Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Vai acima e vai abaixo, vai ao centro e vai para dentro!

Como podem ter deduzido pelo título de hoje, venho falar-vos de algo muito comum na nossa sociedade: 

 

Como os nossos vizinhos se reproduzem

 

Mentira. Estava a brincar. Vou falar-vos de bebidas e como elas nos acompanham ao longo de 4 fases da nossa vida, até sairmos da faculdade.

Mas assim teve mais piada.

 

Primeira fase -  primeiros tempos de vida de um ser humano

 

Quando nascemos a ementa de bebidas é bastante restrita e dependente essencialmente da disponibilidade maternal, em particular do estado dos seus, nunca tão avolumados, recipientes lactais. O leite maternal, embora bastante nutritivo, apresenta alguns efeitos secundários. Diria até que equivalem às maiores bebedeiras e pantufadas que vamos apanhar nas nossas vidas. É de tal forma forte que nenhum de nós se consegue recordar de quando bebeu leite maternal neste período.

Além disso, a locomoção é claramente afectada, sendo inicialmente preferível para a criança gatinhar, a arriscar tentar pôr-se de pé sob o efeito deste leite. A comunicação é também ela pobre, resumindo-se a um par de grunhos, gritos e algumas tentativas falhadas de formar palavras.

 

Resumo - Leite Maternal

Nível de satisfação: Dizem que gostava.

Nível nutritivo: 10/10

Dificuldade de locomoção:  Não me lembro. Mas existem 4532 fotos que o comprovam.

Perda de memória:  Confirmo.

Nível de Status: 0/10

 

Conclusão: Beba com moderação. Seja responsável. E, pela sua imagem, que ninguém o veja.

 

 

Segunda fase - Desde o primeiro acto de consciência à pré-adolescência

 

Depois crescemos e ficamos ali num período em que bebemos o leite com chocolate, o suminho de laranja, a limonadazinha e a bela da água com açúcar dada pela nossa avó. Neste caso e após anos de excessos de leite maternal, a jovem criança tem a inteligência de reflectir sobre o seu futuro e do que realmente pretende para a sua sua vida, largando finalmente o vício do leite maternal. Por algum motivo dizem que uma criança deixar de querer mamar é uma das suas primeiras manifestações de consciência.

Com esta decisão adulta, a criança ganha mobilidade, deixando de gatinhar, além de conseguir memorizar algo pela primeira vez. Com esta paz de espírito que a ausência de leite maternal proporciona, consegue finalmente dizer as suas primeiras palavras.

 

Resumo - Leite com chocolate, limonada, sumo de laranja e água com açúcar

Nível de satisfação: 8/10.

Nível nutritivo: 7/10

Dificuldade de locomoção:  Inexistente. Significativas melhorias face ao leite maternal.

Perda de memória:  Sem indícios. Já me recordo de beber estas bebidas.

Nível de Status: 5/10

 

Conclusão: Beba quando lhe apetecer, mas cuidado com os açúcares.

 

 

Terceira fase - Desde a pré-adolescência à adolescência

 

Momento em que surge aquela primeira cerveja, o primeiro copo de vinho ou mesmo aquela água de cor mal lavada que nos vendem como "Bongo 8 frutos" e na realidade é imperial. Normalmente, nesta fase, são patrocinadas ou por familiares masculinos alpha que nos querem tornar homens/mulheres ou apenas por colegas na escola, naquelas primeiras saídas até às 22 em ponto em casa. Onde ouvimos pela primeira vez algo como "Vai acima e vai abaixo, vai ao centro e vai para dentro!" e não sabemos o que é suposto fazer com o copo. E como queríamos despachar, bebemos logo tudo no  "acima" e temos de repetir. Bolas.

Isto contou-me um amigo meu, o Manelinho. Eu nem estava lá.

 

Resumo - primeiras cervejas e copos de vinho

Nível de satisfação interior: 0/10.

Nível de satisfação exterior: 11/10 

Nível nutritivo: 6/10

Dificuldade de locomoção:  um copo - é inexistente. Tal como se costuma dizer: "Um copito não faz mal nenhum ao menino" 

Perda de memória:  Tendência a ficar bem gravada na nossa memória. O problema será esquecer.

