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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A Parrachita

As histórias religiosas mais remotas remetem apenas para a presença de uma folha de parra, parrachita vá, como a primeira invenção de vestuário da humanidade.

No fundo, sejamos honestos, a folha nem teve assim tanto mérito, era simplesmente a que estava ali mais à mão e a que se ajustava melhor ao nosso corpinho [frase mais tarde utilizada em publicidade de produtos de intimidade feminina]. A parrachita servia então para tapar as vergonhas médio-fraquinhas de Adão e no caso de Eva, reservá-la dos olhares mais marotos do único homem que lhe puseram à frente para amar. O Tinder ainda não tinha a modalidade paga, uma vez que só existiam dois perfis e o Wi-fi era fraco porque o router tinha ficado no paraíso. E dali ainda dava, mas mal. Vá lá que ninguém mudou a pass.

 

Outro aspecto que pode chocar é que nesta altura não existia qualquer tipo de necessidade em tirar selfies. Não por não existir ainda essa tecnologia, mas sim porque não teriam a quem enviar. Embora até sentisse essa necessidade de se exprimir por ser o melhor homem do mundo, Adão, não via qualquer utilidade na selfie, nem em posts no Instagram acompanhados de hashtags como #AdaoTheFirstManOnTheWorld, #HatersGonnaHate ou #YesItsAParrachita. Aliás, muito do sucesso da parrachita nesses tempos advém claramente da ausência das tecnologias da informação. Sem meios de divulgação e sem críticos de moda, a parrachita lá foi aproveitando para conquistar o seu espaço no meio.

 

Mas não foi tudo um mar de parrachitas para estes dois. Nada disso, Adão e Eva ainda tiveram os seus problemas como qualquer casal normal e tentaram, também como muitos, mudar de ares para ver se lhes devolvia aquela chama inicial ou se o sinal do wi-fi melhorava. Mas a verdade é que Adão nunca engoliu bem aquela maçã.

De qualquer forma não há amor como a primeira parrachita e acabaram mesmo por juntar os trapos - expressão que usamos hoje também por culpa da parrachita. [trapo é uma parrachita velha, normalmente já amarelada, do uso ou do Outono]

O não ser possível trair, nem existirem ainda tampos da sanita para baixar, ajudou ao final feliz deste primeiro casal.

 

O que é certo é que o impacto da parrachita foi de tal forma marcante que ainda hoje podemos ver derivados de parrachita no mundo da moda, particularmente nas diferentes colecções de Fátima Lopes. Nada mais, apenas pequenos pedaços de parrachita, trabalhados genialmente pela Fátima por forma a cobrir a menor área possível de pele feminina. Mas sempre com a ressalva da patente [por royalties] criada por Adão para a sua parrachita: "Tem de cobrir sempre as vergonhas".

 

Além disso temos também Maria Vieira, que exactamente pelo seu tamanho de parra [não confundir com parva] e por conseguir ao vestir, transformar um top curto de Fátima Lopes num vestido comprido de gala, herdou essa mesma alcunha.

Se Maria Vieira tivesse nascido antes da folha de parra, hoje em dia teríamos imagens de Adão e a sua Maria Vieira a cobrir-lhe as vergonhas. Mas quis o destino que fosse ao contrário.

Da mesma forma que a parrachita também só proliferou na ausência de tecnologias da informação, a nossa parachita portuguesa, comprova agora que em contacto com as mesmas, sofre exactamente do mesmo mal. Sempre que se manifesta nelas, a coisa não corre bem. Mas não quero escrever sobre o Facebook, essa serpente que desafia constantemente a comer maçãs, não merece o meu tempo.

 

Uma coisa é certa, pelo constante aumento da temperatura e o encurtar de roupa que tenho assistido, creio que lá para 2045, seremos todos parrachiteiros outra vez.

 

E o Adão e a Eva a encherem os bolsos com a patente.

