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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A Parrachita

As histórias religiosas mais remotas remetem apenas para a presença de uma folha de parra, parrachita vá, como a primeira invenção de vestuário da humanidade.

No fundo, sejamos honestos, a folha nem teve assim tanto mérito, era simplesmente a que estava ali mais à mão e a que se ajustava melhor ao nosso corpinho [frase mais tarde utilizada em publicidade de produtos de intimidade feminina]. A parrachita servia então para tapar as vergonhas médio-fraquinhas de Adão e no caso de Eva, reservá-la dos olhares mais marotos do único homem que lhe puseram à frente para amar. O Tinder ainda não tinha a modalidade paga, uma vez que só existiam dois perfis e o Wi-fi era fraco porque o router tinha ficado no paraíso. E dali ainda dava, mas mal. Vá lá que ninguém mudou a pass.

 

Outro aspecto que pode chocar é que nesta altura não existia qualquer tipo de necessidade em tirar selfies. Não por não existir ainda essa tecnologia, mas sim porque não teriam a quem enviar. Embora até sentisse essa necessidade de se exprimir por ser o melhor homem do mundo, Adão, não via qualquer utilidade na selfie, nem em posts no Instagram acompanhados de hashtags como #AdaoTheFirstManOnTheWorld, #HatersGonnaHate ou #YesItsAParrachita. Aliás, muito do sucesso da parrachita nesses tempos advém claramente da ausência das tecnologias da informação. Sem meios de divulgação e sem críticos de moda, a parrachita lá foi aproveitando para conquistar o seu espaço no meio.

 

Mas não foi tudo um mar de parrachitas para estes dois. Nada disso, Adão e Eva ainda tiveram os seus problemas como qualquer casal normal e tentaram, também como muitos, mudar de ares para ver se lhes devolvia aquela chama inicial ou se o sinal do wi-fi melhorava. Mas a verdade é que Adão nunca engoliu bem aquela maçã.

De qualquer forma não há amor como a primeira parrachita e acabaram mesmo por juntar os trapos - expressão que usamos hoje também por culpa da parrachita. [trapo é uma parrachita velha, normalmente já amarelada, do uso ou do Outono]

O não ser possível trair, nem existirem ainda tampos da sanita para baixar, ajudou ao final feliz deste primeiro casal.

 

O que é certo é que o impacto da parrachita foi de tal forma marcante que ainda hoje podemos ver derivados de parrachita no mundo da moda, particularmente nas diferentes colecções de Fátima Lopes. Nada mais, apenas pequenos pedaços de parrachita, trabalhados genialmente pela Fátima por forma a cobrir a menor área possível de pele feminina. Mas sempre com a ressalva da patente [por royalties] criada por Adão para a sua parrachita: "Tem de cobrir sempre as vergonhas".

 

Além disso temos também Maria Vieira, que exactamente pelo seu tamanho de parra [não confundir com parva] e por conseguir ao vestir, transformar um top curto de Fátima Lopes num vestido comprido de gala, herdou essa mesma alcunha.

Se Maria Vieira tivesse nascido antes da folha de parra, hoje em dia teríamos imagens de Adão e a sua Maria Vieira a cobrir-lhe as vergonhas. Mas quis o destino que fosse ao contrário.

Da mesma forma que a parrachita também só proliferou na ausência de tecnologias da informação, a nossa parachita portuguesa, comprova agora que em contacto com as mesmas, sofre exactamente do mesmo mal. Sempre que se manifesta nelas, a coisa não corre bem. Mas não quero escrever sobre o Facebook, essa serpente que desafia constantemente a comer maçãs, não merece o meu tempo.

 

Uma coisa é certa, pelo constante aumento da temperatura e o encurtar de roupa que tenho assistido, creio que lá para 2045, seremos todos parrachiteiros outra vez.

 

E o Adão e a Eva a encherem os bolsos com a patente.

