Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

A minha namorada apanhou o bouquet

Um local de paz e reflexão, mesmo tendo ela apanhado o bouquet.

Você Decide

Hoje pode-me chamar de preguiçoso. Aceito.

Primeiro porque estou a publicar agora e devia ter sido ontem. Depois porque isto hoje vai ser diferente.

 

Vou-me armar em escritor de mini-novelas dos anos 90 e criar aqui uma espécie de Você Decide.

Quem se lembra deste belo programa da TV da altura com o António Sala? Quem disser "Eu", lamento por si.

É tão ou mais idoso quanto eu.

Basicamente, para quem não conhece o estilo, quando se chegava a uma fase final de novela, série, telefilme, etc, o escritor como era preguiçoso na tomada de decisões e não estava para se chatear muito com o assunto, filmava dois fins possíveis que depois iam a votos pelos telespectadores. Quando a votação terminava, estava o escritor em casa com o whisky na mão, já no seu terceiro charuto, com as pernas em cima da mesa e o trabalho era feito por quem ligava. Missão cumprida. Belos trabalhinhos havia...

Mas até era emocionante.

Foram das primeiras lutas do bem contra o mal que assisti na TV. Sim, porque durante esse episódio e até à fase da escolha, ia aparecendo a percentagem de votos para cada fim. O suspense tomava conta do pequeno P.A que acompanhava ao segundo aquela incerteza constante. Ainda me lembro de ver algo como:

"Gertrudes mata Álvaro" - 51%

"Gertrudes não mata Álvaro" - 49%

 

Isto é muita responsabilidade nas mãos. Muita pressão.

Além de cúmplice de homicídio, claro.

Mas é muita responsabilidade para uma pessoa. Afinal a vida de Álvaro estava à distância de um telefonema.

"Não somos nada..." - não é o que se diz? Bem verdade...

 

Bom, a votação terminava e lá ficava meio país contente e outra metade furiosa pelo Álvaro afinal ainda se ter safado.

Em alguns casos, quando os dois fins eram, de facto, igualmente interessantes, acabavam por passar ambos e o país respirava de alívio.

 

E pronto era esta a televisão interactiva, qual realidade aumentada ou 3D, que existia Portugal nos anos 90.

 

No fundo é como o caso que vos trago para hoje caros "teleleitores".

Apresento-vos dois caminhos de leitura sobre mim e vocês agora façam o que bem entenderem que eu vou ali e já venho. Mas só vos digo isto, vejam os dois. Vão ver que vale a pena.

 

Caminho nº1: Era uma vez

Este bonito e jovial caminho onde podem ficar a conhecer um pouco melhor como era a minha rotina de criança de bibe aos quadrados vermelhos no infantário. Tudo patrocinado pela sempre simpática Miss Unicorn.

 

 

Caminho nº2: Que música te faz ficar no carro

Este já é um caminho mais acidentado, confesso. No entanto, de igual qualidade ao primeiro. Por aqui podem ficar a saber que tipo de melodias/músicas me fazem ficar no carro. Além de todo um conjunto de opiniões muito duvidosas relativamente à minha pessoa.

Tudo com selo de garantia de uma tal de Mãe dos PP's.

 

Você Decide.

 

(imagem)

 

P.A.



Volta ASAE, estás perdoada

Acho que nunca comentei um programa de televisão por aqui, mas neste caso não podia deixar passar.

Falo do Pesadelo na Cozinha.

 

A TVI que noutros capítulos não me seduz tanto, aqui acertou em cheio. Muito se fala de serviço público na televisão e sinceramente este é, para mim, o verdadeiro exemplo. Algo que tem o propósito de corrigir e melhorar o que vamos usufruir é obviamente útil e necessário. E para isso precisamos de um choque. Precisamos do choque que é conhecer primeiro a nossa realidade.

As audiências contam, tem publicidade, vocabulário mais forte (algumas vezes bem necessário para quebrar algumas personalidades muito próprias), sim, tem isso tudo, afinal é um programa de televisão, mas no fim temos algo a que eu chamo de Educação Culinária, para não falar das supostamente básicas Higiénica e Cívica.

Conhecia a versão original e não pensei vir a apreciar a nossa. Até porque julguei que não teríamos tanta matéria prima lastimável. Infelizmente enganei-me. Mas já lá vamos.

