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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Cuidado, hoje é dia de se levar a mal

Se ontem foi terça-feira de Carnaval e ninguém levou nada a mal, hoje, e apenas 24 horas depois, já não é bem assim. 

Cuidado. É que já se voltou a levar a mal.

Por exemplo, se hoje a sua chefe de escritório lhe aparecer à frente vestida de enfermeira, já não é a brincar. É assédio.

Ou se aquele seu colega ateu aparecer vestido de padre no trabalho, já não é a brincar. É blasfémia.

Ou se por exemplo, filmar uma criança a fazer birra e uma super psicóloga de óculos aparecer e mandá-la sentar-se no banquinho do castigo, também já não é a brincar. É proibido.

 

Ou até mesmo se tiver o grande "azar" de se cruzar com uma senhora sem roupa na rua, apenas com tinta no corpo, a dançar, para não ter frio...Bem, hoje já é outra coisa também.

 

Até a EMEL mudou. Hoje, já multa outra vez.

 

Enfim, o dia de Carnaval quer queiram, quer não, é um dos dias mais importantes da nossa sociedade. Primeiro porque funciona como uma espécie de cartão de "Está livre da prisão" em que é permitido sair da casca e fazer algumas coisas que não nos são normalmente permitidas. [sem consequências de maior]

Depois porque é um dos principais responsáveis pelo pico de nascimentos em Outubro e Novembro.

E o Portugal envelhecido agradece.

Sem consequências de maior.

 

Além disso, é a única notícia de Esposende que se tem por ano. Tenho lá amigos e é bom saber que estão bem. 

 

Mas este agendamento de 2018 foi terrível. O algoritmo do dia de Carnaval fez asneira.

E da grossa.

É que por consequência hoje é dia de recuperação da galhofeira de ontem. De voltar aos eixos. Mas também de estar cansado e cheio de olheiras. É dia de se levar a mal, estar feio, farto e de querer estar mas é sossegado.

Não é dia para ir comprar corações fofos vermelhos. Nem rosas perfumadas. Ou escolher um local romântico para jantar, quando está previsto que se vão perder os sentidos pouco depois das 21h.

 

 

Que ideia foi esta de marcar o dia de Carnaval para a véspera do dia dos Namorados?

Que tipo de humor sádico é este?

 

É que nem era preciso ter sido Carnaval ontem.

Ser dia dos Namorados é já peso suficiente para suportar.

 

Mas pronto, se calhar também não é bem assim.

 

Sou só eu hoje, a levar isto tudo a mal.

 

 (imagem)

 

 

P.A


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Palavras Cruzadas - Qual é o seu tipo de pessoa?

Ao longo da nossa vida vamos olhando para o que nos rodeia, sempre com um espírito crítico de análise, de tomada de decisão sobre algo que se passa, tentando sempre pensar bem, ponderando, para assim, por fim, tomar uma posição. A nossa posição.

A "alegadamente" correcta.

Depois de a elaborarmos podemos elogiar, ou cortar a direito na casaca, ou até mesmo em casos de sedução avançada, se nos agradar, piscar o olho de forma sedutora [coisa que nunca consegui concretizar sem me perguntarem se estava bem] ou então optamos por ignorar aquela frenética dança do amor daquele parceiro/a mais pateta que não nos interessa assim tanto e seguimos a nossa vida.

Enfim, uma paleta de situações e acções que poderia continuar aqui a conjugar no gerúndio apelando às minhas ligações alentejanas, mas que ao fim ao cabo resultam naquilo que nos caracteriza e define como indivíduos. Aquela coisa a que vulgarmente chamamos de personalidade. Essa colectânea de atitudes que nos define.

 

Na realidade tudo o que nos rodeia resulta em primeira instância numa divisão em dois. Dois tipos de pessoas. O chamado peixe ou carne. Não me venham com as 50 Sombras de Grey ou como se diz em português do Brasil, 50 tons de cinza, que ali é que não há mesmo dúvidas. O homem é maluco, pronto. Não são tons de cinza. São alguidares de parvoíce.

Eu sei, "mas ele é sexy", "ele é um pão", e esta que adoro: "ele é um bocadinho atrevido", o que o sexo feminino lhe queira chamar. Mas acima de tudo é, e digo isto de forma respeitosa, maluco.

 

O que acabei de fazer agora foi exactamente catalogar alguém. Analisei o comportamento e tomei uma opinião. Acabei de me tornar num tipo de pessoa. Os que catalogam. O Grey é maluco.