 

#ParrichitaAMillionDolarIdea

 

parrachita.png

 (imagem+imagem)

 

P.A


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Por favor não anulem o Exame Nacional de Português

Não sejam assim rígidos com a malta, vá lá, não façam isso. 

Então só porque dias antes do Exame Nacional de Português do 12º ano, circulou pelas redes sociais uma gravação de uma jovem que, pelo sotaque, deverá ter bastantes tios na família, com indicações relativas ao que estudar e por acaso acertou em todas, vamos logo anular o exame?

 

Eu gostava de vos ver a dizerem à pessoa que acabou de ganhar o euromilhões que afinal, como tinha uma explicadora comuna de uma amiga de uma amiga que lhe tinha dito umas coisas, o sorteio ia ser anulado.

 

Se andássemos agora a anular os exames todos por este motivo, como é que pessoas como a Maya, acabariam o secundário?

Vamos barrar-lhes assim a escolaridade obrigatória?

Só porque se souberem o signo do professor, desenham a carta astral e Júpiter lhes diz que vai sair Caeiro? 

Não faz sentido. E muito menos a Português.

É que na realidade até é preciso dominar bem a nossa língua para filtrar correctamente esta mensagem. O sotaque e o uso de palavras como "qué uma comuna" e "Albertu Caehiro" não estão aptas a qualquer estudante português. Por si só, se receberam esta mensagem e a perceberam na totalidade, já merecem boa nota. Parabéns.

 

Mas além de Caeiro e outros temas certeiros, a nossa amiga que para mim é a rapariga com mais minis oferecidas do momento, diz à malta para também treinar uma composição sobre a memória. Ora vamos lá a isso.

 

"Composição sobre a Memória"

"Caro avaliador,

A prova que tenho boa memória é que como já sabia que ia sair esta composição, escrevi-a em casa primeiro.

A prova que tenho má memória é que mesmo assim, não me lembro. Tenho de ler da cábula.

O meu médico diz que é selectiva, mas eu continuo a achar que é do Limiano.

Devia ter feito a cábula com fonte - tamanho 8.

Não me lembro do resto.

"

 

Além desta composição ainda existe mais um tema, alerta a nossa amiga para: "A importância dos vizinhos no combate à solidão".

 

"Composição sobre o papel dos vizinhos no combate à solidão"

(mudei o titulo só para disfarçar, "papel" em vez de "importância", ninguém irá desconfiar assim.)

 

"A minha vizinha é muito importante para mim. Mas não é a do meu prédio. É a do FarmVille. 

Sem ela estaria hoje muito pior. Seria uma pessoa bastante mais nervosa e quiça só.

Graças a ela, recebi uma gravação e não fazia ideia que ia sair esta composição.

Pelo que concluo assim, caro avaliador do exame nacional de português, que ter vizinhos é muito importante e bonito na nossa vida, e ajuda bem mais nos exames nacionais do que na solidão."

 

E pronto chegamos à frase de despedida:

"Se isto não sair, eu não tenho nada a ver com isto!"

 

Pronto, ainda bem. Saiu.

 

 (vídeo sapo)

Até na despedida acertou.

Fico com dúvidas se será realmente amiga da amiga que tem a explicadora comuna no sindicato dos professores ou simplesmente uma grande filha da Maya. 

 

P.A


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Roaming, o Bebé que cresceu das Operadoras

Imagine que eu sou dono de uma quinta e você é de outra. Eu tenho uma antena no meu quintal e você outra no seu.
Entretanto um dos meus familiares mais curioso, a dar a volta à minha quinta, entra na sua área e é apanhado pela sua antena. O chip do cartão SIM diz que ele é meu familiar e você recebe o alerta da sua antena. No outro dia vem-me tocar à campainha, a perguntar, e com razão:

"Oh amigo, afinal que vem a ser isto?"

