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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Cuidado, hoje é dia de se levar a mal

Se ontem foi terça-feira de Carnaval e ninguém levou nada a mal, hoje, e apenas 24 horas depois, já não é bem assim. 

Cuidado. É que já se voltou a levar a mal.

Por exemplo, se hoje a sua chefe de escritório lhe aparecer à frente vestida de enfermeira, já não é a brincar. É assédio.

Ou se aquele seu colega ateu aparecer vestido de padre no trabalho, já não é a brincar. É blasfémia.

Ou se por exemplo, filmar uma criança a fazer birra e uma super psicóloga de óculos aparecer e mandá-la sentar-se no banquinho do castigo, também já não é a brincar. É proibido.

 

Ou até mesmo se tiver o grande "azar" de se cruzar com uma senhora sem roupa na rua, apenas com tinta no corpo, a dançar, para não ter frio...Bem, hoje já é outra coisa também.

 

Até a EMEL mudou. Hoje, já multa outra vez.

 

Enfim, o dia de Carnaval quer queiram, quer não, é um dos dias mais importantes da nossa sociedade. Primeiro porque funciona como uma espécie de cartão de "Está livre da prisão" em que é permitido sair da casca e fazer algumas coisas que não nos são normalmente permitidas. [sem consequências de maior]

Depois porque é um dos principais responsáveis pelo pico de nascimentos em Outubro e Novembro.

E o Portugal envelhecido agradece.

Sem consequências de maior.

 

Além disso, é a única notícia de Esposende que se tem por ano. Tenho lá amigos e é bom saber que estão bem. 

 

Mas este agendamento de 2018 foi terrível. O algoritmo do dia de Carnaval fez asneira.

E da grossa.

É que por consequência hoje é dia de recuperação da galhofeira de ontem. De voltar aos eixos. Mas também de estar cansado e cheio de olheiras. É dia de se levar a mal, estar feio, farto e de querer estar mas é sossegado.

Não é dia para ir comprar corações fofos vermelhos. Nem rosas perfumadas. Ou escolher um local romântico para jantar, quando está previsto que se vão perder os sentidos pouco depois das 21h.

 

 

Que ideia foi esta de marcar o dia de Carnaval para a véspera do dia dos Namorados?

Que tipo de humor sádico é este?

 

É que nem era preciso ter sido Carnaval ontem.

Ser dia dos Namorados é já peso suficiente para suportar.

 

Mas pronto, se calhar também não é bem assim.

 

Sou só eu hoje, a levar isto tudo a mal.

 

 (imagem)

 

 

P.A


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Palavras Cruzadas - Qual é o seu tipo de pessoa?

Ao longo da nossa vida vamos olhando para o que nos rodeia, sempre com um espírito crítico de análise, de tomada de decisão sobre algo que se passa, tentando sempre pensar bem, ponderando, para assim, por fim, tomar uma posição. A nossa posição.

A "alegadamente" correcta.

Depois de a elaborarmos podemos elogiar, ou cortar a direito na casaca, ou até mesmo em casos de sedução avançada, se nos agradar, piscar o olho de forma sedutora [coisa que nunca consegui concretizar sem me perguntarem se estava bem] ou então optamos por ignorar aquela frenética dança do amor daquele parceiro/a mais pateta que não nos interessa assim tanto e seguimos a nossa vida.

Enfim, uma paleta de situações e acções que poderia continuar aqui a conjugar no gerúndio apelando às minhas ligações alentejanas, mas que ao fim ao cabo resultam naquilo que nos caracteriza e define como indivíduos. Aquela coisa a que vulgarmente chamamos de personalidade. Essa colectânea de atitudes que nos define.

 

Na realidade tudo o que nos rodeia resulta em primeira instância numa divisão em dois. Dois tipos de pessoas. O chamado peixe ou carne. Não me venham com as 50 Sombras de Grey ou como se diz em português do Brasil, 50 tons de cinza, que ali é que não há mesmo dúvidas. O homem é maluco, pronto. Não são tons de cinza. São alguidares de parvoíce.

Eu sei, "mas ele é sexy", "ele é um pão", e esta que adoro: "ele é um bocadinho atrevido", o que o sexo feminino lhe queira chamar. Mas acima de tudo é, e digo isto de forma respeitosa, maluco.