Sendo que estas coisas dos tipos de pessoas funcionam como a terceira lei de Newton, vulgarmente conhecida por par acção reacção, se existem uns que catalogam, outros, por oposição, vão odiar catalogar.

 

Depois temos a célebre história do copo meio cheio e meio vazio, o optimista e pessimista, da constante luta do bem contra o mal, das pessoas boas e das pessoas más ou até mesmo as pessoas ditas normais e os e as Greys da nossa vida.

 

Na realidade não existem só dois tipos de pessoas. Existem inúmeras tipologias, inúmeros adjectivos qualificativos na nossa língua, mas surgem sempre emparelhados dois a dois.

 

Tal como agora me tornei uma pessoa que acha que existem sempre dois tipos de pessoas para cada caso, existirá naturalmente quem discorde. E são exactamente estes caminhos, estas ramificações em constantes escolhas boleanas do nosso dia-a-dia de "sim ou não concordo", que no fim resultam no nosso real e único tipo de pessoa: 

 

Nós próprios.

 

Uma grande sopa de tipos.

 

 (imagem)

 

 

P.A

 

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Este foi o sexto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolheu a Rita. Podem ver como respondeu no blog dela.

Rita, já sabias que este dia ia chegar eventualmente não é?

Fala-me, por favor, de como é ir a um casamento como convidada (com a apanha do bouquet incluída!) Mas com calma! Pode ser só para dia 28, Quarta-feira!

 

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E tu? Onde estavas no ano 2000?

Eu?

Eu andava por Santarém, na pele de um adolescente conquistador, munido de uma face sexy toda ela revestida por uma armadura de pus e pequenas elevações em forma de 53 borbulhas.

E era bem mais forte naquela altura já que transportava 23 kilos de livros diariamente às costas.

Ainda me lembro que o som que mais gostava era o do segundo toque da escola e os professores não estavam lá. Que maravilha.

Tirando isso, Nirvana.

 

De todo o modo, no ano 2000, estaria provavelmente bem mais descansado do que em 1999. Que ano fatídico esse. Aquele constante vai não vai para acabar o mundo. Um rapaz fica inquieto. Se vale a pena estudar para o teste de amanhã de Português, uma vez que pode não haver segundo período? Se pago os 100 escudos que estou a dever ao Manuel ou se faleço mais rico e ele mais pobre? Se arrisco a falar com a Carolina fofinha da turma ou não, num ultimato ao meu coração de jovem? 

Tanta dúvida!

Depois, afinal não acabou mesmo.

E ainda bem que não falei com a Carolina. Que ela depois ficou com o gordo do Tiago. Fazia dois de mim. Ia dar chatice.

 

Bom, o ano 2000 chegou como outro qualquer. Os planetas alinharam-se mas foi para celebrar. Não para apagar a luz.

E nem acabou o mundo nem acabaram os computadores que ainda agora tinham aparecido e já só se falava do bug do ano 2000.

O bug do ano 2000 foi no fundo uma espécie de Plano B para garantir o fim do mundo, caso a primeira tentativa dos planetas falhasse. A verdade é que graças aos super-heróis dos informáticos, esses batmans do teclado, esses homens-aranha do couro digital, tudo acabou em bem.

Fiquei contente. Fixe. Não acabou o mundo. Já podia acabar a época no Fifa 2001.

Creio que foi aqui que me decidi tornar no Hulk da informática que sou hoje.

Desde que não me enervem...

 

No ano 2000, o filme Matrix tinha sido há um ano, a Expo 98 há dois e o €uro estava em vésperas de ser utilizado para passar os gelados de 100 escudos para 1 euro e os cafés de 50 escudos para 50 cêntimos. Burros.

A banda larga era uma simples banda com diâmetro, direi, para o largo.

E wireless era a tua prima, oh ordinário!

 

O Instagram era um rolo que estava nas máquinas fotográficas que não podia apanhar sol porque senão ficava bloqueado e ficavam todas as fotos com aquele filtro de fotografia queimada. E para publicar tínhamos de pagar a um senhor que tinha uma loja "de fotografia" [acho que era assim o nome]  em que dávamos o rolo para ele o "postar" em papel de fotografia. Uns dias mais tarde, recebíamos os posts e já podíamos fazer share ao vivo, mesmo com pessoas físicas(!!!!), do nosso álbum pessoal de fotografia.