 

#ParrichitaAMillionDolarIdea

 

parrachita.png

 (imagem+imagem)

 

P.A


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Por favor não anulem o Exame Nacional de Português

Não sejam assim rígidos com a malta, vá lá, não façam isso. 

Então só porque dias antes do Exame Nacional de Português do 12º ano, circulou pelas redes sociais uma gravação de uma jovem que, pelo sotaque, deverá ter bastantes tios na família, com indicações relativas ao que estudar e por acaso acertou em todas, vamos logo anular o exame?

 

Eu gostava de vos ver a dizerem à pessoa que acabou de ganhar o euromilhões que afinal, como tinha uma explicadora comuna de uma amiga de uma amiga que lhe tinha dito umas coisas, o sorteio ia ser anulado.

 

Se andássemos agora a anular os exames todos por este motivo, como é que pessoas como a Maya, acabariam o secundário?

Vamos barrar-lhes assim a escolaridade obrigatória?

Só porque se souberem o signo do professor, desenham a carta astral e Júpiter lhes diz que vai sair Caeiro? 

Não faz sentido. E muito menos a Português.

É que na realidade até é preciso dominar bem a nossa língua para filtrar correctamente esta mensagem. O sotaque e o uso de palavras como "qué uma comuna" e "Albertu Caehiro" não estão aptas a qualquer estudante português. Por si só, se receberam esta mensagem e a perceberam na totalidade, já merecem boa nota. Parabéns.

 

Mas além de Caeiro e outros temas certeiros, a nossa amiga que para mim é a rapariga com mais minis oferecidas do momento, diz à malta para também treinar uma composição sobre a memória. Ora vamos lá a isso.

 

"Composição sobre a Memória"

"Caro avaliador,

A prova que tenho boa memória é que como já sabia que ia sair esta composição, escrevi-a em casa primeiro.

A prova que tenho má memória é que mesmo assim, não me lembro. Tenho de ler da cábula.

O meu médico diz que é selectiva, mas eu continuo a achar que é do Limiano.

Devia ter feito a cábula com fonte - tamanho 8.

Não me lembro do resto.

"

 

Além desta composição ainda existe mais um tema, alerta a nossa amiga para: "A importância dos vizinhos no combate à solidão".

 

"Composição sobre o papel dos vizinhos no combate à solidão"

(mudei o titulo só para disfarçar, "papel" em vez de "importância", ninguém irá desconfiar assim.)

 

"A minha vizinha é muito importante para mim. Mas não é a do meu prédio. É a do FarmVille. 

Sem ela estaria hoje muito pior. Seria uma pessoa bastante mais nervosa e quiça só.

Graças a ela, recebi uma gravação e não fazia ideia que ia sair esta composição.

Pelo que concluo assim, caro avaliador do exame nacional de português, que ter vizinhos é muito importante e bonito na nossa vida, e ajuda bem mais nos exames nacionais do que na solidão."

 

E pronto chegamos à frase de despedida:

"Se isto não sair, eu não tenho nada a ver com isto!"

 

Pronto, ainda bem. Saiu.

 

 (vídeo sapo)

Até na despedida acertou.

Fico com dúvidas se será realmente amiga da amiga que tem a explicadora comuna no sindicato dos professores ou simplesmente uma grande filha da Maya. 

 

P.A


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Hoje não vou ver o Telejornal

Sim é verdade hoje não vou ver o Telejornal.

E não, não sou contra nada. Nem contra nenhum canal ou programa.

Nada disso, aliás esta deve ser a primeira vez que o farei em muito tempo, mas depois de ontem percebi finalmente quem já me tinha tentado alertar.

 

Ontem tive especial atenção ao que passou a ser um telejornal de um canal português. Ontem consegui sair do transe que o tsunami da tragédia, que nos é oferecido, nos faz paralisar e consegui ter lucidez para parar um pouco e apontar o que aconteceu.