 

O que acabei de fazer agora foi exactamente catalogar alguém. Analisei o comportamento e tomei uma opinião. Acabei de me tornar num tipo de pessoa. Os que catalogam. O Grey é maluco.

Sendo que estas coisas dos tipos de pessoas funcionam como a terceira lei de Newton, vulgarmente conhecida por par acção reacção, se existem uns que catalogam, outros, por oposição, vão odiar catalogar.

 

Depois temos a célebre história do copo meio cheio e meio vazio, o optimista e pessimista, da constante luta do bem contra o mal, das pessoas boas e das pessoas más ou até mesmo as pessoas ditas normais e os e as Greys da nossa vida.

 

Na realidade não existem só dois tipos de pessoas. Existem inúmeras tipologias, inúmeros adjectivos qualificativos na nossa língua, mas surgem sempre emparelhados dois a dois.

 

Tal como agora me tornei uma pessoa que acha que existem sempre dois tipos de pessoas para cada caso, existirá naturalmente quem discorde. E são exactamente estes caminhos, estas ramificações em constantes escolhas boleanas do nosso dia-a-dia de "sim ou não concordo", que no fim resultam no nosso real e único tipo de pessoa: 

 

Nós próprios.

 

Uma grande sopa de tipos.

 

 (imagem)

 

 

P.A

 

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Este foi o sexto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolheu a Rita. Podem ver como respondeu no blog dela.

Rita, já sabias que este dia ia chegar eventualmente não é?

Fala-me, por favor, de como é ir a um casamento como convidada (com a apanha do bouquet incluída!) Mas com calma! Pode ser só para dia 28, Quarta-feira!

 

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E tu? Onde estavas no ano 2000?

Eu?

Eu andava por Santarém, na pele de um adolescente conquistador, munido de uma face sexy toda ela revestida por uma armadura de pus e pequenas elevações em forma de 53 borbulhas.

E era bem mais forte naquela altura já que transportava 23 kilos de livros diariamente às costas.

Ainda me lembro que o som que mais gostava era o do segundo toque da escola e os professores não estavam lá. Que maravilha.

Tirando isso, Nirvana.

 

De todo o modo, no ano 2000, estaria provavelmente bem mais descansado do que em 1999. Que ano fatídico esse. Aquele constante vai não vai para acabar o mundo. Um rapaz fica inquieto. Se vale a pena estudar para o teste de amanhã de Português, uma vez que pode não haver segundo período? Se pago os 100 escudos que estou a dever ao Manuel ou se faleço mais rico e ele mais pobre? Se arrisco a falar com a Carolina fofinha da turma ou não, num ultimato ao meu coração de jovem? 

Tanta dúvida!

Depois, afinal não acabou mesmo.

E ainda bem que não falei com a Carolina. Que ela depois ficou com o gordo do Tiago. Fazia dois de mim. Ia dar chatice.

 

Bom, o ano 2000 chegou como outro qualquer. Os planetas alinharam-se mas foi para celebrar. Não para apagar a luz.

E nem acabou o mundo nem acabaram os computadores que ainda agora tinham aparecido e já só se falava do bug do ano 2000.

O bug do ano 2000 foi no fundo uma espécie de Plano B para garantir o fim do mundo, caso a primeira tentativa dos planetas falhasse. A verdade é que graças aos super-heróis dos informáticos, esses batmans do teclado, esses homens-aranha do couro digital, tudo acabou em bem.

Fiquei contente. Fixe. Não acabou o mundo. Já podia acabar a época no Fifa 2001.

Creio que foi aqui que me decidi tornar no Hulk da informática que sou hoje.

Desde que não me enervem...

 

No ano 2000, o filme Matrix tinha sido há um ano, a Expo 98 há dois e o €uro estava em vésperas de ser utilizado para passar os gelados de 100 escudos para 1 euro e os cafés de 50 escudos para 50 cêntimos. Burros.

A banda larga era uma simples banda com diâmetro, direi, para o largo.

E wireless era a tua prima, oh ordinário!

 

O Instagram era um rolo que estava nas máquinas fotográficas que não podia apanhar sol porque senão ficava bloqueado e ficavam todas as fotos com aquele filtro de fotografia queimada. E para publicar tínhamos de pagar a um senhor que tinha uma loja "de fotografia" [acho que era assim o nome]  em que dávamos o rolo para ele o "postar" em papel de fotografia. Uns dias mais tarde, recebíamos os posts e já podíamos fazer share ao vivo, mesmo com pessoas físicas(!!!!), do nosso álbum pessoal de fotografia.