 

Vamos recuar um pouco no tempo. Quando ainda não existia este programa. Ao tempo em que a ASAE era vista como uma entidade ditatorial que impunha normas abusivas, ridículas e que fechava a seu belo prazer restaurantes, apenas porque podia. Esta era uma opinião relativamente generalizada. Uma espécie de prima da EMEL que só existe para lixar a vida do português trabalhador.

E agora?

Sinceramente? Acho que a grande beneficiada pelo programa é a própria ASAE. O português vê finalmente as condições lastimáveis de um restaurante que aparentemente até está bom. Principalmente para aquele cliente normal e habitual que entra e só se senta à mesa para ver a bola.

A nossa mesa, pratos, talheres embora impecáveis, não reflectem o que se passa logo ali ao lado, na cozinha. Para não falar dos pratos com molho da casa com um sabor distinto, derivado de um tal "ingrediente secreto do Chef", bom, aqui se já viram o programa saberão a que "ingrediente" me refiro.

 

ASAE, falo para ti.

Seria inteligente da tua parte perceberes o sucesso deste programa versus a tua má fama. Afinal o que falta?

Simples, faltam-te imagens. Faltam-te as provas de que não vives na soberba do teu poder. Basta-te isso.

E prova disso tem um nome. Chama-se Pesadelo na Cozinha.

 

E já ninguém te disse nada por teres fechado "O Canela", pois não?

 

Agora até já chamam por ti.

 

Volta ASAE, estás perdoada.

 

 (imagem)

 

P.A



Eu Adoro a Páscoa

A tradição Pascal é algo que não existe nas grandes cidades. A única tradição que conheço daqui (Lisboa) e tenho seguido ultimamente é de ser dos poucos que trabalha na véspera da Sexta-feira Santa. Somos bastante religiosos. Eu e o porteiro.

Por isso sim, estamos cá hoje fielmente, mais um ano. Adoro a Páscoa.

 

Bom, mas tradição essa à parte apresento-vos hoje a que melhor conheço do interior do nosso país. Na verdade eu conheço-a agora, mas a primeira vez ninguém me avisou e eu não estava preparado para tudo o que implicava a célebre visita Pascal do padre da paróquia.

Ora, cada casa tem de ter a sua porta aberta e mesa posta como oferta ao senhor padre e a quem queira aparecer. Buffet infinito casa a casa? Adoro a Páscoa!

 

Mas o que não conhecia é que após o tocar do sino alertando para a chegada iminente do senhor padre existia um ritual.

Um ritual semelhante à onda nos estádios de futebol. Bem, não é a mesma coisa, na realidade já está tudo de pé e não se levantam os braços. Basicamente comecei a ver uma escadinha de cabeças a movimentarem-se numa direcção que nem peças de dominó e em breve eu seria a peça do dominó seguinte.

Vinham dois senhores a segurar uma imponente cruz e todas as pessoas se inclinavam e beijavam o centro da cruz. Uma após a outra, da mais idosa à mais nova, lá saía uma beijoca. Ora eu que com esta idade ainda não apanhei herpes, não ia ser ali certamente.

No entanto, estava em apuros. Onde me encontrava, no cimo das escadas à porta de uma casa, não tinha fuga possível a não ser descer a pé todas as escadas onde se encontravam já diversas pessoas em posição de dominó, correndo o risco de, a meio, ficar preso e em contra-mão com os senhores da cruz. Fiquei. E tive uma brilhante ideia. Plano B.

Quando estiverem a 3 degraus de mim, recebo uma chamada importante que tenho de atender e pronto fica resolvido.

Assim foi. Atendo a chamada fantasma, falo algo imaginário e o plano corre bem, passaram por mim. Continuo sem herpes.

Mas mesmo quando suspiro de alívio, oiço um dos senhores da cruz:

"Epa você tem um grande telemóvel! É que aqui não se apanha rede nenhuma!"

 

Não sei se já vos disse, mas..

Adoro a Páscoa...

 

(imagem

 

P.A



United Airlines

A companhia aérea onde quem entra como médico sai como paciente.

Eu, sendo informático, tenho de ter cuidado. Não dava nada jeito formatarem-me agora. E depois as fotos?

