentejano. A viagem é uma espécie de promessa, de castigo, que o turista se compromete a "sofrer" para chegar a bom porto. É um sofrimento consciente por forma a valorizar ainda mais o destino que nos espera. Não enriquece. Pelo contrário, emagrece.

 

Uma vez terminada a viagem e chegados ao tão desejado destino, batemos de frente no terceiro stress em ir de férias:

 

As Expectativas

 

Aquela casa fantástica que vimos no site, aquele quarto de hotel luxuoso com vista deslumbrante em que quase sentimos a necessidade de pedir a companheira em casamento, sempre que olhamos para lá; a adrenalina de chegar a um país que queremos conhecer, monumentos, cultura, gastronomia, tudo.

Até só de estar a escrever já estou a sentir a euforia toda!

E depois ao chegar ao hotel, "houve um engano", "existiu uma troca", "foi um lapso do nosso site", "lamentamos mas o monumento encontra-se em recuperação", "lamentavelmente não vão poder ver", "já não temos esse prato".

E assim aquele nosso grande e efusivo saco de expectativas começa a tornar-se numa cara de elefante extremamente bem definida e comprida...

 

 

Os dias vão passando e com eles nasce então o quarto problema:

 

A Rotina

 

E mesmo depois de vermos as nossas expectativas transformadas em conformismo trombudo, começamos a criar uma rotina com a qual afinal, embora aqueles problemas todos iniciais, até passamos a gostar. Os primeiros dias foram uma desilusão de facto, mas agora já conhecemos, já estamos como peixe na água, já sabemos o que fazer e onde ir!

Estamos a adorar! Melhores férias de sempre!

E o que acontece?

 

É dia de voltar.

 

E chegamos assim ao quinto e último problema em ir de férias:

 

O Regresso

 

Que na realidade é apenas a duplicação do sofrimento da viagem inicial, a segunda parte de um filme que correu mal. Só que agora ainda pior. Se antes estávamos munidos de esperanças e expectativas elevadas, agora estamos desiludidos, derrotados, por aqueles primeiros dias maus e por ter acabado mesmo quando estávamos a começar gostar.

Voltando à analogia do filme, na viagem de ida sempre tínhamos pipocas para assistir que nos faziam ficar ali. No regresso não. Sentimo-nos condenados a assistir ao triste fim.

 

 

Chegamos. Estamos de volta.

E quando na realidade o objectivo era recarregar baterias, animar o espírito, ganhar anos de vida, voltamos com aquela desilusão do regresso sempre precoce, naquele eterno e doloroso domingo, que é sempre o nosso último dia de férias.

 

E de volta ao trabalho, no primeiro dia, estamos ainda mais deprimidos. Como dói.

Não só por terem acabado as férias e tudo o que apontei, mas por percebermos que podemos ser facilmente despedidos, porque afinal nem fizemos assim tanta falta...

 

Boas Férias...

 

 

(imagem)

 

P.A

 


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Como Reagir Perante um Assalto

Este era um tema que tinha aqui guardado há já algum tempo para vos falar.

Desenganem-se. Não é um manual de como não ser assaltado. É apenas um guião de como não ser processado depois.

 

Isso mesmo. É uma nova moda que anda por aí e veio para ficar.

Eu explico. A moda daquelas vítimas que ao apanharem o ladrão em flagrante com o LCD da cozinha debaixo do braço, as jóias da família no bolso das calças e o portátil na mochila, à tiracolo, resolvem espetar-lhe uma "valente carga de porrada no focinho" e o assalto acaba logo ali, no chão.

 

Merecido? Se calhar.

Bem feito? Depende da força.

Assalto interrompido com sucesso? Talvez.

 

Qual é o problema então?

 

O problema é que depois são processados pelo ladrão, pelos danos físicos que lhe causaram. E ele ganha mais no processo do que ganharia no somatório de todos os vossos bens que, para a lei, apenas "estariam a ser "alegadamente" roubados".

 

Ou seja, parabéns! Foram assaltados.

 

Mas se a "pantufada no focinho" ou o "enxerto de porrada na boca" já não são soluções viáveis, como reagir agora a um assalto?

 

Imaginem que entram em casa e dão de caras com um ladrão a pegar nas vossas coisas. Primeiro ligam à Policia claro. Mas que fazem no entretanto? Têm de o manter lá.

Lembrem-se que o "partir a boca toda" também não é solução, nem mesmo o vou só dar uma "joelhada nos países baixos" do ladrão para dar aquele tempo extra até a policia chegar. Nada disso resulta agora.

