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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A Parrachita

As histórias religiosas mais remotas remetem apenas para a presença de uma folha de parra, parrachita vá, como a primeira invenção de vestuário da humanidade.

No fundo, sejamos honestos, a folha nem teve assim tanto mérito, era simplesmente a que estava ali mais à mão e a que se ajustava melhor ao nosso corpinho [frase mais tarde utilizada em publicidade de produtos de intimidade feminina]. A parrachita servia então para tapar as vergonhas médio-fraquinhas de Adão e no caso de Eva, reservá-la dos olhares mais marotos do único homem que lhe puseram à frente para amar. O Tinder ainda não tinha a modalidade paga, uma vez que só existiam dois perfis e o Wi-fi era fraco porque o router tinha ficado no paraíso. E dali ainda dava, mas mal. Vá lá que ninguém mudou a pass.

 

Outro aspecto que pode chocar é que nesta altura não existia qualquer tipo de necessidade em tirar selfies. Não por não existir ainda essa tecnologia, mas sim porque não teriam a quem enviar. Embora até sentisse essa necessidade de se exprimir por ser o melhor homem do mundo, Adão, não via qualquer utilidade na selfie, nem em posts no Instagram acompanhados de hashtags como #AdaoTheFirstManOnTheWorld, #HatersGonnaHate ou #YesItsAParrachita. Aliás, muito do sucesso da parrachita nesses tempos advém claramente da ausência das tecnologias da informação. Sem meios de divulgação e sem críticos de moda, a parrachita lá foi aproveitando para conquistar o seu espaço no meio.

 

Mas não foi tudo um mar de parrachitas para estes dois. Nada disso, Adão e Eva ainda tiveram os seus problemas como qualquer casal normal e tentaram, também como muitos, mudar de ares para ver se lhes devolvia aquela chama inicial ou se o sinal do wi-fi melhorava. Mas a verdade é que Adão nunca engoliu bem aquela maçã.

De qualquer forma não há amor como a primeira parrachita e acabaram mesmo por juntar os trapos - expressão que usamos hoje também por culpa da parrachita. [trapo é uma parrachita velha, normalmente já amarelada, do uso ou do Outono]

O não ser possível trair, nem existirem ainda tampos da sanita para baixar, ajudou ao final feliz deste primeiro casal.

 

O que é certo é que o impacto da parrachita foi de tal forma marcante que ainda hoje podemos ver derivados de parrachita no mundo da moda, particularmente nas diferentes colecções de Fátima Lopes. Nada mais, apenas pequenos pedaços de parrachita, trabalhados genialmente pela Fátima por forma a cobrir a menor área possível de pele feminina. Mas sempre com a ressalva da patente [por royalties] criada por Adão para a sua parrachita: "Tem de cobrir sempre as vergonhas".

 

Além disso temos também Maria Vieira, que exactamente pelo seu tamanho de parra [não confundir com parva] e por conseguir ao vestir, transformar um top curto de Fátima Lopes num vestido comprido de gala, herdou essa mesma alcunha.

Se Maria Vieira tivesse nascido antes da folha de parra, hoje em dia teríamos imagens de Adão e a sua Maria Vieira a cobrir-lhe as vergonhas. Mas quis o destino que fosse ao contrário.

Da mesma forma que a parrachita também só proliferou na ausência de tecnologias da informação, a nossa parachita portuguesa, comprova agora que em contacto com as mesmas, sofre exactamente do mesmo mal. Sempre que se manifesta nelas, a coisa não corre bem. Mas não quero escrever sobre o Facebook, essa serpente que desafia constantemente a comer maçãs, não merece o meu tempo.

 

Uma coisa é certa, pelo constante aumento da temperatura e o encurtar de roupa que tenho assistido, creio que lá para 2045, seremos todos parrachiteiros outra vez.

 

E o Adão e a Eva a encherem os bolsos com a patente.