Bom, preocupações minhas à parte, vamos lá perceber o enredo deste thriller:

 

Tudo começou há duas semanas quando não permitiram a entrada de duas raparigas por envergarem umas finas e justas leggings.

Agora imaginem se fizessem isto também nos ginásios?

Já não andava lá macho nenhum por esta altura. E andou esta gente 4 anos a estudar Gestão.

 

Bom, agora o mesmo gestor tem um problema entre mãos, qual é a melhor forma de tapar uma semi-caricata situação de uma empresa?

Mudar de comportamento? Reconhecer o caso mas tratá-lo como algo isolado?

Não. Não chega.

Vamos lá criar algo ainda mais caricato e nunca antes visto, assim ninguém se vai lembrar das leggings da semana passada. Concordo consigo gestor. Tem lógica. Eu próprio, depois desta notícia tive bastante dificuldade em me lembrar da anterior, mais uma semana e já não me lembro, pela certa.

 

O cenário escolhido foi um voo de Chicago para Louisville na passada segunda-feira. E quando já estavam todos os passageiros no avião, com bilhete pago, check-in feito, surge a indicação que o voo estava sobrelotado e 4 pessoas teriam de abandonar. Se fosse um gestor português, punha ali logo uma cadeira em cada esquina e estava feito. Mas como mais uma vez não havia nenhum português para resolver a situação e ninguém se voluntariou para sair mesmo com 400 dólares de indemnização e noite paga no hotel, subiram para 800. Duas pessoas aceitaram e o gestor tremeu, tremeu por pensar que iria acabar ali e ele sem história. Mas não, ficaram a faltar 2 lugares. Foi necessário efectuar um sorteio e um dos felizes premiados foi um senhor de traços asiáticos.

 

E foi exactamente este senhor de traços asiáticos que salvou o gestor. Quando depois de sorteado, recusou sair, indicando ser médico e com consultas marcadas com pacientes, sendo imperativa a sua viagem. Acabou imperativamente arrastado pelo corredor do avião, como se de uma criança a fazer birra no hipermercado se tratasse. Ainda conseguiram no meio de tantos puxões enviar a cara do senhor contra o banco do lado, ficando o mesmo um forte candidato a vencedor do Halloween 2017.

 

Leggings? Quando? Não me lembro.

 

E assim se gere.

 

(imagem)

 

 

Podem ver o vídeo aqui.

 

P.A



Aquelas pessoas que embirram com o telemóvel

 

Hoje em dia toda a gente tem o seu próprio telefone no bolso, mas antigamente não era assim.

Antigamente existia "o telefone". Era uma "coisa" que existia numa divisão da casa e que até tinha direito a uma mesa própria.

Um luxo de tal forma que não se deixava ao alcance das crianças.

 

E como era marcar o número num telefone de casa?

Era preciso girar uma espécie de roda de números de acordo com o que queríamos para se registar o correcto, um a um, sempre uma voltinha. E se houvesse engano não havia como apagar e escrever o dígito de novo. A solução era colocar o telefone no descanso e voltar tudo do início.

Por aqui fica fácil perceber como eram odiadas aquelas pessoas que tinham 0's e 9's no seu número. É que quando tinha de ligar para alguém assim,  acabava sempre por me perguntar se valeria o trabalho dos 10 minutos de marcação, só para avisar o Zé Luís que a Joana Meireles afinal é mesmo bruta. 

"Deixa lá, ele amanhã na escola vê a minha nova cara". E já não havia chamada.

 

Isto era assim há não muitos anos atrás!

Agora deve ser uma maravilha! Tudo altamente moderno e sofisticado, com GPS, MP3, internet, agenda, jogos, tudo, as pessoas devem adorar:

"Eu odeio este telemóvel!"

"Que lentidão!"

 "Carrego aqui e não acontece nada, olha para isto!"

 

A sério?

Por favor pare. Pare de ser o rapaz gordo do 8ºano sempre zangado e a fazer birra. Tire lá essa cara!

Até o smartphone mais horrível do planeta é um milagre para quem há uns anos usava "o telefone"!

E dar-lhe uns segundos não? É que ele parecendo que não ainda vai à Lua e volta!