Se você e eu fossemos, de facto, essas pessoas acredito que, em nome da boa vizinhança, conseguiríamos acordar algo como: "Olhe aqui é tudo malta de bem, vamos permitir, mas sempre controlando para evitar abusos. Não vá uma quinta ficar mais pisada que outra. E isso, claro, não podemos permitir".
 
Mas na realidade não foi bem assim que aconteceu.
 
Terá sido algo como isto:
"Oh vizinho entre lá aqui que temos de falar."
"Olhe, estive aqui a pensar nisto a noite toda e que tal cada um de nós receber uma taxa sempre que a nossa antena apanhar alguém que não é de cá?"
"Eh pá óptima ideia caro amigo! Vamos lá ganhar uns trocos os dois!" - Responde o vizinho já nada chateado.
 
E assim nasceu o bebé mais querido de sempre, o Roaming.
 
Só que ontem, dia 15 de Junho de 2017, o bebé que entretanto já é adolescente, fugiu. Fugiu de casa e mudou de nome para "Roam Like At Home". 
 
É compreensível que os pais fiquem preocupados.
 
Desde ontem que, enquanto viajar na Europa, paga o mesmo se estivesse por cá. O problema do "não me ligues" ou "não me envies SMS 
agora", "que senão eu pago um jantar no Belcanto", fica assim finalmente resolvido por esta velha Europa fora.
Para efeitos de mensagens e chamadas para a mãe, apenas para dizer "Sim, chegámos bem", ir a Amesterdão passa a ser como ir ali ao mercado do Bolhão. Na realidade, em qualquer dos casos, a nossa mãe ligaria na mesma.
 
No entanto, ninguém me tira a ideia que tal necessidade veio de um deputado europeu que por azar tem uma mãe de dedo bastante nervoso no que trata a ligar. Eles ganham bem, mas o bebé Roaming alimenta-se melhor.
 
E os namoros à distância? Esses que viam no Roaming um dos seus maiores inimigos, agora só têm de se preocupar com aquela colega dele ou dela, nativa, do trabalho, que está sempre a perguntar como se chamam os objectos típicos das Caldas da Rainha. E para que servem.
 
 
Bom, mas vamos analisar alguns pontos que saltaram à vista com esta fuga e mudança de nome do Roaming:
 
Citações retiradas deste artigo
"A partir desta quinta-feira, os cidadãos europeus pagam pelas comunicações móveis o mesmo que pagariam no país de residência enquanto viajam na União Europeia. O regulamento é apelidado de Roam Like At Home e visa baixar os preços das telecomunicações no mercado de retalho." 
 
Ora como reza um velho ditado português, "Quando a esmola é grande...
 
"Na opinião das operadoras, a medida é desequilibrada em relação aos vários Estados-membros. Alertam que Portugal recebe mais turistas do que o número de portugueses que viajam para o estrangeiro com frequência. Por isso, poderão ter de investir no reforço das redes, não estando afastada a hipótese de o custo ser passado para o consumidor final. Uma subida dos preços, a acontecer, não deverá ser surpresa." 
 
... o pobre desconfia!"
 
 
Têm toda a razão caros encarregados de educação do Roaming. Concordo. Como disse, claro que devem estar preocupados.
 
Então estes anos todos de Roaming em que estiveram, alegadamente [adoro esta palavra], a receber exactamente essas taxas a mais que os restantes países, porque os portugueses não viajam tanto e Portugal tem bem mais turistas, desapareceram? Não foram investidas na quinta? É que mesmo com esse extra que o Roaming dava a Portugal, mesmo assim, ainda somos actualmente quem tem dos tarifários mais caros da Europa. De facto faz sentido estarmos todos preocupados.
 
E há outra parte que concordo plenamente convosco. Estando esta medida em negociação há 10 anos, sim, 10 anos, são apanhados de surpresa ao ponto de terem de recorrer à primeira medida conhecida: Aumentar os tarifários?  Dez anos de planeamento/gestão reduzidos a uma decisão de "Ah o Joãozinho tirou-me a bola, agora ...."
 