 

O grupo do Whatsapp do 10ºC era uma folha A5, amarrotada por todos. Sendo que no ano 2000 podíamos cada um de nós usar o nosso tipo de letra - a chamada caligrafia. Agora usam todos o mesmo, o Arial.

Não se faziam instastories que estamos a estudar e que temos um monte de livros para marrar. Não. Estudávamos mesmo.

Agora é mais cool dizer que se estuda. Na altura quando me convidavam para alguma coisa e eu dizia que tinha de estudar, a outra pessoa olhava para mim com ar de desdém. E eu coitado, encolhia os ombros. Com a fatalidade nerd da minha escolha.

Agora não. Faz-se like.

 

O Netflix era uma loja com muitas caixas vazias de VHS onde se alugavam filmes a que se chamava de "Clube de Vídeo". E tinha sempre uma secção reservada para os mais "de 18 anos curiosos" lá irem ver.

 

A Internet era uma chamada telefónica nacional cara como o caraças! Em que tinhas de despachar primeiro o telefonema para a família a correr, para poderes estar mais tempo no MIRC. Não dava para tudo. Depois fazia uns barulhos engraçados, ligar o modem. E se alguém ligasse, podíamos cair da Internet. Sim, não é esta calmaria de hoje. Muitas foram as conversas que foram abruptamente interrompidas e retomadas com "Caí! Tinham de ligar mesmo quando eu cá estava! Impressionante!".

 

Ah, que saudades de 2000.

 

Bons tempos.

 

Ainda me divertia a ir a casamentos.

 

 (imagem)

 

P.A

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Este foi o quinto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana escolhi eu. Podem ver como a Rita respondeu a no blog dela.

Agora é a vez dela...Estou para ver o que vem daí!

Porta-te bem!


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Assédio sexual ou Sedução?

Depois de assistir à cerimónia dos Globos de Ouro em que até o vestuário foi dedicado ao escândalo sexual do momento, comecei a pensar: o que é afinal assédio? A partir de que ponto podemos dizer, eh pá se calhar até estou aqui a ser assediado um bocadinho agora?

 

Em teoria e em bom português, é considerado assédio sexual, todo o conjunto de actos ou ditos com intenções sexuais, geralmente levado a cabo por alguém que se encontra em posição privilegiada.

 

Em teoria faz sentido. Na prática não concordo.

Na prática o assédio é uma aceleração brusca na estrada da sedução. É um saltar etapas. Um estar à vontadinha quando ainda não era suposto estar nem à vontade. É um "com licença" não verbalizado.

No fundo o assédio é o atalho do garanhão preguiçoso. Seja ele homem ou mulher. Daquele que já que tem poder, pretende usá-lo para escalar etapas no processo de sedução. É uma espécie de cartão do monopólio do estar livre da prisão. Podemos testar a sorte pelo caminho convencional do lançamento demorado e tripartido dos dados para podermos sair da prisão, mas já que temos o cartão dourado, vamos usar e despachamos já isto. Depois logo se vê.

Assediar é por isso desprestigiante. É uma mistura de soberba com mandriar. É seduzir com cunha. Sem honra. E é acima de tudo um admitir que algo [poder] levou a melhor sobre nós.

 

E do outro lado? O assediado?

Na realidade o assediado é um mal seduzido. Tão mal seduzido que só se apercebe tarde demais que o estavam a tentar seduzir. Tal é a azelhice e a soberba daquele predador. É claro que assim, de algo inesperado, resulte um choque maior, que no caso das vítimas com personalidade se traduz num imediato "alto e pára o baile que estás a esticar-te" ou num "psst tá quieto", que normalmente finaliza por ali mesmo o ataque.

 

Depois temos outras [vítimas] que acabam por ceder ao poder dito cartão dourado. Alimentando assim o predador.

Como as que só depois do James Franco ter ganho o seu globo é que se recordaram que afinal este também não tinha lido os Maias da sedução e tinha tomado alguns atalhos de soberba pelo caminho.

Infelizmente estas são as que mais desvalorizam, pela vulgarização e interesse, as reais e verdadeiras vítimas de assédio sexual.

