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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Assédio sexual ou Sedução?

Depois de assistir à cerimónia dos Globos de Ouro em que até o vestuário foi dedicado ao escândalo sexual do momento, comecei a pensar: o que é afinal assédio? A partir de que ponto podemos dizer, eh pá se calhar até estou aqui a ser assediado um bocadinho agora?

 

Em teoria e em bom português, é considerado assédio sexual, todo o conjunto de actos ou ditos com intenções sexuais, geralmente levado a cabo por alguém que se encontra em posição privilegiada.

 

Em teoria faz sentido. Na prática não concordo.

Na prática o assédio é uma aceleração brusca na estrada da sedução. É um saltar etapas. Um estar à vontadinha quando ainda não era suposto estar nem à vontade. É um "com licença" não verbalizado.

No fundo o assédio é o atalho do garanhão preguiçoso. Seja ele homem ou mulher. Daquele que já que tem poder, pretende usá-lo para escalar etapas no processo de sedução. É uma espécie de cartão do monopólio do estar livre da prisão. Podemos testar a sorte pelo caminho convencional do lançamento demorado e tripartido dos dados para podermos sair da prisão, mas já que temos o cartão dourado, vamos usar e despachamos já isto. Depois logo se vê.

Assediar é por isso desprestigiante. É uma mistura de soberba com mandriar. É seduzir com cunha. Sem honra. E é acima de tudo um admitir que algo [poder] levou a melhor sobre nós.

 

E do outro lado? O assediado?

Na realidade o assediado é um mal seduzido. Tão mal seduzido que só se apercebe tarde demais que o estavam a tentar seduzir. Tal é a azelhice e a soberba daquele predador. É claro que assim, de algo inesperado, resulte um choque maior, que no caso das vítimas com personalidade se traduz num imediato "alto e pára o baile que estás a esticar-te" ou num "psst tá quieto", que normalmente finaliza por ali mesmo o ataque.

 

Depois temos outras [vítimas] que acabam por ceder ao poder dito cartão dourado. Alimentando assim o predador.

Como as que só depois do James Franco ter ganho o seu globo é que se recordaram que afinal este também não tinha lido os Maias da sedução e tinha tomado alguns atalhos de soberba pelo caminho.

Infelizmente estas são as que mais desvalorizam, pela vulgarização e interesse, as reais e verdadeiras vítimas de assédio sexual.

 

De qualquer forma se não querem ser acusados de assédio, vão por mim, paguem primeiro um café, levem a jantar fora ou tentem mesmo conversar um pouco, é giro bater aquele courozinho, não acham? Dá pica.

 

Não sejam preguiçosos.

 

 

P.A


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O segundo dia do ano

O segundo dia do ano costuma seguir um conjunto de regras muito específicas.

Existe uma espécie de menu de degustação de experiências típicas da ocasião, em que o cardápio nem muda muito de ano para ano.

Acaba por se tornar numa espécie de roupa velha. Com os restos do nosso ano anterior.

 

Ora vejamos, ao contrário do primeiro dia [do ano] que é feriado para muitos, o segundo não o é para todos.

Então é com relativo ódio que somos apresentados ao início oficial das responsabilidades de 2018 - mais conhecido por segundo dia do ano.

Vamos ser francos.

É um dia chato. Um dia de crescimento pessoal forçado. Um dia adulto. De regresso.

Um dia de reset forçado à nossa máquina para voltarmos a funcionar neste novo ano que nos espera.

Um dia que simboliza que o Natal já foi no ano passado e que a passagem de ano já foi há duas noites. E pior, que o próximo evento no calendário é aquele que nós, rapazes, nos esquecemos com facilidade. Falo claro, do dia mundial da decoração de lojas com corações vermelhos e cupidos angelicais de olhar maroto-safadote.

 

Além disso, hoje é aquele dia que achamos estranho escrever 2018.

Que nos faz parar um pouco e pensar: Caramba já estamos mesmo em 2018.  

E que se forem como eu, vão pensar que se por ventura tivessem procriado durante a estreia do filme Matrix, hoje teriam já um lindo filho de 18 anos. Pronto a votar nas próximas eleições.

 

Mas nem tudo é mau.

Hoje é também o dia mais corajoso de todo o ano!

 

O dia da inauguração dos nossos compromissos para o novo ano! Do cortar da fita da nossa exposição de resoluções para 2018! 

É a partir de hoje que vamos fazer tudo diferente! É hoje o dia de mudança!

Viva nós!

Hoje somos capazes de tudo!

Vou ao ginásio! Vou comer menos porcarias! Vou ter mais tempo para a família!