É natural que o foco seja Pedrogão Grande. É perfeitamente natural que assim seja, afinal de contas é um programa informativo e infelizmente estamos perante uma tragédia nacional. Mas o que é ser informativo?

A boa informação é aquela que completa e informa quem a recebe, não pode ser um cocktail de imagens e informações trabalhadas para chocar quem vê e ser apenas esse o motivo de ficarem marcadas na nossa mente.

 

E é exactamente por este malabarismo informativo que ontem anotei como nos foi apresentado um telejornal nacional. São anotações, mais ou menos precisas, não é isso que importa aqui, sobre a sequência de "headlines" que nos foi apresentada, a partir das 20 horas, num canal aberto português:

 

Início do Telejornal

 

20:00 - Primeiras letras gordas: "63 mortes confirmadas no incêndio em Pedrogão";

(o texto manteve-se visível durante cerca de 8 minutos enquanto se apresenta uma espécie de resumo de imagens do dia e dos focos de incêndio)

 

20:08 - O Título é alterado para "64 mortes confirmadas no incêndio em Pedrogão";

(somos informados em directo que existiu mais uma baixa - o texto manteve-se intercaladamente visível durante uns incríveis 35 minutos)

 

Intervalo 

 

20:48 - "Hermínio Loureiro Detido" - suspeitas de corrupção e tráfico de influência;

20:49 - "Militar Português morre no Mali";

20:51 - "Incêndio em Lisboa faz 2 mortos";

20:53 - "Dois corpos encontrados em Lagos" - Descoberta Misteriosa;

20:55 - "Cadáver encontrado em Espinho";

20:55 - "Ataque em Londres" - faz um morto;

 

Foram 10 minutos de pausa na tragédia de Pedrogão Grande, com referência a 7 mortes e uma corrupção.

Intervalo por favor.

 

20:58 - Mas não veio. Adivinhem quem voltou a aparecer:  "64 mortes confirmadas nos Fogos";

 

21:07 - Uma hora depois do início, surge finalmente uma notícia informativa e de louvar - Reforços no Combate aos Fogos;

Todo o plano nacional e internacional para o combate aos fogos no nosso país é apresentado em menos de 1 minuto.

Boa capacidade de síntese. Nuno Luz gostaria certamente de ter este dom para sobremesas.

 

21:08 - "Passos Coelho sobre o Incêndio" - "Terá de ser feita uma avaliação política, mas não agora.";

Provavelmente foi fortemente questionado e teria sempre de responder, mas não deixa de ser mais uma bela notícia/intervenção relevante. "Politicamente" incorrecta talvez.

 

21:09 - "Incêndio em Pedrogão Grande" - "Regresso a casa depois do fogo";

Mais histórias de quem perdeu muito, se não tudo.

(Mas porque é que me meti nisto de apontar...)

 

21:17 - Adivinhem: "64 mortes confirmadas nos Fogos";

Acompanhado agora pelo discurso emocionado do Presidente da República em Castanheira de Pêra.

 

21:20 - "A tragédia em Pedrogão Grande" - "A tragédia lá fora";

Aqui apresenta-se o resumo dos artigos estrangeiros referentes à nossa tragédia. 

21:21-  Um minuto depois, adivinhem: "64 mortes confirmadas nos Fogos";

 

(21:23: O som não é cortado e ouvimos algo extremamente importante como: "malta acabei de saber que ele (Presidente da República) agora vai para!...." e cortam o som. Percebo que tenham de seguir o Presidente, sinceramente percebo, mas é pouco simpático tanta ânsia apresentada pela jornalista, dado o contexto.)

 

21:24 - Meteorologia - Finalmente uma lufada de ar, neste caso, quente, afinal o cenário irá-se manter nos próximos dias, mas dá para respirar um pouco para o que vem a seguir. É que ainda não acabou...

 

21:25 - Surgem os créditos do telejornal com imagens e sons de sofrimento de pessoas desamparadas, no chão, desesperadas, que perderam tudo. Não foi um bom filme;

 

FIM de um telejornal português.