Deixe lá o milagre funcionar, aquela coisa mágica que pega no que você acabou de dizer ou escrever e projecta-a a quilómetros de distância se calhar ainda demora qualquer coisa na viagem. Desculpe lá uns segundinhos antes de voltar chamar o miúdo gordo outra vez.

E digo-lhe mais, não tem de partilhar sempre os seus lamentos tecnológicos com as pessoas à sua volta, principalmente quando reclama que no seu smartphone o Youtube nunca mais carrega. 

 

É que na realidade ninguém quer saber se a música que quer ouvir da Maria Leal está a demorar a carregar ou não. 

 

 (imagem)

 

P.A



O Finalista Português

É sem dúvida alguma o nome mais temido por terras espanholas por estes dias que passam.

 

Sinceramente eu acho que é só por causa do finalista português que os espanhóis ainda não nos invadiram.

Repare bem, todos os anos é a mesma coisa, o espanhol começa a olhar para Portugal como uma pequena quinta aqui ao lado que até tem umas coisas engraçadas. Invade o mercado com os seus produtos, compra-nos activos, controla alguns cargos importantes e o plano corre bem durante alguns meses. E nós nada. Até que chega a Páscoa.

Aquela altura do ano onde restos de copos, garrafas, lençóis, colchões,  toalhas, azulejos, tv's, enfim, tudo o que conseguirem agarrar, toma conta das zonas costeiras e resorts espanhóis. Um furacão que os coloca em sentido.

Alguns turistas que não conheçam o fenómeno ainda poderão acreditar que se trata de alguma tradição pascal espanhola. Mas não.

Não é tradição caro turista, é rendição. 

 

Obrigado finalista.

Obrigado por este oxigénio extra que nos dás todos os anos para aguentarmos aqui bem imponentes e temidos por mais um aninho. Para verem que não brincam assim aqui com o portuga.

Sabes, o problema até é nosso que não pomos os olhos em ti. Acaba a Páscoa e és sempre esquecido.

Em Maio volta outra vez o português que não faz mal a uma mosca e lá ficamos nós a depender da vossa fornalha de 2018 outra vez.

 

Bom mas vamos analisar o que tem conquistado o finalista.

Recorda-se de Lloret del Mar? Eu recordo perfeitamente. Afinal fui também eu destacado para essa missão há umas Páscoas atrás.

Hoje em dia espante-se:

Já não existe. Nenhuma agência de viagens oferece este destino para o finalista português. Qual Aljubarrota, o finalista português chegou e conquistou.

Com Lloret del Mar já fora do mapa, Marina d'Or, Benalmadena, CalpeSalut são os locais mais procurados por finalistas do secundário.

Então não é que Benalmádena (Torremolinos) já é nossa? Caiu este ano.

Cerca de mil finalistas altamente especializados conseguiram envergonhar os grandes favoritos de Marina d'or, esses que ainda são embaraçosamente aceites por lá. Os de Benalmádena não, fizeram o que lhes competia e em apenas 2 dias dominaram o território por completo e estão em Portugal bem mais cedo que o previsto a celebrar mais esta grande conquista.

Eu próprio, mais logo, ainda lá vou dar um bacalhau à malta. 

 

Mas quem é verdadeiramente este conquistador português dos tempos modernos? 

Aquele que embora só saiba em Julho se realmente é finalista ou não, coloca corajosamente a pátria em primeiro lugar antecipando a sua recruta logo em Abril?

Uma coisa é garantida, mesmo reprovando, para o ano é novamente finalista e vai voltar a tirar o calção ou biquini da gaveta e envergar honrosamente, mais uma vez, o uniforme do finalista português.

 

Ah que saudades! Quem me dera ter feito mais pela pátria. 

 

Coragem finalista! Para o ano há mais!

 

 (imagem)

 

P.A



As pessoas de Sexta-feira à tarde

Não é novidade é certo.

Todos nós sabemos que as pessoas de sexta-feira à tarde têm algumas peculiaridades.

O que é certo é que ninguém está livre deste fenómeno. A maior parte é contagiada e vira mesmo o boneco.

Desde o neto ao avô, a sexta-feira é sempre uma sexta-feira.

 

Normalmente a profundidade da besta emocional que nos domina é directamente proporcional à necessidade do querer sair a todo o custo de onde estamos. 