Vou pedir um aumento! Vou pedi-la em casamen...!

Desculpem.

Deixei-me levar aqui pelo entusiasmo.

 

Só que não. 

Toda esta euforia, toda esta convicção, logo, e quando digo logo é mais logo à hora de jantar, dará lugar a algo que já conhecemos bem, muito bem, de 2017:

 

-"Afinal não me deu jeito...vou ao ginásio amanhã"

 

-"Estava com pressa ao almoço, comi fastfood.[e adoro esta frase->] Ainda não tinha comido pizza este ano!"

 

-"Com isto tudo da mudança do ano, o trabalho acumulou e ainda cheguei mais tarde a casa."

 

-"Amanhã falo com o meu chefe. De amanhã não passa. Peço o aumento amanhã!"

 

-"Afinal este ano é par [ou qualquer outra desculpa esfarrapada]. Peço-a em casamento para o ano!"

 

 

E chegamos assim ao fim deste segundo dia do ano.

 

A deitarmo-nos na mesma cama de 2017.

 

Bom ano!!

 

P.A.


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Palavras Cruzadas // A rapariga que adormece sempre

Hoje vou contar-vos uma história de embalar.

Mas não é para adormecerem. Podem ler descansados que não há efeitos secundários. Pelo menos não é esse o objectivo.

Trata-se de uma história de embalar de uma jovem rapariga que adormece sempre que estou a ver televisão com ela.

 

Pode ser telejornal. Pode ser novela. Até pode ser debate político, se bem que neste último não tenho bem a certeza, porque também adormeço.

O que é certo é que é uma questão de segundos para que a cara desta linda donzela comece a adoptar uma nova forma. E é logo assim que se deita neste sofá e olha para a televisão. Não falha. Tanto que já tirei apontamentos:

- Primeiro aquele piscar de olhos cada vez mais lento. Que das primeiras vezes até confundi com uma espécie de preliminares de dança de acasalamento - de trocas de olhares marotos, sedutores, tudo em câmara lenta. A safada.

Só que depois afinal não. 

 

- Depois a demora acentuada em cada sílaba, como se dizer "car-to-li-na" demorasse tanto como ler duas vezes os "Os Maias".

 

- E por fim a respiração pausada e bem cronometrada, que ela gosta de chamar de respiração normal. E eu de ressonar.

Mentira. Ela não ressona. Estou a brincar.

Respira é em alemão quando dorme. O que para mim até é sexy.

Demonstra que é culta.

 

Mas das duas uma, ou eu quando vejo televisão tenho uma personalidade forte em Xanax, ou hálito fresco anestésico, ou então o sofá cá de casa é feito de propofol e eu sofro outro tipo de sintomas, não sonecas.

Eu até estou mais inclinado para a última, porque costuma ser deste mesmo sofá que nascem a maioria dos textos do blog. O que avaliando pelo grau de demência apresentado, até seria a única boa e plausível justificação possível: Tenho um sofá ganza.

 

De qualquer forma, pessoa que me está a ler desse lado, se por acaso sofre deste problema ou conhece alguém que sofra, eu tenho a solução ideal para si. E sim tirei esta frase da TV SHOP.

A solução é simples:

Pipocas!!

 

Sim. Esse milho aos pulos aquecido faz maravilhas. Até exorciza o alemão da menina cá de casa. Descobri que se existirem pipocas suficientes para manter ocupada a donzela, esta consegue ver um filme até ao fim! Isso mesmo! Inteirinho!

Não acredita?

Teste você mesmo. - Tenho mesmo de deixar de ver tanta TV SHOP.

 

Mas calma, aconselho precaução no uso de pipocas. Não rebentem logo com a rapariga. Há risco de overdose.

Por segurança, comecem primeiro com trailers de 2 minutos. Para não bater muito forte.

Depois curtas-metragens de 15-20 minutos quando sentirem que já estão mais independentes no acto de manter a pestana aberta.

E só depois um filme pequenito. Uma "Pequena Sereia" ou um "Querida encolhi os miúdos".

 

Vão por mim, desde que usamos pipocas cá em casa, a nossa vida mudou.

 

Até já vemos filmes do Manoel de Oliveira.

 

Sem intervalo.

 

 

movie.png

 

 

 

P.A

___________________

Este foi o terceiro texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Podem ver como a Rita respondeu a no blog dela.

Agora é a vez dela...Estou para ver o que me vai aquela rapariga dar para escrever daqui a 2 quartas-feiras!

Porta-te bem Rita!

 


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Escrever: Sim ou Não?