 

- Uma hora de Pedrogão Grande em que apenas alguns minutos foram de facto relevantes para que este pesadelo acabe.

 

Obrigado ajuda externa, foi bom saber.

Obrigado pela a única boa informação que me lembro.

 

(imagem)

 

P.A


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Portugal é isto

Agradeço as mensagens que tenho recebido. É de facto mais um belo exemplo da solidariedade portuguesa, esta afluência de doações anónimas em diversas corporações nacionais. De tal forma que agora foi atingindo um ponto em que já não está a ser possível libertar recursos para gerir tal caudal solidário.

 

Pelo que, caso pretendam contribuir, poderão fazê-lo por via do seguinte NIB de apoio às vitimas:

 

Conta Solidária da CAIXA Geral de Depósitos

IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42


Ou pela campanha de crowdfunding para ajudar, criada por ontem por um cidadão, na plataforma PPL:

https://ppl.com.pt/pt/causas/ajuda-pedrogao


Ou ainda para ajudar os animais, também eles vítimas do incêndio, podem ligar para a VetFigueiró (924 142 777) questionando o que necessitam.

 

 

Portugal é Eurovisão, Portugal é Euro, mas acima de tudo, Portugal é isto.

 

Obrigado colegas deste pedaço de terra.

 

Não me apetece falar de trivialidades por estes dias.

 

P.A


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Eu sou Bombeiro

De acordo com o site da Infopedia, ser Bombeiro é:

 

  1. Membro de uma unidade operacional tecnicamente organizada, preparada e equipada para cumprir diversas missões: combate e extinção de incêndios, operações de salvamento, etc.;
  2. MILITAR antiquado indivíduo responsável pelo disparo de bombas; artilheiro;
  3. Brasil profissional que instala ou conserta sistemas de canalização, equipamentos sanitários, etc.; canalizador;
  4. Brasil MILITAR espião do campo inimigo;
  5. Brasil aquele que espia outrem;
  6. Brasil jocoso criança que urina na cama durante a noite;

 

Pedrogão Grande - membro de uma unidade operacional com escassos meios e perante um dos maiores fogos dos últimos tempos em território nacional.

 

Apagar este fogo e evitar que esta tragédia seja ainda maior é, acima de tudo, uma prova de perseverança e resistência humana.

Vamos ajudar os bombeiros! Vamos ser bombeiros!

 

Para tal, basta dirigirem-se ao quartel mais próximo com alguns destes mantimentos, a verde:

 

 (imagem retirada da página facebook da Corporação de Paço de Arcos)

 

P.A


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Roaming, o Bebé que cresceu das Operadoras

Imagine que eu sou dono de uma quinta e você é de outra. Eu tenho uma antena no meu quintal e você outra no seu.
Entretanto um dos meus familiares mais curioso, a dar a volta à minha quinta, entra na sua área e é apanhado pela sua antena. O chip do cartão SIM diz que ele é meu familiar e você recebe o alerta da sua antena. No outro dia vem-me tocar à campainha, a perguntar, e com razão:

"Oh amigo, afinal que vem a ser isto?"

Se você e eu fossemos, de facto, essas pessoas acredito que, em nome da boa vizinhança, conseguiríamos acordar algo como: "Olhe aqui é tudo malta de bem, vamos permitir, mas sempre controlando para evitar abusos. Não vá uma quinta ficar mais pisada que outra. E isso, claro, não podemos permitir".
 
Mas na realidade não foi bem assim que aconteceu.
 
Terá sido algo como isto:
"Oh vizinho entre lá aqui que temos de falar."
"Olhe, estive aqui a pensar nisto a noite toda e que tal cada um de nós receber uma taxa sempre que a nossa antena apanhar alguém que não é de cá?"
"Eh pá óptima ideia caro amigo! Vamos lá ganhar uns trocos os dois!" - Responde o vizinho já nada chateado.
 
