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A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A Rapariga no Autocarro

Finalmente a semana passada passou.

 

Finalmente porque foi uma semana longa, cansativa e desgastante. Mas felizmente nem tudo foi mau.

A avaliar pelo título, o texto de hoje podia ser uma versão Lisboa Viva do livro < A Rapariga do Comboio > de Paula Hawkins. Ou um claro apelo ao uso da Carris sobre a CP. Mas na realidade só o estou a escrever, não pela referência ao livro, ou para alimentar derbys lisboetas de transportes públicos, mas sim pela rapariga que conheci esta semana.

 

Ao longo da nossa vida, muitas são as raparigas no autocarro que conhecemos. Mesmo sem nunca falarmos, muitas são as pessoas que cruzam diariamente rotinas connosco, umas que nos apercebemos primeiro, outras que se apercebem antes de nós próprios. Vamos coleccionando caras, aprendendo a reconhecê-las nos dias seguintes. Seja desde novos a caminho da escola, seja depois para a faculdade ou trabalho. Quem não tem a memória daquele senhor ou senhora que surge, todos os dias, no mesmo metro/autocarro/rua, na mesma carruagem e, se possível, sempre no mesmo lugar? Ou, para quem faz esta travessia, sempre no mesmo barco, a caminho de Lisboa?

Quem nunca fixou a cara de uma pessoa que se cruza consigo todos os dias na rua? 

 

Esta semana "conheci" a rapariga no autocarro. E ela "conheceu-me" a mim.

 

Esta semana chata e cansativa que me obrigou a esticar horários, a ligar noites com manhãs e manhãs com noites fez com que chocasse pela primeira vez com outras rotinas, com outras pessoas.

 

Neste novo horário cruzei-me pela primeira vez com ela. Passo todos os dias por aquela escola mas normalmente já deu o toque de entrada. A semana passada não. Fui bem mais cedo.

 

Tão cedo que o autocarro de transporte de alunos que nunca antes tinha visto, estava ali parado, bem em frente à escola, de porta aberta e com o motorista a preparar a rampa para poderem descer os alunos. Sendo novidade, acabo por olhar por aquela porta aberta e lá estava ela, sentada na sua cadeira de rodas, à espera da sua vez. À espera de ajuda para ir à escola.

 

Olhou-me também. E dos seus não mais de 10 anos de idade sorriu e acenou-me.

 

Eu estava cansado, exausto do fim-de-semana, também ele passado a trabalhar, mas ali, naquele instante, passou.

Sorri quando nem pensava em sorrir. Sorri quando há dois segundos atrás só pensava no dia chato que me esperava.

 

Sorri e acenei de volta.

Ela riu. E eu ri.

 

No dia seguinte, repetiu-se. Voltámos a cruzar-nos agora já cá fora e reconhecemo-nos. Toca a acenar e a sorrir com fartura!

 

Quarta-feira vi o autocarro a chegar e fiz questão de abrandar o passo e com isso perder, para ganhar, uns instantes. Ela viu-me pela janela e de lá acenou. Acenei de volta. 

 

Quinta-feira, não a vi.

 

Sexta-feira, perguntei-lhe o nome.

 

Obrigado Inês.

 

 (imagem)

 

P.A


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Motivar-me sim, mas como?

Quem nunca teve aquele acreditar com muita força, aquela energia extra, aquela confiança extrema, ou até mesmo aquele encher de peito, seguido de um "Bora lá, tu és capaz" pleno de adrenalina? 

Todos nós. Bom, todos excepto um tal senhor de cabelo estranho. Esse twitta sempre lá de cima. Nunca habitou a nossa real e desmotivadora realidade.

 

O pensamento motivador é uma das formas mais eficazes para nos superarmos constantemente. E como faz maravilhas, por vezes.

Mas não o confundam com o vosso melhor amigo. Que não é.

Principalmente quando nos faz encher de coragem para ir dizer à rapariga mais bonita da turma que gostamos dela. Que maravilha é ficar de coração partido depois.

 

Se bem que agora o rapaz até tem alternativas e até prefere fazê-lo pelo Instagram. Assim, em vez de recordar para sempre aquela cara linda, perfeita, desenhada à mão, a partir-lhe o coração, só fica a saber que ela leu o que escreveu, porque está ali aquele olhinho infernal irritante na janela, e simplesmente optou por não responder. A filha da mãe.

Mas a motivação, a tal amiga, esteve lá na mesma. A maldita. A diferença é que antigamente ainda corávamos no momento, agora só se ela tirar um printscreen e mostrar a toda a gente. 