O cliché natural e mais associado ao acto de ter um blog acaba invariavelmente espremido num simples:

"Porque gosto de escrever". Quantas vezes já lemos esta frase.

Seja ele um diário, um local de desabafo, de análise política, de fotografia, moda ou até mesmo de pura parvoíce como o meu.

 

Mas não é isso que todos [que escrevem] dizem só para ficar bonito? -  Pergunta quem lê estes clichés.

Não. Isso é o que perguntam todos os que não descobriram que afinal até eram capazes de escrever. E gostar.

E digo isto porque eu era uma dessas pessoas.

Depois?

Escrevi aqui. E gostei.

 

Mas eu até consigo perceber o porquê de estarmos formatados desta forma. Somos desde muito novos levados a não gostar de escrever. Sim. Aprendemos a ler, a escrever, damos os primeiros passos nesta aventura de caneta na mão, mas o acto de escrever em si, começa desde muito cedo a ser maltratado.

É-nos apresentado não como uma forma de expressão pessoal, mas sim como algo desagradável, como se de uma obrigação se tratasse, incomodativa até:

 

"Senhora professora 150 palavras?? Eu não consigo escrever tanta coisa! Não pode ser menos?" 

 

Ou a minha versão preferida do uso da escrita - A versão castigo quando fazemos asneiras:

 

"Pedro Miguel isso não se faz! Agora escreves no quadro 50 vezes: Não volto a chamar Maria Leal à colega que sofre de epilepsia!"

 

E são 50 facadas no prazer pela escrita daquele jovem. Que, diga-se, até tem algum sentido de humor para a idade.

 

Além desta face negativa que nos é vendida em fase pirralha, para ajudar, escrever dá trabalho. É um facto.

E a preguiça, a falta de inspiração e a porcaria do Netflix são os principais inimigos de quem gosta e quer escrever mais. Já para não falar da vida. Essa sem vergonha, obesa, que nos come o tempo todo.

Além disso a escrita pode torna-se rapidamente num facto. E isso pode assustar.

Enquanto nos podemos queixar de boca: "Ah o senhor Manuel disse que vinha cá e depois não veio" e mais tarde desdizer sem pudor ou punição. Quando escrevemos não é bem assim. Fica algo escrito. Pronto a ser usado contra nós. 

 

Mas conseguindo superar todos estes níveis problemáticos, chegamos verdadeiramente à sua essência, ao seu jardim encantado: Atingimos a sua sinceridade, a sua clareza de espírito. Vislumbramos o reflexo da personalidade do autor ali, exposto, encarnado em palavras. Tudo conjugado numa harmonia de frases ao som da batuta de quem escreve. Alguém que nos leva pelo seu caminho até onde quiser.

 

Escrever é a única viagem que podemos fazer com estranhos. E não recear. 

 

Mas cuidado. Não confiem em demasia. Não lhe digam tudo.

Sabem, é que a escrita não mente. 

Isto não é uma fatiota que se veste para ir a uma festa. E está logo tudo bem.

Não.

 

Se são parvos, vão parecer parvos.

 

Vejam o meu caso.

 

Mas vale a pena.

 (imagem)

 

 

P.A


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A Black Friday Familiar

Até podia ser o nome de uma nova pizza com pepperoni, cogumelos e extra desconto, em que a maior parte dos portugueses acabaria por pedir hoje sem pepperoni porque só lá ia pelos cogumelos com desconto.

No fundo é esse o espírito do dia de hoje. O ir pelo desconto.

É uma espécie de ida à casa de banho quando nem temos assim tanta vontade ou nem estamos verdadeiramente aflitos, mas vamos agora porque mais tarde pode custar mais.

Pelo menos fica já despachado. Se custar menos, melhor.

 

Mas a Black Friday não é igual para todos. Aliás, dentro de uma família podem co-existir diferentes tipos de Black Friday.

Ora vejamos.

 

Comecemos pelo avô que, no seu inglês fluente, suspira pela chegada da "Back Fadai" para poder finalmente comprar um telecomando universal para a box e tv. Que o outro avariou.

- A avó, reza para que as filhas não lhe ofereçam a 14ª Torradeira dos últimos 5 anos.

- A Mãe tem tudo pensado. Tem o mapa desenhado e o itinerário definido. Pesquisou online e sabe que a Aldo a C&A estão com 20% em Loja até domingo e que a Calzedonia faz 50% em produtos seleccionados. 

- O Pai pode finalmente comprar o FIFA 18 ou o PES2018 com a desculpa que é para o filho.

- O filho pode finalmente jogar o FIFA17 ou o PES2017 sozinho.