Aliás, esta última deve mesmo evitar a todo o custo.

É que a "Indemnização por Infertilidade Antecipada" é a mais cara da lista de queixas de ladrões agredidos no seu horário laboral.

 

Ficariam sem dinheiro nenhum, à conta da desertificação dos países baixos do assaltante.

 

O que podem então fazer:

 

1- Seja chato. Para este ponto nem precisa de estar perto do ladrão, basta perguntar-lhe de 10 em 10 segundos: "Já roubaste tudo?" " "Que horas são?" "Curtes da Maria Leal?"

Repita 20 vezes este ciclo ou até ele desistir. Em situações de emergência pode também citar documentários do canal História. Resulta, mas aqui poderá espantar definitivamente o assaltante. O lado positivo é que roubará apenas uma parcela do que roubaria se não tivesse usado esta técnica, mas a policia, quando chegar, já não o encontrará.

 

 

2- Caso o ladrão resista ao primeiro ponto. Não desista, lembre-se da sua infância. Utilize a primeira arma da vida social humana e a mais irritante à face da terra: utilize "o macaquinho de imitação".

Imite todos os movimentos e falas do ladrão. Siga-o! Faça de conta que é a sombra dele. Este aguentará no máximo 5 minutos. E com sorte você ainda é agredido e poderá então ser você a pedir a tão desejada indemnização. Parabéns! Missão cumprida e ainda ganhou uns trocos!

Seja responsável, use esta técnica com moderação. O macaquinho de imitação é um assunto sério.

 

3- Se por acaso preferir aproximar-se do ladrão, o que aconselho bastante para efeitos de vir a ser agredido e bem pago, aproveite e faça-lhe cócegas. Se tiver uma pena, use. Aponte preferencialmente para pescoço e axila. Vai ver que ele não roubará à mesma velocidade e com sorte ainda desiste e dá-lhe uma "pêra entre os olhos" a si.

 

A pêra, pela tabela, fica apenas em 20 euritos de indemnização, verdade.

 

Mas são 20 euritos na mesma.

 

 

(imagem)

 

P.A


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O Crime de Recebimento Indevido de Vantagem

Não deixa de ser curioso que passado exactamente um ano em que o nome Éder se tornou num dos nomes mais inesquecíveis para os portugueses, por ter conseguido pontapear aquela bola dali, para as redes francesas, que esse mesmo jogo seja agora motivo, para encontrar uma espécie de rede, não de baliza, mas de "cordialidades" políticas por este Portugal.

 

Mas para perceber melhor o que é afinal o GalpGate, vamos recuar um ano atrás no tempo e recordar uma destas cordiais conversas, inspiradas num sketch do Gato Fedorento:

 

Senhor de uma empresa que se recusa a pagar 100 milhões de um novo imposto: "Ó Sotôr ora essa, vá lá ver a bola"

Senhor do governo que por acaso está a tratar do caso do pagamento destes mesmos 100 milhões: "Não sei se aceito Sotôr"

Senhor da empresa: "Faço questão Sotôr"

Senhor do governo: "Ó Sotôr assim deixa-me atrapalhado, não posso aceitar"

Senhor da empresa: "Aceite Sotôr, aceite. Faço questão Sotôr"

Senhor do governo: "Ó Sotôr!"

Senhor da empresa: "Faço questão que vá Sotôr. Vai num avião fretado por nós e tudo. Vai e volta no mesmo dia, ainda ceia com a família."

Senhor do governo: "Olhe que aceito Sotôr!"

 

Depois gritou-se golo em conjunto e à noitinha, ceou-se em Portugal. Estava criado o GalpGate.

 

Mas como é que daqui chegamos ao alegado crime que tanto se tem falado agora, o "Crime de Recebimento Indevido de Vantagem"? [CRIV]

 

Para quem não conhece bem, este CRIV é uma espécie de CREL de subornos mas com menos trânsito. Para começar, não é para todos. Só lá podem conduzir funcionários públicos, logo, por aí, flui bem melhor. Não costuma ter muitas horas de ponta, normalmente só quando os bancos estão a fechar ali pela tardinha, aí é que se pode verificar um fluxo anormal de acessos. No máximo, pode parar um outro funcionário público mais apressado. Mas nada de grave.

 

Irmos parar ao CRIV é tão simples e fluído que além de ser funcionário público, basta que se verifiquem dois pontos base: 

  • O funcionário público tem de solicitar ou aceitar uma determinada oferta que não lhe seja devida;
  • O empresário tem de dar ou prometer tal oferta indevida.