 

De forma geral é-nos sempre mais difícil arranjar forças para motivar do que para desmotivar. O ser humano é naturalmente dramático, aliás, a vida é uma função matemática que tende para a tragédia. Mesmo ganhando o Euromilhões, somos fortes o suficiente para concluir que [ok, que apenas 312 dias e 15 milhões gastos depois]  "...o dinheiro afinal não traz felicidade".

E volta o drama à nossa vida agora milionária.

 

Então e porquê continuar a lutar contra o dramático e não utilizar a matemática da vida que nos irrita tanto, a nosso favor? Em vez de ter a trabalheira toda para nos motivarmos para algo, porque não utilizar frases desmotivadoras a nosso favor? 

 

Como as do tabaco, é isso? Não. 

Ver órgãos em mau estado, pessoas que não nos dizem nada em poses pouco saudáveis ou até mesmo letras gordas meramente assustadoras, resultam tanto como as audiências da CMTV. Cada vez são mais portugueses a assistir.

 

A ideia é boa mas foi mal aplicada. Temos de tocar em algo que realmente nos faça reflectir e não nos prenda na curiosidade humana da desgraça alheia.

 

Proponho então algumas sugestões:

 

Em vez de "Fumar Mata!" ou "Deixe de fumar pela sua saúde", usaria apenas:

"Sabia que Maria Leal fuma um destes todos os dias?"

Pensava ou não pensava duas vezes? 

 

"Fumar prejudica gravemente os seus pulmões", e que tal:

"Sabia que Maria Vieira compra um maço destes antes de escrever um post nas redes sociais"?

Existem cogumelos do tempo que batem menos.

 

Mas também podem ser imagens. Por exemplo, em vez de um pulmão em mau estado, proponho:

Uma imagem de Marcelo Rebelo de Sousa com a frase, "Marcelo não aprova."

Ou por oposição, André Ventura é favor.

 

Ou para casos de maior adicção, Trump adora.

 

 

Se ficou a pensar no assunto e a imaginar a situação, parabéns, percebeu o poder das frases desmotivadoras.

 

Se não, lamento, terá de recorrer a um especialista.

 

O Gustavo Santos.

 

Sim eu sei, guardei a melhor frase desmotivadora para o fim.

 

(imagem)

 

P.A


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Ricardo Araújo Pereira

Nem preciso de pensar muito num título pomposo para o post de hoje.

 

O nome do Ricardo é suficiente.

Tive o prazer de assistir em Seia na passada sexta-feira ao espectáculo solidário “Uma conversa sobre assuntos” do RAP e é de facto de louvar não só o que está a fazer, mas a forma como o faz. Na realidade não é um espectáculo comum, é uma conversa, uma espécie de debate entre amigos, como se de uma entrevista ao Ricardo se tratasse, ou fosse ele um bar aberto de questões.

Nota-se que não houve preparação e ainda bem.

Sozinho no palco, apresenta-se à frente de todos sem nada nas mangas, apenas com o seu fato de macaco habitual e com o propósito solidário de angariar fundos de apoio às vitimas dos incêndios. Durante cerca de 2 horas foram muitas as perguntas da plateia e muitas as respostas sempre com aquele badalozinho do humor que lhe reconhecemos.

Benfica - claro -,  Manuela Ferreira Leite, filhos, Gato Fedorento, facilidade em arranjar mesas em restaurantes e até culinária, muitos foram os pontos debatidos.

 

Resultado, um serão bem passado. E conseguimos rir para ajudar. 

No fim, ainda presenteou quem estava presente com um exemplar do seu livro.

 

O espectáculo solidário “Uma conversa sobre assuntos”, é uma digressão que vai percorrer ao longo do próximo mês várias localidades do centro do país que foram afectadas pelos incêndios deste ano. O dinheiro angariado (cada bilhete custa 10 euros) reverte na íntegra para as vítimas da tragédia.

 

Obrigado Ricardo.

 

(imagem)

 

P.A

 

P.S - no fim do evento, acabámos por ficar os dois na mesma sala, num bar acolhedor perto do anfiteatro. A certo momento aconteceu algo twilight zone que nunca irei esquecer:

Ricardo Araújo Pereira a assistir na TV a Ricardo Araújo Pereira num teaser do "Governo Sombra".

E de facto é como dizem.

O da TV é bem mais gordo.


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Não vejam Stranger Things 2 (sem spoilers)

A sério, não vejam.

