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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A Rapariga no Autocarro

Finalmente a semana passada passou.

 

Finalmente porque foi uma semana longa, cansativa e desgastante. Mas felizmente nem tudo foi mau.

A avaliar pelo título, o texto de hoje podia ser uma versão Lisboa Viva do livro < A Rapariga do Comboio > de Paula Hawkins. Ou um claro apelo ao uso da Carris sobre a CP. Mas na realidade só o estou a escrever, não pela referência ao livro, ou para alimentar derbys lisboetas de transportes públicos, mas sim pela rapariga que conheci esta semana.

 

Ao longo da nossa vida, muitas são as raparigas no autocarro que conhecemos. Mesmo sem nunca falarmos, muitas são as pessoas que cruzam diariamente rotinas connosco, umas que nos apercebemos primeiro, outras que se apercebem antes de nós próprios. Vamos coleccionando caras, aprendendo a reconhecê-las nos dias seguintes. Seja desde novos a caminho da escola, seja depois para a faculdade ou trabalho. Quem não tem a memória daquele senhor ou senhora que surge, todos os dias, no mesmo metro/autocarro/rua, na mesma carruagem e, se possível, sempre no mesmo lugar? Ou, para quem faz esta travessia, sempre no mesmo barco, a caminho de Lisboa?

Quem nunca fixou a cara de uma pessoa que se cruza consigo todos os dias na rua? 

 

Esta semana "conheci" a rapariga no autocarro. E ela "conheceu-me" a mim.

 

Esta semana chata e cansativa que me obrigou a esticar horários, a ligar noites com manhãs e manhãs com noites fez com que chocasse pela primeira vez com outras rotinas, com outras pessoas.

 

Neste novo horário cruzei-me pela primeira vez com ela. Passo todos os dias por aquela escola mas normalmente já deu o toque de entrada. A semana passada não. Fui bem mais cedo.

 

Tão cedo que o autocarro de transporte de alunos que nunca antes tinha visto, estava ali parado, bem em frente à escola, de porta aberta e com o motorista a preparar a rampa para poderem descer os alunos. Sendo novidade, acabo por olhar por aquela porta aberta e lá estava ela, sentada na sua cadeira de rodas, à espera da sua vez. À espera de ajuda para ir à escola.

 

Olhou-me também. E dos seus não mais de 10 anos de idade sorriu e acenou-me.

 

Eu estava cansado, exausto do fim-de-semana, também ele passado a trabalhar, mas ali, naquele instante, passou.

Sorri quando nem pensava em sorrir. Sorri quando há dois segundos atrás só pensava no dia chato que me esperava.

 

Sorri e acenei de volta.

Ela riu. E eu ri.

 

No dia seguinte, repetiu-se. Voltámos a cruzar-nos agora já cá fora e reconhecemo-nos. Toca a acenar e a sorrir com fartura!

 

Quarta-feira vi o autocarro a chegar e fiz questão de abrandar o passo e com isso perder, para ganhar, uns instantes. Ela viu-me pela janela e de lá acenou. Acenei de volta. 

 

Quinta-feira, não a vi.

 

Sexta-feira, perguntei-lhe o nome.

 

Obrigado Inês.

 

 (imagem)

 

P.A


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Os Taxistas na noite de Santo António

Antes de mais, devo dizer-vos que esteve uma noite fantástica na noite de Santo António em Lisboa. Temperatura perfeita, ambiente de festa e uma conhecida minha a tirar imperiais na tasquinha. Perfeito! Conseguimos reunir todos os ingredientes necessários para uma grande festa.

Mas o problema nem foi a festa em si. O problema foi sair dela.

 

Imaginem por momentos que são 4 da manhã e estão a 4 quilómetros de casa, acompanhados, e que alguns elementos do vosso grupo estão cansados, incapazes de assumir tal caminhada. Subitamente avistam ao longe uma fornalha de táxis com a sua luz verde, de salvação, ligada. Que sorte! 