 

De qualquer forma se não querem ser acusados de assédio, vão por mim, paguem primeiro um café, levem a jantar fora ou tentem mesmo conversar um pouco, é giro bater aquele courozinho, não acham? Dá pica.

 

Não sejam preguiçosos.

 

 

P.A


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Palavras Cruzadas // O estranho caso da Mãe e Filho que nunca se falam

Devem ser quase 9:30 - penso eu, de mão no queixo e olhando para cima com ar pensativo.

 

E digo devem, não por saber ler a sombra do sol, mas porque acabei agora mesmo de me cruzar com duas pessoas a caminho do meu trabalho.

Não é novidade. É frequente encontrá-los nesta deslocação a pé. Faça chuva, faça sol, neve não sei, mas só porque nunca nevou. Mas arriscaria que sim também. São o meu despertador. O meu indicador se devo acelerar o passo ou não.

Eles fazem o percurso inverso ao meu.

Uns dias atraso-me e encontro-os mais perto de casa, outros vou mais cedo e apanho-os mais perto do meu trabalho. Ainda há os dias em que madrugo e aproveito para revisitar outras pessoas como uma tal de Inês que já falei por aqui. Mas normalmente acabo sempre por partilhar aqueles 30 a 40 segundos de visibilidade todos os dias com esta mãe e filho.

Mas seriam apenas mais duas pessoas com que me cruzo diariamente se não padecessem de um comportamento particular.

 

A mãe, provavelmente no auge dos seus 70 anos, apresenta-se sempre de cara fechada, suavemente maquilhada e penteado alimentado a laca. Altiva e de movimento solto, circula sempre em passo constante.

O seu filho nos seus 40 e alguns anos, apresenta um vestuário escolhido pela mãe e faz-se sempre acompanhar por um saco de compras bem recheado.

Ao contrário da mãe, circula sempre em passo acelerado.

 

Nunca nestes anos, que nos cruzamos diariamente, os vi trocarem uma palavra. Nunca vinham já a conversar sobre algo, ao longe, antes de me verem. Nunca. Nunca falaram quando passaram por mim, nem depois, que até fiz questão de parar e ficar a observar, virado para trás.

Nunca.

Até já pensei simular uma queda. Ou um ataque cardíaco. Ou simplesmente soltar um arroto útil para gerar indignação?

Receio não ser tão corajoso.

 

Mas existe uma regra.

 

O filho funciona como uma espécie de batedor. Que abre caminho para a mãe passar. Uns dias surge mais perto dela, outros mais longe. Mas faz sempre questão de acelerar primeiro, deixar a mãe para trás, parar e ficar uns segundos a olhar para ela, até que ela se aproxima novamente. E ele aí sim possa voltar a repetir o processo.

Tudo sem nunca, mas nunca se falarem.

 

São parecidos, mas não tenho a certeza se são família.

 

Mas só pode ser amor de mãe tatuado no braço.

 

P.A

 

 

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Este foi o quarto texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!

Esta semana a Rita escolheu o tema. Podem ver como respondeu no blog dela.

Pronta para saber o que aí vem Rita?
Já que entrámos em 2018 e o tempo passa rápido. Que tal uma viagem ao passado?

Como era a Rita do ano 2000? Já lia? Já falava? Já pensava em dar workshops?


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O segundo dia do ano

O segundo dia do ano costuma seguir um conjunto de regras muito específicas.

Existe uma espécie de menu de degustação de experiências típicas da ocasião, em que o cardápio nem muda muito de ano para ano.

Acaba por se tornar numa espécie de roupa velha. Com os restos do nosso ano anterior.

 

Ora vejamos, ao contrário do primeiro dia [do ano] que é feriado para muitos, o segundo não o é para todos.

Então é com relativo ódio que somos apresentados ao início oficial das responsabilidades de 2018 - mais conhecido por segundo dia do ano.

Vamos ser francos.

É um dia chato. Um dia de crescimento pessoal forçado. Um dia adulto. De regresso.

Um dia de reset forçado à nossa máquina para voltarmos a funcionar neste novo ano que nos espera.

Um dia que simboliza que o Natal já foi no ano passado e que a passagem de ano já foi há duas noites. E pior, que o próximo evento no calendário é aquele que nós, rapazes, nos esquecemos com facilidade. Falo claro, do dia mundial da decoração de lojas com corações vermelhos e cupidos angelicais de olhar maroto-safadote.