Principalmente se gostam de ter vida social num fim-de-semana, não façam como eu fiz. Desliguem a televisão e vão à vossa vida. 

Estou aqui a dar a cara do blog para que não cometam o mesmo erro.

Senão arriscam-se a pensar que vão estar ali só uma horinha para matar saudades do enredo e a prepararem-se mentalmente que vem aí uma nova temporada para ver semana fora e quando dão por vocês passaram 8 horas.

 

Maldita funcionalidade "próximo episódio em 5 segs" da Netflix, esses dealers de séries sabem bem como vender o seu produto. 

 

Para quem viu a primeira temporada, alerto que a segunda vicia de igual forma. Se saíram há pouco tempo da clínica de reabilitação como eu, não vejam. A sério. É terrivelmente pegajoso, viciante e bom. São cerca de 8 horas, 9 episódios, em que é imperativo ver o episódio seguinte. Torna-se numa gula impossível de quebrar a fazer lembrar aquela fome das 3 das manhã por bolachas, chocolates e outras porcarias demais que por mais que não queiras, quando dás por ti já estás com uma bolacha na boca e a jurar que é a ultima vez que acontece.

A evolução das personagens da temporada anterior, a introdução cirúrgica de novas personagens, tudo é realizado num encaixe perfeito, em perfeita harmonia. Quase que me arrisco a dizer que é tudo de forma propositada para viciar quem vê.

Só posso concluir que ver Stranger Things 2 se trata do mesmo estilo de vida que pode levar à diabetes. Os episódios começam adocicados, a trama é deliciosa e terminam sempre num rebuçado por abrir no episódio seguinte. 

Stranger Things 2 não é só uma série, é manipulação pura.

 

Ver com moderação.

 

(imagem)

 

P.A

 

*Para que veio do facebook o número do euromilhoes é: 5-9-44-32-7  e 11-7, sendo que se sair, metade do que ganharem fica para mim. É justo.


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O São Martinho e as alterações climáticas

O político norte-americano e Nobel da Paz Al Gore deixou ontem uma mensagem de esperança na apresentação da sequela do filme “Uma verdade inconveniente”, afirmando que as pessoas podem e vão vencer a luta contra as alterações climáticas.

Mas alterações climáticas onde? Digam-me lá? Então e o outro senhor de cabelo engraçado, que pelos vistos esse sim, até conseguiu chegar a presidente dos EUA, não diz exactamente o contrário?

 

Numa mensagem gravada em vídeo, Al Gore começou por dizer que em cada dia as pessoas do mundo produzem 110 milhões de toneladas de emissões de gases que provocam o aquecimento global na atmosfera, “como se fosse um esgoto aberto”.

Claro que me pus logo a fazer as contas para saber qual a minha quota parte neste bolo gaseificado mundial.

 

Ora somos 7,6 biliões.

Temos 110 milhões a reivindicar por esta malta toda que anda aqui só a curtir e depois não limpa nada. Portanto, isto tudo dividido, dá à volta de 0,014 kg, ou seja, 14 gramas de emissões de gases por dia e por pessoa.

14 gramas? Eu? Por dia? Lamento mas não pode ser. Não estou à altura deste grupo gaseificado.

Sinto-me flatuexcluído. E pior, inocente.

 

Logo eu que primo pela rara flatulência, embora seja bastante acutilante quando se verifica - devo acrescentar -, tenho de agora fazer parte da média gasosa? É que só o meu primo, esse artista de "artes flatas", emite quantidades impressionantes. Principalmente à tardinha, no lusco fusco. São ali 5-7 minutos de pura Avenida da Liberdade em hora de ponta. Até dá para sentir aquela brisa. Quase como quando um autocarro passa por nós e nos contempla com aquela nuvem no fim. E neste caso, este autocarro, nem se move a grão ou feijão. Não precisa. Funciona sem chumbo mesmo.

 

Mas atenção, eu sou a favor e aceito tomar medidas, claro, mas desde que proporcionais ao nosso cavalheirismo intestinal. Os camiões também pagam mais nas portagens e eu, que nesta equação sou um simples Smart for Two, não faz sentido pagar o mesmo. Não somos todos irmãos. Ele é meu primo, se faz favor.

 

Mas tirando o facto de agora já saberem o valor médio dos gases que emitem por dia e ficarem satisfeitos com o vosso contributo, tenham em consideração que são contabilizados para este total todos os factores poluentes, desde o nosso carro, lixo, consumo de electricidade, etc. O que de facto eleva o meu primo a um estatuto digno da revista Forbes.