 

#ParrichitaAMillionDolarIdea

 

parrachita.png

 (imagem+imagem)

 

P.A


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Roaming, o Bebé que cresceu das Operadoras

Imagine que eu sou dono de uma quinta e você é de outra. Eu tenho uma antena no meu quintal e você outra no seu.
Entretanto um dos meus familiares mais curioso, a dar a volta à minha quinta, entra na sua área e é apanhado pela sua antena. O chip do cartão SIM diz que ele é meu familiar e você recebe o alerta da sua antena. No outro dia vem-me tocar à campainha, a perguntar, e com razão:

"Oh amigo, afinal que vem a ser isto?"

Se você e eu fossemos, de facto, essas pessoas acredito que, em nome da boa vizinhança, conseguiríamos acordar algo como: "Olhe aqui é tudo malta de bem, vamos permitir, mas sempre controlando para evitar abusos. Não vá uma quinta ficar mais pisada que outra. E isso, claro, não podemos permitir".
 
Mas na realidade não foi bem assim que aconteceu.
 
Terá sido algo como isto:
"Oh vizinho entre lá aqui que temos de falar."
"Olhe, estive aqui a pensar nisto a noite toda e que tal cada um de nós receber uma taxa sempre que a nossa antena apanhar alguém que não é de cá?"
"Eh pá óptima ideia caro amigo! Vamos lá ganhar uns trocos os dois!" - Responde o vizinho já nada chateado.
 
E assim nasceu o bebé mais querido de sempre, o Roaming.
 
Só que ontem, dia 15 de Junho de 2017, o bebé que entretanto já é adolescente, fugiu. Fugiu de casa e mudou de nome para "Roam Like At Home". 
 
É compreensível que os pais fiquem preocupados.
 
Desde ontem que, enquanto viajar na Europa, paga o mesmo se estivesse por cá. O problema do "não me ligues" ou "não me envies SMS 
agora", "que senão eu pago um jantar no Belcanto", fica assim finalmente resolvido por esta velha Europa fora.
Para efeitos de mensagens e chamadas para a mãe, apenas para dizer "Sim, chegámos bem", ir a Amesterdão passa a ser como ir ali ao mercado do Bolhão. Na realidade, em qualquer dos casos, a nossa mãe ligaria na mesma.
 
No entanto, ninguém me tira a ideia que tal necessidade veio de um deputado europeu que por azar tem uma mãe de dedo bastante nervoso no que trata a ligar. Eles ganham bem, mas o bebé Roaming alimenta-se melhor.
 
E os namoros à distância? Esses que viam no Roaming um dos seus maiores inimigos, agora só têm de se preocupar com aquela colega dele ou dela, nativa, do trabalho, que está sempre a perguntar como se chamam os objectos típicos das Caldas da Rainha. E para que servem.
 
 
Bom, mas vamos analisar alguns pontos que saltaram à vista com esta fuga e mudança de nome do Roaming:
 
Citações retiradas deste artigo
"A partir desta quinta-feira, os cidadãos europeus pagam pelas comunicações móveis o mesmo que pagariam no país de residência enquanto viajam na União Europeia. O regulamento é apelidado de Roam Like At Home e visa baixar os preços das telecomunicações no mercado de retalho." 
 
Ora como reza um velho ditado português, "Quando a esmola é grande...
 
"Na opinião das operadoras, a medida é desequilibrada em relação aos vários Estados-membros. Alertam que Portugal recebe mais turistas do que o número de portugueses que viajam para o estrangeiro com frequência. Por isso, poderão ter de investir no reforço das redes, não estando afastada a hipótese de o custo ser passado para o consumidor final. Uma subida dos preços, a acontecer, não deverá ser surpresa." 
 
... o pobre desconfia!"
 
 
Têm toda a razão caros encarregados de educação do Roaming. Concordo. Como disse, claro que devem estar preocupados.
 
Então estes anos todos de Roaming em que estiveram, alegadamente [adoro esta palavra], a receber exactamente essas taxas a mais que os restantes países, porque os portugueses não viajam tanto e Portugal tem bem mais turistas, desapareceram? Não foram investidas na quinta? É que mesmo com esse extra que o Roaming dava a Portugal, mesmo assim, ainda somos actualmente quem tem dos tarifários mais caros da Europa. De facto faz sentido estarmos todos preocupados.
 