E assim nasceu o bebé mais querido de sempre, o Roaming.
 
Só que ontem, dia 15 de Junho de 2017, o bebé que entretanto já é adolescente, fugiu. Fugiu de casa e mudou de nome para "Roam Like At Home". 
 
É compreensível que os pais fiquem preocupados.
 
Desde ontem que, enquanto viajar na Europa, paga o mesmo se estivesse por cá. O problema do "não me ligues" ou "não me envies SMS 
agora", "que senão eu pago um jantar no Belcanto", fica assim finalmente resolvido por esta velha Europa fora.
Para efeitos de mensagens e chamadas para a mãe, apenas para dizer "Sim, chegámos bem", ir a Amesterdão passa a ser como ir ali ao mercado do Bolhão. Na realidade, em qualquer dos casos, a nossa mãe ligaria na mesma.
 
No entanto, ninguém me tira a ideia que tal necessidade veio de um deputado europeu que por azar tem uma mãe de dedo bastante nervoso no que trata a ligar. Eles ganham bem, mas o bebé Roaming alimenta-se melhor.
 
E os namoros à distância? Esses que viam no Roaming um dos seus maiores inimigos, agora só têm de se preocupar com aquela colega dele ou dela, nativa, do trabalho, que está sempre a perguntar como se chamam os objectos típicos das Caldas da Rainha. E para que servem.
 
 
Bom, mas vamos analisar alguns pontos que saltaram à vista com esta fuga e mudança de nome do Roaming:
 
Citações retiradas deste artigo
"A partir desta quinta-feira, os cidadãos europeus pagam pelas comunicações móveis o mesmo que pagariam no país de residência enquanto viajam na União Europeia. O regulamento é apelidado de Roam Like At Home e visa baixar os preços das telecomunicações no mercado de retalho." 
 
Ora como reza um velho ditado português, "Quando a esmola é grande...
 
"Na opinião das operadoras, a medida é desequilibrada em relação aos vários Estados-membros. Alertam que Portugal recebe mais turistas do que o número de portugueses que viajam para o estrangeiro com frequência. Por isso, poderão ter de investir no reforço das redes, não estando afastada a hipótese de o custo ser passado para o consumidor final. Uma subida dos preços, a acontecer, não deverá ser surpresa." 
 
... o pobre desconfia!"
 
 
Têm toda a razão caros encarregados de educação do Roaming. Concordo. Como disse, claro que devem estar preocupados.
 
Então estes anos todos de Roaming em que estiveram, alegadamente [adoro esta palavra], a receber exactamente essas taxas a mais que os restantes países, porque os portugueses não viajam tanto e Portugal tem bem mais turistas, desapareceram? Não foram investidas na quinta? É que mesmo com esse extra que o Roaming dava a Portugal, mesmo assim, ainda somos actualmente quem tem dos tarifários mais caros da Europa. De facto faz sentido estarmos todos preocupados.
 
E há outra parte que concordo plenamente convosco. Estando esta medida em negociação há 10 anos, sim, 10 anos, são apanhados de surpresa ao ponto de terem de recorrer à primeira medida conhecida: Aumentar os tarifários?  Dez anos de planeamento/gestão reduzidos a uma decisão de "Ah o Joãozinho tirou-me a bola, agora ...."
 
Va lá, deixem o rapaz crescer.
 

Caro Roam Like At Home, boa sorte. Espero que dês um bom adulto.
 
 

 
P.A

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Os Taxistas na noite de Santo António

Antes de mais, devo dizer-vos que esteve uma noite fantástica na noite de Santo António em Lisboa. Temperatura perfeita, ambiente de festa e uma conhecida minha a tirar imperiais na tasquinha. Perfeito! Conseguimos reunir todos os ingredientes necessários para uma grande festa.

Mas o problema nem foi a festa em si. O problema foi sair dela.