 

Além disso, hoje é aquele dia que achamos estranho escrever 2018.

Que nos faz parar um pouco e pensar: Caramba já estamos mesmo em 2018.  

E que se forem como eu, vão pensar que se por ventura tivessem procriado durante a estreia do filme Matrix, hoje teriam já um lindo filho de 18 anos. Pronto a votar nas próximas eleições.

 

Mas nem tudo é mau.

Hoje é também o dia mais corajoso de todo o ano!

 

O dia da inauguração dos nossos compromissos para o novo ano! Do cortar da fita da nossa exposição de resoluções para 2018! 

É a partir de hoje que vamos fazer tudo diferente! É hoje o dia de mudança!

Viva nós!

Hoje somos capazes de tudo!

Vou ao ginásio! Vou comer menos porcarias! Vou ter mais tempo para a família!

Vou pedir um aumento! Vou pedi-la em casamen...!

Desculpem.

Deixei-me levar aqui pelo entusiasmo.

 

Só que não. 

Toda esta euforia, toda esta convicção, logo, e quando digo logo é mais logo à hora de jantar, dará lugar a algo que já conhecemos bem, muito bem, de 2017:

 

-"Afinal não me deu jeito...vou ao ginásio amanhã"

 

-"Estava com pressa ao almoço, comi fastfood.[e adoro esta frase->] Ainda não tinha comido pizza este ano!"

 

-"Com isto tudo da mudança do ano, o trabalho acumulou e ainda cheguei mais tarde a casa."

 

-"Amanhã falo com o meu chefe. De amanhã não passa. Peço o aumento amanhã!"

 

-"Afinal este ano é par [ou qualquer outra desculpa esfarrapada]. Peço-a em casamento para o ano!"

 

 

E chegamos assim ao fim deste segundo dia do ano.

 

A deitarmo-nos na mesma cama de 2017.

 

Bom ano!!

 

P.A.


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O Night Summit

Peço desculpa a todos aqueles que aqui vieram na expectativa de lerem um pouco sobre tecnologia. Mas tenho de ser fiel ao título e falar da verdadeira caça aos talentos que se passa no Web Summit. Pelo menos ali depois das 18/19 horas que é quando acaba aquela parte mais chatinha, que entretém até chegar o Night Summit. Sim existe um Night Summit.

 

Se o lusco fusco são 5/7 minutos e o pessoal tem de aproveitar rápido o clima romântico para pedir a respectiva em casamento, no Web Summit passa-se exactamente o mesmo. É ali um 6 a 9 de Novembro em que não se pode perder a oportunidade. 

 

E a parte interessante é que é exactamente esse o slogan oficial do Night Summit

"At Web Summit you listen, take it all in. At Night Summit you meet people & connect"

 

Na realidade até vou falar um pouco de tecnologia, viram, até me porto bem, mas só porque uma amiga minha me mostrou uma APP e serviu de inspiração para escrever este texto.

 

Falo de uma das APPs mais utilizadas por participantes do Web Summit.

O Tinder.

Isso mesmo. O Tinder.

 

Durante o horário laboral do Web Summit, temos jovens empreendedores bem apresentados, formados, a apresentar as suas ideias, os seus modelos de negócio, a sua estrutura e o seu conhecimento a quem pagou bilhete e está também ali, não só para aprender, mas também para reforçar a sua carteira de clientes. A verdade é que quando se fecham as portas e o regime laboral cai, aí sim começa o verdadeiro networking.

 

Pelo menos a avaliar pela invasão astronómica de perfis Web Summitarianos no Tinder, que pude constatar na conta da minha amiga Joana. Todos eles entusiastas tecnológicos que pela foto e texto, estão certamente sedentos por apresentar também eles a sua tecnologia de ponta, ou discutir apenas como a sua plataforma masculina pode conhecer, ou algo mais, uma qualquer aplicação de sexo feminino que lhe faça like.

E fazem mesmo questão de alertar: <At Web Summit, only this week in Lisbon!> Até fica no ar aquela ideia que se calhar é melhor aproveitar, que é uma qualquer promoção prestes a terminar: "Aproveite, só esta semana!".

 

Sinto-me profundamente traído, confesso.