 

O grupo do Whatsapp do 10ºC era uma folha A5, amarrotada por todos. Sendo que no ano 2000 podíamos cada um de nós usar o nosso tipo de letra - a chamada caligrafia. Agora usam todos o mesmo, o Arial.

Não se faziam instastories que estamos a estudar e que temos um monte de livros para marrar. Não. Estudávamos mesmo.

Agora é mais cool dizer que se estuda. Na altura quando me convidavam para alguma coisa e eu dizia que tinha de estudar, a outra pessoa olhava para mim com ar de desdém. E eu coitado, encolhia os ombros. Com a fatalidade nerd da minha escolha.

Agora não. Faz-se like.

 

O Netflix era uma loja com muitas caixas vazias de VHS onde se alugavam filmes a que se chamava de "Clube de Vídeo". E tinha sempre uma secção reservada para os mais "de 18 anos curiosos" lá irem ver.

 

A Internet era uma chamada telefónica nacional cara como o caraças! Em que tinhas de despachar primeiro o telefonema para a família a correr, para poderes estar mais tempo no MIRC. Não dava para tudo. Depois fazia uns barulhos engraçados, ligar o modem. E se alguém ligasse, podíamos cair da Internet. Sim, não é esta calmaria de hoje. Muitas foram as conversas que foram abruptamente interrompidas e retomadas com "Caí! Tinham de ligar mesmo quando eu cá estava! Impressionante!".

 

Ah, que saudades de 2000.

 

Bons tempos.

 

Ainda me divertia a ir a casamentos.

 

 (imagem)

 

P.A

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Este foi o quinto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Podem ver como a Rita respondeu a no blog dela.

Agora é a vez dela...Estou para ver o que vem daí!

Porta-te bem!


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Super Nanny - a encantadora de crianças da SIC

Estreou na semana passada, na SIC, o novo programa de domingo à noite. E as redes sociais explodiram.

Explodiram ao ponto de que mesmo sem ter assistido, tenha ontem carregado no botão 3 do telecomando para perceber afinal do que se tratava.

 

Assisti.

 

O nome poderia ser confundido com um qualquer detergente de loiça, mas na realidade uma gota de Super Nanny não tira gorduras, nem nódoas de chocolate. Pelos vistos, o seu "super" inflama e incomoda muita gente. Mas a fórmula até é bastante honrosa: Educar crianças.

 

O problema é que na realidade é mais um educa adultos e envergonha crianças. Com usos e abusos de sonoplastia e edição de imagem duvidosa, o programa acaba por expor essencialmente a sua vertente de reality-show e não se foca nos mandamentos da Super Nanny que conduz um Mini. O que nestes tempos em que o bullying anda tanto na moda, a Super Nanny acaba por ser aquela desculpa que todas as crianças aguardam ansiosamente para poder gozar com outra. Antigamente ainda era preciso fazer alguma asneira em público ou ter o azar de arreliar algum bully da turma, agora temos um programa para isso.

Receio por aqueles que vão ser para sempre o rapaz ou a rapariga da Super Nanny desde o teste de português da quarta classe até ao CV que alguém irá ler em 2040 e procurar na internet antes de recrutar.

Mas nem tudo é mau.

Eu por exemplo, por ter nascido nos anos 80, nem um vídeo desfocado meu tenho. Só umas fotos minhas bem comportado. A rir. Ou a urinar na praia.

A rir.

Estas crianças têm câmeras topo de gama a gravar em 4k ou Full HD. Eu também gostava de ter tido. Até porque as poucas memórias que tenho da minha infância de mal comportado em público resumem-se à minha avó a dizer-me ao ouvido: "Em casa falamos...". E um arrepio tomava conta de mim.

 

E mais tarde, um chinelo.

 

No fundo, o principal problema deste programa é ser um programa.

Efectivamente a prática de alguns conceitos apresentados faz sentido. E ajuda os pais pelo menos na maioria dos casos. Digo pelo menos, porque nem todas as crianças são iguais. O problema é estarmos a falar de uma câmera a filmar para uma televisão nacional.

A Super Nanny era realmente super se apresentasse apenas conceitos e não vendesse imagens. E este segundo episódio reforça ainda mais esta ideia.

 

De resto o programa segue o mesmo fio condutor de um outro programa da gama SIC, muito amado por todos. É de facto muito ténue a linha que separa uma encantadora de crianças de um encantador de cães.