 

Imaginem por momentos que são 4 da manhã e estão a 4 quilómetros de casa, acompanhados, e que alguns elementos do vosso grupo estão cansados, incapazes de assumir tal caminhada. Subitamente avistam ao longe uma fornalha de táxis com a sua luz verde, de salvação, ligada. Que sorte! 

Nunca estive perdido no deserto, mas será certamente um sentimento idêntico ao de observar um pequeno oásis lá ao fundo. Só que com menos bigode.

 

Chegámos e abordámos de imediato o táxi mais próximo. Mas antes que conseguisse abrir a porta [que estava trancada], pergunta-me prontamente o senhor taxista: "Para onde querem ir?"

Digo-lhe o destino.

"É muito curta a viagem de carro. Não podem entrar!"

Fecha o vidro e avança ligeiramente o carro como se eu fosse um insecto prestes a invadir o seu espaço. Ah que maravilha, eu, o melga, obrigado por me fazer sentir assim.

 

Bem, mas não vamos estar já a caracterizar toda uma profissão, apenas porque um inegrume está mal disposto ou que ao invés de perceber que está a lidar com pessoas, pensa que afinal transporta apenas euros.

Meu caro amigo, você devia era dedicar-se à sua real vocação: Transporte de valores. Vá por mim. Nasceu para isso.

 

Aproximamo-nos então do segundo taxista. Vou para falar e surge exactamente o mesmo texto. E porta trancada também.

 

Mau, então afinal queres ver que eles dão isto lá na escola?

Deve ser na disciplina de "Como publicitar a UBER" certamente. Alunos de 20 aqui. Servido pelos melhores. Que orgulho. Assim vale a pena!

Face a nova resposta torta de um senhor taxista, eu, ligeiramente agastado, pergunto "Olhe, por acaso não tem livro de reclamações?"

A resposta foi rápida:

Um pé a fundo no acelerador que me obrigou a retirar a cabeça rapidamente da janela do táxi. Caso contrário estaria, neste momento, pela certa, a escrever-vos da sala de estar do meu dentista.

Ai estes taxistas, era uma piada! Eu não ia mesmo escrever! Mentira, ia.

Ai esta malta sem sentido de humor! E aparentemente sem livro de reclamações, também.

 

Bom. Hora de apontar ao terceiro taxista. Isto foi só azar, este terceiro tem cara de ter chumbado no curso. Agora é que é.

 

Mas este, mal viu o seu colega a acelerar depois de falar comigo, foi bem mais prudente.

Antes que tivesse de me mostrar que afinal era mesmo bom aluno e dono do diploma de 20 valores em "A UBER é muito melhor", optou por desligar as luzes de serviço, numa espécie de mecanismo de defesa, digna de um texto do grande orador da BBC Vida Selvagem [Eduardo Rêgo]:

"A espécie taxista, para sobreviver na natureza, adapta-se ao meio ambiente, desenvolvendo esta fabulosa arte de camuflagem/simulação de morte. Este acto de camuflagem ou de se fazer de morto, é representado pelo acto de desligar as luzes de serviço e de seguida ficar imobilizado a olhar para o infinito, ignorando totalmente quem lá está fora. Desta forma consegue fugir aos seus predadores, os clientes indecentes, que moram a menos de 4 km e lhe querem pagar apenas 8 euros pela viagem."

 

A sério. Eu que os veja a abanar carros da UBER outra vez. Isso sim foi vida selvagem. 

 

Va lá que aquilo das meninas virgens serem violadas que disseram, até faz sentido. Como vos disse, caros leitores, nem tudo é mau.

 

Relativamente à UBER, o serviço estava com algum tempo de espera, o que cada vez percebo mais, dado o comportamento dos camaleões/simuladores taxistas que acabara de conhecer. No entretanto, enquanto decidíamos o que fazer, passa por nós um autocarro da Carris que nos deixaria a apenas 1 km de casa. Já era uma pequena vitória.