E há outra parte que concordo plenamente convosco. Estando esta medida em negociação há 10 anos, sim, 10 anos, são apanhados de surpresa ao ponto de terem de recorrer à primeira medida conhecida: Aumentar os tarifários?  Dez anos de planeamento/gestão reduzidos a uma decisão de "Ah o Joãozinho tirou-me a bola, agora ...."
 
Va lá, deixem o rapaz crescer.
 

Caro Roam Like At Home, boa sorte. Espero que dês um bom adulto.
 
 

 
P.A

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As Pontes e os Santos Populares

A espera acabou. Chegou oficialmente a melhor semana do ano para os Lisboetas.

 

Desta vez houve forte concorrência, um tal de Salvador Sobral, um líder espiritual e uma lambreta de um certo Eliseu uniram-se para tentar mudar a preferência do Lisboeta. Mas o feriado móvel do Corpo de Cristo, devolveu a vitória semanal, já em prolongamento, à semana do costume.

Afinal de contas, o português gosta mais de 2 pontes na mão do que 2 troféus e 2 beatificações em Portugal.

 

Mas esta semana não se fica por aqui. Além deste marketing agressivo de engenharia não-laboral, ainda oferece uma espécie de queima das fitas intergeracional. Falo-vos, claro, dos Santos Populares.

Temos desfile, temos cerveja e temos mixórdia. A diferença é que podemos encontrar a nossa avó lá.

 

Pois.

 

Mas não se preocupem. Normalmente a coisa até corre bem. Existem zonas geracionais e até estamos naturalmente programados para que corra tudo bem, ora vejam:

 

Os mais seniores levam a sua cadeirinha e vão apenas para comer descansadamente a sua sardinha e assistir ao desfile das marchas lisboetas. Mas sempre com aquela esperança de poderem ver finalmente o Malato ao vivo.

 

Os mais novos, aproveitam a desculpa para saírem de casa com os pais, sempre muito bem comportados e donos de grande amor pelos progenitores, exclamando uma ou duas vezes frases como: "Adoro jantares familiares destes papá!". No entanto, na primeira oportunidade, desaparecem "porque o Tó disse para ir ali ter com ele" para poderem saber pela primeira vez como é afinal esse famoso Bairro Alto que os mais velhos tanto falam.

 

E os semi-cotas, pré-seniores e ex-adolescentes, que andam ali pelo meio?

Tirando os solteiros que descobriram o Tinder e desesperam de braço no ar por rede, os restantes vão aproveitando o tempo que lhes resta no meio da multidão antes de começarem a sentir que aquela zona já não é para eles. 

 

É que a idade é o inverso do Malato.

Com o tempo, pesa mais.

 

 

(imagem)

 

P.A 

 

P.S - Eu falo por mim. Por vergonha, não levo o banquinho.


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Estrogénio a mais para um rapaz só

Que atire a primeira pedra quem nunca viu um casal em que o rapaz se apresenta pálido, de cara enfiada para dentro e dono de um olhar esbugalhado perante para uma espécie de introdução aos Maias que o elemento feminino se prepara inesperadamente para dissertar.

 

Na realidade ele "só" perguntou se estava tudo bem, não como era a casa de banho da amiga Mariana que por acaso encontrou quando ia para casa porque tinha deixado a chave...e pronto, atingimos o limite de memória masculina. Já não me lembro do resto.

No entanto, esta espécie de encarnação de Eça de Queiroz no feminino, infelizmente, não se verifica em todos os casos.

Já tentei por diversas vezes ser atendido por raparigas quando encomendo pizzas e mesmo tendo eu pedido uma pizza média, nunca recebi uma familiar em troca. Mas pequenas, já recebi.

 

Claro que um rapaz assim não se orienta bem. Vá lá que me deram pães de alho depois.

 

Mas que fique claro, eu gosto da vossa encarnação "Ela de Queiroz". Pode parecer muito batido, mas o problema não é vosso, é nosso.

Percebam que o nosso cérebro redutor masculino se comporta como um participante no concurso da Cristina Ferreira, "Apanha se puderes". Mal detectamos nova descrição da sala de estar do Ramalhete, entramos em pânico, como se estivéssemos realmente fechados na sala, cheia de coisas que temos de apanhar, numa luta contra o tempo, antes que vocês terminem.