Nível de Status: 14/10

 

Conclusão: Beba quando lhe pedirem para beber, mas cuidado com as expressões faciais. Treine primeiro ao espelho.  Assista bastante a anúncios da TV Shop.

 

 

Quarta fase - A Faculdade

 

A fase da faculdade por norma tem a tendência de proporcionar os mesmos efeitos secundários aos adolescentes que o leite maternal. Na realidade pode existir num ou outro caso uma bebida específica, mas creio que neste período a bebida mais praticada tem um nome: Mistura. Esta mistura de bebidas de forma aleatória, principalmente em eventos académicos festivos, resulta em perda de locomoção temporária, excesso de diálogo, principalmente na presença de raparigas e em alguns casos uma certa tendência a redecorar a calçada, numa pintura alusiva ao que acabámos de jantar. A dormida é secundária e muitas vezes debaixo de uma qualquer mesa ou cadeira.

 

Resumo - Misturas

Nível de satisfação interior: 10/10.

Nível de satisfação exterior momentânea: 200/10 

Nível de satisfação exterior cerca de 30 minutos de misturas depois: -99999999999/10 

Nível nutritivo: Indefinido/10

Dificuldade de locomoção:  Tendência a seguir os mesmos sintomas do leite maternal.

Perda de memória:  Tendência a seguir os mesmos sintomas do leite maternal.

Nível de Status momentâneo: 140/10

Nível de Status cerca de 30 minutos de misturas depois: 0/10

 

Conclusão: O segredo da mistura será conseguir nivelar bem o seu período de felicidade, devendo parar mesmo antes de atingir os tais "30 minutos de misturas depois". Caso ultrapasse a meta dos 30 minutos, todo o seu investimento em status será perdido, assim como todo o seu dinheiro investido. Por precaução, consulte regularmente o seu gastroenterologista.

 

Bom, pensava que chegar até ás bebidas da faculdade seria suficiente, mas estou a ver que vou ter de fazer uma segunda parte.

 

É que ainda estou com sede.

 

 (imagem)

 

P.A


E fazer like na página do facebook, não?

Difícil isto? Isto para nós são Spinners

Na minha altura uma pancadinha nas costas e um ligeiro cafuné no totiço eram as duas prendas mais frequentes no dia da criança. E a malta até ficava contente com aquela demonstração inesperada de afecto do progenitor.

Talvez por isso me tenha identificado tanto com a Floribella. Não pelo vestuário que, embora aprecie, não me assenta bem, mas por aquela riqueza toda em sonhos e nada na mão. Fazia-me sentido na altura.

 

Ontem na rua numa das minhas caminhadas pedonais, verifico a presença de um novo ponto de venda ambulante de um senhor que gritava em pleno passeio "Olha a prenda para o dia da criança! Olha a prenda! 2 euros!!"

Pasmado e curioso, mandei a Floribella pastar e aproximei-me.

"Olha a prenda para o dia da Criança! Olhós Spinners!!"

Spinners?? Que é isto??

O senhor deve ter visto a minha cara e com os seus prováveis 73 anos coloca um deles a girar sobre o seu dedo.

Assisto ao spinner a "spinnar". É uma espécie de peão moderno, só que em formato de drone.

O spinner termina.

E talvez por vir embalado por uma infância com berlindes e as suas 43 vertentes de jogo, dos tazos e as suas 6 ou 7 regras de jogo, das cartas Magic e a sua infinita estratégia ou dos Diablos em que já me gabava de conseguir fazer 3 palhaçadas para seduzir o sexo feminino, questionei: " E que mais faz esse spinner, caro senhor?"

Ah, também faz isto e gira o spinner no sentido oposto.

E termina: "2 euros!"

 

É ida e volta portanto, penso eu.

 

Por esta demonstração, não fiquei convencido. Acho que vou confiar em quem sabe e seguir os conselhos de um visionário bem conhecido português.

Como diria Jorge Jesus: Difícil isto? "Isto para nós são Spinners".

 

spinners.png

(imagem + imagem)

 

P.A.


