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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

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Eleições Autárquicas - Tesourinhos 2017

Diz-se por aí que uma boa imagem, um bom slogan, uma boa frase motivacional podem convencer alguns eleitores a mudar a sua intenção de voto. Diz-se. Será verdade?

 

A verdade é que com tanta freguesia em Portugal, torna-se realmente complicado garantir a sobrevivência de alguma "criatividade sloganística" por todo o território, mesmo que seja espaçada em intervalos de 4 anos. 

Mas o que me faz alguma confusão aqui é que toda esta escolha de slogans pareça mais uma espécie de sorteio de frases pré-feitas, como se juntassem todos os candidatos numa sala e, vez à vez, vão tirando a bola, não da sorte, mas do slogan político correspondente. Numa espécie de Lotaria de Slogan Autárquico, em que só temos direito a tirar uma bola.

 

Apresento-vos o primeiro sorteio, aberto a todos os candidatos:

Sorteio do "Slogan Autárquico em que basta pôr um verbo antes do nome da freguesia" de 2017:

 

"Senhor candidato à freguesia Calvos, retire por favor a sua bola" - exclama a senhora do bingo que faz sorteios de slogan políticos às quintas à noite.

 

Ele retira.

Ah bolas. Calhou a bola do slogan com o verbo "Continuar".

continuarCalvo.jpg

 

 

"Vá amigo, da próxima tens mais sorte no sorteio." - diz o colega de Leitões:

 

continuarLeitões.jpg

 

 

Mas nem só de retirar bolas é feito este sorteio. Existem algumas regras. Ora vejamos:

Se o nosso partido estiver actualmente em funções na nossa freguesia, então verbos como Mudar, Alterar, Rejuvenescer, Recriar, estão totalmente proibidos de extrair. Apenas o Continuar, Manter e Seguir se encontram no boião do sorteio. Já imaginaram o que seria se alguém arriscasse a querer mudar algo dentro da mesma cor política? O resultado imediato seria devastador. Começando pelo despedimento por justa causa do senhor dos boiões. Esse incompetente. Que não sabe distinguir, literalmente, a direita da esquerda.

 

Além deste sorteio, de verbos precedendo o nome da freguesia, existem outras categorias para os candidatos mais requintados:

 

Apresento-vos o segundo sorteio, aberto só a alguns candidatos de zonas mais "in":

O sorteio do "Slogan político da utilização da palavra "primeiro" " de 2017:

 

primeiro.png

Parabéns aos vencedores.

 

Existe também no meio destes sorteios uma bola preta, a do azar, que ninguém quer.

Este ano calhou a bola do mau gosto a Esposende:

 

bolapreta.jpg

 

 

Mas também temos casos positivos e de fair-play político que são sempre de louvar:

 

fairplay.jpg

Mas mesmo com esta sugestão de extremo fair-play de sugerir um "olhar em frente" para um rival, quero dar aqui um abraço especial ao Panda, que para mim é um forte candidato a Oeiras.

Sigo-te sempre na TV candidato Panda, obrigado por teres um canal que deve ser o único em que não é o Marcelo, o que aparece mais.

Parece que já estou a ver: "Oeiras a "Pandemónio" Mundial!

Peço desculpa, calhou-me a bola do trocadilho com património no sorteio. Tive azar.

 

E para terminar com chave de ouro, a bola dourada do sorteio, a mais desejada e que normalmente só está reservada para as grandes cidades portuguesas: o Slogan político temático da actualidade:

 

E o vencedor de 2017 do Slogan político temático da actualidade é?

 

salvadorsobralpelos2.png

O candidato Manuel Pizzaro!

Que embora fizesse mais sentido concorrer a "Calvo" e ser dono da bola "Continuar", apresenta-se aqui sortudo, com a bola "Salvador Sobral" e o seu "Fazer pelos Dois". Bravo Manuel!

12 Pontos para o Porto.

 

 

Bem, seja com sorteio ou não, muitas vezes a ideia que sobra, é que independente do slogan escolhido, o eleitor vota na mesma ou melhor, como tem vindo a ser hábito, abstém-se, e aqueles que sobram, que ainda votam, votam sempre na mesma cor, não é verdade? Eu gostaria de acreditar que não. Espero que não.

Mas seja esta espécie de facilitismo político, ou mesmo apenas falta de imaginação, os verdadeiros culpados do nascimento destas "abordagens sloganísticas", o que é certo é que eleições atrás de eleições, tesourinhos não faltam, tendo dado origem a uma página de facebook [onde fui capturar a inspiração e imagens que vos apresento aqui]. 

Vão lá dar uma espreitadela. E muitos mais tesourinhos vão encontrar.

