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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A Festa do Cinema

Rapaz, tu não dás valor.

Digo rapaz, mas tu também rapariga, não te estejas a rir.

 

Vocês já imaginaram o que era ter de fazer 3 quilómetros a pé, só de ida, até chegar a um cinema? Era assim na minha terra. Pelo menos antigamente.

O cinema não estava no shopping no centro da cidade como está hoje. Era uma espécie de anexo citadino no extremo oposto onde os meus avós viviam, que só os mais bravos [ou com carta e carro] se podiam gabar de já ter visitado. 

 

E não ter um telemóvel para saber se a rapariga com quem tinha combinado ia mesmo? Sendo ela rapariga, era mais seguro combinar de acordo com o seu ciclo de "dias difíceis", do que o seu astral. Afinal de contas ainda eram 3 quilómetros.

Eu lembro-me bem. Não do longo caminho que me transformava numa semi bola de suor à chegada e que, naturalmente, destruía qualquer chance de sucesso com a rapariga, nem mesmo quando elas não apareciam. Mas lembro-me bem do acto social que era ver um filme no cinema.

Era motivo de união. Hoje é motivo de download.

 

O download só tem um problema rapaz, estás a ver aquela última fila mais escura lá em cima no cinema? Por muita volta que dês, nunca "verás" o filme da mesma forma em formato download. Como sei? Como diria a Maria: "Oh por favor!"

 

Agora usa-me essa cabeça e pensa nisto:

 

Dias 22, 23 e 24 de Maio, preço dos bilhetes a €2,5 em todas as salas de cinema.

 

 (imagem)

 

Sem medo! Larga lá o donwload!

 

E combina com a malta!

 

P.A

 

P.S - Dânia Neto, depois confirma-me se sempre vais mais logo, ok?


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A Bela e o Monstro em 2017

É verdade, está de volta um dos clássicos da Disney.

 

No entanto muita coisa mudou.

 

A magia de um filme da Disney começava mesmo antes de entrar na sala. Bastava procurar os pais que tinham uma criança pendurada a puxares-lhe o braço de forma irritante, e ao mesmo tempo uma cara de que "Eu até ia era ver o Instinto Fatal..." mas como era um pai/mãe altruísta, lá tinham de ir à sessão da bonecada. Outra vez.

Era fácil e sabia-se logo que filme ia aquela família feliz ver.

 

Mas agora não. Entrámos num novo ciclo. Aquelas crianças penduradas cresceram e são agora pais. Os pais que conhecem a Disney.

E o que vemos agora em casa?

O filho com o comando na mão a querer ver o The Walking Dead e o pai o Pinocchio.

 

Eu até acho bem. No caso de passarmos mesmo por um cenário pós-apocalíptico, na verdade, aprende-se mais com o Rick. O Gepeto que me desculpe, mas fazer bonecos de madeira não me permitia chegar vivo à sétima temporada.

 

Por isso, caros Pais, caras Mães...

Por favor deixem os vossos filhos ver o filme como os vossos pais, aborrecidos, vos deixaram.

Parem de vibrar por filmes da Disney. Não estraguem tudo.

Correm o risco de ao recordar velhas memórias não se controlarem e vibrarem em demasia, chorar, saltar ou pior, serem spoilersQue pai é bom pai se é spoiler para o seu filho? Pensem nisto.

 

Peço apenas um esforço adicional. Que se contenha nas salas de cinema e não incomode em demasia os seus filhos que também pagaram bilhete e não estão para aturar criancices. Para isso tinham ficado na escola.

Não chore. Não pela sua dignidade, mas para evitar que o seu filho, preocupado consigo, deixe de ver o filme. Está a pôr em risco a recepção da mensagem que você tão bem recebeu quando era mais novo.

E tudo graças aos vossos pais.

Rijos que nem uma porta, que apenas estavam interessados na esplêndida decoração do tecto do cinema São Jorge durante a estreia da Bela e o Monstro em 1992.

 

Vá, conto convosco, está bem?

 

Abraço.

 

P.A


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Spoilerfobia

Por favor, tenha calma.

 

Diga-me, o que vem a ser este clima que agora não se pode comentar nada do que se vê na televisão?

Então e se eu lhe disser que no último episódio do The Walking Dead, o Rick vai ficar maneta? Pode descansar, não fica.

Ou se disser que o John Snow afinal é uma Joana Neves? não ponho as mãos no fogo.

Ou pior! E se eu disser que até gostei do fim do Lost? não consigo mentir, foi horrível.

 

Bom, se estivesse a ter esta conversa na rua... neste momento estaria já a analisar, provavelmente sem a dentição completa, qual o sabor da calçada, por via da fúria de um transeunte que passava e, para meu azar, me ouviu falar. 

 

Mas que se passa consigo, amigo?

 

Antes de me dar outro robusto mimo, peço que me oiça agora se faz favor.

 

Antigamente isto não era assim. Até gostávamos que, quando não víamos algo, nos contassem.

Não tínhamos 7 dias de gravações para recuar.

Não havia a oferta de cinema de hoje em dia.

Não tínhamos streams.

Não existiam (tantos) canais de cabo.

Não havia netflix.

Nada!

Mesmo com os clubes de vídeo, que faleceram entretanto no meio deste processo todo, a caixa do VHS estava sempre vazia e o filme já estava reservado...

Estávamos invariavelmente condenados ao que o senhor todo poderoso da RTP, SIC ou TVI decidia colocar no ar, fosse a que horas fosse. E se quando ligássemos a TV já o filme ia a meio, era a partir dali que o víamos, orgulhosos por ainda termos chegado relativamente a tempo. Tudo na esperança de, eventualmente, quando repetissem o filme daí a um ano ou 10, conseguirmos finalmente terminar aquele ciclo e recuperar a história anterior.

 

No fundo, antigamente era tudo uma espécie de puzzle. Até os miúdos na escola contavam cada um o seu spoiler e no fim do intervalo tinham o filme completo.

O Spoiler era útil. Funcional. E estimulava as crianças.

Cada um tinha o seu cromo, juntavam-se, e no fim tínhamos a caderneta cheia. Trabalho de equipa. Missão cumprida.

Viram todos o filme, não vendo.

 

E agora?  Como é?

 

Agora?

 

Agora tenho de consultar o meu dentista.

 

 (imagem)

 

 

P.A

 

(E o Dexter, viu aquele fim miserável no camião?)


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