- A filha, a mais esperta da família, aproveita a boa disposição do Pai, de jogo na mão, e a da Mãe, de sacos cheios, para ir comprando o que quer.

 

E assim se passa uma Black Friday Familiar.

 

Mas temos mais.

E aquele português que só vai à Black Friday para dizer que foi? E que depois se sente mal de dizer que foi e não comprou nada?

Tanto que começa a mentir e diz que comprou um robot aspirador na Worten porque era a única coisa que ainda se lembrava do folheto.

 

Mas o meu preferido nestas andanças ainda é o que português que odeia a Black Friday, que é gente por todo o lado e que é impossível ver ou comprar alguma coisa...

 

...mas no ano seguinte está lá outra vez. 

 

(imagem)

 

P.A

*já agora, ainda não sou pai, eu sei, mas estou disponível para receber o FIFA2018, com relativo agrado até.

*se querem oferecer uma óptima prenda ao vosso namorado este ano, vejam aqui a sugestão que dei o ano passado. É tão boa que ainda é válida este ano...

 


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Vamos jogar ao Preço Certo (da renda Lisboeta) Em Euros

Esta semana, os responsáveis municipais das cidades de Barcelona, Nova Iorque e Lisboa uniram-se para limitar o preço da habitação local, num documento conjunto, reividicam maior capacidade legislativa para enfrentar o crescimento da pressão especulativa que se tem vindo a verificar.

 

Chega o momento certo para percebermos o que se passa no mercado Lisboeta. Vamos então jogar ao Preço Certo (da renda Lisboeta) em Euros!

 

Ora sejam então muito bem-vindos!

 

Hoje temos 3 fantásticos concorrentes que irão tentar adivinhar qual o preço certo, em euros, de alguns imóveis de T0 a T1 em Lisboa. 

 

Em primeiro lugar temos a Joana de 30 anos, vem de Santarém, é arquitecta, acabou o curso com média de 19. Encontra-se hoje já com trabalho a ganhar um honroso ordenado mínimo, a recibos verdes, claro.

- Olá Joana, motivada para este desafio que é saber qual o preço certo em euros de uma casa em Lisboa?

- Já estou aqui a arquitectar o preço certo!

 

Para a segunda vaga, temos o Manuel, é enfermeiro, média 17, tem 28 anos e tem finalmente um contrato de trabalho, muito embora tenha actualmente a sua carreira congelada.

Passou todo o tempo da Troika em Portugal a saltar de clínica em clínica, coleccionando recibos verdes. Esteve quase a sair do país quando Passos Coelho lhe abriu a porta. Mas conseguiu ficar. Tenta agora aqui a sua sorte no preço certo da renda Lisboeta em euros.

- Olá Manuel, pronto para o desafio?

- Vamos lá picar essa veia imobiliária!

 

 

Por fim, em terceiro lugar, temos a Ivone, é professora, tem 30 anos, média 17, e ainda não conseguiu colocação. Esteve 6 anos fora da área a aguardar a sua primeira vez. Vive em Viseu, mas só conseguiu agora trabalho em Oeiras, numa escola privada, a recibos verdes.

- Olá Ivone, pronta para dar uma lição aos seus colegas?

- Sempre!

 

Estes 3 concorrentes procuram agora saber se poderão viver em Lisboa, mas para isso terão de acertar primeiro no preço certo da renda lisboeta em euros! Boa sorte aos 3!

 

Vamos começar com o nosso primeiro jogo. 

 

Qual o preço certo da renda mensal, em euros, deste um magnifico T0 de 31m² em Chelas, Lisboa? Repito 31m²!

 

Público - 300€!! 350€!!

 

Joana - Ora T0, em Chelas..., 31 m²... 325 por mês! Este, com o meu ordenado mínimo, conseguia pagar!

Manuel - Eu não gosto muito de Chelas, mas diria pela área e estado... 320!

Ivone - Concordo com a Joana, mas vou arriscar os 350.

 

 

As vossas apostas foram fechadas! O preço certo desta renda mensal em euros deste imóvel é......

 

650 euros mensais!

Isso mesmo, bem mais do que o ordenado mínimo nacional.

 

Público - Eu disse! Eu bem disse!!

 

Joana - Afinal não podia pagar este T0...

Manuel - Não chegava a esse valor.

Ivone - Também não ia conseguir pagar a renda...

 

Passamos agora ao segundo desafio. Boa sorte aos 3.

 

 

Qual o preço certo em euros da renda mensal deste magnífico T0, totalmente remodelado, em óptimo estado, com 47 m², na baixa Lisboeta:

 

 

Público - 700€!! 750€!!