 

Mas voltando a Trump. Alterações climáticas onde?

Digam-me.

Sempre existiram alterações climáticas. Não é nada de agora. Que eu saiba, nunca vivemos num regime de constantes climáticas. Senão como é que os funcionários do IPMA falhavam tanto? 

 

Mesmo assim, pelo menos cá em Portugal não noto nada de especial.

Ainda ontem à noite quando ia na rua, lá estava a senhora das castanhas como é costume todos os anos. Sempre no mesmo sítio, como todos os anos, e sempre com a sua mota das castanhas, tudo como de costume. Até o slogan é o mesmo:

"Olha as castanhas! "Quentes e boas! Quentes e boas!"

E eu, olha é mesmo isto! Até me dá jeito. Vou agora comprar umas castanhas para ver se ainda vou a tempo de ser honrar a média gasosa que me compete.

 

Até que a senhora me pergunta:

"Temperatura ambiente ou mais frescas?"

 

Tudo na mesma.

 

P.A

 

P.S1 - Um abraço especial ao São Martinho. Parece que já não é preciso cortares mais do teu manto para protegeres do frio os sem-abrigo que encontras pelo teu caminho. Não deve ser fácil teres investido tanto em roupa de inverno para agora ser isto. Faz como eu, mete no OLX.

 

P.S2 - Se puderem vejam o documentário do Al Gore. Mais info aqui.

 

P.S3 - Pensem bem antes de flatular.

 

P.S4 - Ah e um abraço Bruno. Primão! 


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E que tal sair hoje à noite?

As saídas com amigos são algo que nos acompanha vida fora. Tirando se chegarmos aos 120 anos, aí só nos restam as saídas com os netos dos nossos amigos.

 

Normalmente este até é um tema que nem começa muito bem. Surge como um assunto meio tabu e é com cautela que fazemos as primeiras abordagens:

 

"Sabes pai, o Pedro e o Manelinho vão amanhã ao café depois do jantar." E ficamos a aguardar alguma reacção.

"Pai, larga o smarphone! Ouviste?"

Pai: "Sim, diz filho!"

"Sabes pai, eu também gostava de ir!"

Pai: "Ir onde filho?"

"Ao café com eles! Não ouviste nada pai!?"

E aqui a resposta mais provável de um pai macho, alpha e decidido em 2017 é:

 

Pai: "Fala com a tua mãe."

 

Falamos com a mãe e ela diz não. Amuamos.

O pai, esse, sempre pode dizer que foi a mãe que não deixou.

 

Aprendemos a lição e crescemos mais um pouco, o ciclo repete-se, até que chega finalmente aquele dia em que os pais, perdão, a mãe, nos deixa sair pela primeira vez.

A partir daí já temos o que queremos: Aquela saída que servirá de jurisprudência para todas as seguintes. Missão cumprida puto!

 

Curiosamente esta é a fase da nossa vida em que mais queremos sair de casa e no entanto é exactamente aquela em que mais borbulhas temos na cara. 

 

Passamos então para a fase da saída da sexta-feira à noite e fins-de-semana com amigos. Típica do secundário. Junta-se ali um grupinho, normalmente sempre no mesmo local e hora, e tudo feito de forma a não coincidir com outros grupos de colegas que, embora sejam da mesma turma, não se falam tanto. E assim, com mais brigas no intervalo ou menos primeiras beijocas nas amigas, se passa o secundário.

 

Quando chega ao fim, surgem os primeiros juramentos selados com lágrimas. Aqueles dos "Amigos para sempre!" ou "Impossível esquecer-me de ti até deixar de te seguir nas redes sociais por nunca mais falar contigo" e que normalmente terminam com a típica frase "Claro que vamos continuar a sair na mesma!".

Até que conhecemos uma nova espécie: Os universitários.

 

Aí tudo muda. As saídas com o Pedro e o Manelinho que outrora eram a desculpa perfeita para sair, passam agora a chamar-se de "Tenho de estudar em grupo para o exame pai, não posso ir com vocês!".

De tal forma que até a conversa ao telefone com o pai agora é outra:

 

Pai: "Sabes filho, o Pedro e o Manelinho vieram cá ver os pais este fim-de-semana..." E ficam a aguardar alguma reacção nossa.

Pai: "Estou? Filho, Ouviste?"

"Sim, diz pai!"

Pai: "Sabes filho, eu também gostava que viesses!"