 

Vocês começam a dissertar e nós, estoirados, temos de andar a correr a apanhar tudo o que conseguirmos só com duas mãos, no entanto temos assuntos com detalhes do tamanho de um carro que é impossível levar só com as nossas mãos. Conclusão, quando terminam, estamos mentalmente colapsados e, com sorte, lembramo-nos do início e das últimas 3 palavras. 

 

Depois só rezamos para que não perguntem nada sobre o carro.

 

Não é por mal, é limitação.

 

Vá lá que o google é melhor do que nós.

 

(imagem)

 

P.A


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Quando encontramos dinheiro na rua

Nesta matéria, o meu saldo é claramente positivo, encontrei bem mais notas do que as que perdi. Se calhar porque, tal como nas conquistas femininas, temos a tendência de multiplicar por 3. Dói menos assim.

 

Ontem numa das minhas caminhadas observei alguém que, por sinal, teve essa sorte. E digo observei porque não foi um processo de "apanha" imediato. Mas já lá vamos.

 

Não sei se já pensaram no assunto, mas é algo que varia bastante de pessoa para pessoa.

Para alguns nem há assunto, está ali a nota e agora já não está, para outros é delineado um plano perfeito de "toque e foge" altamente cronometrado para que nada corra mal e ninguém se aperceba que acabámos de apanhar uma nota do chão. Por fim, temos um terceiro grupo que ou é muito rico ou sofredor de alguma doença reumática, em que mesmo vendo, ignoram aqueles frescos 20 euros ali abandonados.

 

Este senhor pertence ao segundo grupo. Desenhou todo ele um plano embora sem grande sucesso, como prova a existência deste post.

Amigo, perceba uma coisa, você não pode estar a deslocar-se a velocidade constante em pleno passeio e subitamente travar e estancar o seu pé direito, como se de uma âncora se tratasse, em cima de uma calçada em particular. E depois simplesmente ficar ali, em pé, parado. Como se fosse tudo normal e que era exactamente aquilo que lhe apetecia mesmo fazer naquele momento.

Digo-lhe, nem o Corcunda de Notre Dame já me parecia tão visualmente desequilibrado a avaliar pelo excesso de força que você estava a fazer numa das suas pernas naquele momento.

 

Passo então por si e como me deixou desconfiado, dei uma piscadela no seu pé-âncora e foi quando vi ali um canto maroto de nota azul a espreitar pelo seu sapato. Conclusão, andei mais uns metros, mudei de passeio e "estacionei" também, a aguardar o desfecho de tal novela.

O senhor esperou que toda a gente do passeio passasse e somente depois, num nano-segundo, se baixou, apanhou a nota e voltou a seguir o seu caminho. Ainda andou uns metros a olhar para ela, visualmente bem disposto, e somente depois a guardou.

Mas diga-me o porquê tanta novela? Será algum tipo de vergonha?

 

Afinal de contas o meu caro amigo só se baixou de cóccix bem espetado, perto de um beco com pouca luz, para logo a seguir surgir sorridente com uma nota na mão, não estou a ver que imagem errada se pode retirar daqui.

 

 (imagem)

 

P.A.


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O verdadeiro Pesadelo na Cozinha

É certo que graças ao programa da TVI de domingo à noite, "Pesadelo na Cozinha", quer queira quer não, criei um conjunto de novos tiques de análise quando entro agora num restaurante.

Tornou-se inevitável não verificar por exemplo, se aquele canto do tecto é habitado por algum aracnídeo, ou simplesmente se as portas/divisórias têm pó desde 1984.

Outro aspecto importante que dei por mim a reparar é se temos acesso à cozinha. Nos casos de cozinha aberta, dou sempre uma piscadela às frigideiras. Não vá topar alguma com gordura acumulada dos 13423 produtos que já fritou.

 

Feitas algumas análises prévias, lá me sinto e sento mais confortavelmente.

 

Mas desenganem-se aqueles que acham que basta.

 

Estava num restaurante impecável, bem limpo, com empregados bem formados, bem decorado, boa carta e com cozinha aberta. Tudo para ser um sucesso e de acordo com as boas práticas.