 

Joana -  Bem na Baixa é sempre caro. Sendo um T0, com 47 m²... arrisco já por cima uns 800 por mês. Está muito querido e com muito bom gosto. Infelizmente este sei bem que não posso pagar...

Manuel - Eu gosto bastante da baixa Lisboeta, aposto nos 850. Infelizmente, como enfermeiro não tenho como o pagar.

Ivone - 800€ acho bastante para um T0 só com 47m² , vou para os 700. Mas mesmo assim também não daria para mim, só a dar aulas.

 

 As vossas apostas foram fechadas! O preço certo da renda mensal em euros deste imóvel é......

 

1700 euros mensais!

Aproximadamente o triplo do salário mínimo Português!

 

Joana - Nós os três juntos seria mesmo à conta!

Manuel - Bem verdade!

Ivone - e os três a viver em 47 m²!

 

Chegamos agora à montra final!

 

 

A montra de hoje é composta por um fabuloso T1 de 50 m²! Mais 3  que o anterior. 

Em plena avenida da Liberdade, na praça dos Restauradores, trata-se de um fabuloso segundo andar num prédio sem elevador, totalmente remodelado e em que a traça antiga foi preservada em todo o seu esplendor.

 

 

 

Público - 1700€!! 1750€!!

 

Joana -  Avenida da Liberdade? Que bela montra final a de hoje!  Mas não deixa de ser um T1 com áreas de T0... A avaliar pelo anterior, arriscaria já muito por cima, os 2000! Já teria que trabalhar 4 meses para pagar um mês de renda aqui!

Manuel - Nem sei quantificar na Avenida da Liberdade, 2300? É um T1 pequeno mesmo assim.

Ivone - Vou arriscar nos 2600, mas não faço mesmo ideia... Mais do que 300 mensais não dá para mim.

 

 As vossas apostas foram fechadas! O preço certo da renda mensal em euros deste imóvel é......

 

4000 euros mensais!

 

Isso mesmo, cerca de 7 salários mínimos.

 

Que pena!

Estiveram quase a destronar a nossa grande vencedora do concurso! Aquela que foi a última concorrente a conseguir sair daqui com a montra final!

 

Podes descansar neste Natal, Madonna. Ainda não foi desta.

 

P.A


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Motivar-me sim, mas como?

Quem nunca teve aquele acreditar com muita força, aquela energia extra, aquela confiança extrema, ou até mesmo aquele encher de peito, seguido de um "Bora lá, tu és capaz" pleno de adrenalina? 

Todos nós. Bom, todos excepto um tal senhor de cabelo estranho. Esse twitta sempre lá de cima. Nunca habitou a nossa real e desmotivadora realidade.

 

O pensamento motivador é uma das formas mais eficazes para nos superarmos constantemente. E como faz maravilhas, por vezes.

Mas não o confundam com o vosso melhor amigo. Que não é.

Principalmente quando nos faz encher de coragem para ir dizer à rapariga mais bonita da turma que gostamos dela. Que maravilha é ficar de coração partido depois.

 

Se bem que agora o rapaz até tem alternativas e até prefere fazê-lo pelo Instagram. Assim, em vez de recordar para sempre aquela cara linda, perfeita, desenhada à mão, a partir-lhe o coração, só fica a saber que ela leu o que escreveu, porque está ali aquele olhinho infernal irritante na janela, e simplesmente optou por não responder. A filha da mãe.

Mas a motivação, a tal amiga, esteve lá na mesma. A maldita. A diferença é que antigamente ainda corávamos no momento, agora só se ela tirar um printscreen e mostrar a toda a gente. 

 

De forma geral é-nos sempre mais difícil arranjar forças para motivar do que para desmotivar. O ser humano é naturalmente dramático, aliás, a vida é uma função matemática que tende para a tragédia. Mesmo ganhando o Euromilhões, somos fortes o suficiente para concluir que [ok, que apenas 312 dias e 15 milhões gastos depois]  "...o dinheiro afinal não traz felicidade".

E volta o drama à nossa vida agora milionária.

 

Então e porquê continuar a lutar contra o dramático e não utilizar a matemática da vida que nos irrita tanto, a nosso favor? Em vez de ter a trabalheira toda para nos motivarmos para algo, porque não utilizar frases desmotivadoras a nosso favor? 

 

Como as do tabaco, é isso? Não. 

Ver órgãos em mau estado, pessoas que não nos dizem nada em poses pouco saudáveis ou até mesmo letras gordas meramente assustadoras, resultam tanto como as audiências da CMTV. Cada vez são mais portugueses a assistir.