"Ir onde pai?"

Pai: "Cá ver os pais! Não ouviste nada filho!?"

 

E aqui a resposta mais provável de um filho educado, certinho e universitário em 2017 é:

"Eu queria, mas tenho um exame daqui a 3 meses. Tenho que estudar..."

 

O curso de 5 anos termina em 7 e com o fim da universidade, surgem novos juramentos selados a cerveja. "Mas vamos continuar a sair ouviste??Não é como os do secundário!"

#soquenao

 

Principalmente quando conhecemos uma nova espécie: Os colegas de trabalho.

 

Por esta altura já saímos de casa dos nossos pais, pelo que que a conversa ao telefone voltou a mudar:

 

Pai: "Estou? Filho?"

"Sim, diz pai!"

Pai: "Está tudo bem?!"

"Sim está tudo, e por aí?"

Pai: "Por aqui também!"

"Então vá até amanhã!"

Pai: "Até amanhã filho!"

 

Com esta nova onda de amor paternal vem também algo que apreciamos bastante: o tal guito, o carcalhol, o salário.

Os primeiros tempos são de loucura e excessos. Até que damos por nós a fazer contas antes de agendarmos vários programas nocturnos.

Isto porque antigamente era a mesada do papá e a cerveja só custava 20 cêntimos, agora é a mesada do nosso trabalho e o jantar, bar, concerto, teatro, cinema, gasolina, nenhum deles custa menos de 10 euros.

 

Conclusão, "Malta querem vir cá jantar a casa?"

 

E logo agora que já não temos borbulhas na cara.

 

 

(imagem)

 

P.A


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O Drama das Entrevistas de Emprego

As entrevistas de emprego no fundo são como os amores. Podem ser raras, mas quem não as tem?

 

Ir a uma entrevista de emprego é como ir a uma espécie de encontro às cegas. Aliás, os princípios do blind date são praticamente os mesmos.

 

Tudo começa no caçador.

Este inicia a sua pesquisa online, numa busca e filtragem por perfis de que mais gosta. Assim que encontra um alvo, analisa-o com maior detalhe e, quer esteja no Tinder ou no Linkedin, se lhe interessa, seja pela foto sensual em trajes de praia ou pela experiência em Word e Excel, envia, sem qualquer pudor, o convite de amizade. A única diferença aqui é que no Tinder chamamos de tarado. No linkedIn é caçador de talentos.

Neste momento, o trabalho do caçador termina. Fomos notificados. Temos um aviso que alguém quer ser nosso amigo. Analisamos. E aqui, mais uma vez, o princípio é o mesmo: se nos parecer interessante, aceitamos e dizemos algo como "Até pode ser uma boa oportunidade, vou-lá ver como é. Nunca se sabe." enquanto clicamos em Aceitar Amizade. Se não sentirmos aquela chama, simplesmente ignoramos.

 

Segue-se então a primeira conversa. Desenganem-se aqueles que pensam o contrário. Até aqui é tudo a mesma coisa. Seja Tinder, Linkedin, Facebook ou o Badoo. O objectivo é sempre o mesmo e um só!

Marcar o primeiro encontro.

 

Mas há que saber quebrar o gelo. Senão a coisa não resulta. Não se pode ser muito bruto ou óbvio.

"Fiquei impressionado com o seu currículo."

ou a versão Tinder da coisa:

"Adorei aquela tua foto na praia, aquela luz, fantástico! E aquela frase sentimental nada relaccionada foi brutal. Nem reparei que estavas de biquíni!"

 

E agora sim, após esta primeira abordagem:

"Por esse motivo gostaria de saber se estaria interessado em reunir comigo para iniciarmos o processo de recrutamento"

ou a versão tinder da coisa:

"Por acaso não queres ir beber um café?"

 

Neste momento, se estivermos realmente interessados, aceitamos e "Vamos lá ver como é".

 

Até que o dia chega.

Qual encontro romântico, começamos a sentir aquela ansiedade típica, aquela necessidade de provar que somos bons, que temos as capacidades que nos reconheceram. E somos invadidos por algumas questões.

Será que vão gostar de mim?

E eu? Será que vou gostar? 

Quem nunca treinou ao espelho algumas frases antes do seu encontro laboral ou romântico? Isto para não falar do tempo que se passa na casa de banho na hora anterior. Afinal de contas temos de ir perfeitos para o nosso encontro laboral não romântico das 8 da manhã.