 

Eu que passei anos e anos em que só no terceiro encontro podia dizer que era informático ou do ramo das tecnologias, porque não era algo muito bem visto no mundo feminino, assisto agora a este fenómeno em que aparentemente passou a ser um atributo altamente cotado no PSI20 dos amores virtuais?

A sério, não me façam uma coisa destas! 

Agora a levar com isto?

 

Agora já ela apanhou o bouquet caraças!

 

Tanto jeito me tinha dado o Web Summit em 2007.

 

Pelas ideias, claro.

 

 (imagem)

 

P.A


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Motivar-me sim, mas como?

Quem nunca teve aquele acreditar com muita força, aquela energia extra, aquela confiança extrema, ou até mesmo aquele encher de peito, seguido de um "Bora lá, tu és capaz" pleno de adrenalina? 

Todos nós. Bom, todos excepto um tal senhor de cabelo estranho. Esse twitta sempre lá de cima. Nunca habitou a nossa real e desmotivadora realidade.

 

O pensamento motivador é uma das formas mais eficazes para nos superarmos constantemente. E como faz maravilhas, por vezes.

Mas não o confundam com o vosso melhor amigo. Que não é.

Principalmente quando nos faz encher de coragem para ir dizer à rapariga mais bonita da turma que gostamos dela. Que maravilha é ficar de coração partido depois.

 

Se bem que agora o rapaz até tem alternativas e até prefere fazê-lo pelo Instagram. Assim, em vez de recordar para sempre aquela cara linda, perfeita, desenhada à mão, a partir-lhe o coração, só fica a saber que ela leu o que escreveu, porque está ali aquele olhinho infernal irritante na janela, e simplesmente optou por não responder. A filha da mãe.

Mas a motivação, a tal amiga, esteve lá na mesma. A maldita. A diferença é que antigamente ainda corávamos no momento, agora só se ela tirar um printscreen e mostrar a toda a gente. 

 

De forma geral é-nos sempre mais difícil arranjar forças para motivar do que para desmotivar. O ser humano é naturalmente dramático, aliás, a vida é uma função matemática que tende para a tragédia. Mesmo ganhando o Euromilhões, somos fortes o suficiente para concluir que [ok, que apenas 312 dias e 15 milhões gastos depois]  "...o dinheiro afinal não traz felicidade".

E volta o drama à nossa vida agora milionária.

 

Então e porquê continuar a lutar contra o dramático e não utilizar a matemática da vida que nos irrita tanto, a nosso favor? Em vez de ter a trabalheira toda para nos motivarmos para algo, porque não utilizar frases desmotivadoras a nosso favor? 

 

Como as do tabaco, é isso? Não. 

Ver órgãos em mau estado, pessoas que não nos dizem nada em poses pouco saudáveis ou até mesmo letras gordas meramente assustadoras, resultam tanto como as audiências da CMTV. Cada vez são mais portugueses a assistir.

 

A ideia é boa mas foi mal aplicada. Temos de tocar em algo que realmente nos faça reflectir e não nos prenda na curiosidade humana da desgraça alheia.

 

Proponho então algumas sugestões:

 

Em vez de "Fumar Mata!" ou "Deixe de fumar pela sua saúde", usaria apenas:

"Sabia que Maria Leal fuma um destes todos os dias?"

Pensava ou não pensava duas vezes? 

 

"Fumar prejudica gravemente os seus pulmões", e que tal:

"Sabia que Maria Vieira compra um maço destes antes de escrever um post nas redes sociais"?

Existem cogumelos do tempo que batem menos.

 

Mas também podem ser imagens. Por exemplo, em vez de um pulmão em mau estado, proponho:

Uma imagem de Marcelo Rebelo de Sousa com a frase, "Marcelo não aprova."

Ou por oposição, André Ventura é favor.

 

Ou para casos de maior adicção, Trump adora.

 

 

Se ficou a pensar no assunto e a imaginar a situação, parabéns, percebeu o poder das frases desmotivadoras.

 

Se não, lamento, terá de recorrer a um especialista.

 

O Gustavo Santos.

 

Sim eu sei, guardei a melhor frase desmotivadora para o fim.

 

(imagem)

 

P.A


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E que tal sair hoje à noite?

As saídas com amigos são algo que nos acompanha vida fora. Tirando se chegarmos aos 120 anos, aí só nos restam as saídas com os netos dos nossos amigos.