 

A ideia é boa mas foi mal aplicada. Temos de tocar em algo que realmente nos faça reflectir e não nos prenda na curiosidade humana da desgraça alheia.

 

Proponho então algumas sugestões:

 

Em vez de "Fumar Mata!" ou "Deixe de fumar pela sua saúde", usaria apenas:

"Sabia que Maria Leal fuma um destes todos os dias?"

Pensava ou não pensava duas vezes? 

 

"Fumar prejudica gravemente os seus pulmões", e que tal:

"Sabia que Maria Vieira compra um maço destes antes de escrever um post nas redes sociais"?

Existem cogumelos do tempo que batem menos.

 

Mas também podem ser imagens. Por exemplo, em vez de um pulmão em mau estado, proponho:

Uma imagem de Marcelo Rebelo de Sousa com a frase, "Marcelo não aprova."

Ou por oposição, André Ventura é favor.

 

Ou para casos de maior adicção, Trump adora.

 

 

Se ficou a pensar no assunto e a imaginar a situação, parabéns, percebeu o poder das frases desmotivadoras.

 

Se não, lamento, terá de recorrer a um especialista.

 

O Gustavo Santos.

 

Sim eu sei, guardei a melhor frase desmotivadora para o fim.

 

(imagem)

 

P.A


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O São Martinho e as alterações climáticas

O político norte-americano e Nobel da Paz Al Gore deixou ontem uma mensagem de esperança na apresentação da sequela do filme “Uma verdade inconveniente”, afirmando que as pessoas podem e vão vencer a luta contra as alterações climáticas.

Mas alterações climáticas onde? Digam-me lá? Então e o outro senhor de cabelo engraçado, que pelos vistos esse sim, até conseguiu chegar a presidente dos EUA, não diz exactamente o contrário?

 

Numa mensagem gravada em vídeo, Al Gore começou por dizer que em cada dia as pessoas do mundo produzem 110 milhões de toneladas de emissões de gases que provocam o aquecimento global na atmosfera, “como se fosse um esgoto aberto”.

Claro que me pus logo a fazer as contas para saber qual a minha quota parte neste bolo gaseificado mundial.

 

Ora somos 7,6 biliões.

Temos 110 milhões a reivindicar por esta malta toda que anda aqui só a curtir e depois não limpa nada. Portanto, isto tudo dividido, dá à volta de 0,014 kg, ou seja, 14 gramas de emissões de gases por dia e por pessoa.

14 gramas? Eu? Por dia? Lamento mas não pode ser. Não estou à altura deste grupo gaseificado.

Sinto-me flatuexcluído. E pior, inocente.

 

Logo eu que primo pela rara flatulência, embora seja bastante acutilante quando se verifica - devo acrescentar -, tenho de agora fazer parte da média gasosa? É que só o meu primo, esse artista de "artes flatas", emite quantidades impressionantes. Principalmente à tardinha, no lusco fusco. São ali 5-7 minutos de pura Avenida da Liberdade em hora de ponta. Até dá para sentir aquela brisa. Quase como quando um autocarro passa por nós e nos contempla com aquela nuvem no fim. E neste caso, este autocarro, nem se move a grão ou feijão. Não precisa. Funciona sem chumbo mesmo.

 

Mas atenção, eu sou a favor e aceito tomar medidas, claro, mas desde que proporcionais ao nosso cavalheirismo intestinal. Os camiões também pagam mais nas portagens e eu, que nesta equação sou um simples Smart for Two, não faz sentido pagar o mesmo. Não somos todos irmãos. Ele é meu primo, se faz favor.

 

Mas tirando o facto de agora já saberem o valor médio dos gases que emitem por dia e ficarem satisfeitos com o vosso contributo, tenham em consideração que são contabilizados para este total todos os factores poluentes, desde o nosso carro, lixo, consumo de electricidade, etc. O que de facto eleva o meu primo a um estatuto digno da revista Forbes.

 

Mas voltando a Trump. Alterações climáticas onde?

Digam-me.

Sempre existiram alterações climáticas. Não é nada de agora. Que eu saiba, nunca vivemos num regime de constantes climáticas. Senão como é que os funcionários do IPMA falhavam tanto? 

 

Mesmo assim, pelo menos cá em Portugal não noto nada de especial.

Ainda ontem à noite quando ia na rua, lá estava a senhora das castanhas como é costume todos os anos. Sempre no mesmo sítio, como todos os anos, e sempre com a sua mota das castanhas, tudo como de costume. Até o slogan é o mesmo:

"Olha as castanhas! "Quentes e boas! Quentes e boas!"