 

Aqui sim, reside a maior diferença destes dois mundos. A principal diferença entre um garanhão e um caçador de talentos é a hora a que marcam os seus encontros. Por acaso já viram alguém sedutor dizer, "Então e que tal irmos beber um copo amanhã às 7:30 da manhã? Pela fresquinha bem bom, não?". Ou por outro lado "Gostava de discutir o seu currículo consigo, hoje, pelas 23 num restaurante à sua escolha".

 

Tirando os guardas e outras profissões nocturnas, ninguém normal seduz antes do meio dia.

 

Chega a hora da verdade. Começa a entrevista. O caçador de talentos está ali mesmo à nossa frente e quer saber mais sobre nós.

E tal como nas primeiras conversas românticas, quem nunca disse ter um bocadinho mais de experiência que a realidade? Ou um sálario melhor? Ou uma formaçãozita a mais que à conta? Só para parecer mais confiante?

A conversa flui, as mentirinhas são bem aceites, sentimos a adrenalina a ferver. Ninguém nos pára! Estamos on-fire! Tudo corre bem. Será um perfect match laboral?

 

Foi um encontro perfeito. Adorámos e queremos mais! Estamos extraordinariamente felizes!

 

Só que o fim é igualmente comum ao dos encontros românticos.

 

Na realidade pouco interessa se gostámos muito ou não. Tudo depende se nos passam logo a nova entrevista, ou se ficamos para sempre na base de dados a aguardar por contacto.

 

E assim se fica de coração laboral partido.

 

(imagem)

 

P.A


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O Pior dia do ano

Tristes são os dias em que suspiramos pela chegada de um furacão para nos ajudar.

 

Hoje é um desses dias.

 

Que venha a chuva prometida e a ventania bem hidratada para ajudar a pôr fim à continuidade do que foi ontem proclamado como o pior dia do ano em matéria de incêndios. Ophelia faz lá o que sabes fazer se faz favor. Já te conhecemos o vento, brinda-nos agora com a tua chuva.

 

Mas analisando o que se passou, como se pode acreditar que de Santarém para cima existam centenas de incêndios em simultâneo? Ou que sejam normais 525 ignições num só dia?

Queimadas? Cigarros? Lixo? Foguetes? Pela certa que não. Não todos.

O de Seia, por exemplo, teve início na madrugada de domingo, completamente fora do foco de calor e da ignição, dita natural, de um fogo. 

Esta espécie de terrorismo incendiário teve em 2017 o seu ano de afirmação em Portugal. E infelizmente o seu ano mais lucrativo.

 

E como se pode acreditar que seja possível ter bombeiros suficientes para domar praticamente meio país em chamas?

Claro que não. E muito menos fora de época, em Outubro. Foi um atentado perfeito.

Mas que principalmente tem de parar de ser tratado como excepção. Já começa a não o ser.

 

Se Pedrogão Grande alterou algo, o comportamento das autoridades foi um deles, na primeira ameaça, fecham agora e de imediato os respectivos acessos.

 

Foi o que aconteceu ontem a alguém.

 

Ontem percebi o que é ter alguém fechado numa ilha de acessos vedados, em que a fronteira, ainda ao longe, é uma cortina de fumo negro, denso. Não pôde, por isso, voltar a Lisboa conforme previsto. 

 

Ontem percebi o que é ter alguém que com o passar do tempo percebe que essa ilha é agora substancialmente mais pequena e já não pode praticamente sair de casa.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que ao invés de assistir a melhorias com o passar do tempo, de repente fica sem rede telefónica em casa.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que a seguir, mal anoitece, olha em volta e me envia imagens de chamas em todo o seu horizonte.

 

Ontem percebi o que é ter alguém a quem tento ligar, preocupado, e descubro que já não tem rede no telemóvel.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que consegue ainda ter wi-fi por uma vez e me envia uma mensagem no Hangouts a dizer que a internet está intermitente em casa e que já não tem rede no telemóvel.

 

Ontem percebi o que é ter alguém que fica abruptamente sem qualquer forma de comunicar comigo.

 

Eu estou em Lisboa. Estou bem. Não sofri nada do que outros sofreram

 

Mas ontem percebi o que é não conseguir dormir, por silêncio.

 

P.A


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Ser Português num Cruzeiro

"Então e portugueses não há?" Foi uma das perguntas que mais me fizeram quando voltei.

 

Há sim senhor. E até conheci diferentes tipos.