 

No entanto quando nada o fazia prever, depois de me ter deliciado com a comida 5 estrelas, deparei-me com o verdadeiro pesadelo na cozinha.

 

Baratas? Lixo ao pé de comida? Não, muito pior... 

 

E digo-vos, cozinhas abertas nunca mais!

 

Então não é que o filho da mãe do cozinheiro estava a fazer olhinhos à namorada que apanhou o bouquet?

E ainda por cima era giro, segundo ela...

 

ASAE, já tenho o teu número em marcação rápida.

 

 (imagem)

 

P.A


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O que é um Like?

Este nome que apareceu do nada nas nossas vidas e que se propagou de tal forma que se pararmos agora para pensar já nem conseguimos imaginar bem como era o mundo antes de ele existir.

Mas o que é um like? O que significa verdadeiramente aquele botão que alguém achou por bem colocar ali para nós clicarmos?

 

Ainda se lembram como foi o início? Quando tudo começou? Foi a loucura total.

Toda a gente usava e abusava do like, era like a torto e a direito a tudo o que aparecia à frente. Nem era preciso gostar ou não, sabia-se lá na altura o que raio "Like" queria dizer! Fazer like era na altura uma das melhores formas de mostrar que estávamos vivos no mundo virtual, era a chamada do livro de ponto a que dizíamos presente. E claro, sendo novidade, de tão cool que era, tínhamos de ser logo os primeiros a deixar a nossa marca. Era a verdadeira corrida ao like.

 

"A Joana vai-se roer toda, por eu ter posto o like e ela ainda não!" [Eram assim as minhas colegas - A darem-se bem.] 

 

Por isso, no meio de tanta loucura, era normal ver fotos de cachorrinhos fofos e queridos a serem espancados com cerca de 1 Milhão de likes e esse mesmo milhão sedento por mais.

Até que, como em tudo na vida, a novidade acaba.

Assim que a oferta foi subindo e ultrapassou a procura, tudo mudou. Já toda a gente fazia like, desapareceu a magia. Já não havia aquela chama.

E é com essa mudança que chegamos aos dias de hoje em que as pessoas são bem mais selectivas no seu like. Chegando até a pensar duas vezes, com o dedinho já bem no ar, se de facto querem que toda a gente saiba que vão fazer aquele like. Principalmente se temos namorada e, por engano, damos com uma foto de uma menina que, por acaso, veste muito bem de personalidade. Ai que luta interna esta, a do meu amigo Carlos.

 

O like mudou é certo. Tornou-se num bem precioso, pessoal e também questionável, uma espécie de esmola virtual que só damos a quem queremos ou podemos, a nossa última verdadeira rebeldia, o nosso voto.

Não tenham ideias, já não há borlas com antigamente. Querem o meu like? Trabalhem para ele!

 

O like ficou importante. De tal forma que hoje é a medida da nossa performance social.

Qualquer dia os arrumadores já não pedem moedas. Pedem para fazer like na página deles.

 

Diz-me quantos likes tens, digo-te quem és. 

 

 

"Boa P.A, gostei muito do teu post de hoje! Toma lá o meu like para ires ali beber um cafezinho..."   

 

Obrigado, acho eu...

 

P.A.


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As pessoas de Sexta-feira à tarde

Não é novidade é certo.

Todos nós sabemos que as pessoas de sexta-feira à tarde têm algumas peculiaridades.

O que é certo é que ninguém está livre deste fenómeno. A maior parte é contagiada e vira mesmo o boneco.

Desde o neto ao avô, a sexta-feira é sempre uma sexta-feira.

 

Normalmente a profundidade da besta emocional que nos domina é directamente proporcional à necessidade do querer sair a todo o custo de onde estamos. 

Qualquer destino de fuga é válido, excepto o local de trabalho. Nunca assisti a uma possessão destas por alguém querer ir trabalhar.

 

O verdadeiro problema é que, por azar, todas as pessoas em redor de uma pessoa de sexta-feira à tarde, são também elas pessoas de sexta-feira à tarde. Naturalmente, com toda esta tensão no ar, poderão surgir picos de maior ternura verbal ou, em alguns casos, física, com direito a episódios extra de Querido Mudei-lhe a Cara.