 

Normalmente este até é um tema que nem começa muito bem. Surge como um assunto meio tabu e é com cautela que fazemos as primeiras abordagens:

 

"Sabes pai, o Pedro e o Manelinho vão amanhã ao café depois do jantar." E ficamos a aguardar alguma reacção.

"Pai, larga o smarphone! Ouviste?"

Pai: "Sim, diz filho!"

"Sabes pai, eu também gostava de ir!"

Pai: "Ir onde filho?"

"Ao café com eles! Não ouviste nada pai!?"

E aqui a resposta mais provável de um pai macho, alpha e decidido em 2017 é:

 

Pai: "Fala com a tua mãe."

 

Falamos com a mãe e ela diz não. Amuamos.

O pai, esse, sempre pode dizer que foi a mãe que não deixou.

 

Aprendemos a lição e crescemos mais um pouco, o ciclo repete-se, até que chega finalmente aquele dia em que os pais, perdão, a mãe, nos deixa sair pela primeira vez.

A partir daí já temos o que queremos: Aquela saída que servirá de jurisprudência para todas as seguintes. Missão cumprida puto!

 

Curiosamente esta é a fase da nossa vida em que mais queremos sair de casa e no entanto é exactamente aquela em que mais borbulhas temos na cara. 

 

Passamos então para a fase da saída da sexta-feira à noite e fins-de-semana com amigos. Típica do secundário. Junta-se ali um grupinho, normalmente sempre no mesmo local e hora, e tudo feito de forma a não coincidir com outros grupos de colegas que, embora sejam da mesma turma, não se falam tanto. E assim, com mais brigas no intervalo ou menos primeiras beijocas nas amigas, se passa o secundário.

 

Quando chega ao fim, surgem os primeiros juramentos selados com lágrimas. Aqueles dos "Amigos para sempre!" ou "Impossível esquecer-me de ti até deixar de te seguir nas redes sociais por nunca mais falar contigo" e que normalmente terminam com a típica frase "Claro que vamos continuar a sair na mesma!".

Até que conhecemos uma nova espécie: Os universitários.

 

Aí tudo muda. As saídas com o Pedro e o Manelinho que outrora eram a desculpa perfeita para sair, passam agora a chamar-se de "Tenho de estudar em grupo para o exame pai, não posso ir com vocês!".

De tal forma que até a conversa ao telefone com o pai agora é outra:

 

Pai: "Sabes filho, o Pedro e o Manelinho vieram cá ver os pais este fim-de-semana..." E ficam a aguardar alguma reacção nossa.

Pai: "Estou? Filho, Ouviste?"

"Sim, diz pai!"

Pai: "Sabes filho, eu também gostava que viesses!"

"Ir onde pai?"

Pai: "Cá ver os pais! Não ouviste nada filho!?"

 

E aqui a resposta mais provável de um filho educado, certinho e universitário em 2017 é:

"Eu queria, mas tenho um exame daqui a 3 meses. Tenho que estudar..."

 

O curso de 5 anos termina em 7 e com o fim da universidade, surgem novos juramentos selados a cerveja. "Mas vamos continuar a sair ouviste??Não é como os do secundário!"

#soquenao

 

Principalmente quando conhecemos uma nova espécie: Os colegas de trabalho.

 

Por esta altura já saímos de casa dos nossos pais, pelo que que a conversa ao telefone voltou a mudar:

 

Pai: "Estou? Filho?"

"Sim, diz pai!"

Pai: "Está tudo bem?!"

"Sim está tudo, e por aí?"

Pai: "Por aqui também!"

"Então vá até amanhã!"

Pai: "Até amanhã filho!"

 

Com esta nova onda de amor paternal vem também algo que apreciamos bastante: o tal guito, o carcalhol, o salário.

Os primeiros tempos são de loucura e excessos. Até que damos por nós a fazer contas antes de agendarmos vários programas nocturnos.

Isto porque antigamente era a mesada do papá e a cerveja só custava 20 cêntimos, agora é a mesada do nosso trabalho e o jantar, bar, concerto, teatro, cinema, gasolina, nenhum deles custa menos de 10 euros.

 

Conclusão, "Malta querem vir cá jantar a casa?"

 

E logo agora que já não temos borbulhas na cara.