Nunca estive perdido no deserto, mas será certamente um sentimento idêntico ao de observar um pequeno oásis lá ao fundo. Só que com menos bigode.

 

Chegámos e abordámos de imediato o táxi mais próximo. Mas antes que conseguisse abrir a porta [que estava trancada], pergunta-me prontamente o senhor taxista: "Para onde querem ir?"

Digo-lhe o destino.

"É muito curta a viagem de carro. Não podem entrar!"

Fecha o vidro e avança ligeiramente o carro como se eu fosse um insecto prestes a invadir o seu espaço. Ah que maravilha, eu, o melga, obrigado por me fazer sentir assim.

 

Bem, mas não vamos estar já a caracterizar toda uma profissão, apenas porque um inegrume está mal disposto ou que ao invés de perceber que está a lidar com pessoas, pensa que afinal transporta apenas euros.

Meu caro amigo, você devia era dedicar-se à sua real vocação: Transporte de valores. Vá por mim. Nasceu para isso.

 

Aproximamo-nos então do segundo taxista. Vou para falar e surge exactamente o mesmo texto. E porta trancada também.

 

Mau, então afinal queres ver que eles dão isto lá na escola?

Deve ser na disciplina de "Como publicitar a UBER" certamente. Alunos de 20 aqui. Servido pelos melhores. Que orgulho. Assim vale a pena!

Face a nova resposta torta de um senhor taxista, eu, ligeiramente agastado, pergunto "Olhe, por acaso não tem livro de reclamações?"

A resposta foi rápida:

Um pé a fundo no acelerador que me obrigou a retirar a cabeça rapidamente da janela do táxi. Caso contrário estaria, neste momento, pela certa, a escrever-vos da sala de estar do meu dentista.

Ai estes taxistas, era uma piada! Eu não ia mesmo escrever! Mentira, ia.

Ai esta malta sem sentido de humor! E aparentemente sem livro de reclamações, também.

 

Bom. Hora de apontar ao terceiro taxista. Isto foi só azar, este terceiro tem cara de ter chumbado no curso. Agora é que é.

 

Mas este, mal viu o seu colega a acelerar depois de falar comigo, foi bem mais prudente.

Antes que tivesse de me mostrar que afinal era mesmo bom aluno e dono do diploma de 20 valores em "A UBER é muito melhor", optou por desligar as luzes de serviço, numa espécie de mecanismo de defesa, digna de um texto do grande orador da BBC Vida Selvagem [Eduardo Rêgo]:

"A espécie taxista, para sobreviver na natureza, adapta-se ao meio ambiente, desenvolvendo esta fabulosa arte de camuflagem/simulação de morte. Este acto de camuflagem ou de se fazer de morto, é representado pelo acto de desligar as luzes de serviço e de seguida ficar imobilizado a olhar para o infinito, ignorando totalmente quem lá está fora. Desta forma consegue fugir aos seus predadores, os clientes indecentes, que moram a menos de 4 km e lhe querem pagar apenas 8 euros pela viagem."

 

A sério. Eu que os veja a abanar carros da UBER outra vez. Isso sim foi vida selvagem. 

 

Va lá que aquilo das meninas virgens serem violadas que disseram, até faz sentido. Como vos disse, caros leitores, nem tudo é mau.

 

Relativamente à UBER, o serviço estava com algum tempo de espera, o que cada vez percebo mais, dado o comportamento dos camaleões/simuladores taxistas que acabara de conhecer. No entretanto, enquanto decidíamos o que fazer, passa por nós um autocarro da Carris que nos deixaria a apenas 1 km de casa. Já era uma pequena vitória.

 

E assim foi.

 

Obrigado CARRIS, afinal eras tu o oásis.

 

 (imagem)

 

P.A

P.S - Caro leitor, caso esteja ainda a pensar no assunto. Sim, é irónica a frase onde concordo que as virgens que devem ser violadas. Claro que é. Até porque na realidade existem 12 signos e seria uma forma bastante racista de ver a coisa.


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