 

A SIC, pelo menos, acha que sim.

 

 (imagem)

 

P.A


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O que aprendi na Exponoivos

Os inícios de ano são sempre tempos de promessas: uns dizem que vão deixar de fumar, outros vão mais ao ginásio e uns mais espertos, que agora sim, vão contar tudo ao marido/esposa, e sair de casa. 

Este ano, fui mais radical ainda.

Fui à Exponoivos. 

De qualquer forma, que fique claro, não era nada disto que tinha previsto para 2018. Não me ia propor a algo tão violento, conscientemente. Aconteceu.

Fui, mas muito contrariado. Não que tivesse perdido uma aposta, ou feito aquele pedido ajoelhado que elas tanto adoram, mas sim porque sou amigo do meu amigo. E esse meu amigo, cobarde, não quis passar esta provação sozinho.

E eu, coração mole, lá cedi. Mas ficou-me a dever uma na mesma.

 

Uma amizade sem trocas é uma treta. 

 

Chegou o dia. Lá fomos. Dirigimo-nos para a fila, para levantar os bilhetes.

Filas e filas de casais enamorados, dois a dois sempre no mesmo registo:

Ela, qual criança na Disneylândia, eufórica e faladora

Ele, qual pai agastado, calado e concentrado, já a imaginar o que se avizinha. Olhar perdido, distante.

 

No fundo o oposto de uma bilheteira para um jogo de futebol.

 

Chega finalmente a nossa vez. Recebemos o bilhete. E com ele dois folhetos de publicidade em forma e pior, peso, de uma lista telefónica. 

Bem mais pesados, entrámos.

Assim que entrei senti-me, tenho de confessar que senti alguma nostalgia, era como entrar em Marrocos pela primeira vez. Só que ali cheirava ligeiramente melhor e os senhores não tinham todos o mesmo bigode. De resto era abordado a cada passo e o discurso era tal e qual o marroquino:

"Já tem?", " Quer ter?", "É o melhor que vai encontrar!",  "Já conhece os nossos produtos?", "Venha aqui ver melhor!", "É mesmo a sua cara!"

Amigas Marroquinas de bigode não comum: Eu sei que este meu ar de jovem casamenteiro, sedutor marido que há-de ser, ou até mesmo de futuro noivo maroto é o sonho de qualquer quinta de casamentos ou catering mais tropical, mas pelo menos podiam não ser tão oferecidas... É que eu com oferecidas perco logo o interesse. Nem lhes vejo o cupon.

Publicitário.

 

Bom, passada esta primeira zona de assédio casamenteiro, chegámos a outra secção de superação masculina que deveria ser imprópria para menores:

O desfile de vestidos de noiva

 

Tem mesmo de ser? Tem. É como ir a Roma e não ver o Papa.

Em que à partida pensamos que seca, mais do mesmo e com uma música assim para o fofinho para trazer aquele sentimento ao momento. Só que depois não foi bem assim.

A música começa e foi como se me tivesse transportado para um videoclip da Ana Malhoa. Toda a desconfiança desapareceu. Fiquei pregado à cadeira. Queria ver tudo.  Aquele som latino, aquelas noivas com a mesma parra de Eva, só que em tons de branco, foi algo que nunca imaginei. Nem estava preparado.

Mas de facto aprendi algo na exponoivos. É verdade. Não me posso queixar.

Fiquei a saber que para 2018, vão deixar de existir vestidos de noiva. Vai acabar finalmente essa moda antiga e pouco ousada.

Agora chama-se a lingerie de noiva.

Que beleza será uma entrada na igreja em preparos de bordel, só que em branco fofinho para não chocar. As avós orgulhosas da sua neta, fiel à sua religião, tal e qual os desenhos e mandamentos de Eva. Que comoção será ver o pai orgulhoso por visualizar pela primeira vez aquela tatu escondida, marota, da sua filha em plena igreja.

Fiquei convencido. Assim é para casar claro.

 

Infelizmente o desfile termina. Chega a hora da da próxima prova:

A entrada em limusines pouco higiénicas derivado ao facto de toda a gente nas últimas 10 horas ter lá andando a roçar o seu rabo.

 

Só entrei na primeira e guardei o panfleto. O meu médico de família podia vir a precisar. Herpes é lixado.

Aprendi outra coisa: Está decidido. Vamos de Smart para o copo de água.

 

E como tudo o que é bom acaba, chegamos por fim à saída.