Va lá, deixem o rapaz crescer.
 

Caro Roam Like At Home, boa sorte. Espero que dês um bom adulto.
 
 

 
P.A

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Os Taxistas na noite de Santo António

Antes de mais, devo dizer-vos que esteve uma noite fantástica na noite de Santo António em Lisboa. Temperatura perfeita, ambiente de festa e uma conhecida minha a tirar imperiais na tasquinha. Perfeito! Conseguimos reunir todos os ingredientes necessários para uma grande festa.

Mas o problema nem foi a festa em si. O problema foi sair dela.

 

Imaginem por momentos que são 4 da manhã e estão a 4 quilómetros de casa, acompanhados, e que alguns elementos do vosso grupo estão cansados, incapazes de assumir tal caminhada. Subitamente avistam ao longe uma fornalha de táxis com a sua luz verde, de salvação, ligada. Que sorte! 

Nunca estive perdido no deserto, mas será certamente um sentimento idêntico ao de observar um pequeno oásis lá ao fundo. Só que com menos bigode.

 

Chegámos e abordámos de imediato o táxi mais próximo. Mas antes que conseguisse abrir a porta [que estava trancada], pergunta-me prontamente o senhor taxista: "Para onde querem ir?"

Digo-lhe o destino.

"É muito curta a viagem de carro. Não podem entrar!"

Fecha o vidro e avança ligeiramente o carro como se eu fosse um insecto prestes a invadir o seu espaço. Ah que maravilha, eu, o melga, obrigado por me fazer sentir assim.

 

Bem, mas não vamos estar já a caracterizar toda uma profissão, apenas porque um inegrume está mal disposto ou que ao invés de perceber que está a lidar com pessoas, pensa que afinal transporta apenas euros.

Meu caro amigo, você devia era dedicar-se à sua real vocação: Transporte de valores. Vá por mim. Nasceu para isso.

 

Aproximamo-nos então do segundo taxista. Vou para falar e surge exactamente o mesmo texto. E porta trancada também.

 

Mau, então afinal queres ver que eles dão isto lá na escola?

Deve ser na disciplina de "Como publicitar a UBER" certamente. Alunos de 20 aqui. Servido pelos melhores. Que orgulho. Assim vale a pena!

Face a nova resposta torta de um senhor taxista, eu, ligeiramente agastado, pergunto "Olhe, por acaso não tem livro de reclamações?"

A resposta foi rápida:

Um pé a fundo no acelerador que me obrigou a retirar a cabeça rapidamente da janela do táxi. Caso contrário estaria, neste momento, pela certa, a escrever-vos da sala de estar do meu dentista.

Ai estes taxistas, era uma piada! Eu não ia mesmo escrever! Mentira, ia.

Ai esta malta sem sentido de humor! E aparentemente sem livro de reclamações, também.

 

Bom. Hora de apontar ao terceiro taxista. Isto foi só azar, este terceiro tem cara de ter chumbado no curso. Agora é que é.

 

Mas este, mal viu o seu colega a acelerar depois de falar comigo, foi bem mais prudente.

Antes que tivesse de me mostrar que afinal era mesmo bom aluno e dono do diploma de 20 valores em "A UBER é muito melhor", optou por desligar as luzes de serviço, numa espécie de mecanismo de defesa, digna de um texto do grande orador da BBC Vida Selvagem [Eduardo Rêgo]:

"A espécie taxista, para sobreviver na natureza, adapta-se ao meio ambiente, desenvolvendo esta fabulosa arte de camuflagem/simulação de morte. Este acto de camuflagem ou de se fazer de morto, é representado pelo acto de desligar as luzes de serviço e de seguida ficar imobilizado a olhar para o infinito, ignorando totalmente quem lá está fora. Desta forma consegue fugir aos seus predadores, os clientes indecentes, que moram a menos de 4 km e lhe querem pagar apenas 8 euros pela viagem."

 

A sério. Eu que os veja a abanar carros da UBER outra vez. Isso sim foi vida selvagem. 