 

E assim foi.

 

Obrigado CARRIS, afinal eras tu o oásis.

 

 (imagem)

 

P.A

P.S - Caro leitor, caso esteja ainda a pensar no assunto. Sim, é irónica a frase onde concordo que as virgens que devem ser violadas. Claro que é. Até porque na realidade existem 12 signos e seria uma forma bastante racista de ver a coisa.


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As Pontes e os Santos Populares

A espera acabou. Chegou oficialmente a melhor semana do ano para os Lisboetas.

 

Desta vez houve forte concorrência, um tal de Salvador Sobral, um líder espiritual e uma lambreta de um certo Eliseu uniram-se para tentar mudar a preferência do Lisboeta. Mas o feriado móvel do Corpo de Cristo, devolveu a vitória semanal, já em prolongamento, à semana do costume.

Afinal de contas, o português gosta mais de 2 pontes na mão do que 2 troféus e 2 beatificações em Portugal.

 

Mas esta semana não se fica por aqui. Além deste marketing agressivo de engenharia não-laboral, ainda oferece uma espécie de queima das fitas intergeracional. Falo-vos, claro, dos Santos Populares.

Temos desfile, temos cerveja e temos mixórdia. A diferença é que podemos encontrar a nossa avó lá.

 

Pois.

 

Mas não se preocupem. Normalmente a coisa até corre bem. Existem zonas geracionais e até estamos naturalmente programados para que corra tudo bem, ora vejam:

 

Os mais seniores levam a sua cadeirinha e vão apenas para comer descansadamente a sua sardinha e assistir ao desfile das marchas lisboetas. Mas sempre com aquela esperança de poderem ver finalmente o Malato ao vivo.

 

Os mais novos, aproveitam a desculpa para saírem de casa com os pais, sempre muito bem comportados e donos de grande amor pelos progenitores, exclamando uma ou duas vezes frases como: "Adoro jantares familiares destes papá!". No entanto, na primeira oportunidade, desaparecem "porque o Tó disse para ir ali ter com ele" para poderem saber pela primeira vez como é afinal esse famoso Bairro Alto que os mais velhos tanto falam.

 

E os semi-cotas, pré-seniores e ex-adolescentes, que andam ali pelo meio?

Tirando os solteiros que descobriram o Tinder e desesperam de braço no ar por rede, os restantes vão aproveitando o tempo que lhes resta no meio da multidão antes de começarem a sentir que aquela zona já não é para eles. 

 

É que a idade é o inverso do Malato.

Com o tempo, pesa mais.

 

 

(imagem)

 

P.A 

 

P.S - Eu falo por mim. Por vergonha, não levo o banquinho.


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Oh sócio, tens um euro?

Pela certa já ouviram isto alguma vez na vida. Pela certa também, ou já estariam em apuros, ou acabaram simplesmente de estacionar o carro na área de actuação de um arrumador certificado.

 

Se antigamente víamos senhoras de idade em praças lisboetas distribuindo caridade em forma de pequenos pedaços de pão, numa espécie de ritual de invocação de demónios pombalinos que depois acabavam invariavelmente por "possuir" essa mesma idosa, agora qualquer área de estacionamento é atormentada pelo espírito do arrumador.

A migalha de pão é agora a moedita para o café ou "Para comer qualquer coisita, senhor." Se outrora a invocação pombalina resultava em danos defecários no chassi dos automóveis mais próximos, agora é ao contrario. Aderimos ao novo ritual exactamente para evitarmos danos sérios no chassi do nosso carro. Caso contrário, o arrumador ainda nos autografa o carro com a caneta com que abre a porta de casa. 

 

O que é certo é que este clima de intimidação disfarçado de solidariedade, criou uma espécie de obrigação moral em que temos de dar sempre a tal moedita. Como se estivéssemos a pagar ao senhor que ia riscar o nosso carro, até aqui tudo normal, porque é o trabalho dele, para ele nos proteger dele próprio. Faz sentido.