Sentimentos dúbios tomam conta de mim.

Por um lado sinto-me desiludido porque pensava que aguentava mais do que os 10 kilos de publicidade que tinha na mão esquerda, mas afinal tive de rejeitar, já perto do fim, os folhetos das alianças com oferta da impressão da impressão digital que tanto queria. Por outro, gostei de saber que tenho uns ombros e cintura perfeitamente equilibrados para o estilo mais actual de fato de noivo.

Não sei bem o que significa, mas uma pessoa fica satisfeita de saber.

 

Até porque, pelo caminho que a moda leva, nem todos ficam bem de boxers com laçarote.

 

(imagem)

 

Conto voltar.

 

P.A


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Quando fazemos o que gostamos, nota-se a diferença

É óptimo quando fazemos o que gostamos. Melhor ainda se o conseguirmos fazer, trabalhando.

Que o diga José Rodrigues dos Santos que na semana passada, ao fim de décadas, desabafou que finalmente podia viver da escrita.

Um desabafo que muitos, pela certa, gostariam de partilhar.

Conheci recentemente dois grupos de amigas que decidiram juntar-se. Não sendo fácil, partiram para uma nova aventura nas suas vidas. Uma aventura contra o não, contra o não consegues, contra o é difícil. Uma aventura não ao sabor do que a sociedade lhe reservou, mas ao sabor do que gostam. Uma aventura contra ninguém. Só a seu favor.

 

Apresento-vos a Template:

Uma amizade entre duas arquitectas que começou dentro de água, há mais de década e meia. As extremamente simpáticas Diana Gomes e Ana Pardal Bica inauguraram no passado dia 8 de Dezembro, na Praça do Junqueiro, Carcavelos, o atelier Template.

Esqueça o Querido, aqui tem duas Queridas. Queridas que me dão 40-0 a nadar, mas ainda mais a decorar.

Querem mudar qualquer coisa em casa? Perguntem à Template! Desde projectos de arquitectura a design de interiores, podem contar com elas para vos ajudar. É só dar uma vista de olhos na página de facebook ou instagram e vão perceber.

E sim, é produto nosso, português. Perfeito.

 

Se quiserem conhecer um pouco melhor a Diana, deixo-vos uma entrevista recente que deu ao Canalcop aqui do Sapo:

 

 

 

Além da Template, apresento-vos também a Birds&Berries:

Três amigas, bom gosto e os mesmos interesses, foram a fórmula que resultou na Birds&Berries. O seu foco está na qualidade das cerâmicas nacionais, e com as loiças Birds&Berries é exactamente isso que vão encontrar. Qualidade, bom gosto e tudo com o nosso selo bem português. Podem encontrar os seus produtos na página do facebook, do instagram e também em exposição no atelier da Template.

 

Nesta aventura a dois, acabei por ser apanhado na brisa e arrisquei sair do meu habitat laboral para algo que já faço obscuramente e nada partilhado convosco há algum tempo.

 

Deixo-vos comigo armado em fotógrafo na inauguração da Template:

 

 

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P.A


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Assédio sexual ou Sedução?

Depois de assistir à cerimónia dos Globos de Ouro em que até o vestuário foi dedicado ao escândalo sexual do momento, comecei a pensar: o que é afinal assédio? A partir de que ponto podemos dizer, eh pá se calhar até estou aqui a ser assediado um bocadinho agora?

 

Em teoria e em bom português, é considerado assédio sexual, todo o conjunto de actos ou ditos com intenções sexuais, geralmente levado a cabo por alguém que se encontra em posição privilegiada.

 

Em teoria faz sentido. Na prática não concordo.

Na prática o assédio é uma aceleração brusca na estrada da sedução. É um saltar etapas. Um estar à vontadinha quando ainda não era suposto estar nem à vontade. É um "com licença" não verbalizado.

No fundo o assédio é o atalho do garanhão preguiçoso. Seja ele homem ou mulher. Daquele que já que tem poder, pretende usá-lo para escalar etapas no processo de sedução. É uma espécie de cartão do monopólio do estar livre da prisão. Podemos testar a sorte pelo caminho convencional do lançamento demorado e tripartido dos dados para podermos sair da prisão, mas já que temos o cartão dourado, vamos usar e despachamos já isto. Depois logo se vê.

Assediar é por isso desprestigiante. É uma mistura de soberba com mandriar. É seduzir com cunha. Sem honra. E é acima de tudo um admitir que algo [poder] levou a melhor sobre nós.