 

Va lá que aquilo das meninas virgens serem violadas que disseram, até faz sentido. Como vos disse, caros leitores, nem tudo é mau.

 

Relativamente à UBER, o serviço estava com algum tempo de espera, o que cada vez percebo mais, dado o comportamento dos camaleões/simuladores taxistas que acabara de conhecer. No entretanto, enquanto decidíamos o que fazer, passa por nós um autocarro da Carris que nos deixaria a apenas 1 km de casa. Já era uma pequena vitória.

 

E assim foi.

 

Obrigado CARRIS, afinal eras tu o oásis.

 

 (imagem)

 

P.A

P.S - Caro leitor, caso esteja ainda a pensar no assunto. Sim, é irónica a frase onde concordo que as virgens que devem ser violadas. Claro que é. Até porque na realidade existem 12 signos e seria uma forma bastante racista de ver a coisa.


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As Pontes e os Santos Populares

A espera acabou. Chegou oficialmente a melhor semana do ano para os Lisboetas.

 

Desta vez houve forte concorrência, um tal de Salvador Sobral, um líder espiritual e uma lambreta de um certo Eliseu uniram-se para tentar mudar a preferência do Lisboeta. Mas o feriado móvel do Corpo de Cristo, devolveu a vitória semanal, já em prolongamento, à semana do costume.

Afinal de contas, o português gosta mais de 2 pontes na mão do que 2 troféus e 2 beatificações em Portugal.

 

Mas esta semana não se fica por aqui. Além deste marketing agressivo de engenharia não-laboral, ainda oferece uma espécie de queima das fitas intergeracional. Falo-vos, claro, dos Santos Populares.

Temos desfile, temos cerveja e temos mixórdia. A diferença é que podemos encontrar a nossa avó lá.

 

Pois.

 

Mas não se preocupem. Normalmente a coisa até corre bem. Existem zonas geracionais e até estamos naturalmente programados para que corra tudo bem, ora vejam:

 

Os mais seniores levam a sua cadeirinha e vão apenas para comer descansadamente a sua sardinha e assistir ao desfile das marchas lisboetas. Mas sempre com aquela esperança de poderem ver finalmente o Malato ao vivo.

 

Os mais novos, aproveitam a desculpa para saírem de casa com os pais, sempre muito bem comportados e donos de grande amor pelos progenitores, exclamando uma ou duas vezes frases como: "Adoro jantares familiares destes papá!". No entanto, na primeira oportunidade, desaparecem "porque o Tó disse para ir ali ter com ele" para poderem saber pela primeira vez como é afinal esse famoso Bairro Alto que os mais velhos tanto falam.

 

E os semi-cotas, pré-seniores e ex-adolescentes, que andam ali pelo meio?

Tirando os solteiros que descobriram o Tinder e desesperam de braço no ar por rede, os restantes vão aproveitando o tempo que lhes resta no meio da multidão antes de começarem a sentir que aquela zona já não é para eles. 

 

É que a idade é o inverso do Malato.

Com o tempo, pesa mais.

 

 

(imagem)

 

P.A 

 

P.S - Eu falo por mim. Por vergonha, não levo o banquinho.


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Oh sócio, tens um euro?

Pela certa já ouviram isto alguma vez na vida. Pela certa também, ou já estariam em apuros, ou acabaram simplesmente de estacionar o carro na área de actuação de um arrumador certificado.

 

Se antigamente víamos senhoras de idade em praças lisboetas distribuindo caridade em forma de pequenos pedaços de pão, numa espécie de ritual de invocação de demónios pombalinos que depois acabavam invariavelmente por "possuir" essa mesma idosa, agora qualquer área de estacionamento é atormentada pelo espírito do arrumador.