 

E já agora cuidado com as correntes de ar. Não se constipem como este senhor:

 

santinho.jpg

 

Santinho!

 

P.A


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O Crime de Recebimento Indevido de Vantagem

Não deixa de ser curioso que passado exactamente um ano em que o nome Éder se tornou num dos nomes mais inesquecíveis para os portugueses, por ter conseguido pontapear aquela bola dali, para as redes francesas, que esse mesmo jogo seja agora motivo, para encontrar uma espécie de rede, não de baliza, mas de "cordialidades" políticas por este Portugal.

 

Mas para perceber melhor o que é afinal o GalpGate, vamos recuar um ano atrás no tempo e recordar uma destas cordiais conversas, inspiradas num sketch do Gato Fedorento:

 

Senhor de uma empresa que se recusa a pagar 100 milhões de um novo imposto: "Ó Sotôr ora essa, vá lá ver a bola"

Senhor do governo que por acaso está a tratar do caso do pagamento destes mesmos 100 milhões: "Não sei se aceito Sotôr"

Senhor da empresa: "Faço questão Sotôr"

Senhor do governo: "Ó Sotôr assim deixa-me atrapalhado, não posso aceitar"

Senhor da empresa: "Aceite Sotôr, aceite. Faço questão Sotôr"

Senhor do governo: "Ó Sotôr!"

Senhor da empresa: "Faço questão que vá Sotôr. Vai num avião fretado por nós e tudo. Vai e volta no mesmo dia, ainda ceia com a família."

Senhor do governo: "Olhe que aceito Sotôr!"

 

Depois gritou-se golo em conjunto e à noitinha, ceou-se em Portugal. Estava criado o GalpGate.

 

Mas como é que daqui chegamos ao alegado crime que tanto se tem falado agora, o "Crime de Recebimento Indevido de Vantagem"? [CRIV]

 

Para quem não conhece bem, este CRIV é uma espécie de CREL de subornos mas com menos trânsito. Para começar, não é para todos. Só lá podem conduzir funcionários públicos, logo, por aí, flui bem melhor. Não costuma ter muitas horas de ponta, normalmente só quando os bancos estão a fechar ali pela tardinha, aí é que se pode verificar um fluxo anormal de acessos. No máximo, pode parar um outro funcionário público mais apressado. Mas nada de grave.

 

Irmos parar ao CRIV é tão simples e fluído que além de ser funcionário público, basta que se verifiquem dois pontos base: 

  • O funcionário público tem de solicitar ou aceitar uma determinada oferta que não lhe seja devida;
  • O empresário tem de dar ou prometer tal oferta indevida.

E pronto já está. Nem é necessário estabelecer um nexo causal entre o alegado recebimento e um determinado acto de favorecimento ilícito.

Nada. Aceitou a oferta? Passou na portagem e recebeu o tal ticket?

 

Ora então seja muito bem-vindo ao CRIV.

 

"Então isso quer dizer que não podemos dar nada aos funcionários públicos? É isso?"

"E se virmos um, na rua, com fome? Nem uma sandocha podemos dar?"

Podem. Podem dar até 150 euros.

Mas 151 euros já é CRIV. Cuidado.

"Então e se um funcionário público me tiver emprestado 160 euros? Como faço para pagar de volta?"

Simples, duas tranches de 80 euros e a CRIV fica de fora.

De qualquer forma a premissa dessa questão está incorrecta. O funcionário público, infelizmente, nunca tem para emprestar.

 

Bom mas falando do centro da questão, ainda há algo que não percebo bem no meio deste processo todo. Sinceramente acho que o senhor do governo até foi bastante inteligente. Ele só estava a iniciar o seu plano de reaver o dinheiro. Mal viram que estava a ter resultados, não o deixaram terminar o serviço. Enfim, o costume.

Como assim? Reparem bem, se esta oferta foi avaliada em 2200 euros, então este senhor já só tinha de assistir a mais 49999 finais destas para reaver o dito imposto. Se o método normal não leva a lado nenhum, há que saber dar a volta, ter criatividade política para gerir as situações.

 

Mas não, em Portugal é assim, não se pode ser criativo.

 

E pior, nem ir ver a bola sossegado.

 

 

 (imagem)

P.A

 

P.S - Claro que a culpa de toda esta situação foi exclusivamente da selecção portuguesa de futebol que resolveu acertar todos os penalties nos quartos-final e assim acabar por chegar à fatídica final. Vá lá que agora na Taça das Confederações aprenderam a lição. Falharam tudo.

É que já não tínhamos secretários de estado suplentes para outra destas. Ainda se entupia a CRIV.


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