Qualquer destino de fuga é válido, excepto o local de trabalho. Nunca assisti a uma possessão destas por alguém querer ir trabalhar.

 

O verdadeiro problema é que, por azar, todas as pessoas em redor de uma pessoa de sexta-feira à tarde, são também elas pessoas de sexta-feira à tarde. Naturalmente, com toda esta tensão no ar, poderão surgir picos de maior ternura verbal ou, em alguns casos, física, com direito a episódios extra de Querido Mudei-lhe a Cara.

Hoje joguem pelo seguro. Falem por email.

 

Principalmente se ao pé de vocês habitarem aqueles colegas contadores de histórias que todos conhecemos um. Aquele que de uma caneta consegue contar como a prima nasceu. Ou quando ainda não o conhecíamos bem e cometemos o erro de lhe perguntar que horas são, porque estávamos com pressa, e levamos com o episódio 267 do Canal História.

 

Que vos fique bem claro:

A pessoa de sexta feira à tarde não ajuda idosos a atravessar a estrada.

Não recicla.

Nem quer saber se você estava primeiro para entrar no elevador.

No entanto, no que trata ao uso do palavrão, apresenta-se eloquentemente culta.

Já em viagem, a pé, o seu passo é acelerado.

De carro, a buzina é a banda sonora escolhida para a viagem.

 

Que nos corra tudo bem hoje.

 

Qualquer coisa, estou no email.

 

 (imagem)

 

P.A.



O que é uma biblioteca?

Ouvi eu um adolescente a perguntar a um colega.

 

Na minha altura, na escola, um calduço seria a opção correcta e imediata. Mas neste caso o colega respondeu:

"Não sei, acho que tem livros."

 

Fez-me pensar.

Hoje em dia a rapaziada já não passa serões a fazer os chamados trabalhos de grupo na biblioteca. Agora chama-se whatsapp, telegram ou messenger. O que até é mau.

 

Quantas vezes não disse eu à minha avó que ia para a biblioteca adiantar o trabalho de ciências, quando afinal estava era a estudar línguas com a minha colega estrangeira Mafalda? Estou a brincar avó.

Era a Inês.

 

Por algum motivo sempre tive melhor nota a inglês. É tudo uma questão de estudo. 

 

Mas caro adolescente, já imaginaste como será entrares numa biblioteca e teres de procurar um livro, por corredor, fila e posição? 

E ao fim de uns minutos de procura, descobrires que aquele intervalo ali, aquele mesmo, entre dois livros que não te servem para o trabalho, é exactamente o intervalo do livro que tu precisas?

E que quando tu te viras, triste com a situação, percebes que quem tinha acabado de o requisitar é um colega teu que está naquele preciso momento a olhar para ti e a rir?

 

Agora imagina isto tudo num clima pesado e controlado onde não podes rir, não vá o bibliotecário aparecer.

 

"Bibliotecário?" - perguntas tu.

 

Sim, entrar na biblioteca é ser confrontado com aquela figura autoritária que lá habita, de expressão sempre fechada e que ao mínimo som exerce violentamente o seu gesto de indicador bem firme, colado aos lábios. Sempre acompanhado de um "shhh" assertivo e olhar ameaçador.

É ter todo aquele peso de responsabilidade quando este mesmo senhor bibliotecário chega com obras mais antigas nas mãos e na entrega, solta apenas uma palavra com voz robusta: "Cuidado."

Que arrepio.

 

É uma experiência que te aconselho, caro adolescente.

A ti e aos teus amigos.

 

Ou isso ou treinar línguas.

 

 (imagem)

 

P.A.



Cuidado, Fui burlado na esquadra

Quem o diz é o senhor Alfredo.

Amigo de longa data do meu avô, polícia reformado com mais de 40 anos de trabalho, sempre na mesma esquadra.

 

Hoje trago-lhe uma história, não minha, mas deste grande senhor Alfredo.

Mas já lá chegarei.

  

Desde queixas apresentadas porque a esposa ressona, ou até mesmo carros de patrulha requisitados para emergências que afinal eram apenas para apanhar o marido com a amante em flagrante noutra residência. O senhor Alfredo estava presente.

Mas há mais.

Casos de pessoas que se apresentavam voluntariamente na esquadra para serem presas, apenas porque gostavam de saber como seria, ou ainda as que chegavam e apenas diziam "Não aguento ver homens com farda...".