E pronto já está. Nem é necessário estabelecer um nexo causal entre o alegado recebimento e um determinado acto de favorecimento ilícito.

Nada. Aceitou a oferta? Passou na portagem e recebeu o tal ticket?

 

Ora então seja muito bem-vindo ao CRIV.

 

"Então isso quer dizer que não podemos dar nada aos funcionários públicos? É isso?"

"E se virmos um, na rua, com fome? Nem uma sandocha podemos dar?"

Podem. Podem dar até 150 euros.

Mas 151 euros já é CRIV. Cuidado.

"Então e se um funcionário público me tiver emprestado 160 euros? Como faço para pagar de volta?"

Simples, duas tranches de 80 euros e a CRIV fica de fora.

De qualquer forma a premissa dessa questão está incorrecta. O funcionário público, infelizmente, nunca tem para emprestar.

 

Bom mas falando do centro da questão, ainda há algo que não percebo bem no meio deste processo todo. Sinceramente acho que o senhor do governo até foi bastante inteligente. Ele só estava a iniciar o seu plano de reaver o dinheiro. Mal viram que estava a ter resultados, não o deixaram terminar o serviço. Enfim, o costume.

Como assim? Reparem bem, se esta oferta foi avaliada em 2200 euros, então este senhor já só tinha de assistir a mais 49999 finais destas para reaver o dito imposto. Se o método normal não leva a lado nenhum, há que saber dar a volta, ter criatividade política para gerir as situações.

 

Mas não, em Portugal é assim, não se pode ser criativo.

 

E pior, nem ir ver a bola sossegado.

 

 

 (imagem)

P.A

 

P.S - Claro que a culpa de toda esta situação foi exclusivamente da selecção portuguesa de futebol que resolveu acertar todos os penalties nos quartos-final e assim acabar por chegar à fatídica final. Vá lá que agora na Taça das Confederações aprenderam a lição. Falharam tudo.

É que já não tínhamos secretários de estado suplentes para outra destas. Ainda se entupia a CRIV.


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O Ouro dos Globos

A 22ª edição dos Globos de Ouro, de ontem, surpreendeu-me.

Conseguiram algo que nunca pensei ser possível.

 

A emissão começou por essas 21:15 com a indicação de "directo" no ecrã, quando na realidade se apresentava um céu claro, digno de umas 19 horas acabadinhas de fazer. Isto sim é chegar antes do acontecimento. Imagino a dor nos estúdios da CMTV. Derrotados no próprio jogo. Incompetentes.

Além disso, tal precocidade resultou ainda num momento único televisivo: uma alucinação global de déjà vu. A gravação emissão em directo pifou e voltámos a receber os mesmos 30 segundos anteriores. Vá lá que foram 30 segundos de verdadeiros globos de ouro, mas daqueles bem decotados, da Andreia Rodrigues. 

Obrigado pelo vídeo-árbitro, SIC.

 

Sobre a cerimónia em si, foi o costume.

As convidadas tinham de arranjar forma de dizer quem as vestiu. Embora comigo não resulte muito porque sou terrível com nomes, mas muito bom em decotes.

Os "entregadores de prémios" pareciam jovens estudantes na aula de português a ler do quadro. Com direito a entoação apenas na última sílaba.

5% dos convidados são actores da Globo, para dar um clima internacional à coisa. E afinal de contas, Globo, até é o nome da gala.

O Luís Franco Bastos lá tentou safar aquilo.

E a Luciana Abreu ia semi-desnudada.

 

Nada de novo.

 

Acabei por dar uma olhadela no Pesadelo na Cozinha. 

 

(imagem)

 

P.A


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Volta ASAE, estás perdoada

Acho que nunca comentei um programa de televisão por aqui, mas neste caso não podia deixar passar.

Falo do Pesadelo na Cozinha.

 

A TVI que noutros capítulos não me seduz tanto, aqui acertou em cheio. Muito se fala de serviço público na televisão e sinceramente este é, para mim, o verdadeiro exemplo. Algo que tem o propósito de corrigir e melhorar o que vamos usufruir é obviamente útil e necessário. E para isso precisamos de um choque. Precisamos do choque que é conhecer primeiro a nossa realidade.