A migalha de pão é agora a moedita para o café ou "Para comer qualquer coisita, senhor." Se outrora a invocação pombalina resultava em danos defecários no chassi dos automóveis mais próximos, agora é ao contrario. Aderimos ao novo ritual exactamente para evitarmos danos sérios no chassi do nosso carro. Caso contrário, o arrumador ainda nos autografa o carro com a caneta com que abre a porta de casa. 

 

O que é certo é que este clima de intimidação disfarçado de solidariedade, criou uma espécie de obrigação moral em que temos de dar sempre a tal moedita. Como se estivéssemos a pagar ao senhor que ia riscar o nosso carro, até aqui tudo normal, porque é o trabalho dele, para ele nos proteger dele próprio. Faz sentido.

 

"Oh P.A, mas é um acto de solidariedade!" -  Concordo, é solidário, mas para com o nosso carro. Experimentem tirar o carro da equação e vejam lá que solidariedade sobra. Essa mesmo. A do Trump.

 

No fundo era como se a Maria Leal chegasse ao pé de vocês e vos pedisse uma moeda para não cantar. Lá está, eu pagaria.

Ou os D.A.M.A deixarem de conjugar mal os verbos por uns trocos. Pagaria também.

Ou até mesmo subir a parada para 1 euro só para mudarem, à revelia, a password da Maria Vieira do facebook. Pagava na hora.

 

Mas ainda sobre este assunto, tive de tomar ontem uma decisão bastante séria: Só tinha 1 euro na carteira, ou estacionava o carro ou comprava o Banco Popular.

 

Estacionei. Ficou o arrumador com o banco.

 

 (imagem)

 

P.A

 

(Bem que podiam ter feito umas 20 trancheszinhas de 5 cêntimos, mas não. País de ricos.)


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Desculpa Primark...

Penso que já seja conhecida a minha opinião sobre uma determinada marca que é caracterizada pela capacidade de encher toda a área adjacente à sua entrada, na sua maioria com elementos do sexo masculino. Ali ficam horas, meditando sobre a vida, ou apenas topando as leggings das madames que vão entrando. Mas esta parte eu até já aceito como normal. [a parte das leggings, a da espera não]

Basicamente é o mesmo quando estamos angustiados por saber que temos de esperar 2 horas por vocês, mas depois olhamos e vemos que vai começar um jogo da Champions. E de repente o mundo é perfeito outra vez. Mandamos prontamente uma SMS a avisar que podem estar à vontade. As leggings não duram 2 horas, mas entretem.

 

Com toda esta espera sem Champions que tenho no currículo, eu, nas minhas meditações, até já pensei em abrir negócio.

Já pensei em abrir uma tasquinha em frente a cada Primark. A "Pri-tasca". Que maravilha seria! É que a entrada da Primark é basicamente o mesmo que o Alto dos Moinhos num dia de jogo do Benfica. Só temos homens e no mínimo vão para lá para esperar umas 2 horas, não menos. Acreditem que a sandoxa, a bifana e o jornalzinho, iam vender.(interessados em parcerias contactar: professorDeA@sapo.pt)

 

Mas vamos ao que interessa. Além de todo este historial entre mim e esta marca que disseca o macho alfa que nos habita, então não é que agora se lembraram de criar uma gama de noivas?!

NOIVAS?? A sério??? Epa, não me façam uma coisa destas! Estava um gajo sossegado!

É bonequinhos para o bolo, é bonequinhos para a mesa, é decoração, é vestidos, é BOUQUETS!!

 

BOUQUETS! MEUS AMIGOS! BOUQUETS!

 

Cara Primark, desculpa lá os meus posts anteriores. A sério. Era a brincar.

Não era preciso levares tão à letra. Não tenho problema em admitir: A culpa é minha, não é tua.

Podemos ser amigos?

Mas não te metas nestas coisas do casamento, está bem? Podes ficar com a casa, com o carro... mas não fiques com ele.

Vá lá, tira lá os bouquets e essas coisas casamenteiras das prateleiras. Os homens já ficavam à porta antes, agora além de perderem horas de vida que podiam gastar perfeitamente na fila da segurança social, depois de 2 horas de suplício, ainda têm de ver a namorada a chegar com um bouquet na mão??