 

"Oh P.A, mas é um acto de solidariedade!" -  Concordo, é solidário, mas para com o nosso carro. Experimentem tirar o carro da equação e vejam lá que solidariedade sobra. Essa mesmo. A do Trump.

 

No fundo era como se a Maria Leal chegasse ao pé de vocês e vos pedisse uma moeda para não cantar. Lá está, eu pagaria.

Ou os D.A.M.A deixarem de conjugar mal os verbos por uns trocos. Pagaria também.

Ou até mesmo subir a parada para 1 euro só para mudarem, à revelia, a password da Maria Vieira do facebook. Pagava na hora.

 

Mas ainda sobre este assunto, tive de tomar ontem uma decisão bastante séria: Só tinha 1 euro na carteira, ou estacionava o carro ou comprava o Banco Popular.

 

Estacionei. Ficou o arrumador com o banco.

 

 (imagem)

 

P.A

 

(Bem que podiam ter feito umas 20 trancheszinhas de 5 cêntimos, mas não. País de ricos.)


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Desculpa Primark...

Penso que já seja conhecida a minha opinião sobre uma determinada marca que é caracterizada pela capacidade de encher toda a área adjacente à sua entrada, na sua maioria com elementos do sexo masculino. Ali ficam horas, meditando sobre a vida, ou apenas topando as leggings das madames que vão entrando. Mas esta parte eu até já aceito como normal. [a parte das leggings, a da espera não]

Basicamente é o mesmo quando estamos angustiados por saber que temos de esperar 2 horas por vocês, mas depois olhamos e vemos que vai começar um jogo da Champions. E de repente o mundo é perfeito outra vez. Mandamos prontamente uma SMS a avisar que podem estar à vontade. As leggings não duram 2 horas, mas entretem.

 

Com toda esta espera sem Champions que tenho no currículo, eu, nas minhas meditações, até já pensei em abrir negócio.

Já pensei em abrir uma tasquinha em frente a cada Primark. A "Pri-tasca". Que maravilha seria! É que a entrada da Primark é basicamente o mesmo que o Alto dos Moinhos num dia de jogo do Benfica. Só temos homens e no mínimo vão para lá para esperar umas 2 horas, não menos. Acreditem que a sandoxa, a bifana e o jornalzinho, iam vender.(interessados em parcerias contactar: professorDeA@sapo.pt)

 

Mas vamos ao que interessa. Além de todo este historial entre mim e esta marca que disseca o macho alfa que nos habita, então não é que agora se lembraram de criar uma gama de noivas?!

NOIVAS?? A sério??? Epa, não me façam uma coisa destas! Estava um gajo sossegado!

É bonequinhos para o bolo, é bonequinhos para a mesa, é decoração, é vestidos, é BOUQUETS!!

 

BOUQUETS! MEUS AMIGOS! BOUQUETS!

 

Cara Primark, desculpa lá os meus posts anteriores. A sério. Era a brincar.

Não era preciso levares tão à letra. Não tenho problema em admitir: A culpa é minha, não é tua.

Podemos ser amigos?

Mas não te metas nestas coisas do casamento, está bem? Podes ficar com a casa, com o carro... mas não fiques com ele.

Vá lá, tira lá os bouquets e essas coisas casamenteiras das prateleiras. Os homens já ficavam à porta antes, agora além de perderem horas de vida que podiam gastar perfeitamente na fila da segurança social, depois de 2 horas de suplício, ainda têm de ver a namorada a chegar com um bouquet na mão??

 

Não há coração para isto!

 

 (imagem)

 

P.A

 

Para verem que estou disposto a fazer as pazes até deixo aqui um link (de outro blog muito conhecido aqui do sapo) para ti querida e fofa Primarkzinha do meu coração!

 

Beijinho no ombro, Amiga.

 


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