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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Palavras Cruzadas || Músicas de Natal

Quando era mais novo gostava de músicas natalícias. Aquelas meio Avô Cantigas, meio Disney. Era engraçado, dava sempre no recreio da escola e normalmente era sinónimo de que as férias do Natal estavam à porta. Como não gostar?

Além disso faço anos em Dezembro, pelo que, quer queira quer não, as músicas natalícias, as luzes festivas citadinas, ou até mesmo aqueles senhores sempre dúbios se serão Pais Natal ou Sem Abrigo, sempre me acompanharam nesta fase da minha vida. 

 

Entretanto cresci e fui alterando os meus gostos. Embora sempre acompanhado destas memórias musicais de criança. 

Até que comecei a trabalhar. E aí tudo mudou.

 

Uma das principais desvantagens de trabalhar num meio corporativo, fechado, embora com muitas janelas para parecer que não, com corredores de mesas e gabinetes ligados entre si, é que se por ventura algum dos seus elementos resolve comprar uma aparente inofensiva Rena Rodolfo para a sua mesa, para antecipar o seu Natal, todos acabam por saber e participar.

Nem que seja involuntariamente.

 

Foi o que me aconteceu há 5 anos atrás. Sim há 5 anos.

Hoje ainda lá se encontra o pequeno Rodolfo e à hora da publicação deste texto, já estaremos ambos a partilhar o mesmo espaço. Eu e ele. O segundo bem mais satisfeito. 

Mas até seria tudo engraçado não tivesse esta inofensiva rena, um problema. Bom, na realidade não é um problema, é um botão.

Só que este botão não foi criado por duendes amigáveis plenos de espírito natalício como vemos todos os Dezembros na televisão. Não, nada disso. Mas sim por uma raça atravessada de Grinches bem arreliada e que chateada com o Natal decidiu dar à luz o Rodolfo.

Missão cumprida.

Trata-se de um hino à utilização de phones no trabalho. E uma forma rápida de desligarmos o telefone a um cliente mais chato.

É o verdadeiro pináculo da irritação.

 

Mas o problema não se fica por aqui.

 

Outro dia na rua, a caminho de casa, passo por uma loja, quando começa uma daquelas músicas natalícias, toda ela orquestrada e cantada de forma angelical, com o embalo de pequenos sinos ao longe, daquelas que de alguma forma nos aquece o espírito e nos faz ter novamente esperança no mundo, nem que seja durante aqueles 2.43 minutos de vida musical. 

Era uma das que gostava em criança, que me fez automaticamente viajar no tempo para o recreio da escola junto dos meus amigos da altura, numa viagem plena de memórias felizes e de joelhos esfolados.

Aliás era assim que eu me revia nas músicas natalícias. Era assim que eu as usava! Para poder viajar no tempo. E de borla.

Só que desta vez e de forma súbita, tudo parou. O recreio desapareceu.

Dou por mim de volta ao meu presente bem mais cedo que o previsto e apenas acompanhado de um som.

Era a minha voz.

 

Estava a cantar a melodia do Rodolfo.

 

 

E é isto.

 

432 vezes ao dia. 

 

 

Para os mais curiosos, deixo aqui algumas músicas que eram verdadeiros hits natalícios da altura (de quando eu era criança) não fosse eu já um idoso que pede ajuda a uma garota toda engraçada para teclar estes textos por mim:

 

Dean Martin - Let it Snow! 

Mariah Carey - All I Want For Christmas Is You

Michael Bolton - White Christmas

Queen - Thank God It's Christmas

Mariah Carey - Santa Claus Is Coming to Town

 

Ah os 90's...

 

P.A

______

Este texto foi escrito ao abrigo de uma parceria com a Rita da Nova a que chamámos de Palavras Cruzadas. A ideia é desafiar-nos mutuamente na escrita, em temas que podemos estar ou não confortáveis. Esta semana escolhi eu. Para daqui a 2 semanas, Rita, tens alguma sugestão?

 


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O Salvador da Eurovisão?

É verdade.

Este ano sei e até estou a escrever sobre um programa que só sabia que já tinha terminado quando eventualmente lia/ouvia algo sobre o seu vencedor. É que com o passar dos anos fui percebendo que para ouvir músicas vencedoras da Eurovisão, bastava-me ir ao Urban. Não tinha de esperar um ano pela próxima rodada. Além disso, o Urban tem menos mulheres barbadas. Algumas, mas menos.

 

Mas o que mudou?

Este ano temos um Salvador. Um Salvador musical e isento de remixes. Resta saber se conseguirá plantar sobreiros emocionais suficientes para garantir um vasto Sobral de votos Europa fora. Algo que para alguém que até então era praticamente desconhecido do grande público e agora, embora debilitado, se apresenta num nível elevado de popularidade, é um forte indicador de conquista.

 

Eu sei que a música é o grande alvo de análise. Já li, desde o começo, diversas opiniões. Mas expliquem-me como é que eu digo agora à namorada que apanhou o bouquet que temho de ir ali ao Urban? Cultivar-me, porque não vi a Eurovisão? Que só lá ia porque a música que lá toca é daquelas que é sempre aprovada por maioria Europeia e que até ia contrariado porque nem gostava muito do ambiente? Pois é. Assim já não posso.

Meus amigos, que fique claro, não podem levar uma música destas à Eurovisão. Agora vou ter de ficar em casa, fechado, pela primeira vez nos últimos 15 anos a ver a Eurovisão [pelo menos a nossa música].

Isto tem algum sentido? Estragam-me os planos, sem necessidade.

 

Vá lá, façam lá um remix europeu disso, como a malta gosta, vá.

 

 

P.A 

P.S - O Salvador conquistou-me. Confesso. No entanto não foi só pela música ou pelas características pessoais, ditas normais, que tenho lido por aí, resultado das suas recentes entrevistas. Ele, mesmo antes de cantar, já está a representar o nosso país. A encarnar o verdadeiro português.

Salvador, se estiveres a ler, és o verdadeiro TUGA rapaz! Que mestre foste a olhar para a senhora que passou enquanto te estavam a entrevistar na red carpet! Uma questão de prioridades, claro. No ponto rapaz! No ponto!

A tua irmã é que não sei se adorou tanto!

 

Abraço e força aí em Kiev!

 

salvadorSobral.png

(imagem)

 

Podem ver o vídeo completo do Salvador, irmã e senhora jeitosa, aqui.

 


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