E fazer like na página do facebook, não?

"Broas" Memórias

Caríssimos,

 

hoje trago-vos algo um bocadinho "mais meu". Uma memória.

 

Tal aconteceu, era eu ainda um miúdo.

Era verão. E todos os verões, existia o hábito de, juntamente com os meus pais, irmos conhecer uma zona mais escondida de Portugal.

Quando digo mais escondida, falo de Alto Minho, Trás-os-Montes, Beiras, no fundo, zonas mais fronteiriças do nosso Portugal com Espanha que, nas nossas voltas de dia-a-dia na capital, não estavam logo ali ao lado para se visitar.

 

Esse verão não foi exceção.

 

Sendo miúdo, tinha ainda alguns requisitos particulares de paladar, ou se preferirem, era simplesmente parvo.

Então era sempre complicado, indo para estes locais, convencerem-me a provar algo típico, diferente do que via normalmente. Confirmo. Parvo.

 

Mas este caso ficou-me marcado. Tanto que estou hoje, aqui, a partilhá-lo com vocês.

 

Chegou então, num desses dias, a hora de jantar.

Lá nos dirigimos, sem TripAdvisors, ou Casais Mistério, ou mesmo telemóveis(!) (como estes choques de realidade ferem o meu espírito que ainda se julga adolescente, muitas vezes) para um restaurante que um amigo do meu pai tinha sugerido.

 

A entrada do restaurante era totalmente diferente do que conhecia, era uma casa típica, de pedra, o ambiente era meio sombrio e lá dentro imperava a meia luz. Notava-se que era um restaurante de um patamar mais refinado.

Somos acompanhados por um senhor muito bem vestido, simpático, que me dá logo um rebuçado.

Para estas "entradas típicas da região" já não era esquisito, claro.

 

Sentamo-nos, os 3, numa mesa redonda.

Colocam as entradas e começo a ser pressionado para experimentar a broa da região. Como nunca tinha comido e me parecia pão amarelo, estava, obviamente, com alguns receios degustativos. No entanto, embalado pelo rebuçado, enchi-me de coragem e provei. Gostei tanto, que repeti. Uma, duas, algumas vezes!

O problema veio a seguir.

 

Ora..comer broa, faz com que a mesa fique com alguns vestígios desse ataque. Sendo miúdo então, menos cuidado tive.

Eis que do nada, estava a falar com a minha mãe, surge um barulho tremendo do meu lado direito! Olho rapidamente!

Era o empregado com um aspirador de mão!

Foi o minuto mais longo que me lembro daquelas férias. Eu e os meus pais a olharmos sem sabermos como reagir aquela situação. Só existia um senhor, de expressão fechada, um som ensurdecedor, 6 olhos esbugalhados e migalhas lentamente sugadas pelo aspirador portátil.

O contraste entre a brutalidade sonora e a classe do empregado, foi algo que se tivesse que lidar hoje, não sei se teria resistido da mesma forma.

 

O senhor saiu como chegou. Nada disse.

 

Levei raspanete do meu pai. Fiquei a pensar que me tinha portado mal.

Mas não.

Percebemos depois que fazia mesmo parte do serviço. O processo repetiu-se mais 4 vezes. Sempre a cada prato e repetido, o ciclo, nas restantes mesas.

Como estava de costas para o corredor, a minha mãe já me avisava por sinais, para eu não me assustar, que vinha aí novo ataque. A cada aviso, lá ficava eu a brincar ao jogo da estátua!

Foi obviamente um grande jantar! Que podia um miúdo pedir mais? 

 

Mas a melhor parte, aquela que guardo em HD na minha memória, foi mesmo quando o senhor aspirou ao pé do meu pai, tinha ele acabado de me dar aquele raspanete!!!

O que eu me ri!!!

Ele é que nem por isso..

Tanto, que a seguir tive de comer massada de cação...

 

Toda...

 

 

P.A


E fazer like na página do facebook, não?

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Mais sobre mim

imagem de perfil

Queres mais conteúdo do bom? Segue-me no Bloglovin que eu depois digo-te onde.

Arquivo