Hoje joguem pelo seguro. Falem por email.

 

Principalmente se ao pé de vocês habitarem aqueles colegas contadores de histórias que todos conhecemos um. Aquele que de uma caneta consegue contar como a prima nasceu. Ou quando ainda não o conhecíamos bem e cometemos o erro de lhe perguntar que horas são, porque estávamos com pressa, e levamos com o episódio 267 do Canal História.

 

Que vos fique bem claro:

A pessoa de sexta feira à tarde não ajuda idosos a atravessar a estrada.

Não recicla.

Nem quer saber se você estava primeiro para entrar no elevador.

No entanto, no que trata ao uso do palavrão, apresenta-se eloquentemente culta.

Já em viagem, a pé, o seu passo é acelerado.

De carro, a buzina é a banda sonora escolhida para a viagem.

 

Que nos corra tudo bem hoje.

 

Qualquer coisa, estou no email.

 

 (imagem)

 

P.A.


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Mas que virose é esta?

É impressão minha ou anda aí uma nova virose?

 

Uns podem dizer que é a Primavera, outros falta de roupa. Mas o que é certo é que está por todo o lado.

 

A coisa começou aqui e ali mais ou menos há duas semanas. Um caso ali, outro caso acolá, ninguém estranhava, afinal de contas não é daquelas mais contagiosas e todos os anos acontece.

A pessoa sabe que existe, mas sente-se segura na mesma. 

 

Mas agora onde trabalho são já 3 casos. Aqui, em blogs, já lhes perdi a conta nos últimos dias.

 

Sinceramente eu até nem sou destas coisas, mas se calhar vou jogar pelo seguro e começar a tomar as devidas precauções.

 

Pelo sim pelo não vou começar já hoje a trabalhar até mais tarde e a ter dores de cabeça quando chegar a casa.

 

É que esta coisa da Paternidade é séria!

 

 

 

 

P.A.

 

 


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O que é uma biblioteca?

Ouvi eu um adolescente a perguntar a um colega.

 

Na minha altura, na escola, um calduço seria a opção correcta e imediata. Mas neste caso o colega respondeu:

"Não sei, acho que tem livros."

 

Fez-me pensar.

Hoje em dia a rapaziada já não passa serões a fazer os chamados trabalhos de grupo na biblioteca. Agora chama-se whatsapp, telegram ou messenger. O que até é mau.

 

Quantas vezes não disse eu à minha avó que ia para a biblioteca adiantar o trabalho de ciências, quando afinal estava era a estudar línguas com a minha colega estrangeira Mafalda? Estou a brincar avó.

Era a Inês.

 

Por algum motivo sempre tive melhor nota a inglês. É tudo uma questão de estudo. 

 

Mas caro adolescente, já imaginaste como será entrares numa biblioteca e teres de procurar um livro, por corredor, fila e posição? 

E ao fim de uns minutos de procura, descobrires que aquele intervalo ali, aquele mesmo, entre dois livros que não te servem para o trabalho, é exactamente o intervalo do livro que tu precisas?

E que quando tu te viras, triste com a situação, percebes que quem tinha acabado de o requisitar é um colega teu que está naquele preciso momento a olhar para ti e a rir?

 

Agora imagina isto tudo num clima pesado e controlado onde não podes rir, não vá o bibliotecário aparecer.

 

"Bibliotecário?" - perguntas tu.

 

Sim, entrar na biblioteca é ser confrontado com aquela figura autoritária que lá habita, de expressão sempre fechada e que ao mínimo som exerce violentamente o seu gesto de indicador bem firme, colado aos lábios. Sempre acompanhado de um "shhh" assertivo e olhar ameaçador.

É ter todo aquele peso de responsabilidade quando este mesmo senhor bibliotecário chega com obras mais antigas nas mãos e na entrega, solta apenas uma palavra com voz robusta: "Cuidado."

Que arrepio.

 

É uma experiência que te aconselho, caro adolescente.

A ti e aos teus amigos.

 

Ou isso ou treinar línguas.

 

 (imagem)

 

P.A.


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