E eu, olha é mesmo isto! Até me dá jeito. Vou agora comprar umas castanhas para ver se ainda vou a tempo de ser honrar a média gasosa que me compete.

 

Até que a senhora me pergunta:

"Temperatura ambiente ou mais frescas?"

 

Tudo na mesma.

 

P.A

 

P.S1 - Um abraço especial ao São Martinho. Parece que já não é preciso cortares mais do teu manto para protegeres do frio os sem-abrigo que encontras pelo teu caminho. Não deve ser fácil teres investido tanto em roupa de inverno para agora ser isto. Faz como eu, mete no OLX.

 

P.S2 - Se puderem vejam o documentário do Al Gore. Mais info aqui.

 

P.S3 - Pensem bem antes de flatular.

 

P.S4 - Ah e um abraço Bruno. Primão! 


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O Drama das Entrevistas de Emprego

As entrevistas de emprego no fundo são como os amores. Podem ser raras, mas quem não as tem?

 

Ir a uma entrevista de emprego é como ir a uma espécie de encontro às cegas. Aliás, os princípios do blind date são praticamente os mesmos.

 

Tudo começa no caçador.

Este inicia a sua pesquisa online, numa busca e filtragem por perfis de que mais gosta. Assim que encontra um alvo, analisa-o com maior detalhe e, quer esteja no Tinder ou no Linkedin, se lhe interessa, seja pela foto sensual em trajes de praia ou pela experiência em Word e Excel, envia, sem qualquer pudor, o convite de amizade. A única diferença aqui é que no Tinder chamamos de tarado. No linkedIn é caçador de talentos.

Neste momento, o trabalho do caçador termina. Fomos notificados. Temos um aviso que alguém quer ser nosso amigo. Analisamos. E aqui, mais uma vez, o princípio é o mesmo: se nos parecer interessante, aceitamos e dizemos algo como "Até pode ser uma boa oportunidade, vou-lá ver como é. Nunca se sabe." enquanto clicamos em Aceitar Amizade. Se não sentirmos aquela chama, simplesmente ignoramos.

 

Segue-se então a primeira conversa. Desenganem-se aqueles que pensam o contrário. Até aqui é tudo a mesma coisa. Seja Tinder, Linkedin, Facebook ou o Badoo. O objectivo é sempre o mesmo e um só!

Marcar o primeiro encontro.

 

Mas há que saber quebrar o gelo. Senão a coisa não resulta. Não se pode ser muito bruto ou óbvio.

"Fiquei impressionado com o seu currículo."

ou a versão Tinder da coisa:

"Adorei aquela tua foto na praia, aquela luz, fantástico! E aquela frase sentimental nada relaccionada foi brutal. Nem reparei que estavas de biquíni!"

 

E agora sim, após esta primeira abordagem:

"Por esse motivo gostaria de saber se estaria interessado em reunir comigo para iniciarmos o processo de recrutamento"

ou a versão tinder da coisa:

"Por acaso não queres ir beber um café?"

 

Neste momento, se estivermos realmente interessados, aceitamos e "Vamos lá ver como é".

 

Até que o dia chega.

Qual encontro romântico, começamos a sentir aquela ansiedade típica, aquela necessidade de provar que somos bons, que temos as capacidades que nos reconheceram. E somos invadidos por algumas questões.

Será que vão gostar de mim?

E eu? Será que vou gostar? 

Quem nunca treinou ao espelho algumas frases antes do seu encontro laboral ou romântico? Isto para não falar do tempo que se passa na casa de banho na hora anterior. Afinal de contas temos de ir perfeitos para o nosso encontro laboral não romântico das 8 da manhã.

 

Aqui sim, reside a maior diferença destes dois mundos. A principal diferença entre um garanhão e um caçador de talentos é a hora a que marcam os seus encontros. Por acaso já viram alguém sedutor dizer, "Então e que tal irmos beber um copo amanhã às 7:30 da manhã? Pela fresquinha bem bom, não?". Ou por outro lado "Gostava de discutir o seu currículo consigo, hoje, pelas 23 num restaurante à sua escolha".

 

Tirando os guardas e outras profissões nocturnas, ninguém normal seduz antes do meio dia.

 

Chega a hora da verdade. Começa a entrevista. O caçador de talentos está ali mesmo à nossa frente e quer saber mais sobre nós.

E tal como nas primeiras conversas românticas, quem nunca disse ter um bocadinho mais de experiência que a realidade? Ou um sálario melhor? Ou uma formaçãozita a mais que à conta? Só para parecer mais confiante?

A conversa flui, as mentirinhas são bem aceites, sentimos a adrenalina a ferver. Ninguém nos pára! Estamos on-fire! Tudo corre bem. Será um perfect match laboral?