 

E do outro lado? O assediado?

Na realidade o assediado é um mal seduzido. Tão mal seduzido que só se apercebe tarde demais que o estavam a tentar seduzir. Tal é a azelhice e a soberba daquele predador. É claro que assim, de algo inesperado, resulte um choque maior, que no caso das vítimas com personalidade se traduz num imediato "alto e pára o baile que estás a esticar-te" ou num "psst tá quieto", que normalmente finaliza por ali mesmo o ataque.

 

Depois temos outras [vítimas] que acabam por ceder ao poder dito cartão dourado. Alimentando assim o predador.

Como as que só depois do James Franco ter ganho o seu globo é que se recordaram que afinal este também não tinha lido os Maias da sedução e tinha tomado alguns atalhos de soberba pelo caminho.

Infelizmente estas são as que mais desvalorizam, pela vulgarização e interesse, as reais e verdadeiras vítimas de assédio sexual.

 

De qualquer forma se não querem ser acusados de assédio, vão por mim, paguem primeiro um café, levem a jantar fora ou tentem mesmo conversar um pouco, é giro bater aquele courozinho, não acham? Dá pica.

 

Não sejam preguiçosos.

 

 

P.A


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Palavras Cruzadas // O estranho caso da Mãe e Filho que nunca se falam

Devem ser quase 9:30 - penso eu, de mão no queixo e olhando para cima com ar pensativo.

 

E digo devem, não por saber ler a sombra do sol, mas porque acabei agora mesmo de me cruzar com duas pessoas a caminho do meu trabalho.

Não é novidade. É frequente encontrá-los nesta deslocação a pé. Faça chuva, faça sol, neve não sei, mas só porque nunca nevou. Mas arriscaria que sim também. São o meu despertador. O meu indicador se devo acelerar o passo ou não.

Eles fazem o percurso inverso ao meu.

Uns dias atraso-me e encontro-os mais perto de casa, outros vou mais cedo e apanho-os mais perto do meu trabalho. Ainda há os dias em que madrugo e aproveito para revisitar outras pessoas como uma tal de Inês que já falei por aqui. Mas normalmente acabo sempre por partilhar aqueles 30 a 40 segundos de visibilidade todos os dias com esta mãe e filho.

Mas seriam apenas mais duas pessoas com que me cruzo diariamente se não padecessem de um comportamento particular.

 

A mãe, provavelmente no auge dos seus 70 anos, apresenta-se sempre de cara fechada, suavemente maquilhada e penteado alimentado a laca. Altiva e de movimento solto, circula sempre em passo constante.

O seu filho nos seus 40 e alguns anos, apresenta um vestuário escolhido pela mãe e faz-se sempre acompanhar por um saco de compras bem recheado.

Ao contrário da mãe, circula sempre em passo acelerado.

 

Nunca nestes anos, que nos cruzamos diariamente, os vi trocarem uma palavra. Nunca vinham já a conversar sobre algo, ao longe, antes de me verem. Nunca. Nunca falaram quando passaram por mim, nem depois, que até fiz questão de parar e ficar a observar, virado para trás.

Nunca.

Até já pensei simular uma queda. Ou um ataque cardíaco. Ou simplesmente soltar um arroto útil para gerar indignação?

Receio não ser tão corajoso.

 

Mas existe uma regra.

 

O filho funciona como uma espécie de batedor. Que abre caminho para a mãe passar. Uns dias surge mais perto dela, outros mais longe. Mas faz sempre questão de acelerar primeiro, deixar a mãe para trás, parar e ficar uns segundos a olhar para ela, até que ela se aproxima novamente. E ele aí sim possa voltar a repetir o processo.

Tudo sem nunca, mas nunca se falarem.

 

São parecidos, mas não tenho a certeza se são família.

 

Mas só pode ser amor de mãe tatuado no braço.

 

P.A

 

 

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Este foi o quarto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana a Rita escolheu o tema. Podem ver como respondeu no blog dela.

Pronta para saber o que aí vem Rita?
Já que entrámos em 2018 e o tempo passa rápido. Que tal uma viagem ao passado?

Como era a Rita do ano 2000? Já lia? Já falava? Já pensava em dar workshops?


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Arrumar coisas faz mal à sua saúde

Já pensaram que espécie de ser humano supostamente evoluído nos transformamos quando estamos em arrumações?