As audiências contam, tem publicidade, vocabulário mais forte (algumas vezes bem necessário para quebrar algumas personalidades muito próprias), sim, tem isso tudo, afinal é um programa de televisão, mas no fim temos algo a que eu chamo de Educação Culinária, para não falar das supostamente básicas Higiénica e Cívica.

Conhecia a versão original e não pensei vir a apreciar a nossa. Até porque julguei que não teríamos tanta matéria prima lastimável. Infelizmente enganei-me. Mas já lá vamos.

 

Vamos recuar um pouco no tempo. Quando ainda não existia este programa. Ao tempo em que a ASAE era vista como uma entidade ditatorial que impunha normas abusivas, ridículas e que fechava a seu belo prazer restaurantes, apenas porque podia. Esta era uma opinião relativamente generalizada. Uma espécie de prima da EMEL que só existe para lixar a vida do português trabalhador.

E agora?

Sinceramente? Acho que a grande beneficiada pelo programa é a própria ASAE. O português vê finalmente as condições lastimáveis de um restaurante que aparentemente até está bom. Principalmente para aquele cliente normal e habitual que entra e só se senta à mesa para ver a bola.

A nossa mesa, pratos, talheres embora impecáveis, não reflectem o que se passa logo ali ao lado, na cozinha. Para não falar dos pratos com molho da casa com um sabor distinto, derivado de um tal "ingrediente secreto do Chef", bom, aqui se já viram o programa saberão a que "ingrediente" me refiro.

 

ASAE, falo para ti.

Seria inteligente da tua parte perceberes o sucesso deste programa versus a tua má fama. Afinal o que falta?

Simples, faltam-te imagens. Faltam-te as provas de que não vives na soberba do teu poder. Basta-te isso.

E prova disso tem um nome. Chama-se Pesadelo na Cozinha.

 

E já ninguém te disse nada por teres fechado "O Canela", pois não?

 

Agora até já chamam por ti.

 

Volta ASAE, estás perdoada.

 

 (imagem)

 

P.A


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United Airlines

A companhia aérea onde quem entra como médico sai como paciente.

Eu, sendo informático, tenho de ter cuidado. Não dava nada jeito formatarem-me agora. E depois as fotos?

Bom, preocupações minhas à parte, vamos lá perceber o enredo deste thriller:

 

Tudo começou há duas semanas quando não permitiram a entrada de duas raparigas por envergarem umas finas e justas leggings.

Agora imaginem se fizessem isto também nos ginásios?

Já não andava lá macho nenhum por esta altura. E andou esta gente 4 anos a estudar Gestão.

 

Bom, agora o mesmo gestor tem um problema entre mãos, qual é a melhor forma de tapar uma semi-caricata situação de uma empresa?

Mudar de comportamento? Reconhecer o caso mas tratá-lo como algo isolado?

Não. Não chega.

Vamos lá criar algo ainda mais caricato e nunca antes visto, assim ninguém se vai lembrar das leggings da semana passada. Concordo consigo gestor. Tem lógica. Eu próprio, depois desta notícia tive bastante dificuldade em me lembrar da anterior, mais uma semana e já não me lembro, pela certa.

 

O cenário escolhido foi um voo de Chicago para Louisville na passada segunda-feira. E quando já estavam todos os passageiros no avião, com bilhete pago, check-in feito, surge a indicação que o voo estava sobrelotado e 4 pessoas teriam de abandonar. Se fosse um gestor português, punha ali logo uma cadeira em cada esquina e estava feito. Mas como mais uma vez não havia nenhum português para resolver a situação e ninguém se voluntariou para sair mesmo com 400 dólares de indemnização e noite paga no hotel, subiram para 800. Duas pessoas aceitaram e o gestor tremeu, tremeu por pensar que iria acabar ali e ele sem história. Mas não, ficaram a faltar 2 lugares. Foi necessário efectuar um sorteio e um dos felizes premiados foi um senhor de traços asiáticos.

 

E foi exactamente este senhor de traços asiáticos que salvou o gestor. Quando depois de sorteado, recusou sair, indicando ser médico e com consultas marcadas com pacientes, sendo imperativa a sua viagem. Acabou imperativamente arrastado pelo corredor do avião, como se de uma criança a fazer birra no hipermercado se tratasse. Ainda conseguiram no meio de tantos puxões enviar a cara do senhor contra o banco do lado, ficando o mesmo um forte candidato a vencedor do Halloween 2017.

 

Leggings? Quando? Não me lembro.

 

E assim se gere.

 

(imagem)

 

 

Podem ver o vídeo aqui.

 

P.A


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