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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

O Crime de Recebimento Indevido de Vantagem

Não deixa de ser curioso que passado exactamente um ano em que o nome Éder se tornou num dos nomes mais inesquecíveis para os portugueses, por ter conseguido pontapear aquela bola dali, para as redes francesas, que esse mesmo jogo seja agora motivo, para encontrar uma espécie de rede, não de baliza, mas de "cordialidades" políticas por este Portugal.

 

Mas para perceber melhor o que é afinal o GalpGate, vamos recuar um ano atrás no tempo e recordar uma destas cordiais conversas, inspiradas num sketch do Gato Fedorento:

 

Senhor de uma empresa que se recusa a pagar 100 milhões de um novo imposto: "Ó Sotôr ora essa, vá lá ver a bola"

Senhor do governo que por acaso está a tratar do caso do pagamento destes mesmos 100 milhões: "Não sei se aceito Sotôr"

Senhor da empresa: "Faço questão Sotôr"

Senhor do governo: "Ó Sotôr assim deixa-me atrapalhado, não posso aceitar"

Senhor da empresa: "Aceite Sotôr, aceite. Faço questão Sotôr"

Senhor do governo: "Ó Sotôr!"

Senhor da empresa: "Faço questão que vá Sotôr. Vai num avião fretado por nós e tudo. Vai e volta no mesmo dia, ainda ceia com a família."

Senhor do governo: "Olhe que aceito Sotôr!"

 

Depois gritou-se golo em conjunto e à noitinha, ceou-se em Portugal. Estava criado o GalpGate.

 

Mas como é que daqui chegamos ao alegado crime que tanto se tem falado agora, o "Crime de Recebimento Indevido de Vantagem"? [CRIV]

 

Para quem não conhece bem, este CRIV é uma espécie de CREL de subornos mas com menos trânsito. Para começar, não é para todos. Só lá podem conduzir funcionários públicos, logo, por aí, flui bem melhor. Não costuma ter muitas horas de ponta, normalmente só quando os bancos estão a fechar ali pela tardinha, aí é que se pode verificar um fluxo anormal de acessos. No máximo, pode parar um outro funcionário público mais apressado. Mas nada de grave.

 

Irmos parar ao CRIV é tão simples e fluído que além de ser funcionário público, basta que se verifiquem dois pontos base: 

  • O funcionário público tem de solicitar ou aceitar uma determinada oferta que não lhe seja devida;
  • O empresário tem de dar ou prometer tal oferta indevida.

E pronto já está. Nem é necessário estabelecer um nexo causal entre o alegado recebimento e um determinado acto de favorecimento ilícito.

Nada. Aceitou a oferta? Passou na portagem e recebeu o tal ticket?

 

Ora então seja muito bem-vindo ao CRIV.

 

"Então isso quer dizer que não podemos dar nada aos funcionários públicos? É isso?"

"E se virmos um, na rua, com fome? Nem uma sandocha podemos dar?"

Podem. Podem dar até 150 euros.

Mas 151 euros já é CRIV. Cuidado.

"Então e se um funcionário público me tiver emprestado 160 euros? Como faço para pagar de volta?"

Simples, duas tranches de 80 euros e a CRIV fica de fora.

De qualquer forma a premissa dessa questão está incorrecta. O funcionário público, infelizmente, nunca tem para emprestar.

 

Bom mas falando do centro da questão, ainda há algo que não percebo bem no meio deste processo todo. Sinceramente acho que o senhor do governo até foi bastante inteligente. Ele só estava a iniciar o seu plano de reaver o dinheiro. Mal viram que estava a ter resultados, não o deixaram terminar o serviço. Enfim, o costume.

Como assim? Reparem bem, se esta oferta foi avaliada em 2200 euros, então este senhor já só tinha de assistir a mais 49999 finais destas para reaver o dito imposto. Se o método normal não leva a lado nenhum, há que saber dar a volta, ter criatividade política para gerir as situações.

 

Mas não, em Portugal é assim, não se pode ser criativo.

 

E pior, nem ir ver a bola sossegado.

 

 

 (imagem)

P.A

 

P.S - Claro que a culpa de toda esta situação foi exclusivamente da selecção portuguesa de futebol que resolveu acertar todos os penalties nos quartos-final e assim acabar por chegar à fatídica final. Vá lá que agora na Taça das Confederações aprenderam a lição. Falharam tudo.

É que já não tínhamos secretários de estado suplentes para outra destas. Ainda se entupia a CRIV.


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Como é ir ver um jogo de Portugal

Um bom português, de sangue puro, decide às 15 horas do próprio dia que afinal, se calhar, até quer ir ver o jogo de Portugal que começa apenas 4 horas depois.

E pior, pensa que teve uma grande ideia. 

 

Na realidade esse nem é o problema. O verdadeiro problema do bom português é que nunca há só um.

 

Este sábado, eu fui um bom português.

Quando cheguei ao Colombo, na esperança que ainda existissem bilhetes para venda, mal viro para o Continente, travo bruscamente contra um muro de gente. Sim. Era a fila para os bilhetes. Estavam lá os meus irmãos todos. Desde o bom português Alberto, à Maria, passando pelo pequeno Américo e acabando com último da fila: Eu.

A primeira coisa que pensei é que mesmo que ainda existam bilhetes quando chegar a minha vez, de certeza que serão para lugares onde já não dará para ver o João Moutinho. Mas que poderia fazer agora? Quando entretanto já tinha mais 20 irmãos atrás?

Fiquei.

Quem adorou a situação foram os elementos femininos que me acompanhavam, dos quais destaco a menina que apanhou o bouquet que prontamente se voluntariou juntamente com a irmã a ficar na fila. Mas não comigo claro.

Falo das filas da Zara, Primark, Bershka e mais não digo que já estou com tonturas.

Resumindo, um dia de sonho para elas. Pena aquele detalhe chato de terem de ir ver bola.

E eu?

Fiquei, claro. Antes ali!

 

Mas e quem estava a trabalhar no meio da confusão?

Para as empregadas do apoio ao cliente do Continente foi um dia normal. Triste, mas normal.

Habituadas a atender milhares de pessoas por dia estão elas, o problema é que estava toda a gente alegre, em festa e nem um ferro de engomar ou torradeira foi devolvido naquele dia. Confesso que me tocou. Notava-se que estavam em baixo, implorando por um berro, uma expressão menos simpática, um ligeiro murro na mesa, algo que as animasse, mas em vão. O bom português nestas coisas porta-se bem. Nem o pequeno Américo chorou.

 

Chegou a minha vez.

 

Confirma-se, não vou ver o João Moutinho.

 

9163246200921208189-account_id=1.jpg

 (e não vi mesmo...)

 

P.A.


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