 

Foi um encontro perfeito. Adorámos e queremos mais! Estamos extraordinariamente felizes!

 

Só que o fim é igualmente comum ao dos encontros românticos.

 

Na realidade pouco interessa se gostámos muito ou não. Tudo depende se nos passam logo a nova entrevista, ou se ficamos para sempre na base de dados a aguardar por contacto.

 

E assim se fica de coração laboral partido.

 

(imagem)

 

P.A


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Ser Português num Cruzeiro

"Então e portugueses não há?" Foi uma das perguntas que mais me fizeram quando voltei.

 

Há sim senhor. E até conheci diferentes tipos.

O primeiro que vos apresento é:

 

O Português do Staff

 

Já é um dado estatístico absoluto que existe sempre um português no staff de qualquer organização mundial, não esquecendo também a lua. Esta até é bastante frequentada por nós. Eu pelo menos vou lá frequentemente.

Ora seria de estranhar que esta espécie de hotel afrodisíaco sobre o Atlântico não fosse um habitat bastante propício à proliferação laboral tuga. O senhor Daniel é um exemplo disso, era o nosso chefe de sala. Impecável. Se estiver a ler isto, um abraço. Pela certa não estará porque em pleno oceano, não tem rede. Eu bem sei.

 

Mas principalmente porque só há uma coisa que o português tolera menos do que não ter rede no telemóvel: é ter de pagar a rede marítima via satélite, nada barata, para a ter. Aí o português até já se arrisca a dizer coisas como:

"a vida é bem melhor assim desconectada!",

"estou muito mais descontraído, sem rede, sem chatices",

"estou tão feliz assim, bem mais leve!"

 

No entanto, depois, quando chega ao porto seguinte, é ver o telemóvel a apitar e o português rapidamente volta ao seu estilo SmartphoneDiem.

 

O Informático Português

 

Da mesma forma que existe sempre um português, tenho vindo a verificar recentemente que para onde quer que vá existe lamentavelmente outro informático português. Adivinhem com quem jantámos todas as noites?

Com mais dois informáticos.

Podíamos não ter rede, mas infelizmente havia google geek na mesa. Estou a brincar, conseguimos rir uma vez.

Estou a brincar outra vez. Foram duas.

 

O Jogador português de casino num cruzeiro

 

Simples. É o único que bate, abana e empurra a máquina para a moeda cair. E depois ainda culpa a agitação marítima. 

 

O Casal de portugueses bipolares linguísticos.

 

O nome é pomposo eu sei, mas vão ver que já ouviram falar destes. 

Conheci-os, estava prestes a ser atendido. Estava até com o meu braço esticado e encostado no balcão a aguardar. Surge então este simpático casal, um de cada lado, rodeando o meu braço. Começam a falar em português fluente sobre como me iam passar à frente, porque estavam com pressa e se me iriam perguntar ou se simplesmente passavam "sem querer". Parecia que estava num filme de acção ao estilo de 007 em que o vilão revela sempre o seu plano primeiro.

Decidiram-se por passar "sem querer". 

Não me imaginaram português.

Em defesa deles, eu estava bem penteado. Se eu não me conhecesse já há estes anos todos, pela certa também me acharia italiano. Foi uma das coisas que aprendi neste cruzeiro e escrevi aqui.

Mas até aqui tudo bem. Fiquei curioso.

Chega a minha vez e a senhora dirige-se para a empregada, empurrando ligeiramente o meu braço (aquele que sempre lá esteve) acrescentando-lhe a seguinte frase: "Excuse-moi!"

E volta a empurrar o meu braço.

A sério? E nem foi "Excusez"! Foi "excuse" como se fossemos amigos!

Falta de respeito.

 

Era este o plano?

 

É que se fosse "com licença", ainda papava. Agora depois de tudo "Excuse-moi..."? Sua grande tuga!

Senti em mim algo muito nacionalista, algo muito português, algo muito nosso!

 

Não me controlei e dei à luz, ali mesmo, outro tipo de português num cruzeiro:

 

O Barraqueiro

 

O que diz em alto e bom som: 

"Excuse-moi, NÃO!"

"Sabem bem que o "MOI", como disse a senhora, já aqui estava!"

 

Segundos passaram.

 

Vi o busto do Ronaldo nas suas caras. 

Desculparam-se prontamente e eu, qual típico bom português, dei-lhes a vez. Só lhes queria dar uma lição.

 

Afinal de contas eu já tinha passado à frente de uma Alemã.

 

Estou a brincar, era Romena.

 

 (imagem)

 

P.A


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