O primeiro que vos apresento é:

 

O Português do Staff

 

Já é um dado estatístico absoluto que existe sempre um português no staff de qualquer organização mundial, não esquecendo também a lua. Esta até é bastante frequentada por nós. Eu pelo menos vou lá frequentemente.

Ora seria de estranhar que esta espécie de hotel afrodisíaco sobre o Atlântico não fosse um habitat bastante propício à proliferação laboral tuga. O senhor Daniel é um exemplo disso, era o nosso chefe de sala. Impecável. Se estiver a ler isto, um abraço. Pela certa não estará porque em pleno oceano, não tem rede. Eu bem sei.

 

Mas principalmente porque só há uma coisa que o português tolera menos do que não ter rede no telemóvel: é ter de pagar a rede marítima via satélite, nada barata, para a ter. Aí o português até já se arrisca a dizer coisas como:

"a vida é bem melhor assim desconectada!",

"estou muito mais descontraído, sem rede, sem chatices",

"estou tão feliz assim, bem mais leve!"

 

No entanto, depois, quando chega ao porto seguinte, é ver o telemóvel a apitar e o português rapidamente volta ao seu estilo SmartphoneDiem.

 

O Informático Português

 

Da mesma forma que existe sempre um português, tenho vindo a verificar recentemente que para onde quer que vá existe lamentavelmente outro informático português. Adivinhem com quem jantámos todas as noites?

Com mais dois informáticos.

Podíamos não ter rede, mas infelizmente havia google geek na mesa. Estou a brincar, conseguimos rir uma vez.

Estou a brincar outra vez. Foram duas.

 

O Jogador português de casino num cruzeiro

 

Simples. É o único que bate, abana e empurra a máquina para a moeda cair. E depois ainda culpa a agitação marítima. 

 

O Casal de portugueses bipolares linguísticos.

 

O nome é pomposo eu sei, mas vão ver que já ouviram falar destes. 

Conheci-os, estava prestes a ser atendido. Estava até com o meu braço esticado e encostado no balcão a aguardar. Surge então este simpático casal, um de cada lado, rodeando o meu braço. Começam a falar em português fluente sobre como me iam passar à frente, porque estavam com pressa e se me iriam perguntar ou se simplesmente passavam "sem querer". Parecia que estava num filme de acção ao estilo de 007 em que o vilão revela sempre o seu plano primeiro.

Decidiram-se por passar "sem querer". 

Não me imaginaram português.

Em defesa deles, eu estava bem penteado. Se eu não me conhecesse já há estes anos todos, pela certa também me acharia italiano. Foi uma das coisas que aprendi neste cruzeiro e escrevi aqui.

Mas até aqui tudo bem. Fiquei curioso.

Chega a minha vez e a senhora dirige-se para a empregada, empurrando ligeiramente o meu braço (aquele que sempre lá esteve) acrescentando-lhe a seguinte frase: "Excuse-moi!"

E volta a empurrar o meu braço.

A sério? E nem foi "Excusez"! Foi "excuse" como se fossemos amigos!

Falta de respeito.

 

Era este o plano?

 

É que se fosse "com licença", ainda papava. Agora depois de tudo "Excuse-moi..."? Sua grande tuga!

Senti em mim algo muito nacionalista, algo muito português, algo muito nosso!

 

Não me controlei e dei à luz, ali mesmo, outro tipo de português num cruzeiro:

 

O Barraqueiro

 

O que diz em alto e bom som: 

"Excuse-moi, NÃO!"

"Sabem bem que o "MOI", como disse a senhora, já aqui estava!"

 

Segundos passaram.

 

Vi o busto do Ronaldo nas suas caras. 

Desculparam-se prontamente e eu, qual típico bom português, dei-lhes a vez. Só lhes queria dar uma lição.

 

Afinal de contas eu já tinha passado à frente de uma Alemã.

 

Estou a brincar, era Romena.

 

 (imagem)

 

P.A


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Coisas que aprendi ao fazer um Cruzeiro

É verdade, estive cerca de duas semanas fora do país.

Se dizem que os 30 são os novos 20, Setembro é o novo Agosto.

Mas tal não chegava para mim e tinha de me armar em jovem adolescente e ir fazer interRails como se ainda tivesse 18 anos.

InterRail? 

Sim é aquele nome que se dá quando visitamos diversos países e culturas num curto espaço de tempo. Uma espécie de Zezé Camarinha, só que de comboio e com menos senhoras.

 

Na realidade o nosso foi um interRail diferente, até porque foi de barco.

"O quê? Um cruzeiro afinal??" - Não, calma. Sou algum velho ou quê?