Estas, o senhor Alfredo só sorriu e deu um ligeiro toque na boina. Não adiantou mais...

 

Mas de todo este concentrado de situações, apresento-lhe esta, com mais de 30 anos de história:

 

Era uma terça-feira, por volta do meio-dia.

Apresenta-se um senhor de seu nome Manuel, bem vestido e bem falante. Quer apresentar queixa.

O senhor é atendido.

Afirma convictamente que lhe roubaram a carteira. A queixa é feita.

Só que logo a seguir surge um problema. Informa que tem de viajar para o Porto nesse mesmo dia e que na carteira continha além do bilhete, todo o seu dinheiro. Pergunta então se a esquadra não poderia emprestar o dinheiro que, obviamente, ele daria todos os seus contactos. O senhor Alfredo regista os dados e indica que no máximo poderão comprar eles próprios(esquadra) o bilhete.

 

"Não tínhamos computadores. Só máquinas de escrever e apontávamos tudo num dossier". - conta.

 

Entretanto com o aproximar da hora de almoço, o senhor bem falante Manuel pergunta se não poderia incluir também o almoço nesse mesmo "empréstimo". O pedido foi concedido e como o senhor não tinha carro, foram dois polícias e o senhor Manuel numa espécie de escolta policial até ao restaurante. Almoçaram todos.

O senhor não se fez rogado e como disse que seria ele a pagar e estavam a ser tão simpáticos para com ele, pediu tudo do bom e do melhor, claro.

 

"Eu sei porque estava lá! Era um dos polícias!" - reforça o senhor Alfredo.

 

Por fim chega a conta. O senhor Manuel ainda comenta que até contava com maior despesa, mas quem regista e paga, são os dois polícias.

Terminada abastada refeição, saem do restaurante e como a hora de partida do comboio já é próxima, assistiu-se, mais uma vez, a uma segunda escolta policial, desta feita até à estação de comboios.

 

O senhor entra no comboio e despede-se dos polícias, agradecendo bastante toda a hospitalidade.

 

"Os dados eram falsos e até hoje não recebemos nada!"

 

"E foi assim que fui burlado! Nem na esquadra!"

 

 (imagem)

 

P.A



Aquelas torneiras automáticas...

Caro senhor responsável por este tipo de torneiras, principalmente aquelas sem sensores que precisam de um pequeno toque para começar, perceba uma coisa:

 

Eu quando entro na casa de banho onde trabalho e quero lavar as mãos, não me quero sentir um concorrente do novo programa da Cristina. Sempre a correr.

Graças à sua ideia, algo que devia ser equivalente a um Spa para as minhas mãos, transforma-se numa sequela mal feita de um qualquer episódio da série 24. E eu não sou o Jack Bauer dos lavatórios.

É que quando carrego na maldita torneira, já sei que tenho apenas 7 segundos para molhar um pouco as mãos, correr para o sabonete e voltar novamente para a torneira para concluir o processo. Diga-me, Spa onde?

Como é óbvio, 7 segundos não chegam. Principalmente se o sabão não está logo ali.

Claro que a história acaba sempre da mesma forma. Um P.A triste, derrotado e com mãos cheias de sabão à frente de uma torneira seca, que outrora correu água.

Que desilusão.

Tenho de voltar a carregar na sua amiga torneira.

E, como é óbvio, 7 segundos são agora um exagero.

Em 2 segundos estou pronto a sair e a torneira continua a deitar água. Ainda tento puxar o gatilho para acelerar o processo, mas em vão, continua a correr. O pânico inicial deu agora lugar à mágoa.

Toda aquela água a correr em vão. Só porque eu não consegui à primeira.

 

Assisto impotente a todo aquele velório aquático.

 

Por fim termina.

Suspiro.

 

Saio da casa de banho de mãos bem lavadas, verdade.

Mas de consciência bem poluída.

 

 

P.A.

(Amigo, altere lá isso para os 10 segundos está bem? Sempre são menos que ter de carregar duas vezes... Ajuda-me a mim e a quem paga a água.)



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Mais sobre mim

imagem de perfil

Queres mais conteúdo do bom? Segue-me no Bloglovin que eu depois digo-te onde.

Arquivo