Seja a fazer a mala, a empacotar coisas ou outra coisa qualquer que implique ter a de fechar no fim?

Se a coisa não corre logo bem, surge em nós um Hulk das arrumações. De repente só é possível arrumar por via da força. Por via do rebentamento do fecho. Hulk arruma. Hulk esmaga.

 

Anos e anos de evolução para subitamente, quando a mala não fecha à primeira, a única e pronta solução se resumir a fincarmos os dentes com força, inclinarmos a cabeça para dar aquela força extra, cerrar apenas um olho para parecer que estamos empenhados, e puxar o fecho com toda a pujança para que este consiga fechar finalmente lá dentro tudo o que queremos.

E quando, na maioria dos casos, bastava apenas usar o cérebro e ajustar o conteúdo para fechar melhor. Hulk não pensa.

 

Mas nem sempre é assim. E quando abrimos uma mala? Quando é a desarrumar?

Se a fechar nos tornamos num monstro verde sem cérebro, a abrir somos um pequeno pónei. Carinhosos e fofinhos.

 

Quando abrimos uma mala, o mundo é perfeito.

Temos todo um cuidado. Toda uma delicadeza. A roupa tem de ficar bonita. Bailamos enquanto o fazemos, até cantamos se for o caso. Os gestos são contidos e programados de forma a não danificar. Tudo é ponderado com suavidade. Delicadeza. Sem vincos ou dobras. 

É um prato gourmet, do qual somos o chef e que deve ser reservado à temperatura e local ideais.

 

Mas e depois? Quando voltamos a arrumar exactamente essa mesma mala?

O pequeno pónei dá lugar à besta. Dobramos, enfiamos, empurramos, esmagamos, saltamos em cima se for necessário. Forçamos os cantos e não interessa se é uma roupa de seda ou se é a camisa que a avó ofereceu que está por baixo. Nada. Tem é de caber. O caber torna-se numa obsessão. No único objetivo. Ficamos primitivos numa espécie de macaco Gervásio que tem de colocar os produtos no  sítio certo. Não interessa a forma. Só queremos a banana no fim.

O que antes era um prato gourmet passou a ser agora um bitoque sola de sapato, passado demais, que já devia estar na mesa há duas horas.

Enchemos tudo à bruta, descuidadamente. Até que chega a hora H. A hora da verdade.

Tentamos fechar. E não dá.

A primeira transpiração surge. Tentamos outra vez. Sem sucesso.

Os primeiros tiques nervosos começam a tomar conta de nós.

Voltamos a abrir. Tentamos pôr de outra forma. Não fecha na mesma. A nossa cor muda.

Repetimos mais duas, três vezes, nada.

Começamos a questionar a nossa vida miserável e gritamos:

"Mas isto para cá coube tudo!" , "Que fiz eu de errado nesta vida!?"

- Passam 15 minutos -

"Fechaaaa! Fechaaa!! Fecha Porra!!" - enquanto puxamos o fecho de dentes já cerrados

- Passam 25 minutos -

Estamos deitados na cama. A celebrar. Exaustos. Finalmente fechou.

 

Só que aquilo que era a nossa mala passou a assumir uma forma um pouco própria. Uma espécie de OVNI das malas de viagem. Que aparenta ser uma mala. Mas ao longe, não há certezas.

Mas coube tudo!

 

O macaco ganhou a sua banana e o Hulk foi embora.

 

Toda esta metamorfose. Toda esta paixão.

Foi exactamente o pelo que passei neste Dia de Reis.

 

Como um bom menino nascido nos anos 80, que teve religião e moral na escola somente pela viagem de estudo, não aprendi muito sobre os costumes natalícios, mas como sempre gostei muito de prendas, o Dia de Reis ficou. Assim como a particularidade de ser o dia em que se desfaz a árvore de Natal.

 

Mas, além de ser um puto dos anos 80, sou acima de tudo um bom português. Como tal, só a desfiz ontem. Fora de horas.

 

Só que não correu bem. Nada bem. Deu luta. Muita luta. E claro, a besta tomou conta de mim.

 

Provavelmente este Dezembro, no próximo Natal, voltarei a ter muito cuidado a tirá-la da caixa. Voltarei a ser aquele pequeno pónei dócil,  tal como o fiz em 2017.

 

Resta é saber se ainda será uma árvore por essa altura. Temo que não.