 

 

(imagem)

 

P.A


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O Drama das Entrevistas de Emprego

As entrevistas de emprego no fundo são como os amores. Podem ser raras, mas quem não as tem?

 

Ir a uma entrevista de emprego é como ir a uma espécie de encontro às cegas. Aliás, os princípios do blind date são praticamente os mesmos.

 

Tudo começa no caçador.

Este inicia a sua pesquisa online, numa busca e filtragem por perfis de que mais gosta. Assim que encontra um alvo, analisa-o com maior detalhe e, quer esteja no Tinder ou no Linkedin, se lhe interessa, seja pela foto sensual em trajes de praia ou pela experiência em Word e Excel, envia, sem qualquer pudor, o convite de amizade. A única diferença aqui é que no Tinder chamamos de tarado. No linkedIn é caçador de talentos.

Neste momento, o trabalho do caçador termina. Fomos notificados. Temos um aviso que alguém quer ser nosso amigo. Analisamos. E aqui, mais uma vez, o princípio é o mesmo: se nos parecer interessante, aceitamos e dizemos algo como "Até pode ser uma boa oportunidade, vou-lá ver como é. Nunca se sabe." enquanto clicamos em Aceitar Amizade. Se não sentirmos aquela chama, simplesmente ignoramos.

 

Segue-se então a primeira conversa. Desenganem-se aqueles que pensam o contrário. Até aqui é tudo a mesma coisa. Seja Tinder, Linkedin, Facebook ou o Badoo. O objectivo é sempre o mesmo e um só!

Marcar o primeiro encontro.

 

Mas há que saber quebrar o gelo. Senão a coisa não resulta. Não se pode ser muito bruto ou óbvio.

"Fiquei impressionado com o seu currículo."

ou a versão Tinder da coisa:

"Adorei aquela tua foto na praia, aquela luz, fantástico! E aquela frase sentimental nada relaccionada foi brutal. Nem reparei que estavas de biquíni!"

 

E agora sim, após esta primeira abordagem:

"Por esse motivo gostaria de saber se estaria interessado em reunir comigo para iniciarmos o processo de recrutamento"

ou a versão tinder da coisa:

"Por acaso não queres ir beber um café?"

 

Neste momento, se estivermos realmente interessados, aceitamos e "Vamos lá ver como é".

 

Até que o dia chega.

Qual encontro romântico, começamos a sentir aquela ansiedade típica, aquela necessidade de provar que somos bons, que temos as capacidades que nos reconheceram. E somos invadidos por algumas questões.

Será que vão gostar de mim?

E eu? Será que vou gostar? 

Quem nunca treinou ao espelho algumas frases antes do seu encontro laboral ou romântico? Isto para não falar do tempo que se passa na casa de banho na hora anterior. Afinal de contas temos de ir perfeitos para o nosso encontro laboral não romântico das 8 da manhã.

 

Aqui sim, reside a maior diferença destes dois mundos. A principal diferença entre um garanhão e um caçador de talentos é a hora a que marcam os seus encontros. Por acaso já viram alguém sedutor dizer, "Então e que tal irmos beber um copo amanhã às 7:30 da manhã? Pela fresquinha bem bom, não?". Ou por outro lado "Gostava de discutir o seu currículo consigo, hoje, pelas 23 num restaurante à sua escolha".

 

Tirando os guardas e outras profissões nocturnas, ninguém normal seduz antes do meio dia.

 

Chega a hora da verdade. Começa a entrevista. O caçador de talentos está ali mesmo à nossa frente e quer saber mais sobre nós.

E tal como nas primeiras conversas românticas, quem nunca disse ter um bocadinho mais de experiência que a realidade? Ou um sálario melhor? Ou uma formaçãozita a mais que à conta? Só para parecer mais confiante?

A conversa flui, as mentirinhas são bem aceites, sentimos a adrenalina a ferver. Ninguém nos pára! Estamos on-fire! Tudo corre bem. Será um perfect match laboral?

 

Foi um encontro perfeito. Adorámos e queremos mais! Estamos extraordinariamente felizes!

 

Só que o fim é igualmente comum ao dos encontros românticos.

 

Na realidade pouco interessa se gostámos muito ou não. Tudo depende se nos passam logo a nova entrevista, ou se ficamos para sempre na base de dados a aguardar por contacto.

 

E assim se fica de coração laboral partido.

 

(imagem)

 

P.A


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