 

Não há coração para isto!

 

 (imagem)

 

P.A

 

Para verem que estou disposto a fazer as pazes até deixo aqui um link (de outro blog muito conhecido aqui do sapo) para ti querida e fofa Primarkzinha do meu coração!

 

Beijinho no ombro, Amiga.

 


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Os Brunches e os Acidentes de Viação

A nova moda de não encher o papo, almoçando, mas sim enfardar, brunchando, parece que veio mesmo para ficar.

Começa a ser mais fácil encontrar brunches domingo à tarde, do que almoços. Eu até gosto, só ainda não aprendi bem como lidar com isto.

Terei almoçado pouco? Ou exagerado no pequeno-almoço?

Terei passado fome? Ou serei um comilão?

O que é certo é que o meu organismo lá se orienta. Vou comendo, embora confuso. Depois o jantar lá endireita a coisa. Não inventem o "linner" ou "dinuch", por favor. Não me retirem a âncora estomacal.

 

Mas a pior parte nem é tentar justificar ao meu estômago porque motivo lhe estou a dar mais ou menos comida, o problema é maior do que isso. Um brunch, além de ser um brunch é também por norma um buffet. Ora isto eleva o nível da confusão mental para outros patamares.

Se já por si não sabemos o que estamos a fazer, apresentar sushi com cereais ali ao pé, chocapic vizinho de mini empadas ou batatas a murro com granola no separador superior, é algo que deveria ser devidamente explicado às pessoas.

Tudo isto aliado ao espírito muito português do chico espertismo: "Ah é buffet? Então vou comer até rebentar. Comigo não ficam a ganhar dinheiro." É estar mesmo a pedi-las.

É natural portanto que qualquer empratamento que vejamos seja não um almoço, não um lanche, não um brunch, mas sim um acidente de 3 pesados com 6 ligeiros, em que o prato é a curva da morte, sem visibilidade.

Sushi com pastel de nata ao lado, com fiambre por cima, logo encostado ao ovo mexido, sem esquecer a compota de morango, seria mais do que suficiente para ter na hora uma equipa de reportagem da CMTV destacada. Mas não, olhamos para o lado e temos outro acidente, tanta foi a salcicha com chocapic que um outro senhor tirou para o prato.

Reina o caos do empratamento, a desavergonhice, e a Maria vai com todos gastronómica.

 

Por segurança, algumas pessoas deviam tirar a carta de empratamento antes de "brunchar".

 

Evitavam-se os "empratacidentes" e as filas.

 

(imagem)

 

P.A


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O Programa Acabou, mas o Pesadelo na Cozinha não

Domingo foi para o ar o último episódio de Pesadelo na Cozinha.

 

Por um lado estou aliviado, confesso.

Já era tempo de acabar com isto! Ao longo destas semanas tenho vindo a coleccionar novas rugas faciais, tantas foram as expressões de arrepio e incómodo que não consegui controlar. Tudo por culpa de todas aquelas falhas "caricatas", para não utilizar outra palavra, que nos foram "gentilmente" apresentadas com a normalidade de um "É assim que eu sei fazer" ou melhor, libertando-se de qualquer responsabilidade, "É assim que me dizem para fazer". Adoro.

Obrigado TVI. Agora já não me pedem identificação na discoteca. Agora perguntam-me se vou buscar o meu filho.

Mais uma temporada e chegaria a avô, pela certa.

 

Mas com o terminar deste programa a que apelidei de "Instagram da restauração portuguesa", algumas dúvidas ficam ainda no ar.

 

Será que a rotinização de um acto errado, torna-o inquestionável ao ponto de servirmos com toda a normalidade e de consciência limpa, algo como peixe podre?

Será possível achar que peixe fresco seja peixe que está congelado e frio? E por isso é fresco?