 

Certamente estará bem mais careca, a avaliar pelo Outono precoce que lhe causei ontem.

 

Mas coube na caixa!

 

 (imagem)

 

P.A


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Este Natal vi o Sozinho em Casa e não fez sentido

É verdade.

Não foi planeado. Aconteceu.

Este Natal tive o azar de ficar num lugar da mesa virado para a TV e de repente dou por mim a assistir a um dos filmes mais Natalícios de sempre. Não consegui evitar.

Eu sei que parece uma desculpa esfarrapada de um viciado em filmes que batem, mas prometi a mim mesmo que não faria aqui qualquer tipo de piadas, nem drogas nenhumas sobre o Macaulay Culkin.

 

Na realidade, nem foi o primeiro Sozinho em Casa. Foi a sequela. A SIC assim o ditou.

E foi exactamente por isso que pela primeira vez parei uns instantes e pensei no que se passa realmente neste filme de 1992.

 

E se o Sozinho em Casa fosse em 2018? Já pararam para pensar?

Provavelmente nem haveria sequela! Primeiro porque existe agora uma coisa chamada telemóvel. O rapaz ligava a descompor a mãe e já não ficava sozinho em casa.

Depois, mesmo sem telemóvel, a TVI descobria a situação, fazia uma grande reportagem em horário nobre sobre a problemática do abandono de menores e a mãe da criança era prontamente detida por negligência em 1º grau. Fim! Sozinho em casa 1 resolvido. Acabou a festa.

Nem haveria tempo para assaltos a moradias.

Ainda por mais, estamos a falar de uma mãe que já tinha a seu cargo 8 crianças! Já deveria estar mais do que sinalizada pela Segurança Social.

É o país que temos.

 

Mas voltando ao filme e ignorando o facto de nesta sequela a mãe voltar a "perder" exactamente o mesmo filho em 8, o que induz que se calhar até nem é assim tão involuntário da parte dela perder aquele, vamos tentar analisar o comportamento deste menor que vive sem qualquer tipo de referências parentais.

Primeiro, e isto tem de ser dito: O pai é um banana. É verdade! Tem 2 falas em cada filme.

A mãe por sua vez fala muito. Mas tem um problema, perde mais vezes uma criança de 10 anos do que as chaves de casa. Pode ser chato.

 

É portanto natural que esta criança sofra de graves problemas mentais. E sofre. Claro.

É que ao contrário das crianças da sua idade, este pequeno rebento quando olha para berlindes, não pensa em brincar com eles. Não. Pensa sim como podem ser bastante úteis se colocados à saída de uma banheira, ou perto de umas escadas para outras pessoas caírem.

Além disso acha normal e divertido mandar tijolos à cara de adultos.

E porque não electrificar uma porta? Eu próprio estava sempre a pensar nisso enquanto via o Rei Leão.

Tudo normal portanto. Uma criança de 10 anos vulgar, em pleno Natal.

 

Mas sabem o que mais assusta neste filme? Principalmente nesta sequela?

É que este pequeno psicopata loirinho tem dezenas de oportunidades para chamar as autoridades e informar que foi abandonado pela mãe. Mas não. Nem pondera essa hipótese.

Em vez disso, por sua iniciativa, resolve criar todas as artimanhas possíveis para viver à custa do cartão de crédito do pai, no hotel mais caro da cidade e criar novas e preocupantes armadilhas para voltar a torturar os mesmos delinquentes do primeiro filme.

A psicologia explicará melhor o problema desta família disfuncional, mas sabemos que algo está mal com um filho nosso quando este, com 10 anos, pensa em regar uma corda com um produto inflamável para depois, quando dois bandidos descem por ela, riscar um fósforo e dizer: Feliz Natal!

 

Um filme natalício. Dizem.

 

Mas o que mais adoro é a forma como termina. Sempre pleno de moral. 

 

E assim ao fim de 2 horas de violência pura de um menor sobre dois adultos, a família volta finalmente a unir-se numa imagem bonita de família feliz e de forte mensagem natalícia, em que a mãe delinquente abraça o seu filho psicopata, na presença do seu pai banana, sempre, mas sempre, calado.

 

Que comoção. Que bom o Natal. O Natal é isto!

 

Perfeito, perfeito, era só mesmo aparecer o Donald Trump!

 

 (imagem)

A sério?

 

Bom, uma coisa é certa, para o ano há mais...

 

Isto, se a segurança social deixar.

 

P.A.


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