InterRail marítimo se faz favor. Não me apanham nisso dos cruzeiros. Só velhos.

 

Bom, partimos do porto de Santa Apolónia, no tal interRail marítimo, e passámos por Espanha, França, Itália e Marrocos. As descobertas dos locais ficam para outros textos.

 

Mas se há coisa que aprendi neste interRail marítimo, é que um italiano é apenas um português bem penteado.

Sempre que colocava aquele gel sedutor, as pessoas cumprimentavam-me com "Buon giorno" de sorriso aberto, de resto era o "Bom dia", a despachar.

Gastei 5 embalagens.

 

Sabem aquelas adivinhas: "O que fazem um Português, um Alemão, um Italiano e um Espanhol fechados num elevador/sala/qualquer outro cenário"? Pois bem, descobri a verdadeira resposta: Estão num cruzeiro.

 

Passei também a acreditar na paz no mundo. Não é utopia, acreditem em mim, vi pela primeira vez uma alemã a chorar.

 

Descobri também que existe algo bem pior para elas do que sofás a ver um filme com o namorado: o embalo marítimo. Não falha.

Além disso, assistir a um espectáculo no teatro, a bordo, é como ver uma novela da TVI, só que neste caso os 15 minutos iniciais de publicidade são 15 minutos de tradução em todas as línguas. Os portugueses aqui, já estavam treinados, nem estranharam muito a demora.

Por falar em tradutores, conheci também o primeiro alemão fanhoso. Verdade, existem. Até podemos fazer um jogo. Conseguem imaginar quantas partículas de saliva aquele senhor soltava ao dizer fünf

Os meus óculos de sol decidem o vencedor.

 

Em excursões, perdão, eu não faço isso, queria dizer deslocações loucas de jovens, tínhamos uma italiana sexy a falar inglês, um alemão fanhoso (o tal) a falar italiano e um espanhol garanhão a falar francês. Ora pergunto eu agora, porquê as trocas meus senhores? Será que gostam do desafio? Acham afrodisíaco o sotaque? A italiana sexy ainda passa, mas conseguem imaginar o que é um alemão fanhoso a falar italiano?

Por esta ordem de ideias o português mais qualificado teria de ser russo e filho de pais africanos.

 

O navio, esse, é uma pequena cidade, uma espécie de arca de Noé, só que com mais girafas. Apanhámos muitas alemãs.

Tem teatro, casino, bar de desportos, restaurantes, bares, piscinas, jacuzzis, SPA, ginásio, matraquilhos, ping pong, cinema 4D, bowling, lojas para as meninas e para os meninos e um staff impecável, para não falar do quarto com varanda. Tudo isto junto faz com que penses constantemente: "Ainda bem que existe aquecimento global. Morte aos Icebergs! Cretinos!"

 

E a comida? 

Bom, estar num cruzeiro é como ir a 10 casamentos. Eu, que a última vez que engordei um quilo tinha sido ainda em escudos, posso afirmar hoje, convictamente, que descobri a receita para engordar aquele quilinho extra que nunca tinha tido e tudo isto em apenas 10 dias. Vou chamar-lhe a receita do Buffet aberto 20 horas por dia.

 

O cruzeiro acabou também por ser óptimo para o blog. Embora me tenha afastado daqui nas últimas duas semanas, foi por um bom propósito. Consegui convencer mais 4 pessoas. Sim, quadrupliquei os leitores. Férias perfeitas!

 

Conhecemos 2 casais portugueses que ficaram na nossa mesa de jantar todas as noites e que pelo menos uma vez, vieram cá ler o que se passava. Só por isso, são já boas pessoas. Espero ter-vos enganado bem.

 

Descobri também algo inesperado. Logo eu que tenho relativa fobia à água, atingi nestas férias o pico da minha angústia, reparem bem: cheguei a estar dentro de uma piscina, dentro de um navio rodeado por um pleno oceano atlântico e mesmo assim gostei. Ao ponto de ao longo deste texto deixar de me referir a isto como um "interRail marítimo" e assumir finalmente o "cruzeiro". Se há coragem para isto, imaginem como terá sido. Ou então sou apenas um velho acabado de sair do armário.

 

Mas continuem a dizer que é para velhos, continuem.

 

Essa foi a verdadeira lição que retirei destas férias, os nossos avós, esses sim, sabem-na toda.

 

Venham-me agora oferecer chocolates de mansinho que eu vos digo.

 

 

(imagem)

P.A


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