Será possível encarar a presença de baratas num restaurante nosso com a normalidade de um sorriso como o senhor d' O Canela fez?

Será possível ser normal não limpar uma cozinha, só porque é a do nosso trabalho? Sim porque em casa, percebemos que o faziam.

Será possível servir comida que não comeríamos? Como se o cliente fosse o cão abandonado, magro, ali da rua que, mal por mal, mais vale comer qualquer coisa, nem que esteja podre?

Será um restaurante sinónimo de uma espécie de linha de montagem de "homos pouco sapiens" sem qualquer requisito de formação e/ou consciência alimentar, para não falar de higiénica? Como se trabalhar num restaurante fosse o último lugar possível na vida de um profissional activo? O fim de linha? Será assim tão pouco digno trabalhar num restaurante?

Eu, como cliente, não o acho. Se não, não era cliente.

Enerva-me profundamente que quem lá trabalhe se comporte e se rebaixe como tal.

Enfim, outra ruga na minha cara.

 

O programa acabou, sim, mas o pesadelo não.

 

Vá la que a ASAE, no meio deste processo todo, voltou com uma capa nova. Agora já não é familiar da EMEL. Agora é o Batman de Portugothan City.

A melhor prova disso nem foi ter fechado "O Canela", nem as recentes notícias de fiscalizações relâmpago por Lisboa fora, que mais uma vez ultrapassaram os 70% de estabelecimentos em incumprimento. A melhor prova disso é que já saiu de casa e vive sozinha, tornou-se independentezinha. Até já multa parquímetros da EMEL. Está crescida esta ASAE!

 

довиђења Ljubomir.  E Obrigado por isto.

 (imagem)

 

P.A


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A Aula de Geografia e o Acordo de Paris

Meninos e meninas, hoje temos um aluno especial, sejam simpáticos para o Trumpinho que vai assistir hoje à nossa aula, está bem? 

Vá Guterreszinho, deixa o menino sentar-se aí ao pé de ti.

Le Penzinha: Professor ele pode ficar ao meu lado se quiser!

Já não tens mais cadeiras vagas à tua direita Le Penzinha, e ele à tua esquerda não quer ficar.

Mas não se preocupem que com Brexit sobraram ali umas cadeiras vagas ao pé do Guterreszinho.

 

Vamos lá então à aula de hoje, meus meninos.

Primeiro vamos todos apontar nesse globo que têm aí, onde estão os vossos países.

Todos: Já está professor!

Bravo meninos! Todos apontaram correctamente.

Qual é a primeira lição que retiram deste exercício?

 

Guterreszinho: Que estamos todos no mesmo globo, professor!

Bravo! Muito bem!

Agora mais difícil - Trumpinho, com esse lápis tenta fazer um furo no globo onde diz "Acordo de Paris".

Trumpinho: Não pode ser também na Coreia do Norte, professor?

Mais tarde Trumpinho, mais tarde.

Trumpinho: Pronto encontrei o acordo, vou furar.

Trumpinho: Ohhhhh! Rebentou o globo todo, professor! E agora??

 

Agora que lição retiram deste segundo exercício meninos?

 

Guterreszinho: Que devemos ter todos as mesmas preocupações porque se correr mal, é mau para todos, professor!

Deixa o Trumpinho responder também Guterreszinho.

Trumpinho: "Para proteger a América e os seus cidadãos, os Estados Unidos vão sair do Acordo de Paris"

 

Toque de saída.

 

final.png

 (imagens da internet, o mix foi P.A)

 

P.A

 

Entretanto...

 

Jorginho: Senhor professor? É aqui a ala de pretuguês?

Não Jorginho não é, é aqui ao lado.

Jorginho: Portantos isse quer dizer que não é aqui. Obrigades professor.

Nada Jorginho! Vai com Deus.

 

Bruninho de Carvalho: Senhor professor, eu acho que o conheço, quem é?

Oh Bruninho, então não eram amigos?

 

 

P.A


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