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A minha namorada apanhou o bouquet

A história de um rapaz e a namorada que apanhou o bouquet...

A minha namorada apanhou o bouquet

A história de um rapaz e a namorada que apanhou o bouquet...

"Broas" Memórias

Caríssimos,

 

hoje trago-vos algo um bocadinho "mais meu". Uma memória.

 

Tal aconteceu, era eu ainda um miúdo.

Era verão. E todos os verões, existia o hábito de, juntamente com os meus pais, irmos conhecer uma zona mais escondida de Portugal.

Quando digo mais escondida, falo de Alto Minho, Trás-os-Montes, Beiras, no fundo, zonas mais fronteiriças do nosso Portugal com Espanha que, nas nossas voltas de dia-a-dia na capital, não estavam logo ali ao lado para se visitar.

 

Esse verão não foi exceção.

 

Sendo miúdo, tinha ainda alguns requisitos particulares de paladar, ou se preferirem, era simplesmente parvo.

Então era sempre complicado, indo para estes locais, convencerem-me a provar algo típico, diferente do que via normalmente. Confirmo. Parvo.

 

Mas este caso ficou-me marcado. Tanto que estou hoje, aqui, a partilhá-lo com vocês.

 

Chegou então, num desses dias, a hora de jantar.

Lá nos dirigimos, sem TripAdvisors, ou Casais Mistério, ou mesmo telemóveis(!) (como estes choques de realidade ferem o meu espírito que ainda se julga adolescente, muitas vezes) para um restaurante que um amigo do meu pai tinha sugerido.

 

A entrada do restaurante era totalmente diferente do que conhecia, era uma casa típica, de pedra, o ambiente era meio sombrio e lá dentro imperava a meia luz. Notava-se que era um restaurante de um patamar mais refinado.

Somos acompanhados por um senhor muito bem vestido, simpático, que me dá logo um rebuçado.

Para estas "entradas típicas da região" já não era esquisito, claro.

 

Sentamo-nos, os 3, numa mesa redonda.

Colocam as entradas e começo a ser pressionado para experimentar a broa da região. Como nunca tinha comido e me parecia pão amarelo, estava, obviamente, com alguns receios degustativos. No entanto, embalado pelo rebuçado, enchi-me de coragem e provei. Gostei tanto, que repeti. Uma, duas, algumas vezes!

O problema veio a seguir.

 

Ora..comer broa, faz com que a mesa fique com alguns vestígios desse ataque. Sendo miúdo então, menos cuidado tive.

Eis que do nada, estava a falar com a minha mãe, surge um barulho tremendo do meu lado direito! Olho rapidamente!

Era o empregado com um aspirador de mão!

Foi o minuto mais longo que me lembro daquelas férias. Eu e os meus pais a olharmos sem sabermos como reagir aquela situação. Só existia um senhor, de expressão fechada, um som ensurdecedor, 6 olhos esbugalhados e migalhas lentamente sugadas pelo aspirador portátil.

O contraste entre a brutalidade sonora e a classe do empregado, foi algo que se tivesse que lidar hoje, não sei se teria resistido da mesma forma.

 

O senhor saiu como chegou. Nada disse.

 

Levei raspanete do meu pai. Fiquei a pensar que me tinha portado mal.

Mas não.

Percebemos depois que fazia mesmo parte do serviço. O processo repetiu-se mais 4 vezes. Sempre a cada prato e repetido, o ciclo, nas restantes mesas.

Como estava de costas para o corredor, a minha mãe já me avisava por sinais, para eu não me assustar, que vinha aí novo ataque. A cada aviso, lá ficava eu a brincar ao jogo da estátua!

Foi obviamente um grande jantar! Que podia um miúdo pedir mais? 

 

Mas a melhor parte, aquela que guardo em HD na minha memória, foi mesmo quando o senhor aspirou ao pé do meu pai, tinha ele acabado de me dar aquele raspanete!!!

O que eu me ri!!!

Ele é que nem por isso..

Tanto, que a seguir tive de comer massada de cação...

 

Toda...

 

 

P.A

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